quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

"um professor excepcional que tenha feito uma contribuição extraordinária para a profissão"

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Image captionBatista foi premiado recentemente por desenvolver projeto de bateria solar para smartphones
O que você faria com US$ 1 milhão? Marcio Andrade Batista sonha com uma viagem. Mas não para alguns dos destinos mais procurados por brasileiros, como Orlando e Nova York.
O professor paulista quer ir para o Acre - mais especificamente para regiões do estado amazônico que possam se beneficiar de seu projeto de iniciação científica para crianças usando conhecimentos práticos de atividades rurais típicas.
Antes, porém, Batista precisa fazer história no concurso Global Teacher Prize e conseguir se tornar o primeiro brasileiro a conquistar o chamado "Nobel da Educação", entregue a "um professor excepcional que tenha feito uma contribuição extraordinária para a profissão".
Ele é o único brasileiro na lista de 50 finalistas divulgada nesta quarta-feira pela ONG Varkey Foundation - trata-se da primeira vez em três anos de concurso que um representante do país é selecionado.
O nome do vencedor será anunciado em março, durante um evento em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Castanhas

Batista é doutorando em Engenharia pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e trabalha como voluntário. Ele começou a dar aulas de ciência e sustentabilidade em 2010, depois de perceber que escolas rurais de Mato Grosso tinham dificuldades em obter material de ensino e tecnológico. Em colaboração com a UFMT e o Senai, o professor desenvolveu um programa de iniciação científica em estabelecimentos de ensino.
A ideia surgiu durante uma visita à Juína, município que fica mais perto da Bolívia que das principais cidades brasileiras. Andrade viu na atividade extrativista do baru, um tipo de castanha comestível, uma chance de trabalhar a percepção de alunos de escolas locais.
"Basicamente, você pode comprar essa castanha por uma mixaria. Mas ela também oferece um potencial para se transformada em outros produtos. O que bastava era dar às crianças condições de imaginar isso", explica.
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Image captionAluna de Batista, Bianca de Oliveira recebeu prêmio de ciência das mãos da presidente Dilma Rousseff
A metodologia baseada na aplicação das ciências à vida cotidiana dos estudantes teve frutos inesperados: um dos alunos, Bianca de Oliveira, ficou em terceiro lugar na edição de 2012 do Prêmio Jovem Cientista, com um projeto de criação de farinhas integrais a partir do baru.
Foi a primeira vez em 26 anos que um representante do Mato Grosso foi agraciado. A menina recebeu o prêmio das mãos da presidente Dilma Rousseff.
"Em outra escola, desenvolvemos um projeto em que estudantes passaram a fazer pães e sorvetes com o soro do queijo produzido por pequenos produtores. Isso pode até ser usado na merenda escolar. Novamente, incentivamos os alunos a usarem a ciência em sua realidade. Eles são pequenos diamantes que só precisam de uma pequena polida. É muito melhor que apenas tentarmos ensinar ciência tradicional na sala de aula. E estamos descobrindo maneiras de melhorar suas vidas", diz o professor.
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Image captionCom auxílio do professor, estudantes de Juína criaram farinha à base do baru, um tipo de castanha

Prêmios

O professor já tem troféus na estante e, recentemente, ganhou o Prêmio Novelis de Sustentabilidade, desenvolvendo um tipo de carregador de baterias de celular movido a energia solar e que pode ser acoplado a bicicletas.
O Global Teacher Prize foi criado em 2014, com o intuito de elevar o status da profissão do educador. "Buscamos celebrar os melhores professores, aqueles que inspiram seus alunos e a comunidade ao seu redor. A Fundação acredita que uma educação vibrante desperta e dá suporte a todo o potencial dos jovens. O status dos professores em nossas culturas é fundamental para nosso futuro global", diz o site.
A relação de finalistas do prêmio tem representantes de 29 países do mundo, que concorrem à premiação em dinheiro.
A Varkey Foundation recebeu inscrições de professores de 148 países, mas os finalistas são de apenas 29 nações.
BBC
Image captionA americana Nancie Atwell, vencedora do prêmio em 2014, doou o dinheiro para a escola em que trabalha
"Estou bastante honrado por estar nessa lista e espero que minha proposta convença os jurados. Se vencer, usarei o dinheiro do prêmio para poder percorrer o Centro-Oeste levando o projeto. Hoje eu faço tudo sozinho. Sem ganhar coisa alguma, apenas porque acredito que posso ajudar essas crianças a aproveitarem o potencial em volta delas", conta o professor à BBC Brasil, em entrevista por telefone, em Pontal do Araguaia (MT).
Batista se inscreveu no Global Teacher Prize ao ler uma reportagem sobre a honraria. "É muito gratificante ver nosso esforço reconhecido. Despertar o interesse dos alunos para que eles entendam melhor o mundo em que vivem, não apenas o conhecimento mais tradicional passado em sala de aula. Isso é muito mais importante socialmente para a vida deles".

10/12/2015 08h36 - Atualizado em 10/12/2015 09h12 Mais sete pessoas são mortas durante paralisação da Segurança Total de crimes que ainda não são apurados chega a 13 na Grande Goiânia. Servidores pedem reposição salarial em ato, que deve terminar nesta manhã.

Mais sete homicídios foram registrados na Grande Goiânia entre a noite de quarta-feira (9) e a madrugada desta quinta-feira (10), em Goiânia, durante a paralisação de 24 horas de policiais e servidores da Secretaria de Segurança Pública (SSP-GO). Com esses novos casos, o número de assassinatos já chega a 13 no período, sendo 10 na capital e três em Aparecida de Goiânia.
Um dos crimes aconteceu no Setor Morada do Sol, na região noroeste de Goiânia, por volta das 21h. Segundo a Polícia Militar, um jovem de 20 anos foi morto a tiros no meio de uma praça. Testemunhas relataram que um homem em uma bicicleta se aproximou da vítima e efetuou vários disparos.
O jovem não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local. Ainda de acordo com a PM, a vítima já tinha três passagens, sendo uma por roubo, posse ilegal de arma de fogo e uso de drogas.
Por volta das 22h, outro homicídio foi registrado no Jardim Novo Mundo.  A vítima foi um adolescente de 17 anos, atingido por vários tiros na cabeça. Segundo a PM, o menor já tinha passagens por roubo e tráfico.
Outro homicídio ocorreu no Residencial Monte Pascoal, na região oeste de Goiânia. Um homem,  cuja idade não foi revelada, foi morto a tiros na frente de uma casa. Os portões das residências vizinhas ficaram com várias marcas dos disparos.
Durante a noite também ocorreu uma morte no Residencial Vale do Sol e outra na Chácara São Pedro, em Aparecida de Goiânia. Os casos não foram investigados, mas, segundo o Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) da cidade, existem suspeitas de que as mortes tenham ligação.
Já por volta de 1h desta quinta-feira dois homens foram mortos a tiros no Setor Pedro Ludovico, em Goiânia. Segundo a PM, testemunhas relataram que eles estavam em uma motocicleta, quando foram perseguidos pelos assassinos. As vítimas não resistiram aos ferimentos e morreram nos locais.
Outros seis homicídios já tinham sido registrados desde a manhã de quarta-feira. A paralisação dos servidores, que está deve ser encerrada nesta manhã, atrasou a investigação dos crimes, bem como o recolhimento dos corpos ao Instituto Médico Legal (IML).
Marcas de tiros ficaram espalhadas por portões no Setor Morada do Sol, onde rapaz foi morto, em Goiás (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)Marcas de tiros em portões no Setor Morada do Sol, onde jovem foi morto (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)
Suspensão
Na tarde de quarta-feira, a desembargadora Maria das Graças Carneiro Requi, em decisão monocrática, determinou a suspensão total da paralisação sob pena de multa diária no valor de R$ 20 mil em caso de descumprimento. Ela alegou que o movimento poderá acarretar enormes prejuízos à população, pois coloca em risco a vida dos cidadãos.

Em entrevista coletiva, o secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita, minimizou a paralisação e afirmou que possíveis "transgressões disciplinares" de servidores que não trabalharam serão apuradas.

"A PM está funcionando integralmente. Tivemos um ou outro problema pontual no sistema prisional e nas polícias Civil e Técnico-Científica, mas que já foram prontamente resolvidos", disse. Questionado se sabia o número de homicídios ocorridos nesta quarta-feira, ele disse: "Não tenho essa informação".

A fala do secretário contradiz famílias que aguardam a liberação de corpos no IML de Goiânia. Parentes do comerciante Antônio Marques de Amorim, de 41 anos, morto em um assalto,aguardava por horas para que a necrópsia fosse feita, sem sucesso.

"Eu acho que isso é uma falta de respeito com o cidadão. Não é culpa dos funcionários, mas do governo, que permite isso. A gente fica muito prejudicado. Quando você precisa do estado para uma assistência mínima, nunca tem", disse ao G1 o estudante Saulo Machado de Oliveira, de 18 anos, sobrinho da vítima.
Policiais e servidores da Segurança Pública fazem paralisação em Goiás (Foto: Murillo Velasco/G1)Policiais e servidores da Segurança Pública fizeram ato por reposição salarial (Foto: Murillo Velasco/G1)
Paralisação
Policiais e demais servidores da SSP-GO iniciaram uma paralisação, por volta das 8h de quarta-feira. Segundo um comitê, formado por 14 entidades que representam a categoria, nenhuma ocorrência será registrada até esta manhã.
De acordo com os manifestantes, a “Operação Padrão Atividade Zero” é um protesto contra o não pagamento, pelo governo estadual, da segunda parcela da reposição salarial, de 12,33%, que deveria ter sido feito em novembro para os policiais civis e em dezembro para os demais servidores.
Além dos policiais civis e militares, também participam do ato bombeiros, peritos criminais, médicos legistas, agentes prisionais, delegados e papiloscopistas.

O presidente do Sinpol-GO, Paulo Sérgio Alves, disse ao G1 na quarta-feira que mais de 25 mil policiais civis e militares estão paralisados. "Queremos ter a sociedade do nosso lado, mostrando que nós somos importantes. A sociedade deve pedir pelos policiais, tem que sair e defender os servidores que estão a serviço dela e, se fica ruim para a gente, fica ruim pra todos", destacou.
Queremos ter a sociedade do nosso lado, mostrando que nós somos importantes"
Paulo Sérgio Alves, presidente do Sinpol-GO
Já o presidente da Associação dos Cabos e Soldados (ACS), Gilberto Candido de Lima, disse à TV Anhanguera que, até as 10h de quarta-feira, a PM havia recebido mais de 20 ocorrências de roubo de carro, três de furto, três de roubo a casa e outras de tentativa de homicídio. Ele destacou que as equipes até saem nas ruas, mas, por conta da paralisação, não vão atender nenhuma ocorrência.

A SSP-GO informou que a Polícia Militar está trabalhando normalmente e divulgou imagens sobre os trabalhos.  O órgão disse que ainda fará um levantamento sobre a situação das delegacias e vai se pronunciar mais tarde.

Apesar disto, o sargento Sérgio Goiano, da PM, disse que está sim em paralisação. " Nós não vamos atender nenhuma ocorrência, nem fazer nenhum flagrante", afirmou o sargento. Ele falou também sobre os problemas que as equipes da corporação estão passando.

"Está difícil essa defasagem salarial e falta de investimentos. Estamos trabalhando muito e o desgaste já está no limite", desabafou.
Sobre a informação de que a PM não está registrando as ocorrências, a assessoria da corporação negou e disse que os serviços são feitos como de costume.

Reivindicações
O presidente do Sinpol-GO, Paulo Sérgio Alves, explicou que os servidores precisam de melhores condições de trabalho e, por isso, as entidades que representam as categorias decidiram se unir e fazer a paralisação.

"O objetivo é alertar a sociedade de Goiás que a segurança pública passa por um problema grave. O principal deles é a falta de contingente, de quase 6 mil policiais civis, em 1998, passamos pra pouco mais de 3 mil hoje. Ou seja, quase dobramos a população do estado e diminuímos pela metade o número de servidores, isso não dá", disse.

"Tanto na policia civil quanto militar, não aguentamos mais, estamos ficando doentes com a sobrecarga, e isso reflete na qualidade da segurança, já que não conseguimos investigar crimes e proteger a sociedade por completo e gera insegurança da população, que tem a impressão de que não há ninguém por ela", ressaltou o sindicalista.
SSP-GO diz que policiais militares trabalham normalmente, em Goiás (Foto: Divulgação/SSP-GO)SSP-GO diz que policiais militares trabalham normalmente, em Goiás (Foto: Divulgação/SSP-GO)
Em nota, a SSP-GO informou que “nenhuma entidade representativa dos servidores da pasta comunicou oficialmente sobre a realização de atos reivindicatórios nesta data”. Contudo, “diante de informações veiculadas pelos órgãos de imprensa, a secretaria tomou todas as medidas necessárias para garantir a prestação de serviços e a tranquilidade à população”.

Ainda segundo a nota, entre o ano passado e este ano, “os servidores obtiveram reajustes da ordem de 32,2%, mais que o dobro da inflação do período. Para os próximos três anos, a previsão é de mais 37,5%”.

Além disso, a secretaria diz que, desde 2011, “13.096 policiais militares, 2.349 bombeiros militares, 569 policiais civis, 1.052 servidores do sistema prisional e 429 servidores da Polícia Técnico-Científica foram promovidos. Em 2015, 1.739 policiais civis, 422 servidores da Polícia Técnico-Científica e 358 servidores do sistema prisional obtiveram progressão na carreira – o que redunda em valorização na remuneração”.

Por fim, a SSP-GO destacou que, “diante desse quadro, e no contexto da grave crise econômica pela qual o país atravessa, a secretaria confia que prevalecerá o bom senso e o compromisso dos servidores, que não tomarão qualquer medida que venha a prejudicar a população goiana e nem acarretar medidas disciplinares contra os mesmos”.

Salários de dezembro dos terceirizados do SLU está ameaçado


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A Câmara aprovou crédito suplementar de R$ 18 milhões para pagar as remunerações de novembro. No entanto, o SLU ainda tem um déficit de R$ 21,9 milhões no orçamento. A restruturação da defensoria também foi aprovada

 

O dinheiro para pagar os salário dos garis, funcionários da Sustentare, da Valor Ambiental, e as empreiteiras, referente ao mês de novembro, está garantido ao Serviço de Limpeza Urbana (SLU). A Câmara Legislativa aprovou o projeto de lei que autoriza crédito orçamentário suplementar de R$ 18 milhões, nesta terça-feira (8/12). No entanto, a diretoria do SLU terá que voltar à Câmara, até 15 de dezembro, para pedir mais R$ 21,9 milhões. Sem esse dinheiro, a empresa não conseguirá honrar os compromissos de dezembro.
Os R$ 18 milhões são, entre outros compromissos, para pagar 5,4 mil funcionários terceirizados que não receberam salários nesta segunda-feira (7). De acordo com a diretora-geral do SLU, Heliana Katia Tavares Campos, o orçamento de 2015 veio com um déficit de R$ 150 milhões, em relação ao ano passado. “Desde o início do ano, sabíamos que não teríamos dotação orçamentária até o fim de 2015. No meio do ano, encaminhamos um PL para suplementar o orçamento do SLU em R$ 166 milhões e a Câmara só aprovou R$ 96 milhões e continuou deficitário”, afirmou.
Os R$ 18 milhões conquistados nesta terça (8) foram possíveis devido ao arrecadado com o Programa de Recuperação Fiscal (Refis) e por meio dos recursos da Taxa de Limpeza Pública (TLP). Ainda não há previsão de onde sairão os outros R$ 21,9 milhões.
Defensoria Pública
O Projeto de Lei Complementar nº 27 , que reestrutura a Defensoria Pública do Distrito Federal e dá autonomia administrativa e iniciativa aos defensores para apresentarem a proposta orçamentária, também foi aprovado.

Telefones do Distrito Federal terão nono dígito em maio de 2016 Além do DF, os telefones celulares dos estados de Goiás, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins recebem o algarismo


Os números dos telefones celulares do Distrito Federal terão o acréscimo do algarismo 9, a partir de 29 de maio de 2016. O novo algarismo deverá ser teclado antes da atual numeração, que passará a ter nove dígitos, como já acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro. A mudança foi anunciada ontem por meio de aviso publicado no Diário Oficial da União pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), e visa acomodar o crescimento da quantidade de assinantes. Telefones fixos e móveis especializados (SME), como o Nextel, não sofrerão alteração.

A Anatel estabeleceu um cronograma para que os usuários possam se familiarizar com a nova numeração, prevendo quatro meses de adaptação. Assim, entre 29 de maio e 7 de junho, as chamadas para celulares do DF serão completadas normalmente, discando-se 9 ou os atuais 8 dígitos. De 8 de junho a 5 de setembro, quem ligar para o modelo antigo (sem o dígito 9) receberá uma mensagem sobre a mudança. Depois disso, não haverá mais aviso e as ligações só serão completadas com a nova numeração.

Além do DF (código de área 61), também receberão o algarismo 9 adicional, a partir de 29 de maio, os telefones celulares dos estados de Goiás, Acre, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Tocantins. Os estados do Paraná e de Santa Catarina (DDD 41 a 49) terão a mudança a partir de 6 de novembro de 2016. Na mesma data, a medida alcançará as cidades com código de área 51,53, 54 e 55, no Rio Grande do Sul.

Ex-senador Luiz Estevão responde a 131 processos Entre as ações na Justiça do DF, 60% dizem respeito a dívidas com o GDF. Nelas, os advogados do ex-senador lançam mão de artifícios jurídicos para procrastinar decisões

 Adriana Bernardes , Helena Mader

A condenação a 31 anos de cadeia por irregularidades na obra do Fórum Trabalhista de São Paulo é a maior disputa judicial travada pelo ex-senador Luiz Estevão, mas não é a única. Somente no âmbito do Distrito Federal, correm 131 processos que envolvem o nome dele ou de empresas. Quase 60% das disputas judiciais dizem respeito a dívidas com o Governo do Distrito Federal (GDF). São 77 processos na Vara de Execuções Fiscais. Assim como no caso do TRT/SP — em que a defesa do ex-parlamentar tem conseguido adiar o cumprimento da sentença apresentando sucessivos recursos em todas as esferas da Justiça —, nas ações que tramitam no Tribunal de Justiça do DF (TJDFT), os advogados também lançam mão de todas as manobras de contestação. Algumas ações se arrastam há mais de 20 anos.

Mas também há processos com processos recentes. Em junho do ano passado, a 1ª Vara Criminal do Paranoá aceitou denúncia por crime ambiental em uma fazenda de propriedade do empresário. O ex-senador é acusado de causar danos à Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central por conta de obras próximas ao córrego Cabeceira Comprida sem licença ou autorização. A ação está em fase de audiências. Na Vara de Falências, Recuperações Judiciais, Insolvência Civil e Litígios Empresariais do DF, há dois processos, ambos relacionados à massa falida da Administradora Planalto. Também há ao menos três processos na área de órfãos e sucessões.

No caso do Fórum Trabalhista de São Paulo, Estevão foi denunciado em 2000 e a primeira condenação ocorreu em 2006. Desde então, ele já apresentou 18 recursos na tentativa de desclassificar a denúncia. Pelas contas do Ministério Público Federal, as condutas criminosas atribuídas ao empresário provocaram um prejuízo aos cofres públicos de R$ 2,2 bilhões, segundo atualização feita ano passado. Até agora, a Justiça tem rejeitado os argumentos da defesa do ex-parlamentar e, em alguns dos pareceres e em decisões proferidas, os magistrados ressaltam que as contestações de Estevão tem sido usadas como forma de postergar o cumprimento da sentença condenatória.

A mais recente derrota de Estevão se deu na Procuradoria-geral da República. Ele teve rejeitado, em parecer, mais um dos inúmeros recursos protelatórios para invalidar a condenação pelas irregulares cometidas na obra do TRT-SP. Em 27 de abril, o subprocurador-geral da República Edson Oliveira de Almeida se manifestou contra o recebimento de um recurso extraordinário com agravo impetrado pelos advogados de Luiz Estevão no Supremo Tribunal Federal (STF). O processo agora está com o relator, ministro Marco Aurélio Mello. O empresário recorreu ao STF contra as decisões proferidas pela vice-presidência, pela Sexta Turma e pela Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que recusaram cinco recursos extraordinários.

STF conclui julgamento e senador cassado Luiz Estevão é condenado a 26 anos A defesa de Luiz Estevão apresentou 21 recursos e 11 habeas corpus


O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve a condenação o senador cassado Luiz Estevão a 26 anos de prisão, nesta quarta-feira (9/12). O empresário é acusado de desviar R$ 2 bilhões de recursos da obra do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Apesar dos percalços judiciais e do abandono forçado da vida pública, o bilionário conseguiu postergar a prisão por mais de uma década. 
Segundo o Ministério Público Federal, desde o início do processo, a defesa de Luiz Estevão apresentou 21 recursos e 11 habeas corpus. A estratégia para atrasar o desfecho do caso foi eficiente: a pena de 31 anos de cadeia foi reduzida para 26 anos em 2014, já que a demora levou à prescrição das penas relativas aos crimes de formação de quadrilha e de uso de documento falso. Mas, a condenação por corrupção ativa, peculato e estelionato está mantida. Os ministros não analisaram pedido do MP para cumprimento imediato da pena. A defesa ainda pode recorrer da decisão. Agora, será publicado um acórdão e, segundo o ministro Marco Aurélio Melo, ainda cabem embargos declaratórios. O prazo regimental para a publicação do acórdão é de 60 dias. 

Luiz Estevão cumpre hoje pena em prisão domiciliar, depois do trânsito em julgado de outro processo, em que ele foi condenado a 3 anos e 6 meses em regime semiaberto por falsificar documento público.

Com informações de Helena Mader.

CLDF testa a habilidade da Polícia Legislativa com armas de fogo. STF analisa constitucionalidade do tema "Cadê disciplina para aguardar autorização competente?"

Daniel Ferreira/Metrópoles

Contrato com empresa responsável pela avaliação foi publicado, nesta quarta-feira (9/12), no Diário Oficial do DF. Supremo Tribunal Federal ainda não decidiu sobre o caso


No Supremo Tribunal Federal (STF) tramita uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 5284) questionando a Resolução 223, que permite o porte de arma de fogo por inspetores e agentes de polícia legislativa. Mas a Câmara Legislativa ignorou o fato de o tema ainda estar sub judice e assinou um contrato de mais de R$ 32 mil para realização de teste de capacidade técnica para manuseio de armas.
O contrato, com vigência de 12 meses, foi publicado nesta quarta-feira (9/12) no Diário Oficial do DF. Segundo a assessoria de comunicação da CLDF, atualmente, os servidores não trabalham armados, mas têm permissão para o manuseio em casos de necessidade. O direito está previsto na Resolução 223 de 2006, que também define a necessidade de renovação do teste de capacidade técnica para uso das armas de cada servidor deve ser renovado em intervalo não superior a três anos. 
Reprodução
Contestação 
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, questionou a permissão dada pela norma da Câmara Legislativa e propôs ação direta de inconstitucionalidade contra a resolução.
No texto, Janot argumenta que a competência da Câmara Distrital para organizar sua polícia – nos termos do artigo 27, parágrafo 3º, combinado com o artigo 32, parágrafo 3º da Constituição Federal – não autoriza o órgão a tratar de matéria de interesse nacional cuja competência para legislar é da União.
O Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826, de 22 de dezembro de 2003), que tem caráter nacional, “concedeu porte de arma de fogo a integrantes da polícia legislativa federal (artigo 6º, VI) e não incluiu no rol exaustivo de seu artigo 6º os integrantes da polícia legislativa dos Estados e do Distrito Federal.”
O relator da ação é o ministro Gilmar Mendes. Segundo o STF, o pedido continua em trâmite.