segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Com impeachment na mesa, aliados e inimigos de Dilma tomam posição Cenário está dividido, mas presidenta tem a desvantagem da economia em frangalhos Governo Dilma dobra aposta e diz ter pressa para vencer impeachment

Dilma Rousseff, em julho de 2015 / HANDOUT
O Brasil vive sob a expectativa do impeachment do atual Governo desde o começo do segundo mandato de Dilma, mas foi pego de surpresa na última quarta-feira, quando o presidente da Câmara,Eduardo Cunha, anunciou que aceitaria o pedido feito pelos juristas Miguel Reale Junior, Hélio Bicudo e Janaina Paschoal. Agora, prós e contra a saída da presidenta antes de 2018 contam seus aliados para medir o arsenal de defesa ou ataque neste fogo cruzado que tomou o país. Por ora, o jogo parece equilibrado. Mas, são tempos voláteis onde as opiniões podem mudar de manhã para a noite, conforme o sopro da ventania, que se mostra desfavorável à presidenta.
PSDB, DEM, Solidariedade e PPS são os partidos que encabeçam a movimento pró-impeachment, junto com parte do PMDB, partido que está e não está na base aliada do Governo Dilma a esta altura. Outras legendas supostamente aliadas também contam com integrantes que se mostram a favor do impeachment, como é o caso do PSD, partido do ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, atual ministro das Cidades, assim como o PR e PRB. Este último tem um representante seu na Esplanada, George Hilton, como ministro dos Esportes, e o PR tem a pasta dos Transportes.
Os partidos mais à esquerda, como PSOL e PCdoB, já se posicionaram contra o pedido de impeachment. “O processo de destituição de um governante eleito, que já começa sob o signo da chantagem, sob a marca da barganha, pelo visto mal sucedida para aqueles que não queriam esse procedimento, ele começa muito mal”, disse o deputado do PSOL pelo Rio, Chico Alencar. “O presidente [Eduardo Cunha] não tem legitimidade para nada, muito menos para um ato de tal gravidade.”
O PDT, que já ameaçou deixar a base aliada em agosto, também foi enfático na defesa do Governo Dilma, e comparou o gesto de Cunha ao de Rainieri Mazzilli, então presidente da Câmara em 1964, quando João Goulart foi deposto e começou o regime militar no Brasil que durou até 1985. “Em 2015, com o advento do conservadorismo instituído na Câmara dos Deputados, há quem queira repetir 1964. Eduardo Cunha, repaginando Mazzilli, utiliza-se do seu cargo para impor uma agenda reacionária e um retrocesso ao povo brasileiro”, afirma a nota.
Há, também, o bloco de oito governadores do Nordeste de variadas legendas – incluindo Renan Filho, de Alagoas, que é do PMDB, e filho de Renan Calheiros, presidente do Senado – além de Luiz Fernando Pezão, do Rio de Janeiro, também do PMDB. Os governadores nordestinos (além de Alagoas,  Paraíba, Ceará, Bahia, Piauí, Sergipe, Maranhão e Rio Grande do Norte) publicaram um manifesto no último dia 3  em que anunciam sua posição contrária à saída de Dilma e avisam que estarão mobilizados “para que a serenidade e o bom senso prevaleçam”.
Entre os que já atuaram a favor do impeachment de Fernando Collor em 1992, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de um organismo interno, demonstrou inconformismo com a possível abertura do processo contra a presidenta. Em nota, a Comissão Brasileira de Justiça e Paz diz que a “ordem constitucional democrática brasileira constituiu solidez suficiente para não se deixar abalar por aventuras políticas”. Por essa razão, acredita que o impedimento de um presidente “ameaça ditames democráticos, conquistados a duras penas”. O documento deverá ser levado para a análise do colegiado da CNBB no fim de janeiro, quando o organismo deverá se posicionar oficialmente contra o impeachment.
Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que também assinou o pedido de destituição de Collor em 1992, decidiu montar uma comissão para analisar se apoiarão o pedido de impeachment ou se elaboram o seu próprio. Em uma primeira análise, quando se avaliou apenas as pedaladas fiscais de 2014, uma comissão da OAB decidiu que não apoiaria o impeachment de Rousseff. Agora, esse grupo especial analisará outros elementos que passaram a interferir no caso, como a prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), então líder do Governo no Senado, e a continuação das pedaladas fiscais de 2015. Em princípio, o conselho da Ordem só se manifestará sobre o assunto em fevereiro, quando está agendada uma reunião ordinária. Porém, a presidência da entidade não descarta convocar um encontro extraordinário para discutir o assunto.
Qualquer posição favorável tem validade limitada ao avanço das investigações em curso sobre os méritos do pedido aceito por Cunha, e à ação que corre no Tribunal Superior Eleitoral, que questiona se dinheiro de propina da Petrobras foi usada na campanha eleitoral de Dilma, algo que inviabilizaria o mandato da presidenta e de seu vice.A Rede Sustentabilidade, por exemplo, partido presidido por Marina Silva, procurou tomar uma posição rapidamente e, a priori, não acredita que o pedido acatado na Câmara têm elementos significativos para justificar o impeachment. O pedido questiona as pedaladas fiscais, manobras contábeis que o Governo utilizou para justificar gastos e receitas públicas, de 2014, o que invalidaria um pedido de impeachment para este segundo mandato de Dilma começou em primeiro de janeiro deste ano. Por isso os juristas incluíram o argumento que as pedaladas também se estenderiam para 2015, um assunto que ainda está em julgamento no Ministério Público de Contas.
Em nota assinada no dia 3 de dezembro, o partido de Marina deixou claro que não considera o impeachment um golpe, como diz a presidenta e o PT, e que a aceitação do pedido de impeachment por Cunha tem legitimidade, embora ele seja um parlamentar que deveria estar fora do cargo que ocupa. “O pedido de impeachment por parte de qualquer cidadão/ã não é golpe, é um direito garantido pela Constituição”, diz a nota do partido, que afirma apoiar a continuidade das investigações, inclusive da ação que corre no TSE.

O relógio do impeachment



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A oposição tenta se sincronizar ao humor atual e por isso optou, na noite de quinta-feira, mudar de tática para emplacar o impeachment de Dilma Rousseff. Antes, PSDB, DEM, PPS e Solidariedade queriam suspender o recesso parlamentar para abrir logo o processo. Agora, entenderam que o período de festas de fim de ano atrapalharia qualquer mobilização social e, por isso, dificilmente conseguiriam promover passeatas pelo país pedindo a saída de Rousseff.
“O governo quer aproveitar o período do Natal e do Ano Novo para tentar dificultar a mobilização dos movimentos sociais e, com isso, diminuir a pressão sobre os deputados. É uma manobra para “matar” o impeachment. Isso é inaceitável. Se é assim, defenderemos, a partir de agora, a manutenção do recesso”, afirmou o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio.
Há outros fatores que podem fermentar o bolo do impeachment e realimentar o sentimento de rejeição à permanência de Dilma no cargo. Um deles é a nitidez do fracasso econômico, como a queda de 3,2% do PIB entre janeiro e setembro deste ano, divulgada pelo IBGE nesta terça. A alta acelerada do desemprego, que já chega a 8% em outubro, com quase 820.000 pessoas perdendo postos de trabalho desde janeiro, faz crescer o desejo de que algo mude no Brasil, embora não se saiba em qual direção. Sem horizonte de mudança a partir do Governo – paralisado diante da guerra pela sua sobrevivência – o impeachment pode soar como uma alternativa para que o país caminhe.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, por exemplo, acredita que um eventual impeachment não seria um fator que viria a piorar a crise atual. Ele, que já foi um leal aliado dos governos do PT, não esconde sua ansiedade com um fator de mudança do modelo atual, o que deixou bem claro durante a visita do presidente eleito da Argentina, Mauricio Macri. “Você representa o início de um novo ciclo na América Latina, de uma economia mais dinâmica e mais liberal”, disse Skaf nesta  sexta.
O mercado financeiro também é um personagem chave na torcida pelo impeachment. Um dia depois do anúncio de Cunha, a bolsa abriu em alta, expondo o bom humor dos agentes financeiros com a possibilidade. James Gulbrandsen, sócio gestor da NCH Capital, que representa investidores estrangeiros que investem no Brasil, avalia que não há exatamente uma torcida para um lado ou para outro, mas o desejo de que alguma medida seja tomada para que a paralisia seja quebrada. “O estrangeiro não gosta de mudança de Governo em ano que não seja eleitoral. Porém, esta crise, com país parado há tanto tempo, onde a política agrava a crise econômica, ele só espera uma solução. Seja impeachment, renúncia ou paz”, afirma.
O único fator que talvez favoreça Dilma é a sensação de parte dos brasileiros de que não há alternativa para algo que está ruim. Uma pesquisa do instituto Data Popular mostra que 89% dos brasileiros não confiam em nenhum político, o que demonstra a total falta de confiança do país de que os líderes atuais possam alcançar suas expectativas. O levantamento do Datafolha desta sexta, mostrando a queda significativa de popularidade do governador tucano Geraldo Alckmin (28%), reflete a percepção de que o país não está cansado somente do PT mas da falta de habilidade de seus representantes. Mas, os movimentos de rua anti-Dilma já se articulam e acreditam que a necessidade de catarse do país voltará a jogar a favor deles.

Brasil cria 1º remédio a partir de organismo vivo contra efeito de quimioterapia

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Image captionRemédio reduz efeitos colaterais de quimioterapia e ajuda pacientes a recuperar imunidade
Uma droga de produção inédita no Brasil, que reduz os efeitos colaterais do tratamento de câncer, deve chegar ao mercado no ano que vem, depois de ter sido aprovado há pouco mais de um mês pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Fiprima (filgrastim) é o primeiro medicamento biossimilar inteiramente desenvolvido no Brasil - e o primeiro da América Latina. Biossimilares são parecidos a medicamentos biológicos, que por sua vez são produzidos a partir de um organismo vivo, e não apenas por meio da manipulação química de sais em laboratório. Isso torna o seu desenvolvimento muito mais complexo.
Para se ter uma ideia, em todo o mundo existem apenas 20 biossimilares registrados, incluindo o produto brasileiro, que são considerados uma nova fronteira para a indústria farmacêutica global. 
A nova droga é uma versão de um medicamento biológico originalmente desenvolvido pela Roche, cuja patente expirou no início dos anos 2000.
Ela é indicada para pacientes que apresentam o sistema imunológico comprometido pela realização de tratamento quimioterápico. O medicamento permite o restabelecimento da imunidade, evitando o surgimento de doenças infecciosas oportunistas.
O novo biossimilar foi desenvolvido pela Eurofarma. Por meio de um acordo de transferência de tecnologia, será produzido pela Fiocruz e distribuído gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Com a produção própria, o Ministério da Saúde diz esperar economizar R$ 9,3 milhões por cinco anos.

Glóbulos brancos

O remédio é fundamental para os pacientes submetidos a tratamentos quimioterápicos e que acabam apresentando uma contagem muito baixa de neutrófilos - glóbulos brancos que ajudam no combate às infecções.
Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), mais de 12 milhões de pessoas são diagnosticadas com câncer em todo o mundo a cada ano. Apenas no Brasil, o Inca estima 580 mil novos casos em 2015.
A aprovação do remédio foi publicada no último dia 20 de outubro no Diário Oficial da União. O desenvolvimento do biossimilar contou com financiamento de R$ 12 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e levou dez anos para ser concluído.

Organismo vivo

Remédios biológicos como o Fiprima são muito mais complexos do que os remédios tradicionais justamente porque não são sintéticos. Ou seja, não dependem apenas de uma manipulação de substâncias químicas em laboratório para serem produzidos.
Os remédios biológicos são em geral proteínas produzidas por um organismo vivo - que pode ser uma bactéria, uma levedura ou uma célula de mamífero. Os cientistas alteram geneticamente esses organismos vivos para que passem a produzir exatamente aquela substância de que precisam e nada mais. Eles cultivam, então, os organismos para que se transformem em "fábricas" de proteínas.
"Os primeiros remédios biológicos surgiram nos anos 80", explica a vice-presidente da Eurofarma, Martha Pena.
"Quando parecia que a indústria farmacêutica tinha começado a ficar limitada, que tínhamos resolvido parte das doenças e que outras, simplesmente, não conseguiríamos resolver, surgiu essa nova tecnologia que nos permitiu interferir em mecanismos biológicos, receptores de células, algumas formas de vírus."
Tanto é assim, diz Martha Pena, que a Filgastrima foi um dos primeiros medicamentos biológicos desenvolvidos no mundo e, só agora, foi possível criar uma cópia. No caso, o Fiprima.
A farmacêutica tem hoje uma parceria em andamento com o Instituo Bio-Manguinhos, via Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP), que garante o abastecimento do mercado público e a transferência de tecnologia. Segundo Martha, o mercado privado deve absorver 50% das vendas do biossimilar e o governo, a outra metade.
"O processo de transferência (de tecnologia) prevê a incorporação das diversas etapas de produção paulatinamente", explicou o diretor de Bio-Manguinhos/Fiocruz, Artur Couto.
"Neste caso, podemos dizer que o início dos processos se dá imediatamente a obtenção do registro por parte da Fiocruz, o que tem prazo para ocorrer até 12 meses após a assinatura do contrato. Estamos trabalhando para ter o contrato assinado ainda no primeiro semestre de 2016."

Por que a Finlândia está acabando com as matérias nas escolas? Da BBC Mundo

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Image captionFinlândia quer que alunos vejam que um mesmo problema pode gerar perguntas de física, história, matemática, biologia ou estatística
A Finlândia, país conhecido pelo sistema educacional considerado um dos melhores do mundo, prepara uma mudança radical que visa melhorar a qualidade de suas escolas.
A partir de 2016 todos os centros de ensino do país nórdico começarão a aplicar um novo método conhecido como "phenomenon learning".
Segundo este sistema as aulas tradicionais são substituídas por projetos temáticos nos quais os alunos se apropriam do processo de aprendizagem.
"Na educação tradicional os alunos vão à sala de aula e têm aulas de matemática, depois de literatura e depois de ciências. Agora, ao invés de adquirir conhecimentos isolados sobre matérias diferentes, o papel do estudante é ativo. Eles participam do processo de planejamento, são pesquisadores e também avaliam o processo", disse à BBC Marjo Kyllonen, gerente de educação de Helsinque.
Kyllonen afirma que a forma tradicional de educação, dividida entre matérias diferentes, não está preparando as crianças para o futuro, "quando precisarão de uma capacidade de pensamento transdisciplinar, olhar os mesmos problemas a partir de perspectivas diferentes e usando ferramentas de diferentes".

Experiência colaborativa

A capital finlandesa está na vanguarda do desenvolvimento desta nova metodologia na qual os alunos podem escolher um tema de seu interesse e planejar o desenvolvimento deste assunto com os professores.
Kyllonen relatou à BBC um exemplo: alunos da quarta série que decidiram com o professor fazer um trabalho sobre o fenômeno dos smartphones.
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Image captionUm grupo de alunos quis pesquisa, por exemplo, os smartphones e acabou aprendendo sobre história, literatura e física
"Disseram que gostariam de saber sobre a história do desenvolvimento da telefonia", disse.
"Um tema que servia para estudar matemática, estatísticas, para saber quais as razões que levam as pessoas a usarem os telefones, literatura, a indagar como as mensagens de texto mudaram a forma de escrever... (...). Era a ideia deles e, por isso, podiam se conectar imediatamente com o tema", afirmou.
O "phenomenon learning" está sendo introduzido gradativamente nas escolas do país nos últimos dois anos. Todas as escolas são obrigadas a introduzir um período durante o ano escolar - geralmente de várias semanas - para desenvolver esta nova forma de aprendizagem por experiência.
No caso de Helsinque, as escolas foram estimuladas para estabelecer dois períodos como este por ano.

Mudança para os professores

As mudanças no sistema educacional da Finlândia também trazem mudanças importantes para os professores, que não terão mais o controle sobre seus cursos com o qual estavam acostumados.
Eles deverão aprender a trabalhar de forma colaborativa com seus alunos e outros docentes.
O trabalho deles não vai mais ter como base as aulas expositivas e será mais parecido com o trabalho de um mentor.
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Image captionPara ensinar os 'alunos pesquisadores' os professores deverão se transformar em mentores
Até março de 2015, 70% dos professores de Helsinque já tinham sido treinados para aplicar este novo método.
"Não acho que os professores possam simplesmente se sentar e observar o que está acontecendo. Creio que seu papel é ainda mais importante do que no sistema tradicional, precisam ter muito cuidado na forma como aplicam este método", disse Kyllonen.

Lições erradas?

O novo método já foi alvo de críticas.
A reportagem da BBC conversou com Leo, um estudante de uma escola de Helsinque, sobre a experiência do "phenomenon learning".
"Tem suas vantagens e desvantagens. É diferente e os professores podem ficar criativos e trazer novas fórmulas de ensinar e de aprender e isto é divertido", afirmou.
"Mas eu não gostaria que durasse o ano inteiro, porque é muito bom ter certa liberdade criativa para aprender de vez em quando, mas também existe a educação tradicional, que também cumpre uma função", disse o jovem.
A BBC entrevistou o professor da Universidade de Cambridge Tim Oates que também afirmou temer que outros países tenham as lições erradas a partir da experiência educacional positiva da Finlândia.
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Image captionA China superou a Finlândia nas provas PISA mas as autoridades de educação de todo o mundo continuam buscando o país nórdico como referência
Oates afirmou que o sistema educativo finlandês teve seu melhor momento no ano 2000, quando o país obteve os melhores resultados no Programa Internacional para a Avaliação de Estudantes da OCDE, conhecidas como provas PISA.
Mas, desde então, o país está caindo.
E, de acordo com o especialista, os funcionários do setor de educação de várias partes do mundo começaram a analisar como eram as escolas da Finlândia neste momento, caracterizadas pela ampla liberdade e pelo fato de que os alunos não necessitavam fazer provas a cada ano para mudar de série.
Oates adverte que as reformas que permitiram os bons resultados do ano 2000 foram colocadas em marcha ainda na década de 1970, com elementos muito diferentes como as decisões centralizadas, a presença de supervisores em cada sala de aula, grandes investimentos na formação dos professores e a aplicação de exames obrigatórios.
Mas a Finlândia parece disposta a continuar mudando e aprendendo.
E provavelmente outros países vão querer aprender também com este processo.

O Estado Islâmico está mesmo perdendo território?

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Image captionTanque do Exército iraquiano avança após entrar em conflito com militantes em Ramadi, no Iraque
"Ganhamos mais território. Agora, o Estado Islâmico tem menos", disse o secretário de Estado americano John Kerry enquanto visitava Paris para fazer uma homenagem às 130 vítimas do ataque de militantes na cidade em novembro.
A campanha aérea contra o grupo autodenomido Estado Islâmico (EI) foi intensificada desde então. O envio do porta-aviões Charles de Gaulle para o combate triplicou a capacidade de realizar ataques aéreos.
Kerry estava se referindo a um relatório de abril, que afirmava que a coalização liderada pelos Estados Unidos contra o EI havia feito com que o grupo recuasse e perdesse de 25% a 30% do território que ocupava.
Isso representa entre 13 mil e 17 mil km2 segundo o documento do Pentágono, o qual mencionava a retomada das cidades sírias de Kobane e Tal Hamis, assim como um acirramento do cerco aos jihadistas em grandes cidades iraquianas, como Mosul.
Mas o Estado Islâmico está mesmo perdendo terreno? E, se isso estiver ocorrendo de fato, qual é a dimensão deste recuo?

Equívoco

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Image captionPosições do EI têm sido bombardeadas por coalizão liderada pelos EUA
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Image captionJihadistas ainda controlam importantes cidades na Síria e no Iraque
"A ideia de que eles (os militantes do EI) perderam 25% do seu território é um equívoco", diz Frank Gardner, correspondente para assuntos de segurança da BBC.
"Talvez você consiga ilustrar isso de alguma forma em mapas, mas o fato é que, só no ano passado, eles assumiram o controle de Palmira e Ramadi e não há sinais de que abrirão mão de Mosul - a segunda cidade mais importante do Iraque. Eles ainda estão aqui. Eles não foram embora."
Gardner diz ainda que "não há dúvidas" de que os ataques aéreos contra o grupo estão surtindo efeito. "Eles estão perdendo um líder de médio ou alto escalão praticamente todos os dias com estes ataques, segundo os americanos, mas eles são capazes de substituí-los."
Paul Rogers, consultor de segurança global do centro de estudos independente Oxford Reseach Group, também lança dúvidas sobre as estatísticas oficiais.
"É verdade que o EI foi impedido de avançar no Iraque e que sofreu alguns reveses no nordeste do país, onde os curdos fizeram progresso, e em torno das cidades de Tikrit e Badgi, ao norte de Bagdá, que parecem ter sido retomadas pelo governo", afirma Rogers.
"Mas em importantes cidades, como Fallujah, Ramadi e Mosul, tem sido muito difícil enfrentar o EI."
O especialista afirma que evidências apontam, na verdade, para um aumento do território controlado pelos membros do grupo, mas ressalta que o índice de 25% a 30% pode estar preciso se estiver se referindo a áreas sem população em vez de áreas populadas.

A real preocupação

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Image captionMudança de tática do EI, com ataques em outros países, é preocupante, diz especialista
Ainda assim, Rogers não acredita que o tamanho do território ocupado pelo EI seja uma boa medida do sucesso do combate ao grupo. Ele afirma que deveríamos estar nos preocupando com a capacidade de ação dos militantes.
"O preocupante em relação ao EI é que ele voltou a usar as táticas empregadas pela Al-Qaeda há dez anos e começando a realizar ataques em outros países", afirma ele.
"Até recentemente, eles estavam se concentrando em criar seu próprio território geográfico, seu próprio califado, como eles dizem. Agora, passaram a agir internacionalmente."
Os ataques em Paris, o bombardeio de um jato russo e o recente ataque em Beirute, no Líbano, são evidências desta mudança, diz Rogers.
"Estamos entrando em uma nova era em que o EI está mais determinado a facilitar e encorajar ataques internacionais e esta deve ser nossa real preocupação."

A vida dupla do agente duplo Monsenhor Vallejo, o sacerdote espanhol preso por vazar documentos secretos do Vaticano, alega aventura com uma mulher para justificar sua atitude Sacerdote espanhol é preso por roubar documentos do Vaticano

Vallejo Balda era apaixonado por tirar fotos, algumas tão surpreendentes como a que simula estar preso em uma jaula. As imagens, às quais o EL PAÍS teve acesso, procedem de seu telefone celular e estão em poder da gendarmaria vaticana. Não se sabe quando foram tiradas, nem por quem. / EL PAÍS
Em 28 de dezembro de 2014, em um hotel de Florença, o monsenhor Ángel Lucio Vallejo Balda perdeu a virgindade.
Ele se confessou, ante à gendarmaria do Vaticano, como alguém que acende uma faísca sobre uma pilha de lenha seca. Trata-se de uma tentativa desesperada do sacerdote espanhol de justificar com a paixão por uma mulher sua traição ao papa Francisco.
Vallejo, de 54 anos, e sua antiga amiga íntima, a relações públicas italiana Francesca Immacolata Chaouqui, de 34 anos, são acusados pelo Ministério Público do Vaticano de subtrair e filtrar abundante documentação secreta sobre as finanças da Santa Sé. Alguns documentos aos quais teve acesso como membro da COSEA, uma comissão criada por Jorge Mario Bergoglio para monitorar as finanças da Santa Sé, e que acabou fazendo parte de dois livros recentemente publicados pelos jornalistas Gianluigi Nuzzi e Emiliano Fittipaldi, também acusados pelo Vaticano em um processo cuja audiência começa na segunda-feira de manhã.
"Apenas dormiu com Francesca Chaouqui", diz Antonia Zaccaria, a advogada de confiança do monsenhor Vallejo, "meu cliente se arrependeu. Dizia: ‘Meu Deus, meu Deus, o que eu fiz?' Mas já era tarde demais. Ela começou a pressioná-lo enviando-lhe mensagens carinhosas no início -'por que você me ignora? Sinto falta dos seus beijos'- e depois ameaças –‘você é um verme, um fracasso como sacerdote e como homem!’. Desde então e até sua prisão no último dia 1º de novembro, o monsenhor Vallejo vivia aterrorizado. Estava convencido de que a máfia estava perseguindo os seus passos".
A advogada Zaccaria está sentada em seu escritório em Prato, uma cidade vizinha a Florença. Diz que até agora tinha permanecido em silêncio por respeito à investigação do caso. Mas afirma que, após a decisão do Vaticano de impedi-la de se comunicar com seu cliente, e nomear um defensor público em seu lugar, ela se sente livre para falar. Antonia Zaccaria não nega a responsabilidade do monsenhor Vallejo no vazamento da documentação secreta –entre outras coisas porque a gendarmaria do Vaticano apreendeu dois computadores e um par de telefones cheios de provas—, mas tenta demonstrar que na mente do sacerdote espanhol nunca houve a intenção de trair o papa Francisco.
Monsenhor Vallejo Balda, em um conversível. / EL PAÍS
Uma devoção por Bergoglio que a advogada pretende explicar de uma maneira muito peculiar: "O monsenhor Vallejo não queria ir além da conta com Francesca Chaouqui porque ela era casada. Na verdade, durante o interrogatório, ele disse uma coisa muito bonita: 'Entre mim e ela se interpunha a imagem do Papa quando dizia que não se toca nas mulheres casadas'. Então o que fez Chaouqui? Ela lhe disse que pertencia aos serviços secretos e que seu casamento era apenas um disfarce. Disse até mesmo que os dentes postiços que tem na parte superior da boca foram quebrados em uma missão secreta. Vallejo acabou acreditando. E em 28 de dezembro, em Florença, cometeu a fraqueza de dormir com ela. A partir daí, não teve escapatória. Francesca sabia muito de Vallejo".
Não só Francesca. O forte do monsenhor Vallejo nunca foi a discrição. Desde a chegada a Roma em setembro de 2011 –recomendada pelo cardeal Antonio Rouco Varela a Bento 16—, o sacerdote chamou a atenção por seu amor pelas festas, a vida boa e as mensagens no WhatsApp, um coquetel sempre perigoso para um uma autoridade do Vaticano, e mais ainda desde a chegada de Francisco. "Essa atitude nos deixou perplexos", diz um alto prelado, "porque se algo que você aprende quando chega aqui é se calar em todos os idiomas. Se você tem que ir a uma recepção, vai, cumprimenta quem tem que cumprimentar, e diz adeus; todo o resto vem do diabo".
O sacerdote Vallejo, tirando uma foto em um restaurante. / EL PAÍS
Vallejo Balda não entendia assim, e apesar de a cúpula em Roma do Opus Dei–a cuja sociedade sacerdotal pertence— ter estranhado algumas vezes a sua atitude, continuou dado ao luxo e às amizades perigosas. Quando os gendarmes do Vaticano analisaram seus telefones, já não era necessário investigar muito mais. Não só havia fotos de seus excessos mundanos, mas também a estreita relação com um casal de jornalistas italianos, a quem chegou a fornecer uma chave para que pudessem mergulhar nos arquivos do Vaticano. "É verdade", admite a advogada Zaccaria, "que Roma lhe causou uma certa euforia, se sentiu importante, sofreu uma espécie de delírio de onipotência".
Há uma anedota que o reflete. Logo após chegar ao Vaticano, o monsenhor Vallejo sentiu que muito em breve seria nomeado bispo, de forma que não apenas foi a um alfaiate conhecido comprar os adereços episcopais, mas os exibiu descaradamente. Continuam pendurados no armário de uma casa vaga de propriedade do Vaticano, para a qual Lucio Vallejo nunca mais voltará.

"Chegaram a dizer até que eu sou da máfia chinesa"

"Chegaram até a dizer que pertenço à máfia chinesa." A relações públicas Francesca Immacolata Chaouqui reconheceu que coube a ela o papel de malvada em um filme que tem mais comédia do que drama. "Mas a coisa mais incrível", diz ela, "é de que seduziu o monsenhor Vallejo. É verdade que estivemos no mesmo hotel em Florença, mas ele dormiu com sua mãe. É uma infâmia".
Chaouqui acusa Vallejo de ser o autor dos vazamentos, mas não acredita que tenha feito para prejudicar a Igreja. Diz que por trás de tudo, como sempre, estão as guerras por poder dentro do Vaticano. E adverte: "Só apareceram 20% dos escândalos".

Conselho eleitoral prorroga eleição na Venezuela

Venezuelanos enfrentaram filas nos locais de votação© Fornecido por Deutsche Welle Venezuelanos enfrentaram filas nos locais de votação 

Apesar de temores em meio à acirrada disputa entre governo e oposição, as eleições legislativas na Venezuela ocorreram sem grandes incidentes. Porém, no final da votação, aumentou a tensão com o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) prorrogando por uma hora a votação que deveria ser encerrada às 18h (horário local) deste domingo (06/12). A oposição denunciou a medida.
Após questionar a prorrogação da votação, os ex-presidentes da Bolívia Jorge Quiroga, da Colômbia Andrés Pastrana, do Uruguai Luis Alberto Lacalle, do Panamá Mireya Moscoso, e da Costa Rica Laura Chinchilla e Miguel Ángel Rodríguez, convidados pela aliança da oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) para monitorar a eleição, tiveram suas credenciais como "acompanhantes políticos" cassadas pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
"Definitivamente as credenciais desses observadores políticos foram revogadas, comunicaremos as autoridades competentes para que se tomem as medidas necessárias", afirmou o presidente do CNE, Tibisay Lucena e acrescentou que as declarações dos ex-presidentes estremecem o clima de tranquilidade que "reinou" durante a eleição.
Os ex-presidentes questionaram a continuação da votação após o horário previsto para o fechamento das urnas e chamaram a situação de "oportunismo" oficial. A legislação venezuelana, no entanto, determina que, enquanto houver eleitores na fila para votar, as urnas devem permanecer abertas.

E justamente a presença de eleitores em muito locais de votação foi o argumento usado pelo CNE para prorrogar o horário de fechamento das urnas.
O ex-presidente boliviano Quiroga criticou a cassação das credenciais e a extensão do horário de votação, afirmando que as medidas são uma "cortina de fumaça" para tentar afastar a oposição e reverter a situação que não "parece favorável" para o governo.
Protesto internacional
A eleição transcorreu sem grandes incidentes e contou com diversos observadores internacionais. "Tudo está transcorrendo em ordem, em paz e de forma maciça em todo o território da Venezuela", afirmou o diretor da missão eleitoral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), Leonel Fernández. A equipe irá monitorar a contagem dos votos no Conselho Nacional Eleitoral.
Enquanto na Venezuela o dia foi tranquilo, no Peru dezenas de venezuelanos que moram em Lima foram até a embaixada do país para protestar pelo impedimento de votar. Os manifestantes afirmaram que a proibição seria uma "sabotagem".
Alguns só ficaram sabendo do impedimento quando chegaram à embaixada para votar. O local foi cercado por policiais peruanos, visando evitar a invasão de manifestantes. A lei eleitoral venezuelana não permite o voto de cidadãos que moram no exterior em eleições de circunscrição regional.
Cerca de 20 milhões de venezuelanos foram às urnas neste domingo para eleger os novos parlamentares que vão ocupar as 167 cadeiras da Assembleia Nacional. Desde que a oposição boicotou as eleições em 2005, o governo tem mantido a hegemonia na Casa.
CN/efe/dpa

domingo, 6 de dezembro de 2015

Funcionárias do Itamaraty denunciam vários casos de assédio sexual e moral

© Fornecido por Notícias ao Minuto

Um grupo de diplomatas brasileiras decidiu romper o silêncio que costuma rondar os casos de abuso moral e sexual no trabalho. As funcionárias reuniram mais de cem relatos de assédio e os encaminharam ao Secretário Geral do Itamaraty, Sérgio Danese, informa a “IstoÉ”.
Entre as ameaças mais comuns estão cancelamento de promoções, remoção para postos considerados menos nobres, adiamento de férias, carga horária abusiva, sobretudo no exterior, desvio de função e xingamentos de todo tipo.
As vítimas contam que, pelos corredores, o ditado que impera é “bode bom não berra”. Informado, Danese se disse sensibilizado. Uma das providências estudadas pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE) seria a criação de uma ouvidoria exclusiva para os casos, vinculada ao Comitê de Gênero e Raça do Ministério, criado em 2014.
Nos dias seguintes, entretanto, com o vazamento da informação, o clima no Itamaraty era de tensão. Fontes ouvidas sob a condição de anonimato afirmaram que alguns superiores chegaram a intimidar funcionárias com a ameaça de processos por calúnia e difamação, caso as denúncias viessem à tona.
Mais de quinze depoimentos de mulheres assediadas moralmente e sexualmente foram encaminhados pelas vítimas ao Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty). A maioria apresentou denúncias formais à Corregedoria do Itamaraty, subordinada à secretaria-geral, mas nunca obteve resposta.
Sandra Nepomuceno, presidente do sindicato, avalia que “a impunidade ajuda a perpetuar a cultura de assédios”, especialmente em um ambiente onde, para se progredir na carreira, é preciso ter o apoio de outros colegas.