domingo, 10 de janeiro de 2016

EUA voam B-52 sobre Coreia do Sul após teste nuclear da Coreia do Norte domingo, 10 de janeiro de 2016 09:02

Por Tony Munroe e James Pearson
SEUL (Reuters) - Os Estados Unidos acionaram um bombardeiro B-52 em um voo de baixa altitude neste domingo sobre a Coreia do Sul, seu aliado, em uma demonstração de força após o teste nuclear da Coreia do Norte na semana passada.
O líder norte-coreano Kim Jong Un manteve sua afirmação de que o teste de quarta-feira envolveu uma bomba de hidrogênio e disse que foi uma medida de autodefesa contra a ameaça norte-americana de guerra nuclear.
O quarto teste nuclear da Coreia do Norte irritou tanto a China, seu principal aliado, quanto os EUA, embora o governo dos EUA e especialistas em armamentos duvidem da alegação da Coreia do Norte de que o explosivo era uma bomba de hidrogênio.
O B-52, baseado em Guam e capaz de carregar armas nucleares, foi flanqueado por dois jatos de combate, um F-16 norte-americano e um F-15 sul-coreano, em voo baixo sobre a base aérea de Osan, antes de voltar ao Guam, disse o exército dos EUA em comunicado.
Osan fica ao sul de Seul e a cerca de 100 quilômetros da fronteira com a Coreia do Norte. O voo veio "em resposta às recentes ações provocativas da Coreia do Norte", disse o exército dos EUA.
 

10/01/2016 01h05 - Atualizado em 10/01/2016 07h22 Sean Penn diz que se reuniu com El Chapo meses antes da captura Em artigo na Rolling Stone, ator diz ter encontrado com Joaquín Guzmán. Eles teriam discutido sobre tráfico de drogas e política do Oriente Médio. Do G1, com informações da France Presse, da AP e da Efe

Joaquín "El Chapo" Guzmán, o traficante mexicano recapturado na sexta-feira (8) em Sinaloa, reuniu-se com o ator americano Sean Penn meses antes da captura. As informações são da revista Rolling Stone.
Em um artigo publicado no sábado (9) na revista, e de autoria de Penn, o ator descreve as medidas complicadas que ele tomou para encontrar o traficante. Eles discutiram temas que vão desde o tráfico de drogas e a política do Oriente Médio.
O ator e o traficante tiveram um encontro pessoal em outubro do ano passado, em uma região de selva do México, em reunião na qual estava também presente a atriz mexicana Kate del Castillo.
Embora tivessem marcado para que depois dessa primeira conversa seguisse uma entrevista formal oito dias depois, esse segundo encontro nunca aconteceu, embora "El Chapo" tenha enviado a Penn uma gravação de vídeo com as perguntas que lhe tinha mandado.
A revista dá a seguinte manchete "El Chapo speaks" (El Chapo fala) e relata "a visita secreta ao homem mais procurado no mundo". Resume as negociações que fez para se encontrar com o traficante, usando entre outras pessoas contatos da atriz mexicana, e conta detalhes sobre a vida do chefe do Cartel de Sinaloa.
O encontro tinha como propósito fazer só a entrevista para a "Rolling Stone", mas Sean Penn falou que "El Chapo" tinha expressado interesse em que se fizesse um filme sobre sua vida.
O encontro entre ambos aconteceu na noite do dia 2 de outubro e seguiu até a madrugada em um acampamento na selva do centro do México. Vários dias depois a região foi alvo de uma intensa busca por parte das autoridades mexicanas, o que, segundo o ator, impediu um segundo encontro formal e, de fato, esfriou os contatos com os intermediários.
Revista Rolling Stone publicou foto de Sean Penn e El Chapo (Foto: Reprodução/Revista Rolling Stone)Revista Rolling Stone publicou foto de Sean Penn e El Chapo (Foto: Reprodução/Revista Rolling Stone)

De acordo com a AP, um oficial da lei mexicana disse que o encontro de El Chapo com Penn ajudou as autoridades a a localizarem o paradeiro do traficante.

"El Chapo" já está passando por um processo de extradição para os Estados Unidos, onde é acusado por narcotráfico em seis estados, informou neste sábado a promotoria em comunicado.

Joaquin "El Chapo" Guzman é levado por militares até helicóptero em hangar federal na Cidade do México na noite desta sexta-feira (Foto:  Marco Ugarter/AP)O prazo para que os advogados de Guzmán possam argumentar para evitar a extradição pode, inclusive, ser ampliado, mas a promotoria adiantou que "apresentará elementos para combater" qualquer estratégia da defesa.
Joaquin "El Chapo" Guzman é levado por militares até helicóptero em hangar federal na Cidade do México na noite desta sexta-feira (Foto: Marco Ugarter/AP)
Captura
Guzmán foi recapturado na sexta-feira (8) em uma estrada de Los Mochis, de sua natal Sinaloa (noroeste).
A procuradora-geral do México, Arely Gómez, informou que uma das razões que levou à captura do traficante foi a descoberta de que criminoso tinha iniciado contatos com gente do mundo do cinema para rodar um filme sobre sua vida.
"Um aspecto importante que permitiu precisar sua localização foi a descoberta da intenção de Guzmán Loera de gravar um filme biográfico, para o qual estabeleceu contato com atrizes, atores e produtores", disse a procuradora-geral.
Arely afirmou que "os trabalhos de acompanhamento permitiram documentar os encontros dos advogados do agora detido com essas pessoas".
No motel
A detenção aconteceu num motel localizado nos arredores da cidade de Los Mochis, no noroeste do México, onde tinha se refugiado para escapar de uma operação das forças armadas iniciada após uma denúncia, detalharam fontes policiais.
Segundo essas fontes, El Chapo conseguiu fugir pelo sistema de esgoto de uma casa localizada no bairro de Scally junto com Orso Ivan Gastelum Cruz, líder do cartel no norte de Sinaloa, após intenso tiroteio com as forças de segurança mexicanas que terminou com cinco criminosos mortos, seis detidos e um militar ferido.
Imagem que começou a circular no Twitter mostra o que seria El Chapo após ser detido (Foto: Reprodução/Twitter)Imagem que começou a circular no Twitter mostra
o que seria El Chapo após ser detido (Foto:
Reprodução/Twitter)
Pelo esgoto
Os dois percorreram um trecho pelos esgotos e em algum ponto se apoderaram de um veículo e chegaram até o motel, onde horas depois foram capturados em uma operação iniciada pela Marinha por via terrestre e aérea a partir de uma denúncia.
O líder criminoso fugiu em julho da prisão de segurança máxima Altiplano por meio de um túnel de 1,5 km de extensão, num caso que ganhou destaque na imprensa mundial.
Pouco antes de fugir, ele estava em uma cela solitária e a câmera de segurança registrou como ele foi até a área do chuveiro, voltou para a cama, calçou os sapatos, voltou para o chuveiro e sumiu. Mesmo sendo monitorado, sua ausência só foi percebida 18 minutos depois.
El Chapo entrou em um túnel cavado bem embaixo de sua cela que dava em uma casa em reforma nas redondezas do presídio de segurança máxima, próximo à Cidade do México.
Desde que ele escapou, as forças federais mexicanas vinham vigiando diversos pontos de Sinaloa, concentrando suas buscas na região do "Triângulo Dourado", entre os estados de Sinaloa, Durango e Chihuahua, um local encravado na Sierra Madre Ocidental, de muito difícil acesso.
A suspeita era de que El Chapo se refugiara nessa região. Foi nesse local que, segundo o governo mexicano, Guzmán ficou ferido em uma das pernas e no rosto em meados de outubro durante uma "fuga precipitada" das forças de segurança.
Detalhes
De acordo com Arely, as autoridades localizaram o fugitivo em Pueblo Nuevo, no estado de Durango, no norte do país, onde, em outubro, antes que conseguisse fugir por uma vala estreita, o criminoso foi avistado de um helicóptero, mas não foi abatido porque estava acompanhado de duas mulheres e uma menina.
"As instituições de segurança intensificaram as ações de inteligência, o que permitiu que soubéssemos por volta de dezembro a intenção do criminoso de se transferir para uma área urbana", relatou Arely.
O monitoramento dos integrantes do círculo próximo de Guzmán permitiu identificar um indivíduo especializado na construção de túneis em várias casas de Sinaloa e Sonora.
Assim foi possível localizar um domicílio em Los Mochis, no estado de Sinaloa, sobre o qual se montou uma operação de vigilância durante um mês.
A partir de 6 de janeiro, foram observados movimentos incomuns, com destaque para a chegada de um veículo na madrugada do dia 7. De acordo com a procuradora-geral, os trabalhos de campo e inteligência confirmaram que Guzmán se encontrava no local.
Após um planejamento "oportuno e eficaz, iniciou-se uma operação na madrugada desta sexta-feira, envolvendo forças federais, que foram atacadas com armas de grosso calibre ao chegarem ao local, o que deu origem a um enfrentamento no qual um militar ficou ferido e cinco agressores morreram", afirmou a procuradora-geral.
Além disso, seis pessoas foram detidas, mas Guzmán conseguiu escapar pelo sistema de esgoto da cidade em companhia de seu chefe de segurança, Jorge Ivan Gastelum Ávila, também conhecido como Orso Ivan Gastelum Cruz, "um criminoso de alta periculosidade que também faz parte dos 122 alvos prioritários" do governo federal.
Militares da marinha mexicana perseguiram pelos túneis de esgoto os criminosos, que abriram um bueiro para sair em uma avenida e fugir em veículos, segundo Arely Gómez.
Graças à denúncia de que automóveis foram roubados nas imediações da área de operação, efetivos das forças federais iniciaram a busca pelos veículos, localizando um deles na estrada Los Mochis-Navojoa, onde os delinquentes foram detidos.
A procuradora-geral indicou que "com o objetivo de garantir a segurança dos delinquentes e proteger a integridade dos elementos (federais), estes se transferiram (com os detidos) para um motel próximo para esperar por reforços", por isso, em um primeiro momento, se noticiou que ambos tinham sido capturados nesse estabelecimento.
Pouco depois, os detidos foram transferidos ao terminal aéreo de Los Mochis e, de lá, para o Aeroporto Internacional da Cidade do México.
"Quero notificá-los que os detidos foram submetidos aos exames necessários para a identificação e avaliação de sua integridade física em matéria de fisionomia, datiloscopia, genética, voz, fotografia, vídeo, grafoscopia e medicina forense", afirmou Arely.
Em seguida, a procuradora-geral anunciou que Guzmán seria "levado novamente para o Centro Federal de Readaptação Número 1 do Altiplano", no município de Almoloya de Juárez, no Estado do México, próximo da capital do país.
Agência Antidrogas dos Estados Unidos (DEA) se declarou nesta sexta-feira "extremamente satisfeita" com o anúncio da captura do narcotraficante e felicitou o governo do México pela operação.

Brasilienses não se sentem seguros e 73,6% da população está insatisfeita com o policiamento nas ruas

iStock


Dados são de pesquisa da Codeplan, realizada entre outubro e novembro de 2015. Para especialistas, questões como sujeira, falta de iluminação e mato alto aumentam sensação de insegurança


Assalto com refém e arrastão no Lago Sul; menino esfaqueado no Lago Norte; explosão de caixa eletrônico e roubo de joias na Asa Sul; e mulher assassinada em Ceilândia. Em menos de uma semana os casos foram destaque nos principais veículos de imprensa. E embora as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social apresentem números reduzidos da violência nos principais tipos de ocorrência, a população não se sente segura. Uma pesquisa da Companhia de Planejamento (Codeplan) revela que, em média, 73,6% dos moradores não estão satisfeitos com o policiamento nas ruas do Distrito Federal.

A pesquisa, que realizou 2.385 entrevistas entre outubro e novembro do ano passado, ouviu pessoas que procuraram ou não a Polícia Militar. Para aqueles que buscaram a PM, 77,01% consideraram o policiamento péssimo (30,09%), ruim (16,93%) ou regular (29,99%). O índice ficou um pouco menor entre aqueles que não procuraram: 70,19%.
Os números significam que há muito trabalho para a psicóloga Márcia de Alencar, nomeada secretária de Segurança na quarta-feira (6/1), e o novo comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcos Antônio Nunes, indicado na mesma data.
“Falta policiamento mesmo. Ainda mais para nós, que trabalhamos no comércio, a sensação é de insegurança. Às vezes ficamos horas sem ver um policial nas proximidades”, relata a vendedora Norma Suely dos Santos, 50 anos. A opinião é a mesma de Ildemar Tavares de Miranda, 55 anos. “A polícia sumiu das ruas nos últimos meses. Moro em Brazlândia e raramente vejo uma viatura rondando por lá”, conta.
Foto: Leonardo Arruda/Metrópoles
Ildemar Tavares e Norma dos Santos acreditam que falta policiamento nas ruas do DF

Para a especialista Maria Stela Grossi, especialista em segurança pública e professora da Universidade de Brasília (UnB), é preciso também que haja políticas de segurança mais efetivas. “É impossível haver policiamento 24 horas em todas as esquinas. Assim, é preciso outros mecanismos além da repressão. Políticas sociais para redução da desigualdade fazem parte de um plano de segurança. O cumprimento das leis e penalização dos criminosos é outro fator que poderia ajudar no combate ao crime. Enquanto houver impunidade, os bandidos se sentem seguros para infringir a lei”, analisa.
Também especialista em segurança pública, a professora da Universidade Católica de Brasília, Marcelle Gomes Figueira, destaca que a aproximação entre polícia e população é fundamental para o sentimento de segurança: “São necessárias ações e mecanismos que facilitem essa comunicação e criem confiança entre as partes”.
Marcelle acredita que a opinião popular reflete uma sensação de medo causada por diversos fatores: “Eventos de violência expostos publicamente mexem com o inconsciente das pessoas, que acabam com medo por acharem que são potenciais vítimas. O desejo é de que deveria haver um policial para cada habitante.
Outras questões também estimulam a insegurança, como a falta de infraestrutura. Lugares mal iluminados, pistas sem asfalto, jardins descuidados e ruas com lixo acabam aumentando a apreensão."
Marcelle Gomes Figueira
Confiança no policial
Além da falta de policiamento, os cidadãos se dividem quanto a qualidade do trabalho realizado pela polícia. Segundo a pesquisa da Codeplan, cerca de 61% dos entrevistados que procuraram o serviço consideram o atendimento de policiais militares péssimo, ruim ou regular.
A visão é mais otimista em relação aos policiais civis: 48% dos cidadãos que buscaram ajuda dos profissionais da corporação acreditam que o serviço foi péssimo, ruim ou  regular.
O outro ladoEm nota, a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social afirmou que um dos pilares do programa Viva Brasília, implementado no atual governo, “é justamente a aproximação da comunidade com as forças policiais por meio do estabelecimento de canais de diálogo”.
Segundo a pasta, “dentro das demandas atendidas pelo programa está a implantação de estratégias de policiamento adequadas às diversas realidades locais, com base em pesquisas para o melhor combate ao crime”.
Na última sexta (8), a Polícia Militar anunciou que vai intensificar as ações ostensivas, para coibir roubos a coletivos e a comércios e tentar reduzir índices de criminalidade. Para isso, está remanejando 600 policiais das áreas administrativas para as ruas de todo o DF.

Por que brancos e negros ainda vivem separados em algumas partes dos EUA Rajini Vaidyanathan BBC News, Washington Há 2 horas

Foto: BBC
Image captionLeste da Troost Avenue, em Kansas City, lado mais pobre e marca da divisão racial da cidade (Foto: BBC)
A segregação legal nos Estados Unidos pode ter acabado há mais de 50 anos. Mas, em muitas partes do país, americanos de raças diferentes não são vizinhos, não frequentam as mesmas escolas, não compram nas mesmas lojas e nem sempre têm acesso aos mesmos serviços.
Em 2016 a questão de raça ainda vai ser uma das pautas mais populares no país. Os assassinatos cometidos pela polícia contra mulheres e homens negros desarmados nos últimos anos desencadearam novamente um debate sobre as relações entre as raças no país, e a reverberação deste debate será sentida na próxima eleição presidencial e depois dela.
Ferguson, Baltimore e Chicago são três cidades associadas à tensão racial, mas as três também têm outro denominador comum. Elas, como muitas outras cidades americanas, ainda são muito segregadas.
Testemunhei isto em muitos locais do país - da Louisiana ao Kansas, do Alabama ao Wisconsin, da Georgia ao Nebraska. Em muitos destes lugares, pessoas de raças diferentes simplesmente não se misturam, não devido à escolha, mas devido às circunstâncias.
E se não há interação entre as raças, é mais difícil até começar uma conversa sobre como resolver o problema.

Dados

Dados do censo divulgados recentemente e analisados pelo instituto de pesquisa americano Brookings Institution mostram que a segregação entre brancos e negros está caindo um pouco em cidades grandes, mas continua alta.
Se o número zero é considerado como a medida para a perfeita integração e 100 é a segregação completa, a análise da Brookings mostrou que a maioria das grandes áreas metropolitanas do país tem níveis de segregação variando entre 50 e 70.
Foto: BBC
Image captionPrédios abandonados e cercados de lixo no leste da avenida (Foto: BBC)
De acordo com o relatório da Brookings, "mais da metade dos negros precisaria se mudar para alcançarmos a integração completa".
Segregação racial e segregação econômica estão ligadas: se uma pessoa é negra nos EUA, a probabilidade de ela viver em uma área com concentração de pobreza é maior que a de uma pessoa branca.
Não é uma questão de escolha ou acaso. Políticas habitacionais antigas evitavam de forma ativa que negros vivessem em certas áreas, por exemplo.
Kansas City é uma das cidades mais segregadas do país. Na parte oeste da Troost Avenue há grandes casas, com grandes varandas, propriedades cujos preços variam entre US$ 356 mil a US$ 1 milhão.
Na parte leste da mesma avenida há casas abandonadas, jardins sem manutenção, prédios fechados e com muito lixo em volta.

Casa própria

O governo americano tem uma parte da culpa por esta segregação, devido a práticas instituídas ainda na década de 1930 que evitaram que muitos negros conseguissem comprar casa própria em certas regiões.
Foto: BBC
Image captionLeis americanas permitiam que negros (e pessoas de outras origens) fossem proibidos de viver em determinadas casas. Na foto, documento de Washington, 1958 (Foto: BBC)
Quando o governo começou a dar financiamentos imobiliários para promover o crescimento econômico como parte do plano New Deal, foram impostas duras regras para que cada financiamento fosse liberado.
Áreas onde as minorias viviam eram vistas como investimentos arriscados e famílias negras tinham seus pedidos de financiamento negados de forma rotineira.
O historiador Bill Worley, que mora em Kansas City, explicou que estas políticas continuaram sendo aplicadas na década de 1960 e excluíram negros americanos de uma das grandes marcas de prosperidade do século 20: ter a casa própria.
Em teoria, esta política é ilegal nos EUA desde a década de 1970, mas, na prática, acontece até hoje.
"Bancos continuam a construir e estruturar suas operações de empréstimo de uma forma de evita ou não consegue servir de forma significativa às comunidades de cor, tendo como base a premissa do risco financeiro", disse em setembro de 2015 Vanita Gupta, a mais importante advogada de defesa dos direitos civis no Departamento de Justiça.
Outro fator são os pactos raciais restritivos que estão incluídos nos contratos de habitação. Até 1948 era totalmente legal evitar que uma pessoa negra comprasse ou vivesse em uma casa.
Estes pactos criaram os bairros ricos mais afastados para famílias de renda média e alta. Aconteceu em Kansas City e no país inteiro.
A ida de famílias brancas para estes subúrbios ficou conhecida como "white flight" (ou "fuga branca", em tradução livre).
Com o uso destas práticas e de outra conhecida pela palavra em inglês blockbusting, na qual corretores de imóveis se especializavam em transformar áreas de brancos em áreas de negros, a segregação continuou.
A segregação residencial chegou ao auge na década de 1970. A historiadora econômica Leah Boustan disse que, neste momento, mais famílias negras estavam se mudando para os subúrbios e de volta às cidades do sul que abandonaram depois do fim da escravidão.
"Pode parecer estranho pois temos estereótipos do sul (dos EUA), mas os níveis de segregação residencial são os mais baixos em cidades do sul como Atlanta, Houston e Dallas", afirmou.

Atlanta

Mesmo sendo a cidade menos segregada dos EUA, Atlanta ainda tem desafios a enfrentar.
Foto: BBC
Image captionNicole e Lewis Anderson contaram à BBC como foram discriminados enquanto procuravam imóvel para comprar (Foto: BBC)
Nicole e Lewis Anderson moram na cidade e são dois afro-americanos com empregos em grandes corporações, mas contaram à BBC que os corretores de imóveis mostravam a eles apenas propriedades em certas "áreas negras".
"Quando começamos havia alguns brancos na nossa área, mas alguns anos depois eles se mudaram", disse Lewis Anderson.
"Nós, afro-americanos, quando vemos um grupo de pessoas brancas se mudando para a vizinhança, pensamos que é bom, estamos bem com isso. Mas para muitas famílias brancas este não é o caso - eles começam a se preocupar com o valor da propriedade e se mudam."
O caso de Lewis e Nicole não parece ser isolado. Uma pesquisa do governo americano mostrou que minorias, quando procuram imóveis para comprar, têm menos propriedades mostradas a elas do que os brancos.
Uma lei, a Fair Housing Act, foi aprovada há mais de 40 anos para acabar com a discriminação imobiliária, mas não foi aplicada da forma apropriada.
Em 2015, o presidente Barack Obama prometeu tornar esta lei mais rigorosa, com novas regulamentações. Agora novos projetos imobiliários só podem receber dinheiro do governo se demonstrarem uma maior integração com outros bairros e haverá sanções para os que não obedecerem.
Mas isto só se aplica a projetos imobiliários públicos. Construtoras privadas continuam com seus projetos sem este tipo de condição.
Foto: BBC
Image captionJulian Castro disse à BBC que a Fair Housing Act é uma lei que nunca foi aplicada de forma adequada nos EUA (Foto: BBC)
"A Fair Housing Act exigia que as comunidades que recebiam dinheiro do governo fizessem o que podiam para, de forma afirmativa, ampliar a habitação justa", disse o secretário de Habitação Julian Castro em entrevista à BBC.
"O problema é que, por muitos anos, esta exigência nunca foi definida ou aplicada de forma adequada."
Castro, que é visto como um possível candidato à vice-presidência pelo Partido Democrata na eleição deste ano, disse que uma das formas pelas quais seu departamento pretende garantir que áreas de pobreza não sejam ignoradas é dar a cidades acesso a dados demográficos para um melhor planejamento habitacional.
Mas o desafio mais importante continua: décadas após o movimento pelos direitos civis, muitos americanos, brancos e negros, simplesmente não se misturam.
E, enquanto os Estados Unidos lutam com problemas raciais, conhecer uns aos outros é um passo adiante na compreensão e resolução destes problemas.

Domingo, 10/01/2016, às 06:00, por Gerson Camarotti Desdobramentos da Lava Jato atropelam estratégia do Planalto para recompor base

Os desdobramentos da Operação Lava Jato passaram a preocupar o Palácio do Planalto neste início de ano. A expectativa da articulação política do governo era de um período de calmaria em janeiro.
Isso permitiria aproveitar o recesso parlamentar para recompor pelo menos parte da base aliada no Congresso Nacional. Principalmente, para enfrentar o processo de impeachment contra a presidente Dilma. 

Mas há o reconhecimento no governo de que essa estratégia foi atropelada já nos primeiros dias de 2016. A revelação de mensagens trocadas entre o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro, autoridades e políticos tirou a tranquilidade necessária para que o Executivo pudesse trabalhar para recuperar a governabilidade. 

Causou desconforto no Planalto o surgimento de mensagens entre Léo Pinheiro e ministros, como Jaques Wagner, da Casa Civil, e Edinho Silva, da Secretaria de Comunicação Social.
Em outras mensagens, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, cobra do então executivo da OAS contribuição para campanhas eleitorais do PMDB.

A investigação da Polícia Federal mostra o grau de intimidade do empreiteiro com o poder até ser preso pela Operação Lava Jato, em 2014.
Ele chegou a ser apontado como uma espécie de homem-bomba, com potencial de fazer uma delação premiada explosiva.
Depois de condenado em primeira instância, o empreiteiro recebeu autorização para recorrer em liberdade.
Mas, agora, o ressurgimento de Léo Pinheiro, com a divulgação de suas mensagens, deixou políticos em Brasília apreensivos.

10/01/2016 06h00 - Atualizado em 10/01/2016 06h00 Salão de Detroit 2016: veja o que deve ser destaque da 1ª mostra do ano Evento terá nova geração de Honda Civic e Chevrolet Cruze hatch. Ford Fusion surge reestilizado e Volvo exibe sedã de luxo quase-autônomo.

salão de detroit (Foto: reprodução)Salão de Detroit é o primeiro do ano (Foto: Reprodução)
Tradicionalmente o primeiro do ano, o Salão de Detroit, nos Estados Unidos começa nesta segunda-feira (11), com apresentações para a imprensa especializada e a cobertura em tempo real do G1. Para o público, o Salão funciona entre os dias 16 e 24.
Veja abaixo o que deve ser novidade em Detroit e quais modelos devem ser oferecidos no mercado brasileiro em breve.A mostra acontece na casa das 3 maiores fabricantes norte-americanas, General Motors, Ford e Fiat Chrysler, e é voltada ao mercado local. Porém, em um mercado cada vez mais global, boa parte dos lançamentos acaba sendo vendida em outros países – entre eles o Brasil.
BMW M2 Coupé (Foto: Divulgação)BMW M2 Coupé (Foto: Divulgação)
BMW M2
Sucessor do Série 1 M Coupé, o M2 será o destaque da BMW em Detroit. O menor modelo da divisão Motorsport ganhou um motor de seis cilindros em linha e 3 litros, capaz de despejar 375 cavalos nas rodas traseiras. O torque é de 47,4 kgfm, chegando a 51 kgfm com a função Overboost. A transmissão é de dupla embreagem e sete marchas.
BMW X4 M40i (Foto: Divulgação)BMW X4 M40i (Foto: Divulgação)
BMW X4 M40i
O SUV X4 também ganha uma versão mais potente. Não chega a ser um legítimo M, como o X6 M, mas o M40i já apresente desempenho interessante. Ele também conta com um motor 3.0 de seis cilindros em linha, mas com potência um pouco menor, de 365 cv. O torque é o mesmo de 47,4 kgfm.


Novo Chevrolet Cruze Hatch (Foto: Divulgação)Novo Chevrolet Cruze Hatch (Foto: Divulgação)
Chevrolet Cruze hatch
A atual geração do Cruze Sport6 não é vendida nos Estados Unidos. A próxima, contudo, será apresentada oficialmente na casa da GM. Antes do salão, porém, a marca mostrou as primeiras imagens do carro. Ele exibe a assinatura atual da marca, já mostrada no sedã, com traços mais esportivos. Leia mais

Chrysler 880
O principal lançamento do grupo Fiat Chrysler em Detroit será a nova geração da van Town & Country. Ela deve ser completamente reformulada, com a possibilidade de quem nem o nome seja preservado – no site americano da Chrysler, há a contagem regressiva para o lançamento do modelo 880. Se for assim, ela seguirá a lógica dos outros modelos da marca, chamados de 200 e 300.

Ford Fusion
Sem grandes mudanças visuais, o sedã da Ford deve mesmo apostar em conectividade – vale lembrar que a Ford mostrou uma nova geração da central Sync recentemente. No desenho, o Fusion deve ganhar novas grade, para-choque e faróis. Chega ao Brasil este ano, possivelmente no segundo semestre.


Honda Civic 2016 (Foto: Divulgação)Honda Civic 2016 (Foto: Divulgação)
Honda Civic
Após ser apresentado no Salão de Los Angeles, o Civic dará as caras na maior mostra dos Estados Unidos. Repleto de inovações, ele já foi confirmado para o Brasil, e deve chegar na metade do ano. Uma das motorizações será o inédito 1.5 turbo de 176 cv. A mudança de geração foi considerada pela Honda, a maior da história do modelo. Leia mais


Teaser da picape Honda Ridgeline (Foto: Divulgação)Teaser da picape Honda Ridgeline (Foto: Divulgação)
Honda Ridgeline
A Ridgeline é para os americanos, uma picape média, do porte das nossas grandes, Chevrolet S10 e Toyota Hilux. Por lá, o modelo foi descontinuado em 2014, e retorna em nova geração, já como linha 2017. Foi a primeira picape da história da Honda a ser vendida nos Estados Unidos. Por ser um segmento importante no país, seu lançamento vem cercado de expectativas para a marca japonesa.


Linha de 75 anos da Jeep (Foto: Divulgação)Linha de 75 anos da Jeep (Foto: Divulgação)
Jeep 75 anos
A Jeep irá iniciar as comemorações de 75 anos de história em Detroit. Antes do Salão, porém, a marca já anunciou séries comemorativas para diversos modelos. Todas ganharão uma opção de pintura especial, além de emblemas exclusivos e mais itens de série. Para o nosso mercado, a Jeep deve criar uma edição limitada do Renegade.


Conceito de SUV grande da Kia (Foto: Divulgação)Conceito de SUV grande da Kia (Foto: Divulgação)
Kia SUV conceito
A Kia divulgou o teaser de um conceito de SUV grande, a ser exibido no Salão de Detroit. Com as portas traseira de abertura invertida e grandes para-lamas, o modelo foi criado no escritório de design da Kia na Califórnia, e deve agradar ao público local.


Lincoln Continental Concept (Foto: Divulgação)Lincoln Continental Concept (Foto: Divulgação)
Lincoln Continental
O Lincoln Continental é quase uma entidade para os americanos. Sinônimo de sedã grande de luxo durante 50 anos, o modelo foi descontinuado pela marca de alto padrão da Ford. Porém, uma décima e inédita geração foi confirmada para o Salão de Detroit. Leia mais


Mercedes-Benz Classe E (Foto: Divulgação)Mercedes-Benz Classe E (Foto: Divulgação)
Mercedes-Benz Classe E
Sedã intermediário da Mercedes, o Classe E acaba de passar pela reestilização de meio de geração. Com isso, a dianteira, que já era parecida com a dupla C e S, teve poucas mudanças. Por outro lado, a traseira foi atualizada, e agora segue a atual assinatura da marca alemã. No interior, terá um novo quando de instrumentos, que se prolonga até o console central, servindo também de multimídia. Leia mais


Mercedes-Benz SLC (Foto: Divulgação)Mercedes-Benz SLC (Foto: Divulgação)
Mercedes-Benz SLC
A onda de rebatizados na Mercedes continua. O próximo modelo a mudar de nome é o SLK, que passa a se chamar SLC. De quebra, o roadster passou por uma discreta atualização no desenho. Entre as motorizações, terá um V6 3.0 turbo, de até 367 cv.


Volvo S90 (Foto: Divulgação)Volvo S90 (Foto: Divulgação)
Volvo S90
Seguindo a filosofia de renovar toda a linha, a marca sueca irá revelar ao público o novo sedã S90. Com inspiração no SUV XC90, o modelo vai adiante em condução autônoma. Ele é capaz de se manter sozinho na mesma faixa de uma pista a até 130 km/h. De acordo com a Volvo ele terá versões a gasolina, diesel e híbrida.