domingo, 17 de janeiro de 2016

17/01/2016 07h27 - Atualizado em 17/01/2016 07h28 São Paulo, BH e Rio poderão ter as campanhas mais caras para prefeito Candidatos a prefeito e vereador terão limites de gastos em cada cidade. Para ministro, proibição de doação empresarial vai diminuir arrecadação. Renan Ramalho e Laís Alegretti Do G1, em Brasília

LIMITES * DE GASTOS PARA CANDIDATOS
Capital
Prefeito
1º turno
Prefeito
2º turno
Vereador
São Paulo
R$ 33,9 milhões
R$ 10,1 milhões
R$ 2,4 milhões
Belo Horizonte
R$ 19,9 milhões
R$ 5,9 milhões
R$ 454,2 mil
Rio de Janeiro
R$ 14,8 milhões
R$ 4,4 milhões
R$ 1,04 milhão
Salvador
R$ 10,9 milhões
R$ 3,2 milhões
R$ 296,5 mil
Fortaleza
R$ 9,2 milhões
R$ 2,7 milhões
R$ 343,9 mil
Curitiba
R$ 7,1 milhões
R$ 2,1 milhões
R$ 348,1 mil
Cuiabá
R$ 6,73 milhões
R$ 2,01 milhões
R$ 367,8 mil
Manaus
R$ 6,71 milhões
R$ 2,01 milhões
R$ 19,9 milhões
Palmas
R$ 5,8 milhões
**
R$ 631,6 mil
Campo Grande
R$ 4,99 milhões
R$ 1,49 milhão
R$ 480,7 mil
Recife
R$ 4,93 milhões
R$ 1,48 milhão
R$ 663,5 mil
Vitória
R$ 4,8 milhões
R$ 1,44 milhão
R$ 98,2 mil
Porto Alegre
R$ 4,3 milhões
R$ 1,3 milhão
R$ 321 mil
Goiânia
R$ 4,2 milhões
R$ 1,27 milhão
R$ 388,4 mil
Natal
R$ 4,1 milhões
R$ 1,23 milhão
R$ 253,9 mil
Maceió
R$ 3,3 milhões
R$ 1,01 milhão
R$ 164,7 mil
Aracaju
R$ 2,8 milhões
R$ 843 mil
R$ 122 mil
Florianópolis
R$ 2,7 milhões
R$ 813 mil
R$ 127,8 mil
São Luís
R$ 2,3 milhões
R$ 704 mil
R$ 330,8 mil
Porto Velho
R$ 2,2 milhões
R$ 663 mil
R$ 104,5 mil
João Pessoa
R$ 1,8 milhão
R$ 552 mil
R$ 204,7 mil
Teresina
R$ 1,6 milhão
R$ 491 mil
R$ 155,7 mil
Boa Vista
R$ 1,3 milhão
**
R$ 257,1 mil
Belém
R$ 1,05 milhão
R$ 317 mil
R$ 287,4 mil
Macapá
R$ 884 mil
R$ 265 mil
R$ 99,5 mil
Rio Branco
R$ 166 mil
R$ 49,8 mil
R$ 89,2 mil
* Valores deverão ser corrigidos pelo INPC de out.2012 a jun.2016
** Capitais com menos de 200 mil eleitores, onde não há segundo turno

Fonte: Tribunal Superior Eleitoral
As cidades de São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro poderão ter as campanhas para prefeito mais caras entre as capitais nas eleições municipais deste ano, conforme limite estabelecido pela Justiça Eleitoral em dezembro, com base na recente minirreforma eleitoral.
(Consulte aqui o limiite de gastos do seu município)
O limite de gastos para candidatos a prefeito e vereador em cada um dos 5.570 municípios brasileiros foi divulgado no último dia 28 de dezembro pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com base numa lei de setembro que fixou os tetos para as despesas das campanhas.
Cada candidato a prefeito da capital paulista, por exemplo, poderá gastar R$ 33,9 milhões no primeiro turno e R$ 10,1 milhões no segundo turno, se houver.
Em Belo Horizonte, o teto será de R$ 19,9 milhões e R$ 5,9 milhões, respectivamente.
No Rio de Janeiro, quem se candidatar à Prefeitura terá um limite de despesas de R$ 14,8 milhões no primeiro turno e R$ 4,4 milhões no segundo.

Esses limites, porém, ainda deverão subir cerca de 30%, correspondentes à inflação acumulada entre outubro de 2012 a junho deste ano (levando em conta as projeções do mercado).
A ordem das capitais com maior limite de gastos (veja na tabela ao lado) corresponde ao ranking das campanhas mais caras de 2012.
Isso porque a minirreforma eleitoral definiu os atuais limites com base nos maiores gastos realizados em cada cidade na eleição passada.
A nova lei estabeleceu que o teto para cada candidato gastar no primeiro turno em 2016 será de 70% do gasto total do candidato que mais gastou em 2012.
No caso dos pleitos que tiveram dois turnos, o limite será de 50% da campanha mais cara. Para o segundo turno deste ano, o limite será de 30% do teto estabelecido para o primeiro turno.

Nos municípios com até 10 mil eleitores, o limite será único: até R$ 100 mil para candidatos a prefeito e até R$ 10 mil para vereador.

Campanhas mais baratas
Antes da minirreforma eleitoral, eram os próprios candidatos que definiam o quanto iam gastar, sem limite fixo, e só informavam o valor à Justiça para posterior verificação com as receitas captadas.
O objetivo da nova lei foi reduzir o custo das campanhas, impondo também um tempo menor de campanha, cujo período caiu pela metade.
Se antes as campanhas iam de julho a outubro (ou novembro, em caso de segundo turno), agora começam em 16 de agosto.
Outra mudança -- promovida, porém, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) -- foi a proibição das doações de empresas para partidos e candidatos.
Com isso, a arrecadação virá somente do Fundo Partidário (dinheiro público repassado às legendas) e de doações de pessoas físicas.

G1 conversou com consultores, estrategistas e analistas de campanha para saber o impacto dessas mudanças nas campanhas deste ano. Na opinião deles, os limites devem favorecer os políticos que já são conhecidos pela população.

O ministro do TSE Henrique Neves, avalia, porém, que nas capitais e grandes cidades, os candidatos poderão ter dificuldade para arrecadar o valor-limite para as campanhas, sobretudo considerando a proibição das doações de empresas.
"Imagina-se que nas grandes cidades, que têm limite alto, o candidato vai ter dificuldade de arrecadar dinheiro. Em São Paulo, por exemplo, como é que um candidato vai fazer para arrecadar R$ 33 milhões, se empresa não pode mais doar? Já quem tem limite baixo, como é o caso dos candidatos a vereador no interior, vai ter o perigo de estourar o teto", afirmou.

17/01/2016 12h29 - Atualizado em 17/01/2016 12h29 Emprego na crise: veja 13 profissões que estarão em alta em 2016 Empresas buscam profissionais que resolvam problemas e reduzam custos. Especialistas não esperam aumento de oportunidades ou de salários. Pâmela Kometani Do G1, em São Paulo

Pedestres observam cartazes com ofertas de emprego no calçadão da Rua Barão de Itapetininga, no centro de São Paulo (Foto: Dario Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)Cartazes com ofertas de emprego no centro de SP
(Foto: Dario Oliveira/Código 19/Estadão Conteúdo)
O ano de 2015 não foi fácil para quem estava atrás de um emprego. Com a crise econômica, algumas empresas buscaram equilibrar as contas cortando despesas e até mesmo funcionários. Até novembro do ano passado, 945,363 postos com carteira assinada foram fechados, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
Com um cenário tão difícil, o que os profissionais podem esperar o ano que começa agora? Segundo especialistas ouvidos pelo G1, as empresas estarão ainda mais exigentes na hora de contratar, já que o orçamento enxuto exige trabalhadores que realmente resolvam problemas, reduzam custos e tragam bons resultados.
"Para 2016, a tendência é de que as empresas sigam os ajustes e sejam cada vez mais exigentes nas contratações. Não haverá um movimento significativo de expansão de posições e os salários tendem a ficar estáticos", afirma Fernando Mantovani, diretor de operações da Robert Half no Brasil.
Segundo Henrique Bessa, diretor da Michael Page, as empresas vão priorizar profissionais que consigam agregar valor e eficiência ao negócio. "Quem entender este momento e se colocar à disposição para absorver uma nova função ou dar apoio em mais de uma área, pode se destacar facilmente dentro da companhia". O perfil inovador e a capacidade de obter resultados em situações adversas serão características ainda mais valorizadas em 2016.
"Com um cenário econômico mais retraído, as palavras de ordem são resultado e produtividade. Os profissionais precisam oferecer mais produtividade, sem deixar de lado a qualidade. As áreas de tecnologia, compliance e financeira são as que devem gerar maior demanda pela busca de alternativas para driblar a crise", diz Paulo Dias, diretor de recrutamento da Stato, consultoria especializada em recrutamento e transição de executivos.
Veja 13 profissões que estarão em alta em 2016, segundo especialistas:
1) Gerente/ coordenador de infraestrutura
Perfil: 
Profissional com formação em sistemas ou ciências da informação. É responsável pela gestão de infraestrutura de TI – telecomunicações, suporte e data center.
Por que estará em alta: Infraestrutura de TI afeta diretamente a eficiência operacional da empresa, além de trazer reduções de custos. Eficiência e custos são os dois dos principais objetivos das companhias.

2) Gerente/ coordenador de plataformas mobile e web
Perfil:
 Para web é necessário ter conhecimento no desenvolvimento em Java, Groovy, DevOps. Para mobile, conhecimentos IOS e Android. Lidera equipe de desenvolvedores de aplicativos, ferramentas web, visa aproximar o usuário da marca/empresa.
Por que estará em alta: Existe uma tendência na maioria dos setores da economia (incluindo financeiro, varejo, bens consumo, entre outros) da migração do ponto de venda e do relacionamento com clientes para plataformas on-line e de e-commerce.

3) Gerente tributário
Perfil: 
Formação em contábeis ou direito com especializações em direito tributário e bom domínio de inglês. Tem o papel de garantir que a empresa esteja em dia com as obrigações fiscais. Busca reduzir a carga tributária e aumentar a eficiência do negócio.
Por que estará em alta: Com a possibilidade de aumento de impostos, somado as frequentes alterações na legislação brasileira e novos projetos em fase de implementação (ex: e-Social), a área deve continuar no radar das empresas.

4) Controller
Perfil: 
Formação em ciências contábeis, administração ou economia. Acompanha a operação da empresa sob o ponto de vista financeiro, cria relatórios e indicadores, além de liderar os relatórios dos números para a matriz e/ou acionistas.
Por que estará em alta: O cenário incerto da economia demandará maior precisão de informações e fará com que as matrizes (ou acionistas) fiquem mais próximas às operações em no país.

5) Gerente de tesouraria com foco em operações estruturadas
Perfil:
 Formação em ciências contábeis, administração, economia ou engenharia, com MBA em finanças corporativas ou investments. Responsável pela gestão e controle da estrutura de capital das empresas. Possui ampla bagagem de relacionamento bancário de médio/longo prazo, e de projeção e controle do fluxo de caixa das organizações.
Por que estará em alta: É um profissional que poderá baratear o “custo de captação”, melhorar o nível de relacionamento bancário, trazer operações mais engenhosas. Com o novo cenário de câmbio poderá proteger a organização de exposições indevidas, além de poder facilitar ou melhorar negócios em âmbito internacional.

6) Head do departamento jurídico
Perfil:
 Profissional generalista, com foco em consultivo. Perfil de liderança para exercer boa gestão de sua equipe. É o responsável por toda e qualquer demanda jurídica da empresa. Atua tanto no consultivo como na gestão do contencioso, em todas as frentes. Será responsável também pelo orçamento da área e gestão de equipe.
Por que estará em alta: No cenário atual, as empresas têm cortado os custos e pessoal. Com isso, profissionais em cargos executivos com alto custo, além de profissionais muito especializados, tem sido substituídos, dando espaço para profissionais com menos experiência, com menor custo, e mais generalistas, concentrando todas as demandas em um único profissional.

7) Gerente de contencioso de volume
Perfil:
 Profissional deve ter perfil híbrido para conciliar técnica com habilidade administrativo-financeira para gerir um grande volume de processos. Faz a gestão da contingência processual, analisando e administrando os riscos de cada carteira, traça estratégias para melhor rentabilidade e também faz gestão de equipes.
Por que estará em alta: Com a atual conjuntura político-econômica, o volume de processos aumentou. O foco está na área cível, ações de recuperação de créditos e indenizatórias; também a área trabalhista será bastante demanda, em vista do alto volume de demissões/rescisões que ocorreram neste último ano.

8) Advogado sênior/ gerente na área de M&A (mergers e aquisitions, em português: fusões e aquisições)
Perfil:
 Habilidade técnica e experiência em execução de fusões. É responsável pela elaboração desde atos societários, que compõem as operações de M&A.
Por que estará em alta: A tendência é de que investidores estrangeiros façam aquisições de empresas nacionais que estão desvalorizadas. Assim, a expectativa do profissional desta área deve ser positiva tendo em vista o alto volume de M&A esperado.

9) Gerente de inteligência de mercado
Perfil:
 Profissional analítico, com grande capacidade de raciocínio lógico, atualizado em relação a tendências, inovações e práticas do mercado. Gerencia as atividades de inteligência de mercado, envolvendo análise de dados sobre concorrência, consumidores, tendências e cenários, para definir políticas e processos.
Por que estará em alta: As empresas têm uma demanda cada vez maior por profissionais sêniores para valorizar a área de business inteligence, avaliando as mudanças dos hábitos dos consumidores e os impactos financeiros. Áreas como inteligência de mercado e customer insight devem crescer em 2016.


10)  Gerente de markerting digital
Perfil:
 Profissionais com conhecimento em usabilidade e experiência do usuário e compra de mídia online. Realiza a gestão da estratégia digital, atua com prospecção de leads e vendas, faz análise de mercados e tendências além do suporte consultivo gerencial, identifica as novas oportunidades de produtos, serviços, informações e soluções através do digital.
Por que estará em alta: O digital ganhou bastante espaço no mercado, o profissional de marketing com conhecimento em online se destaca por conhecer os processos e ferramentas para esse tipo de público.

11) Gerente de logística
Perfil:
 Formação em engenharia de produção com especialização em logística. O profissional controla, organiza e garante a integridade do estoque, faz a gestão de toda a equipe operacional, contrata serviço de manutenção e operação.
Por que estará em alta: Em momento de reestruturações nas empresas, a área de logística ganha destaque por ter um grande custo concentrado nela. Ter o profissional correto liderando esse departamento, traz para empresas redução de custos e garantia de qualidade em todos os elos da cadeia logística.

12) Desenvolvedor de aplicativos para smartphones
Perfil: Profissional apaixonado por tecnologia, com cursos na área e conhecedor da linguagem de programação em diversas plataformas. Ele é responsável por traduzir uma ideia em um aplicativo amigável e convidativo para o público em geral.
Por que estará em alta: O mercado tem buscado alternativas diante da crise e muitas soluções criativas vêm de startups e aplicativos que visam diminuir custos, encurtar distâncias, compartilhar produtos e conhecimentos. As empresas que já perceberam isso vão necessitar desses profissionais para operacionalizarem suas estratégias.

13) Analista/ gerente de crédito e risco
Perfil: Profissional responsável por analisar a saúde financeira de uma empresa a fim de conceder um crédito direto para financiamento de algum investimento ou ainda para entender se essa possível empresa cliente será uma boa pagadora. Formação em administração, economia, contabilidade ou direito com facilidade para lidar com números e contratos.
Por que estará em alta: A maioria das empresas enfrenta dificuldades financeira e necessitam de crédito para sair dessa situação. Por outro lado, ninguém quer ter risco desnecessário e é exatamente esse profissional que pode contribuir com análises mais aprofundadas e evitar que uma empresa conceda crédito a quem não tem condições de arcar com as dívidas.

Mudanças na carreira
Pesquisa da Robert Half mostrou que 87% dos profissionais pensam em procurar um novo emprego em 2016. Os profissionais também estão mais confiantes em relações às próprias perspectivas de emprego (89%) em comparação com o último ano. A busca por um trabalho novo nos próximos meses é muito provável para 49% e um pouco provável para 38%.
Para os profissionais que miram uma nova oportunidade, o principal critério para aceitar uma proposta é o crescimento na carreira (60%), seguido por salário superior (54%), melhor equilíbrio entre vida pessoal e profissional/ flexibilidade de horário ou home office (43%), localização (38%), ambiente de trabalho (34%), reputação da empresa (30%), setor/ indústria (23%), e melhores bônus e benefícios (18%).

MUDANÇA CLIMÁTICA Aposta em energias renováveis pode elevar PIB global em 1,1% até 2030 Brasil e México estão entre os países cujo crescimento poderia ultrapassar 1%

Complexo Eólico Ventos de Santa Brígida, em Pernambuco. 
Abu Dabi 

Elevar em 36% o peso das energias renováveis aumentaria o PIB global em 1,3 trilhão de dólares (5,3 trilhões de reais) ou 1,1%, de acordo com um estudo apresentado neste sábado na 6Assembleia da Agência Internacional de Energias Renováveis (IRENA). Esse montante, equivalente às economias combinadas do Chile, África do Sul e Coreia do Sul, é a primeira estimativa do impacto da transição energética, caso fosse possível duplicar a porcentagem das energias renováveis no total da matriz até 2030 em relação a 2010.
"Esta análise oferece uma prova convincente de que alcançar a transição energética necessária não só reduzirá a mudança climática, mas também vai estimular a economia, melhorar o bem-estar humano e promover seu uso no mundo", disse o diretor-geral da IRENA, Adnan Z. Amin, durante a apresentação neste sábado do relatórioBenefícios da Energia Renovável: Dados Econômicos. Em sua opinião, o desafio após a Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP21), realizada em Paris em dezembro passado, é "criar um ambiente de negócios atraente que incentive o investimento" do setor privado em energia renovável.
Para este fim, o estudo também analisa o impacto concreto de acordo com os países. Segundo esse tópico, o Japão, que acaba de ceder a presidência da agência para o Egito, seria o país que mais se beneficiaria com essa aposta nas energias renováveis, com um impacto de 2,3% em seu PIB. Alemanha, Austrália, Brasil, Coréia do Sul, México e África do Sul teriam um crescimento acima de 1%.
"O impacto é maior nos países que são mais ambiciosos nesse campo", destacou Rabia Ferroukhi, responsável por políticas da IRENA que coordenou o relatório. Para esta especialista, é importante que as energias renováveis sejam "interessantes do ponto de vista econômico". E também que os Governos "adotem políticas para facilitar os investimentos".
O efeito sobre o bem-estar seria três ou quatro vezes maior, segundo os autores, que mencionam uma longa lista de benefícios sociais e ambientais. A estimativa destaca que o número de postos de trabalho no setor subiria dos atuais 9,2 milhões para 24 milhões em todo o mundo até 2030. Desse total, 9 milhões estariam na indústria de biocombustíveis, 6,4 milhões no setor de energia solar, 5,5 milhões em energia eólica e o restante em outras energias renováveis.
Além disso, haveria uma mudança nos padrões de comércio, já que as importações globais de carvão caíram pela metade, assim como as de petróleo e gás, algo especialmente atraente para importadores como a União Europeia, Japão ou Índia. Segundo o estudo, no entanto, os exportadores de combustíveis fósseis, como o anfitrião, Emirados Árabes Unidos, e seus vizinhos, também se beneficiariam com a diversificação de suas economias.
"Reduzir a mudança climática através das energias renováveis é atingir outros objetivos socioeconômicos, já não é uma escolha entre um ou outro", disse Amin. "Devido às oportunidades de negócio representadas pelas renováveis, o investimento em um é o investimento em ambos", defendeu, resumindo o espírito do fórum.
Representantes de 150 países e 140 organizações internacionais se reuniram neste fim de semana, em Abu Dabi, para participar da 6ª Assembleia da IRENA, com foco no papel das energias renováveis para combater as mudanças climáticas. Esta primeira reunião intergovernamental após a cúpula de Paris pretende definir a agenda global nesse campo, e tomar medidas concretas para acelerar a transição para o uso dessas energias. A agência espera que os novos dados convençam seus membros da necessidade de "passar da negociação para a ação" na redução das emissões de CO2.

Potências suspendem sanções ao Irã após cumprimento de acordo nuclear domingo, 17 de janeiro de 2016 09:36

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - O Conselho de Segurança das Nações Unidas recebeu no sábado relatório da agência nuclear da ONU confirmando que o Irã cumpriu compromissos assumidos no âmbito de um acordo nuclear com as potências mundiais, levando ao fim automático para a maioria das sanções das Nações Unidas, segundo diplomatas.
O recebimento do relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) pelo conselho encerra sete resoluções anteriores da ONU, que agora serão substituídas por uma resolução adotada em 20 de julho, que contém algumas restrições da ONU.
O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, saudou a implementação do acordo nuclear.
"Esta conquista demonstra que as preocupações internacionais com a proliferação são melhor tratadas por meio do diálogo e da diplomacia paciente", disse o porta-voz de Ban Ki-moon, em comunicado.
Sob a resolução de 20 de julho, o Irã está agora "chamado" a abrir mão de trabalhos com mísseis balísticos, projetados para transporte de armas nucleares, por até oito anos.
Críticos do acordo dizem que os termos do acordo não tornam essa questão obrigatória.
As restrições à tecnologia de mísseis balísticos estarão em vigor por oito anos e as relativas a armas pesadas, por cinco. Um embargo de armas que impede o Irã de comprar e vender armas permanece por cinco anos.
A União EUropeia iniciou no sábado o processo de suspensão das sanções econômicas e financeiras contra o Irã, abrindo caminho para empresas europeias regressarem ao país de 80 milhões de habitantes.
Diplomatas da UE disseram que a suspensão formal das sanções deve ser rápida, seguindo automaticamente relatório da AIEA que afirma que Teerã havia reduzido seu programa nuclear, como havia sido acordado.
Também no sábado, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou que os EUA vão agora permitir que filiais estrangeiras de empresas norte-americanas comercializem com o Irã como parte do alívio nas sanções concedidas no âmbito do acordo.
(Por Michelle Nichols, Yeganeh Torbati, Joel Schectman, Gabriela Baczynska e Barbara Lewis)

Acusado por 40 mil mortes, ‘Pinochet da África’ vai a julgamento

Hissene Habre
Image captionHissène Habré governou o Chade de 1982 a 1990 e será julgado por 40 mil assassinatos
O ex-presidente do Chade Hissène Habré começou a ser julgado no Senegal por supostos crimes contra a humanidade, entre eles a acusação de responsabilidade em 40 mil assassinatos durante seu regime político (1982-1990).
O julgamento é considerado uma vitória de uma campanha de 25 anos para levá-lo à Justiça.
Habré teve de ser retirado da audiência que teve início nesta segunda-feira em Dacar, capital do Senegal, após ter gritado que o julgamento era uma "farsa" . O julgamento teve início então sem sua presença, para ser logo depois suspenso temporariamente.
Esta é a primeira vez que um país africano julga um ex-líder de outro país do continente.
O ex-ditador nega responsabilidade nos crimes. Na abertura dos trabalhos, ele protestou: "Abaixo os imperialistas. (O julgamento) é uma farsa de políticos senegaleses podres. Traidores africanos, criados da América", disse.
Habré tomou o poder no Chade por meio de um golpe em 1982. De acordo alguns analistas, ele teria tido apoio de CIA para chegar à Presidência do país africano, como uma tentativa de contrabalançar o poder do ex-ditador líbio Muammar Khadafi no continente.
O regime de Habré durou oito anos, até que ele fosse deposto. Seu governo é acusado de milhares de assassinatos com motivação política e outros 200 mil casos de tortura, o que lhe rendeu o apelido de "Pinochet africano", em uma referência ao ex-ditador chileno Augusto Pinochet.

Questões

"Por que fui preso? Sou acusado de quê? Por que deixei de existir durante quatro anos? Estas são as perguntas que gostaria de fazer a Hissène Habré", diz Clement Abaifouta, um dos líderes da campanha para levar o ex-ditador à Justiça.
Preso pouco depois de ter terminado o Ensino Médio, ele foi torturado repetidamente e até forçado a enterrar outros detentos.
Nada disso o derrotou. Abaifouta prometeu a si mesmo que, caso saísse da prisão, lutaria contra a impunidade do governo Habré.
Situações como a dele eram comuns na época do regime de Habré. Várias pessoas foram presas sem justificativa pela polícia secreta, o Departamento de Documentação e Segurança (DDS).
"O DDS era uma máquina de extermínio, com o objetivo de massacrar o povo do Chade. Sabe, durante o governo de Habré, se você tivesse uma mulher bonita, um belo carro, uma boa conta no banco... Qualquer coisa que chamasse a atenção podia te causar problemas."

Provas

Corte de Dacar
Image captionO julgamento no tribunal no Senegal está sendo considerado um marco para a Justiça na África
Vários sobreviventes testemunharam no tribunal em Dacar, no Senegal. Associações de vítimas passaram décadas investigando e reunindo provas contra o ex-presidente do Chade.
"Jovens que nasceram depois do governo de Hissène Habré querem saber o que aconteceu, e temos de ajudá-los. Precisamos fornecer as provas para que historiadores possam reescrever a história do Chade", afirmou Abaifouta.
Passaram-se mais de 20 anos até que o caso chegasse à Justiça, mas em contrapartida, segundo a acusação, agora não faltam evidências.
Reed Brody, da organização Human Rights Watch diz que a grande vitória foi o encontro de centenas de documentos da polícia secreta que haviam sido abandonados em um prédio vazio em Ndjamena, capital do Chade.
"Só nestes documentos, encontramos os nomes de 1.208 pessoas que morreram na prisão, de quase 13 mil vítimas de tortura, execução sumária e prisões arbitrárias. Os documentos são como um mapa do funcionamento da repressão contra o povo do Chade", diz Brody.
Apesar dos milhares de testemunhos de vítimas, ainda é possível encontrar simpatizantes do ex-presidente em Ouakam, um tranquilo subúrbio de Dacar no qual o ex-líder permaneceu exilado durante 23 anos.
Entre amigos, Habré é conhecido como bom muçulmano e homem correto.

Justiça

Depois da aposentadoria, o ex-presidente se manteve longe da vida pública.
Embora já tenha sido condenado no Senegal, em 2013, Habré sempre negou ter conhecimento sobre assassinatos e torturas durante o seu governo, e se recusou a colaborar com o tribunal.
Por isso, o atual julgamento é tido como histórico.
A União Africana há muito critica a Corte Penal Internacional, em Haia, que supostamente teria uma tendência a julgar líderes africanos.
De toda forma, Habré não poderia ser julgado em Haia, já que os seus supostos crimes teriam acontecido antes da fundação do tribunal.
Para muitos, a criação de uma corte africana com jurisdição universal abriu um precedente crucial para a Justiça na África.
O Senegal será o primeiro país do mundo a processar o líder de outro país por supostos abusos de direitos humanos.
"Temos de ser capazes de julgar os nossos próprios líderes aqui na África. Sou contra o fato de o (ex-presidente da Costa do Marfim) Laurent Gbagbo ser julgado em Haia", afirmou o estudante de Direito Nafissa. "Este julgamento é importante para nós, vou acompanhá-lo com a maior atenção."
O julgamento acontece nas Câmaras Extraordinárias Africanas, um tribunal especial temporário criado pelo Senegal e pela União Africana, aberto em 2013.
Para as vítimas do governo Habré, o julgamento poderia marcar uma virada para a Justiça da África.
Elas torcem para que ele sirva como alerta para aspirantes a ditadores do continente de que a impunidade não é para sempre.

A saudita negra com brevê de piloto que se tornou símbolo na luta por direitos civis

Foto: Arquivo pessoalImage copyrightArquivo pessoal
Image captionEm período nos EUA, Nawal al-Hawsawi diz que passou a refletir sobre sua identidade racial
Nawal Al-Hawsawi fala o que pensa, é negra, tem brevê de piloto e é casada com um homem branco – tudo o que seus críticos dizem que uma mulher saudita não deve ser.
Mas apesar de ser vítima de ondas de abusos nas redes sociais, ela se recusa a ceder às convenções e diz que vai responder a seus detratores "com amor".
Com quase 50 mil seguidores no Twitter, rede social na qual escreve sobre a importância da diversidade racial e da igualdade no casamento, Al-Hawsawi se tornou uma espécie de estrela da internet do país. Mas nem todos os que a seguem são seus fãs.
No último mês de dezembro, ela sofreu uma enxurrada de ofensas racistas no que seria apenas o início de uma longa campanha dos chamados trolls ─ grupos articulados na internet que querem chamar a atenção para si, geralmente realizando ataques a alguma personalidade nas redes sociais.
Há alguns anos, Al-Hawsawi recebe deles fotos de gorilas e imagens de pessoas de tribos africanas alteradas no Photoshop. Eles também se referem à ela com um termo pejorativo para negros em árabe, que significa "escravo".

Enfrentando o preconceito

Por ter nascido em Meca, uma das regiões mais cosmopolitas da Arábia Saudita, Al-Hawsawi diz que não havia pensado em si mesma como "negra" até ir morar nos Estados Unidos.
Lá começou o despertar de sua identidade racial, e foi também naquele país onde ela aprendeu a voar e tornou-se piloto certificada, apesar de ser proibida de exercer a atividade em sua terra natal.
Ainda nos Estados Unidos, ela estudou para se tornar terapeuta de casais, sua profissão atual. Al-Hawsawi também se casou com um americano e os dois voltaram para a Arábia Saudita há poucos anos.
Foi aí que o problema começou.
Em um evento celebrando o dia nacional da Arábia Saudita em 2013, ela foi agredida verbalmente por uma mulher, que a chamou de "escrava", usando o termo pejorativo. Racismo é crime no país e ela levou o caso aos tribunais.
Mas após uma conversa com a mulher que a ofendeu, ela ouviu desculpas e retirou as acusações. Agora, afirma que as duas são amigas.
O caso chamou a atenção da mídia do país, e Al-Hawsawi apareceu na televisão para falar sobre o que aconteceu.
A imprensa a chamou de "Rosa Parks da Arábia Saudita" ─ uma referência à icônica ativista pelos direitos civis nos Estados Unidos, que, em 1955, recusou-se a ceder seu assento no ônibus a um homem branco.
Al-Hawsawi decidiu usar a plataforma que a fama lhe deu para criar uma campanha antirracismo no Twitter, usando o mesmo insulto que ouviu para conscientizar as pessoas sobre o problema.
Foto: Nawal Al-HawsawiImage copyrightTwitter
Image captionMensagens contra racismo e violência doméstica no Twitter fizeram com que Al-Hawsawi fosse alvo de trolls

Campanha de ódio

Mas a história não acaba aqui. Por causa da atenção que recebeu, sua conta de Twitter ─ que ela usa para escrever mensagens contra o racismo e a violência doméstica ─ virou foco de trolls, que deram início a uma campanha de ódio contra ela.
Agora, sua cor de pele, seu gênero e seu casamento interracial são alvos desses grupos, que ela acredita serem formados principalmente por pessoas de extrema direita.
"Eles não gostavam dos meus tuítes sobre casamento, igualdade e unidade", disse ela ao BBC Trending, programa da BBC sobre assuntos comentados nas redes sociais em todo o mundo.
"Eles começaram uma campanha em que publicavam uma foto do meu marido e dos nossos filhos e pediam que outros retuitassem. Foi chocante."
A terapeuta diz saber claramente o motivo de ter se tornado alvo. "Eu represento tudo o que eles odeiam, tudo aquilo ao que eles se opõem", diz.
"Sou uma mulher saudita que se casou com um estrangeiro. Eles são antiamericanos. Meu marido é branco, eu sou negra. Eles condenam casamentos interraciais. Eles dizem que mulheres não podem trabalhar, então ver uma mulher que não sabe apenas dirigir, mas também pilotar aviões é inaceitável. Eles não gostam do fato de que minha mensagem ressoa em muitos dos meus seguidores", explica.
Al-Hawsawi encaminhou várias mensagens abusivas que recebeu ao Ministério do Interior do país e diz que o assunto está sendo tratado com seriedade.
No entanto, tentativas de localizar os agressores ─ que, de modo geral, escrevem anonimamente ─ está demorando.
Enquanto isso, ela diz ter paciência para enfrentá-los.
"Eu aprendi muito com Mandela, Martin Luther King Jr. e Gandhi", diz.
"Não se combate ódio com ódio. Você acende uma vela e mantém o pensamento positivo. Isso só te fortalece", acrescenta.