domingo, 10 de janeiro de 2016

Diálogos mostram suposta atuação de ministro em fundos de pensão Mensagens referem-se ao ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. Textos estavam em celulares do ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro.

Mensagens de texto encontradas em dois celulares do ex-presidente da construtora OAS, José Aldemário Pinheiro Filho, conhecido com Léo Pinheiro, mostram uma suposta interferência do atual ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, em negócios da OAS e fundos de pensão.
Léo Pinheiro foi condenado pela Justiça Federal, em primeira instância, a 16 anos e 4 meses de prisão acusado de cometer crimes, apontados pela Operação Lava Jato, de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Atualmente, está recorrendo da condenação em liberdade.
Os diálogos foram obtidos pelo jornal "O Estado de S.Paulo", mas a GloboNews também teve acesso ao documento. Os aparelhos foram apreendidos pela Polícia Federal. As mensagens de texto foram interceptadas entre 2012 e 2014, durante o segundo mandato de Jaques Wagner como governador da Bahia (BA).
Em 2012, segundo a reportagem, Léo Pinheiro e Jaques Wagner teriam trocado mensagens sobre o que o empreiteiro chamou de "nossa relação com os fundos".
Meses depois, em julho de 2013, Léo Pinheiro recebe a seguinte mensagem, de um número não identificado: "Que ótimo, como foi na Funcef [fundo de pensão dos funcionários da Caixa Econômica Federal], o nosso JW me perguntou. Bjs". E JW, para os investigadores, seria a sigla utilizada para falar do ministro Jaques Wagner.

O jornal destaca que, em novembro de 2013, quatro meses depois da troca de mensagens, a diretoria da Funcef aprovou a compra de cotas de até R$ 500 milhões em um fundo de investimento da OAS. A Funcef confirma ter feito um aporte de R$ 200 milhões.
Em seguida, Léo Pinheiro recebe outra mensagem, desta vez de uma pessoa ligada à OAS, que sugere a participação de Jaques Wagner na aprovação do negócio. "Ótimo. Foi aprovado para a contratação do avaliador, Deloite. Agora, precisaremos de JW na aprovação final. Bjo".
O ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner, considera que a troca de mensagens não significa uma interferência dele no processo. Ele também nega qualquer tipo de ingerência nos negócios da construtora OAS.
A Funcef informou que foram feitas as devidas análises técnicas internas e externas. A finalização do processo de análise e deliberação pela diretoria-executiva durou um ano e quatro meses e foi realizada com total rigor técnico, acrescentou o fundo de pensão. Informou ainda que refuta qualquer ilação em relação a qualquer interferência externa em toda cadeia do seu processo decisório e que desconhece o teor e a origem das citações do suposto diálogo que faz menção à Funcef.
A defesa ex-presidente da construtora OAS, Léo Pinheiro, não quis se manifestar.

A rotina dos internos do pavilhão 6

O cotidiano de grandes empreiteiros, políticos e outros presos por envolvimento no maior escândalo de corrupção da história inclui resenhar livros, limpar as celas, dar aula de ginástica para os companheiros e até fazer provas do Enem. São estratégias para passar o tempo e tentar, no futuro, reduzir as penas



Para Marcelo Odebrecht, é mais um de seus 205 dias em prisão cautelar, situação em que aguarda o desenrolar do processo a que responde por corrupção, fraude e lavagem de dinheiro no escândalo do petrolão. Ele e os outros presos da Lava-­Jato são as estrelas do Pavilhão 6, com suas celas, em geral de 12 metros quadrados, ocupadas por três pessoas. São, portanto, 4 metros quadrados para cada uma - metragem acima dos padrões humanitários da União Europeia e aceitos no Brasil, sem os quais eles estariam sendo submetidos a tratamento degradante.
Caneca de plástico numa mão, tubo de pasta na outra, o interno 118065 tem apenas mais dois colegas de cela. Ele escova os dentes enquanto os outros dois se levantam para usar o "boi", como é chamada no dialeto da cadeia a latrina rente ao chão que fica ao lado do tanque, separada das camas por uma meia parede. Antes que o ralo café da prisão seja servido, o interno 118065 planeja seu dia: exercícios físicos, leitura e anotações.
Desde que a Operação Lava-Jato eclodiu, revelando aos brasileiros o maior esquema de corrupção da história, dezenas de empresários poderosos e alguns dos políticos mais influentes da República enfrentam uma realidade incomum. A tradição de impunidade foi trancafiada. É uma realidade sem precedentes. Marcelo Odebrecht está em companhia de outros catorze presos em sete celas de uma galeria antes reservada apenas a policiais que cometeram crimes. São grandes empresários como ele, executivos, ex-­diretores da Petrobras, lobistas, dirigentes partidários e políticos. Corruptos e corruptores. Tubarões e peixes pequenos envolvidos nos bilionários desvios de dinheiro da Petrobras durante os governos do ex-­presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff dividindo o mesmo espaço e compartilhando a mesma rotina.
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu é o interno número 119526. Ele divide a cela 602 com o ex-deputado Luiz Argôlo. Preso há 160 dias, Dirceu fez fortuna traficando influência no petrolão. Já Argôlo era um cliente contumaz do esquema. Dirceu passa as horas mergulhado em livros, sendo o mais recente a obra que retrata os primeiros anos de governo do ex-­presidente Fernando Henrique Cardoso. Seus amigos explicam que a leitura de Diários da Presidência é uma forma de estudar os adversários tucanos. Pode até ajudar na formação de caráter, mas a motivação intelectual do ex-­ministro é outra. Dirceu lê e produz resenhas para abater os dias de pena. Condenado a sete anos e onze meses de prisão no escândalo do mensalão, ele sabe que se avizinha uma nova e pesada condenação. Aos 69 anos, o "capitão do time" de Lula intui que suas chances de absolvição são remotas. Deve passar mais um bom tempo atrás das grades. Acusado de corrupção e lavagem de dinheiro, "o cadeieiro", como ele mesmo se define, embolsou 39 milhões de reais em propinas.
Já Luiz Argôlo nunca foi muito afeito a assuntos acadêmicos. Ele até tentou, mas não conseguiu, concluir um curso de administração. Em alguns ramos do conhecimento, a prática de fato suplanta a teoria. Durante anos, ele administrou como poucos a coleta de propina. Era tão eficiente que ganhou da quadrilha um helicóptero de presente. Os 275 dias de prisão, porém, afloraram o seu lado intelectual. Em Pinhais, além de ler livros para abreviar os dias na cadeia, o ex-­deputado se dedica a um curso profissionalizante do Senai. Está aprendendo técnicas de automação. Pensando no futuro, ele se inscreveu no Enem, fez as provas e, na semana passada, aguardava ansioso o resultado. Caso tenha se classificado, a Justiça poderá autorizar sua saída da penitenciária para assistir às aulas em uma faculdade do Estado - dependendo, claro, do comportamento.

CONSERVAÇÃO AMBIENTAL Belo Monte ameaça 50 espécies de peixes únicas no mundo

Quase 500 barragens projetadas nas bacias de três dos principais rios do planeta colocam um terço dos peixes de rio em risco, segundo denúncia feita nesta sexta-feira por 40 especialistas na revista científica Science. Apenas no Brasil, a represa da hidrelétrica de Belomonte coloca em risco 50 espécies que só existem no país. Enquanto nas nações industrializadas emerge um movimento para destruir as represas mais nocivas, existem projetos para construir 450 novas barragens nas bacias dos rios Amazonas (América do Sul), Congo (África) e Mekong (Ásia). Os signatários do artigo denunciam a “falta de transparência” durante os processos de autorização das represas e a “falta de protocolos” para avaliar seu impacto ambiental.
Queimada florestal junto ao rio Xingu (Pará), preparando terreno para a represa de Belo Monte. LILO CLARETO
Nas bacias dos rios Amazonas, Congo e Mekong vivem 4.000 espécies de peixes de rio, uma terça parte de todas as conhecidas no planeta. A maioria não é encontrada em nenhum outro lugar. Os 40 especialistas salientam que “as grandes represas invariavelmente reduzem a diversidade pesqueira”, além de impedir a conexão entre diferentes populações fluviais e bloquear o ciclo de vida normal de espécies migratórias. “Isso pode ser especialmente devastador para os estoques pesqueiros tropicais, nos quais muitas espécies de grande valor migram centenas de quilômetros”, argumentam.“Esses projetos abordam importantes necessidades energéticas, mas seus defensores costumam superestimar os benefícios econômicos e subestimar os efeitos de longo prazo sobre a biodiversidade e recursos pesqueiros cruciais”, alertam os autores, liderados pelo ecologista Kirk Winemiller, professor da Universidade Texas A&M (EUA).
Entre os signatários há dezenas de professores de universidades dos EUA, Brasil, Reino Unido, Camboja e Alemanha, além de especialistas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e da União Internacional para a Conservação da Natureza.
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O cascudo-zebra, valorizado como espécie ornamental, só vive em trechos ameaçados do rio Xingu. / 
“Mesmo quando as avaliações de impacto ambiental são obrigatórias, milhões de dólares podem ser gastos em estudos que não têm nenhuma influência real para os projetos, às vezes porque eles são finalizados quando a construção já está em andamento”, denunciam os autores.
Winemiller recorda o caso do rio Xingu, um importante afluente do Amazonas. Seu trecho inferior é um complexo de corredeiras que serve de hábitat a quase meia centena de espécies pesqueiras que não são encontradas em nenhum outro ponto da Terra. “Essas espécies, que alimentam os pescadores locais que abastecem o comércio internacional de peixes ornamentais, estão agora ameaçadas pelo gigantesco projeto hidrelétrico de Belo Monte”, observa Winemiller. Esse complexo de represas no Estado do Pará, com conclusão prevista para este ano, foi projetado para ser a terceira maior usina hidrelétrica do mundo, atrás apenas das de Três Gargantas (China) e Itaipu (Brasil/Paraguai).
“Esse polêmico projeto está quase terminado e vai alterar radicalmente o rio, sua ecologia e a vida da população local, especialmente das comunidades indígenas que dependiam dos serviços que o ecossistema do rio proporciona”, acrescenta Winemiller. A construção é parte do Programa de Aceleração do Crescimento do Governo brasileiro, que busca impulsionar o desenvolvimento econômico do país. A organização Survival, que defende os direitos dos povos indígenas em todo o mundo, denunciou que “a represa destruiria os meios de subsistência de milhares de indígenas que dependem da selva e do rio para obter água e alimentos”.
“Somos céticos quanto à afirmação de que as comunidades rurais no Amazonas, no Congo e no Mekong estariam se beneficiando mais pelo fornecimento deenergia e a geração de emprego do que sofrendo prejuízos pela perda da pesca, da sua agricultura e das suas propriedades”, dizem os autores na Science. Os cientistas pedem que as autoridades utilizem os métodos analíticos mais modernos para levar em conta todos os impactos acumulativos das represas sobre o meio ambiente e as populações locais, com o objetivo de descartar projetos muito prejudiciais ou realocá-los para trechos fluviais menos frágeis.
Em 75% dos casos, a construção das grandes represas no mundo teve estouros orçamentários de quase 100% em relação ao valor estimado previamente
Os especialistas calculam que em 75% dos casos a construção das grandes represas no mundo teve estouros orçamentários de quase 100% dos valores estimados previamente. A equipe recorda o caso da represa de Três Gargantas, em que o Governo chinês precisou destinar 26 bilhões de dólares (105,3 bilhões de reais, pelo câmbio atual) adicionais para atenuar o impacto ecológico.
“As agências governamentais responsáveis pelas autorizações para a construção de represas devem exigir avaliações de impacto ambiental rigorosas e amparadas na ciência, em escala regional”, pleiteia Winemiller. Além disso, afirma ele, as instituições financeiras, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, “devem exigir garantias de que esse tipo de avaliação ocorra antes da aprovação dos financiamentos”.
Emmanuel Boulet, especialista-chefe em questões ambientais do Banco Interamericano de Desenvolvimento, recorda que há protocolos internacionais de boas práticas para a construção de barragens fluviais. “Quando aplicados, podemos ter resultados benéficos para todos, como na usina hidrelétrica de Reventazón, na Costa Rica, ou na central hidrelétrica de Chaglla, no Peru”, opina. O banco concedeu créditos de 200 milhões e 150 milhões de dólares, respectivamente, para esses dois projetos.
Boulet, no entanto, aceita as críticas. “Reconhecemos que os países podem melhorar seu planejamento da energia hidrelétrica. Em outras palavras, temos de realizar os projetos adequados e fazê-los adequadamente.

Alysson Muotri Desejando a todos a consciência da morte

Coração 2

 E lá se vai 2015.
Estive pensando no que poderia desejar a vocês, qual seria meu maior presente para aqueles que acompanham o Espiral. Depois de muito refletir, chego à conclusão que meu maior desejo é que você adquira o conceito da inevitabilidade da morte o quanto antes. Isso mesmo. Por mais que você consiga ler e entender, é pouco provável que você realmente acredite nisso: você vai morrer.
Um dos maiores enigmas de nossa espécie é nossa incapacidade de aceitar a própria morte. Esse fenômeno foi possivelmente selecionado evolutivamente em algum momento de nossa historia. Negar a morte permitiu que atingíssemos nosso maior nível de desenvolvimento humano. Tudo que somos hoje devemos à negação da nossa morte. Escrevi sobre isso anteriormente aqui.
A morte é um fato que sabemos ser verdade, mas que poucos conseguem aceitar e incorporar esse conceito por completo. É surpreendentemente difícil de imaginar: tente pensar o que é não existir. Você falhou. Imaginou algo como uma escuridão, tudo preto ou branco. Mas não haverá preto ou branco, não haverá cor porque não haverá você para perceber cores. E sua mente ressente essa idéia no que é hoje a maior limitação do cérebro humano. É simplesmente inconcebível imaginar nossa própria não-existência. Resta concluir que isso é impossível e que viveremos para sempre, mas não.
Tudo acaba. Toda locomoção desacelera, todo calor se torna frio. A vida é redemoinho numa correnteza de entropia, uma breve reação química que ilumina o que é escuro enquanto existe energia e depois se dissipa novamente no nada. Exatamente como a sua existência caro leitor.
O seu corpo é uma intricada e maravilhosa máquina orgânica, construída pela evolução juntando milhões de sistemas frágeis que se interconectam entre si. Conforme você envelhece, cada sistema começa a desacelerar, apresentar pequenas defeitos aqui e ali. Sem dúvidas, essa máquina se deteriora com o tempo e eventualmente se quebra. Quando um desses sistemas falha, a medicina e a ciência são capazes de consertá-lo, mas em um determinado momento, haverá diversos desses pequenos sistemas falhando. E como numa cascata de dominós, seus olhos, coração, pulmão, sua memória e seu corpo inteiro iram falhar. Você irá, inevitavelmente, morrer.
Embora seja difícil de assimilar essa verdade, é essencial que você aceite o quanto antes. Isso porque a cada segundo que se passa em que você nega sua mortalidade, corre o risco de desperdiçar momentos da sua preciosa e finita vida. Então, tente aceitar mais uma vez: você irá morrer e não há nada que se possa fazer para impedir isso.

Supremo autoriza quebra dos sigilos bancário e fiscal de Edison Lobão por Matheus Leitão



O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do senador Edison Lobão (PMDB-MA) englobando o período de 2011 a 2015. A informação foi confirmada pela assessoria de imprensa do STF.

A quebra dos sigilos foi solicitada pela Polícia Federal e concedida em 10 de dezembro de 2015, antes do início do recesso do Judiciário. Zavascki também permitiu a quebra dos sigilos de André Serwy, suposto operador do senador, e de empresas ligadas ao senador.

Ex-ministro de Minas e Energia, Lobão é investigado no âmbito da Operação Lava Jato por suposto recebimento de propina nas obras da usina nuclear de Angra 3.

Ao G1, o advogado de Lobão, Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que o senador já tinha colocado os sigilos à disposição da Justiça.

"Na realidade, o próprio ministro colocou à disposição da Polícia Federal e do Ministério Público, quando foi depor, o seu sigilo fiscal e todos os demais. Esta determinação não nos surpreende e está ao encontro do que ele próprio propôs como senador da República", afirmou o advogado.

Em depoimento sob delação premiada concedido em maio do ano passado aos investigadores da Lava Jato, o dono da construtora UTC, Ricardo Pessoa, disse que, na época em que Lobão era ministro, pagou a ele R$ 1 milhão, a fim de que o consórcio integrado pela UTC obtivesse o contrato de parte da obra da usina de Angra 3.

O funcionamento da usina Angra 3 está previsto para ter início em 2018. O custo total da obra é de mais de R$ 15 bilhões.

Segundo a delação premiada de Pessoa, Lobão indicou André Serwy para receber o dinheiro em nome dele. De acordo com investigadores da Lava Jato, Lobão tinha uma relação de proximidade com a família de Serwy, que o chamava de "meu tio". 

Na delação, Pessoa afirmou que Lobão tinha pressa em agilizar a assinatura do contrato das obras de Angra 3 antes das eleições de 2014, porque, segundo o empreiteiro, o então ministro queria obter das empresas ganhadoras contribuições de campanha para o PMDB.

Pessoa afirmou que, em encontro com o ministro, Lobão teria dito: "Temos que assinar esse contrato, porque o PMDB está precisando de dinheiro para campanha".

O ex-ministro, ainda segundo o depoimento do empreiteiro, sugeriu um percentual de propina de 1% a 2% do valor do contrato.

Sem médicos, Hospital Regional de Ceilândia suspende atendimento

Fotos: Leonardo Arruda/Especial para o Metrópoles


Médicos da unidade estavam atendendo apenas pacientes já internados e em estado mais grave na tarde deste sábado (9/1)


Quem procurou a emergência do Hospital Regional de Ceilândia (HRC) na tarde deste sábado (9/1) não conseguiu ser atendido por falta de médicos. Pacientes chegavam a todo instante na unidade, mas diante da negativa do atendimento deixavam o local. Muitas mulheres com crianças de colo também não conseguiram consultas para os filhos.

A calmaria no local de longe lembrava as cenas de um vídeo mostrado nas redes sociais, onde vigilantes do hospital agridem e arrastam uma mulher que teria ido pedir socorro à mãe, na quinta (7).
Por volta das 15h, em um cenário pouco comum, todas as cadeiras na sala de espera da emergência estavam vazias. “Ninguém insiste ou tenta esperar. A população está cansada de lutar por um atendimento que é dever do governo”, desabafou a comerciária Mariane Bezerra, 24 anos.
Leonardo Arruda/Especial para o Metrópoles
Mariane contou que há uma semana procura atendimento para a filha
A jovem esperava em pé, no portão de entrada das ambulâncias, com o filho no colo. A criança está há uma semana com febre e não consegue ser atendida na rede pública de saúde. “O chefe de equipe me falou que existe apenas um pediatra que está tomando conta de todos os pacientes graves que estão internados e não poderá atender às pessoas que estão chegando”, contou a jovem, que decidiu ir embora sem atendimento.
Secretaria confirma
Procurada pela reportagem, a assessoria da Secretaria de Saúde confirmou que a emergência da clínica médica do HRC está com restrição de atendimento. “Um clínico geral está realizando o atendimento aos paciente internos e por este motivo, no momento, o atendimento à demanda espontânea não está acontecendo”, ressaltou a nota enviada pela secretaria.
Foi informado, ainda, que a previsão é que na noite deste sábado (9) o atendimento seja normalizado. “De acordo com a chefia de equipe, três profissionais da especialidade estão escalados no plantão noturno”, explicou a Secretaria de Saúde.

A estratégia do novo governo argentino para tentar recuperar as Ilhas Malvinas Marcia Carmo De Buenos Aires para a BBC Brasil

(Foto: Peter Macdiarmid/Getty Images)Image copyrightGetty
Image captionImpasse sobre território é motivo de tensão entre argentinos e britânicos
Menos de um mês após ter sido empossado, o governo do presidente argentino Mauricio Macri indicou que reaver a soberania das Ilhas Malvinas (Falklands, para os ingleses) faz parte das prioridades de sua política externa.
Historicamente, a discussão sobre a recuperação do território – em poder dos britânicos desde o século 19 e motivo de guerra em 1982 – costuma ter apoio dos argentinos. Porém, pesquisas indicam que hoje a população vê outros problemas como mais urgentes, entre eles inflação e segurança pública.
O assunto Malvinas era uma das bandeiras da gestão de Cristina Kirchner (2007-2015), da qual o novo governo vem tentando demonstrar várias diferenças, principalmente nas linhas política e econômica.
Macri sugeriu, porém, que vai mudar o estilo impresso pela antecessora no assunto, buscando um diálogo “mais amigável” com o governo britânico, como disse à BBC Brasil um embaixador argentino, sob a condição do anonimato.
“É claro e evidente que o governo do presidente Macri tem uma atitude de diálogo e mais respeitosa (que a gestão da antecessora)”, disse o diplomata.
Em um comunicado divulgado no último dia 3, o governo argentino convida o Reino Unido a “restabelecer as negociações para resolver, o mais rápido possível, e de maneira justa e definitiva, a disputa pela soberania” sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos da região.
E diz que espera fazer isso “por meio do caminho do diálogo, da paz e da diplomacia”.
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(Foto: AP)Image copyrightAP
Image captionGoverno Macri espera retomar diálogo com o Reino Unido sobre posse das Malvinas

Novo estilo

Em diferentes entrevistas nos últimos dias, a ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, disse que as Malvinas são um tema “constitucional, e não opcional”, e sugeriu que a estratégia do governo atual seria a de buscar dialogar com os britânicos com um novo estilo.
“Nem sempre se consegue o que se pretende endurecendo o discurso”, disse ela à imprensa argentina.
Malcorra reconheceu, porém, que o kirchnerismo (2003-2015) colocou o assunto em destaque na agenda argentina.
Em diferentes discursos e em uma carta enviada ao primeiro-ministro britânico David Cameron em janeiro de 2013, a então presidente disse que “há 180 anos, em um exercício descarado de colonialismo do século 19, a Argentina foi despejada à força das Ilhas Malvinas, situadas a 14 mil quilômetros de distância de Londres”.
Cristina também se referiu ao Reino Unido como “potência colonial” – palavras que até o momento foram evitadas pela nova gestão argentina, pelo menos publicamente.
A ex-presidente pediu, em diferentes ocasiões, que sejam “acatadas as resoluções das Nações Unidas (para que sejam retomadas as negociações entre os dois países)”.
(Foto: EPA)
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Image captionCristina Kirchner adotou um discurso bastante duro para reivindicar soberania das ilhas

'Questão sentimental'

Para analistas ouvidos pela BBC Brasil, as Malvinas são uma "questão sentimental” e “histórica” para os argentinos.
O fato de a gestão Macri abordar o assunto “é mais que esperado”, afirmou o professor de relações internacionais da Universidade Torcuato Di Tella, Juan Gabriel Tokatlian. “Não existe a menor chance de um governo argentino não se pronunciar sobre as Malvinas”, disse.
Ele recordou que a Constituição de 1994 diz que a “nação argentina ratifica sua legítima e imprescindível soberania sobre as Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul e os espaços marítimos” na região, “por ser parte integrante do território nacional”.
A Carta Magna do país diz ainda que o “povo argentino não renunciará à recuperação” dessa soberania.
Na avaliação do professor de ciências políticas Marcos Novaro, da Universidade de Buenos Aires, diante do estilo kirchnerista “não foi difícil para o Reino Unido e outros países ignorarem as reclamações e ataques da Argentina e deixar essas queixas sem respostas”.
Segundo ele, independente da reação britânica, convém aos argentinos "restabelecer a capacidade de diálogo” internacional.
Para Novaro, o diálogo sobre a soberania poderia começar, por exemplo, com pautas como a preservação ambiental.
(Foto: AFP)Image copyrightAFP
Image captionDisputa entre britânicos e argentinos por território levou até a uma guerra, em 1982
O especialista lembrou, porém, que o tema não é unanimidade. “Existe muita gente que acredita que [as ilhas] são argentinas, mas também existem muitos a entender que esse não é um assunto prioritário na politica exterior do país.”
Na sua visão, a Argentina tem hoje outros temas mais urgentes, como “retomar relações com outras democracias do mundo, incluindo os vizinhos, que retrocederam com o kirchnerismo”.

Discordâncias

De acordo com o pesquisador do Conicet (Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas) Vicente Palermo, os britânicos estão dispostos a falar sobre “muitas coisas” com os argentinos, mas não a respeito da soberania das ilhas.
“Eles consideram que os moradores devem ser incluídos nas negociações, com o que a Argentina discorda”, disse.
Em 2013, a maioria da população decidiu, por meio de um reverendo, permanecer como território britânico.
O analista afirma que, apesar dos gestos do governo Macri, não prevê “nenhum avanço no curto prazo” sobre esse impasse. Para ele, a relação bilateral foi “muito deteriorada” durante o governo de Cristina, e ainda não está claro como esse diálogo poderia ser retomado agora.
As Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, foram motivo de uma guerra em 1982, da qual os britânicos saíram vitoriosos. A derrota argentina abriu caminho para o retorno da democracia no país no ano seguinte.
Reclamar o território com assiduidade foi política frequente dos governos anteriores no país, que diferiram apenas na intensidade com que fizeram a reivindicação.
Nos últimos anos, foi descoberto que a região, tradicional para a pesca, também é rica em petróleo.