sábado, 5 de dezembro de 2015

Rollemberg se prepara para entregar gestão de hospitais públicos à iniciativa privada Governador vai a Goiânia visitar unidades de saúde geridas por organizações sociais. Servidores temem como será a realidade do setor no DF caso o Executivo abra mão do controle dessas instituições. Especialista critica medida Rafaela LimaRAFAELA LIMA

Rafaela Felicciano/Metrópoles

A intenção do Governo do Distrito Federal de terceirizar a gestão da Saúde local ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (4/12), quando ogovernador Rodrigo Rollemberg (PSB) viajou para Goiânia com o intuito de conhecer a experiência da cidade com esse modelo. Mas a intenção do socialista preocupa servidores e parlamentares. 

Na capital goiana, Rollemberg se encontrou com o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). A agenda dos dois previa visitas técnicas a duas unidades da capital goiana: o Hospital de Urgências Governador Otávio Lage (Hugol) e o Centro de Reabilitação e Readaptação Doutor Henrique Santillo (Crer).
O encontro exaltou os ânimos dos servidores da área e de alguns setores dos bastidores políticos do GDF, já que os dois centros são geridos por Organizações Sociais de Saúde (OSS). Para um servidor da saúde que preferiu não ser identificado, a possibilidade de o modelo ser incorporado no DF é preocupante. “Fico entristecido porque aqueles que se dizem representantes dos trabalhadores e da população querem entregar os cofres da nossa Secretaria de Saúde para empresários”, afirmou.  
O deputado Chico Vigilante (PT) engrossa o coro. “Tenho a convicção de que o governo está sucateando ao máximo a saúde para, depois, transferir a gestão para as organizações sociais. Isso é uma temeridade. O papel do governo deve ser melhorar a gestão, não passar a responsabilidade para essas OSS”, disse.
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Rodrigo Rollemberg durante visita ao Hospital de Urgências Governador Otávio Lage (HUGOL)
Para o professor de medicina e especialista em saúde pública Roberto Bittencourt, o modelo é uma ilusão. “As organizações sociais trabalham com contenção de despesa. Usemos o Hugol, em Goiânia, como exemplo. O hospital atende de acordo com o orçamento, com um número limitado de pacientes. Enquanto isso, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) no entorno ficam abarrotadas. O Hugol vira referência, e o resto fica um caos”, explicou.
AlternativaEntretanto, Rollemberg ressaltou, durante o encontro, que o modelo pode ser uma boa alternativa para solucionar os problemas na área. “Hoje, a saúde é o grande desafio de todos os governos. Precisamos conhecer os modelos adotados em diferentes regiões do país para aprender com as experiências bem-sucedidas”, explicou. “Entendemos que, no caso de Brasília, utilizar organização social para expandir a rede e melhorar a qualidade do serviço pode ser uma boa alternativa, sem que isso mexa no direito dos servidores.”
A visita do socialista foi acompanhada pelo secretário de Saúde de Goiás, Leonardo Vilela, por Helvécio Ferreira, presidente do Conselho de Saúde do DF e pelos deputados distritais Júlio César (PRB), Rafael Prudente (PMDB), Reginaldo Veras (PDT) e Roosevelt Vilela (PSB). O secretário da Casa Civil e Relações Institucionais, Sérgio Sampaio, também estava presente. 
Pelo Brasil
O controle de unidades de saúde por Organizações Sociais não é novidade no Brasil nem no Distrito Federal. O modelo existe em vários estados, como Goiás, Minas Gerais e São Paulo.
Na capital federal, já está definido que a ala de pediatria do Hospital de Base do DF (HBDF) será terceirizada. No fim de setembro deste ano, Rollemberg antecipou a transferência do serviço para o Instituto do Câncer Infantil e Pediatria Especializada (Icipe), que administra o Hospital da Criança José Alencar. A partir de janeiro de 2016, todos os serviços serão assumidos pelo instituto, mesmo que o atendimento não seja fisicamente transferido.
À época, questionado se a medida abriria precedentes para a terceirização de outros serviços na Saúde do DF, Rollemberg explicou que já existe um processo de credenciamento de organizações sociais interessadas em trabalhar em parceria com o Governo do Distrito Federal na gestão das unidades hospitalares: “Queremos aumentar a possibilidade de parceria com organizações sociais. O objetivo é encaminhar à Câmara Legislativa um projeto de lei regulamentando a atuação dessas organizações no DF”.
Com informações da Agência Brasília 

Salvei o mundo


05/12/2015 10h25 - Atualizado em 05/12/2015 10h38 Versátil, Marília Pêra foi atriz, diretora, cantora, bailarina e cenógrafa Ela esteve em mais de 50 peças, cerca de 30 filmes e 40 novelas. Atriz morreu aos 72 anos em sua casa no Rio de Janeiro neste sábado (5).

Marília Pêra durante gravação de 'Pé na Cova' em 2013 (Foto: João Cotta/TV Globo)Marília Pêra durante gravação de Pé na Cova em 2013 (Foto: João Cotta/TV Globo)
Considerada uma das atrizes mais versáteis do Brasil, Marília Pêra trabalhou como atriz, diretora, cantora, bailarina e coreógrafa. Destacou-se na TV, no teatro e no cinema. Esteve em mais de 50 peças, cerca de 30 filmes e 40 novelas, além de minisséries e outros programas.
Marília Soares Pêra nasceu em 22 de janeiro de 1943, no bairro do Rio Comprido, no Rio. Em depoimento ao site Memória Globo, ela se lembrou de que “estreou” aos 19 dias de vida: “Minha mãe diz que eu entrei no colo de uma atriz, amiga dela, numa peça em que precisavam de um bebê”.
O início oficial, contudo, veio com apenas 4 anos de idade, num espetáculo em que dividiu cena com os pais, Manoel Pêra e Dinorah Mazullo. Na montagem de “Medeia”, de Eurípedes, feita pela Companhia de Henriette Morineau, atuou como uma das filhas da personagem-título.
O ingresso profissional no teatro coincidiu com os estudos de piano. “Meu pai não queria que eu fosse atriz de jeito nenhum. A profissão de ator, naquela época, era muito sacrificada, e eles tinham uma vida muito dura”, afirmou ao Memória Globo.
Em 1959, Marília abandonou os estudos e se casou com o ator Paulo Graça Mello, com quem teve um filho, Ricardo, também ator e cantor. Nessa época ela atuava como bailarina em musicais, o que continuou fazendo até os 21 anos. Quando tinha 18, viajou por Brasil e Portugal com a peça “Society em baby-doll”. Outro destaque foi “Como vencer na vida sem fazer força”, trabalhando ao lado de Procópio Ferreira, Moacyr Franco e Berta Loran.
Em 1965, já separada, foi contratada pelo diretor Abdon Torres para integrar o elenco inicial da TV Globo. Em seus primeiros tempos na emissora, protagonizou as novelas “Rosinha do sobrado”, “Padre Tião” e “A Moreninha”, versão para a TV do romance escrito por Joaquim Manuel de Macedo. O autor da adaptação era o ex-sogro da atriz, Graça Mello.
“Esse comecinho da Globo era muito divertido, porque tudo era muito experimental. Como ninguém sabia nada, o brinquedo era muito novo para todo mundo, havia muita criatividade”, afirmava ela.
Na segunda metade dos anos 1960, Marília esteve nas peças “Onde canta o sabiá”, de Gastão Tojero; “Se correr o bicho pega”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar; “A ópera dos três vinténs”, de Bertold Brecht e Kurt Weill; “A megera domada”, de William Shakespeare; “O barbeiro de Sevilha”, de Beaumarchais; e “Roda viva”, de Chico Buarque. 
Na mesma época, na TV Tupi, esteve na novela “Beto Rockfeller” (1968), um dos maiores sucessos da TV do país em todos os tempos. “Ali havia a história de um malandro, o herói não era politicamente correto, e isso era bem interessante”, comentou ela em seu perfil.
Marília retornou à TV Globo em 1971, convidada por Daniel Filho. Logo no retorno, fez um papel que rendeu muita popularidade, a Shirley Sexy de “O cafona”. “Era muito divertido trabalhar com Francisco Cuoco, que era meu par. Ele estava quebrando a imagem de galã interpretando um cara que fazia tudo errado. Era a primeira vez que ele fazia comédia”, afirmou.
Ainda em 1971, emendou outro sucesso, “Bandeira 2”. Sua personagem era a taxista Noeli, do qual ela se recordava com humor: “Eu nunca tinha dirigido carro, era uma barbeiragem só”. Em seguida, veio “Uma rosa com amor” (1972), como Serafina Rosa Petrone. Agora, dividia cena com Paulo Goulart. Sobre este período, dizia: “Eu fazia muito essas mocinhas pobres que se apaixonavam por homens ricos que não davam bola para elas. Eles namoravam sempre mulheres lindas, ricas, elegantes. Mas, no fim, ficavam comigo. Só depois você percebe a imagem que passava, a da mocinha comum que vence na vida”.
Por fim, após protagonizar “Supermanoela”, em 1974, afastou-se das novelas por oito anos, até aparecer em “O campeão” (1982), da TV Bandeirantes. Naquele mesmo ano, faria ainda a minissérie “Quem ama não mata”, novamente na Globo, que tinha como tema um crime passional. Escrita por Euclydes Marinho, a trama “causou forte impacto por causa da direção realista de Daniel Filho”, conforme cita o Memória Globo. Ao lado de Cláudio Marzo, Marília retratou um assunto controverso.
“Foi numa época em que Daniel e eu conversávamos muito sobre a violência, que estava acontecendo muito próximo de nós, casais se matando por ciúmes. Foi quando morreu a Angela Diniz”, disse ela.
O retorno às novelas da Globo aconteceu apenas em 1987, como a Rafaela Alvaray de “Brega & Chique”. A química com Marco Nanini, intérprete do personagem Dr. Montenegro, está entre as mais marcantes da teledramaturgia do país. “Eu criei a Rafaela pensando na Dulcina de Moraes, que tinha um tipo de humor que não era o do escracho, era mais sutil, mais meigo. E Cassiano Gabus Mendes me deu esse presente. ‘Brega & Chique’ foi, eu acho, a novela que mais gostei de fazer”, afirmava Marília.
Marília voltaria a interpretar Rafaela Alvaray em 2011, no remake de “Ti-Ti-Ti”, de Maria Adelaide Amaral.
Entre os trabalhos preferidos na TV, contudo, ela escolhia duas minisséries: “O primo Basílio” (1988), no qual interpretou a vilã Juliana, e “Os Maias”, de 2001, onde fez o papel de Maria Monforte. Curiosamente, Maria Monforte não existia no romance de Eça de Queiroz que inspirou a trama, e foi criada por Maria Adelaide Amaral em sua adaptação.

Sobre “O primo Basílio”, Marília comentou: “Eu não queria fazer a Juliana, exatamente porque eu tinha lido o livro, e o Eça a descreve de forma implacável. Mas foi muito bom para mim. Eu soube que há escolas de teatro que usam o DVD de ‘O primo Basílio’ para estudar o que eu fiz”.
Nos anos 1990, Marília atuou nas novelas “Lua cheia de amor” (1991), em que teve um reencontro com Francisco Cuco, e “Meu bem querer” (1998). Nessa época, fez “Mandacaru” (1997), na Manchete. Outros trabalhos mais recentes foram em “Começar de novo” (2004); “Cobras & Lagartos” (2006), como a falida, mas ambiciosa, Milu; “Duas caras” (2007), como a alienada Gioconda.
Ela elogiava bastante o autor de “Cobras & Lagartos”. “Como escreve o João Emanuel Carneiro! Eu tinha alguns monólogos dificílimos de serem decorados, e eu precisava decorar mesmo, como se fosse Shakespeare, porque o João Emanuel é um homem muito culto.”
Marília Pêra, é vista durante a apresentação do filme 'Polaróides Urbanas' em 2008 (Foto: Renata Jubran/Estadão Conteúdo)Marília Pêra, é vista durante a apresentação do filme 'Polaróides Urbanas' em 2008 (Foto: Renata Jubran/Estadão Conteúdo)
Antes de “Pé na cova”, a amizade com Miguel Falabella já havia rendido papéis no seriado “A vida alheia” (2010), no filme “Polaroides urbanos” (2008) e na novela “Aquele beijo” (2011), todos escritos por ele. “Miguel sempre fantasia que eu posso fazer ricas”, contou a atriz ao Memória Globo.
A admiração de Falabella por Marília teve ainda grande influência em sua carreira teatral. “A primeira vez na vida que tive a coragem de dirigir uma peça de teatro aconteceu porque ele e Maria Padilha foram à minha casa e praticamente me obrigaram a dirigir uma peça com os dois, que se chamava ‘A Menina e o Vento’, da Maria Clara Machado, em 1978”.
No cinema, Marília Pêra destacou-se em “Pixote, a lei do mais fraco” (1980), de Hector Babenco; “Bar Esperança” (1983); de Hugo Carvana; “Anjos da noite” (1986), de Wilson Barros; “Dias melhores virão” (1988) e “Tieta do agreste” (1995), de Cacá Diegues; “Central do Brasil” (1996), de Walter Salles; e “O viajante” (1998), de Paulo César Saraceni.
No teatro, ganhou duas vezes o Prêmio Molière: em 1974, por “Apareceu a Margarida”, e em 1984, por “Brincando em cima daquilo”. Como diretora, esteve por trás de uma das peças de maior sucesso do país, “Irma Vap”, que ficou em cartaz por mais de dez anos, com Marco Nanini e Ney Latorraca como protagonistas.
Como atriz, recebeu prêmios pela peça “Fala baixo, senão eu grito” (1969). Em 1977, recebeu o Prêmio Mambembe de melhor atriz por “O exercício”.
Depois de se separar de Paulo Graça Mello, Marília Pêra também foi casada com o ator Paulo Villaça, na década de 1970, e com o escritor e produtor Nelson Motta, pai de suas filhas, Esperança, nascida em 1978, e Nina, em 1980. Seu último marido foi o economista Bruno Faria, com quem se casou em 1998.
Marília Pêra é a homenageada da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)Marília Pêra é a homenageada da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)
Marília Pêra recebe o Troféu Oscarito em Gramado (Foto:  Edison Vara/Agência Pressphoto)Marília Pêra recebe o Troféu Oscarito em Gramado (Foto: Edison Vara/Agência Pressphoto)
Marília Pêra é a homenageada da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)Marília Pêra é a homenageada da Mocidade Alegre (Foto: Caio Kenji/G1)
Marília Pêra em 'Supermanoela' (Foto: Cedoc/TV Globo)Marília Pêra em 'Supermanoela' (Foto: Cedoc/TV Globo)
Marília Pêra em 'Meu Bem Querer' (Foto: Cedoc/TV Globo)Marília Pêra em 'Meu Bem Querer' (Foto: Cedoc/TV Globo)
-Marília Pera em 'Bandeira Dois' (Foto: Cedoc/TV Globo)-Marília Pera em 'Bandeira Dois' (Foto: Cedoc/TV Globo)
Marília Pêra em 'A Moreninha', em 1965 (Foto: Cedoc/TV Globo)Marília Pêra em 'A Moreninha', em 1965 (Foto: Cedoc/TV Globo)

Mistério de ‘barcos-fantasma’ norte-coreanos com corpos em decomposição intriga Japão Simeon Paterson BBC News

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Image captionAlguns barcos chegaram sem tripulação, outros com corpos em decomposição
"Barcos-fantasmas" da Coreia do Norte, sem tripulação ou então levando apenas corpos em decomposição, apareceram na costa oeste do Japão.
Nos últimos dois meses, pelo menos 13 barcos de madeira foram encontrados à deriva, alguns vazios e outros com corpos - 20, ao todo.
O que se sabe é que estes barcos apareceram em uma faixa da costa oeste, que vai desde Hokkaido, no norte, até Fukui, no sul.
Todos os corpos estavam em avançado estado de decomposição ou mesmo já parcialmente transformados em esqueletos, o que indica claramente que eles estavam mortos há muito tempo.
A Guarda Costeira do Japão disse à BBC que um total de 65 barcos como estes foram encontrados no litoral japonês no ano passado, mas essa última leva de embarcações fantasma parece ter vindo em uma frequência um pouco maior do que a normal.

Pesca

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Image captionUm pedaço de pano que parece a bandeira norte-coreana foi encontrado em um dos barcos
Acredita-se que os barcos sejam pesqueiros norte-coreanos, que nessa época do ano saem em busca de caranguejos, lulas e peixes de espécies abundantes nesta época do ano.
Pelo menos um dos barcos trazia marcas militares norte-coreanas. A marinha do país é fortemente envolvida em atividades pesqueiras.
Um pedaço de pano que parece ser parte de uma bandeira norte-coreana encontrado em um dos barcos também foi considerado uma pista de sua origem.
A Coreia do Norte, entretanto, não tinha informado sobre barcos seus desaparecidos - o que não surpreende ninguém nos países vizinhos.
Nem todos os barcos levavam corpos.
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Image captionTambém foram encontradas marcas e sinais de que os barcos podem pertencem aos militares norte-coreanos, que também se envolvem com a pesca no país
As autoridades japonesas estão tentando descobrir as causas das mortes dos corpos encontrados, apesar do avançado estado de decomposição de alguns corpos.
Acredita-se ser provável que as causa das mortes estejam ligadas ao frio do inverno ou à fome.
Normalmente o Japão proíbe embarcações da Coreia do Norte de atracar no país. Mas o país abre exceções em caso de embarcações que buscam abrigo de tempestades.

Desertores?

Alguns especialistas sugeriram que as tripulações dos barcos estariam, na verdade, tentando fugir do regime norte-coreano. Também há informações de um controle mais restrito na fronteira entre Coreia do Norte e China, a rota mais comum para os desertores.
Mas muitos duvidam desta hipótese.
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Image captionBarcos são velhos, pesados e de madeira, sem GPS
John Nilsson-Wright, chefe do Programa sobre a Ásia na consultoria britânica Chatham House, disse à BBC que, além da barreira do idioma e cultura, "se você fosse um desertor não faria sentido ir para o Japão. A Coreia do Sul está muito mais perto de barco".
Os barcos de madeira que chegaram ao Japão são velhos e pesados. Não têm motores bons, nem sistema de GPS.
Analistas afirmam que se eles se afastaram muito da costa norte-coreana ou saíram da rota programada, podem ter perdido seu rumo e sua orientação.
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Image captionAlguns sugerem que o aumento de controle na fronteira entre a China e Coreia do Norte pode ser uma das razões do aparecimentod dos barcos
O fato de o aparecimento destes barcos ser relativamente comum também parece sugerir que eles se perderam e não que eles levavam desertores.
Também é pouco provável que o mau tempo tenha levado estes barcos para o Japão. O Mar do Japão é mais agitado e tem ventos mais fortes em novembro, mas a Guarda Costeira japonesa disse à BBC que isto é comum nesta época do ano.

Trabalho arriscado

Outra dúvida é por que os pescadores se arriscariam a se afastar tanto da costa norte-coreana.
Uma hipótese é que as autoridades do país estão cobrando quantidades cada vez maiores de pescado - o que levaria as tripulações de barcos pesqueiros a correrem mais riscos.
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Image captionKim Jong-Un pediu que o setor de pesca da Coreia do Norte aumentasse a produção
A televisão estatal da Coreia do Norte recentemente exibiu imagens do líder Kim Jong-Un visitando fábricas ligadas à pesca e pedindo que o país aumente a produção.
Mas nem todos estão convencidos disto.
É comum na Coreia do Norte que os trabalhadores fiquem com o excedente da produção, caso eles consigam ultrapassar a meta imposta pelo governo.
Mas, se você for muito pobre, como é o caso de muitos norte-coreanos, "você também vai fazer de tudo para melhorar sua própria vida", disse Nilsson Wright.
E isto também pode incluir assumir riscos enormes no mar.
"Pode ser simplesmente o fato de eles não terem tido sorte", acrescentou o especialista.

PT afasta Delcídio e abre investigação Executiva nacional do partido decidiu abrir processo que pode expulsá-lo da legenda

Rui Falcão na coletiva desta sexta. / CARLOS VILLALBA R (EFE)
A Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores decidiu abrir um processo disciplinar no conselho de ética da sigla contra o senador Delcídio do Amaral, preso no último dia 25 de novembro após ser gravado tramando a fuga do país do ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró, que o implicaria em uma delação premiada. O senador também terá sua filiação suspensa por 60 dias, assim como verá  cancelada sua prerrogativa de líder no Senado, caso seja solto neste período. Ao final do processo, Amaral poderá ser expulso do partido.
A prisão do senador foi mais um golpe para a imagem do partido, que já teve, neste ano, seu tesoureiro, João Vaccari Neto, preso e condenado por corrupção após investigação da Operação Lava Jato. De acordo com a denúncia do Ministério Público Federal, empreiteiras pagavam propinas a Vaccari para conseguir contratos com a Petrobras. O comportamento do PT no caso de Delcídio, um petista que enfrentava arestas mesmo dentro da própria sigla, se diferencia de outros casos. Vaccari, por exemplo, não foi afastado do partido e foi bastante defendido pelos petistas durante a investigação.
“Vamos aplicar o artigo 246, que considera as atividades dele passíveis de expulsão”, explicou o presidente da sigla, Rui Falcão, durante uma coletiva de imprensa nesta sexta-feira. Falcão já havia afirmado que o senador “traiu a confiança do PT, do Governo Dilma e frustrou seu próprio eleitorado”. Logo após a prisão do senador, ele também divulgou uma nota afirmando que as tratativas de Amaral, flagradas em conversa gravada pelo filho de Cerveró, não tem qualquer relação com a atividade partidária e que, por isso, o PT não se julgava obrigado a “qualquer ato de solidariedade”.
O senador acabou preso em Brasília após um pedido do Ministério Público Federal. Em conversa gravada pelo filho de Cerveró, Bernardo Cerveró, e entregue à Justiça, o senador propôs um plano de fuga que envolveria a ida de avião do ex-diretor da Petrobras até o Paraguai e, posteriormente, para Madri. Na conversa, o senador afirmava que ministros do Supremo estariam dispostos a soltar envolvidos na Lava Jato que estão presos no momento, o que facilitaria o plano.
Ele afirmava ainda que, em troca do silêncio dele na delação premiada, o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, também preso e citado na delação de Cerveró, seria o responsável por um aporte de 4 milhões de reais para a fuga e mais uma pensão de 50.000 reais.

Samarco vai pagar renda mensal a 11 mil pescadores e ribeirinhos, diz MPT Ricardo Senra - @ricksenra Da BBC Brasil em São Paulo

Image copyrightInstituto Ultimo Refugio
Image captionTermo de Ajuste de Conduta foi assinado pela mineradora na sede do Ministério do Trabalho
A mineradora Samarco, dona da barragem de restos de mineração que se rompeu há quase um mês em Minas Gerais, vai pagar um salário mínimo, mais 20% por dependente, para todos os pescadores e trabalhadores ribeirinhos que dependiam do rio Doce para sobreviver.
Um Termo de Ajuste de Conduta foi assinado pela mineradora na sede do Ministério Público do Trabalho, em Belo Horizonte, na tarde desta sexta-feira.
A informação foi confirmada à BBC Brasil pelo procurador do trabalho Geraldo Emediato de Souza, que conduziu a negociação junto a procuradores de Minas e do Espírito Santo.
O acordo foi atingido três dias depois de a BBC Brasil revelar que a Vale e a BHP, controladoras da Samarco, poderiam ter seus bens bloqueados caso não garantissem renda mínima aos ribeirinhos.
"Foi um processo demorado, mas chegamos a um bom termo. As entidades sindicais ficaram satisfeitas, mas principalmente as comunidades ribeirinhas, que já vão começar a receber no dia 11", disse o procurador.
"Para os pescadores e ribeirinhos, o pagamento não tem data final. Vai acontecer até que a empresa faça o levantamento completo dos prejuízos e garanta o reestabelecimento das condições de trabalho destas pessoas."
Até o momento, 11 mil pessoas foram identificadas para receber a renda mensal, que também inclui uma cesta básica. Entre eles está o pescador Benilde Madeira, cuja história, revelada pela BBC Brasil nesta semana, emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.

Image captionSamarco irá subsidiar temporariamente as famílias que tiveram seu recursos de subsistência afetados
A reportagem ligou para Benilde e contou a novidade. O pescador chorou e agradeceu. "Muito obrigado a todos. Vai ajudar muitas pessoas que estão passando dificuldades sérias também, não só eu."
O pagamento, afirma o MPT, será retroativo até 5 de novembro, data em que a tragédia ambiental teve inicio.
Os trabalhadores que não tiverem sido procurados pela Samarco devem se dirigir às associações de pescadores ou agricultores da região, além de sindicatos e prefeituras e solicitar o benefício.
"A empresa tem essa responsabilidade com as pessoas que perderam a renda. A responsabilidade por essa perda é dela", diz o procurador.
O Termo de Ajustamento de Conduta assinado pela mineradora também assegura proteção a empregados da Samarco e funcionários terceirizados, em Minas Gerais e no Espirito Santo.
No total, 2.686 empregados diretos da Samarco e 2.400 terceirizados nos dois estados terão seus empregos garantidos até 1º de março de 2016, com o pagamento integral de salários.
Demissões posteriores a esse prazo deverão ser negociados com os sindicatos. As negociações entre mineradora e entidades que representam os trabalhadores começam em janeiro.
Image copyrightReuters

Saída de ministro abre bolsa de apostas sobre desembarque de Temer Eliseu Padilha, próximo de vice-presidente, pode ratificar demissão na segunda-feira

Temer e Rousseff no dia 24 de novembro, em Brasília. / UESLEI MARCELINO (REUTERS)
Abril de 2015. Sem diálogo com o Congresso Nacional e perdendo uma batalha atrás da outra, a presidenta Dilma Rousseff (PT) recorre a seu vice, Michel Temer (PMDB), para tentar aparar as arestas com deputados da base insatisfeitos com o seu Governo. Obtém importantes vitórias dentro do pacote de ajuste fiscal.
Dezembro de 2015. O arranjo com Temer desandou. Cada vez mais deixado de lado, já distante da articulação política governista, Rousseff quase não recorre aos seus conselhos. Um pedido de impeachment é acolhido pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e dois dias mais tarde, o ministro mais próximo a Temer, Eliseu Padilha (Aviação Civil), sinaliza que vai pedir demissão.
Era tudo que a presidenta, num dos momento mais dramáticos da crise, não precisava: abrir de vez a bolsa de apostas sobre um possível desembarque de Temer. Além de ser o primeiro na linha de sucessão —é o ele quem assume se o impeachment vingar—, um movimento do vice-presidente para longe do Planalto pode ter reflexo imediato nos votos do seu PMDB, do qual Dilma Rousseff depende, em parte, para escapar da destituição no Congresso. 
O que não faltam são elementos para qualquer um elaborar uma teoria da conspiração. Para o enredo, alguns membros do dividido PMDB estão prontos a colaborar. Recorde-se, em primeiro lugar, que o vice-presidente não estava ao lado de Rousseff quando ela fez um pronunciamento criticando a aceitação do pedido de impeachment. Some-se a isso o fato de que o vice não se manifestou publicamente desde que Cunha ascendeu o pavio do impeachment. Em outras ocasiões, ele disse que não era o seu momento de assumir a presidência e que o PMDB trabalhava apenas para ter um candidato em 2018. Outra movimentação acompanhada de perto são os encontros que o vice teve recentemente com representantes da oposição.
“A saída do Padilha é a mesma coisa que o Temer deixar o Governo. Foi um recado direto para a presidenta que ele vai cumprir o seu dever constitucional de vice. Nada mais do que isso”, analisou o deputado peemedebista Lúcio Vieira Lima (BA). O deputado é um dos principais defensores do rompimento do PMDB com o Governo. Além disso, o irmão de Lúcio, o ex-ministro Geddel Vieira Lima, é apontado como um dos “conspiradores” de Temer.
Darcísio Perondi (RS), outro deputado peemedebista da oposição, segue na mesma linha. “O Michel é um home íntegro. Ele em si não conspira. Ele não vai falar a favor do impeachment, mas também não falará contra. Talvez o que incomode alguns é o seu silêncio”, avaliou. Perondi diz ainda que o vice estaria incomodado com a falta de diálogo de Rousseff com ele e com os demais partidos aliados, a quem só ofereceu cargos, mas não chamou para debater as políticas para retirar o país da crise. “O Michel não é um robô. Ele tem alma e está de saco cheio com essa situação”.

Fora da foto

Na manhã de quinta-feira, um dia após Cunha aceitar o pedido de destituição presidencial, Temer foi chamado para conversar com Rousseff. Na hora em que recebeu a ligação do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, estava na base aérea de Brasília prestes a embarcar em um voo para São Paulo, sua base eleitoral. Desistiu de voar naquele instante e foi conversar com a presidenta depois de meses sem ser chamado para um tête-à-tête.
Na véspera Temer não tinha comparecido ao pronunciamento de Rousseff em que ela criticou Cunha pela decisão, quando 11 ministros estiveram ao lado dela para tentar demonstrar o apoio de seus aliados. Naquele mesmo dia, o vice-presidente havia se encontrado com cinco senadores oposicionistas e dito que o Brasil precisava de um governo para reunificar o país. É o mesmo discurso que ele faz há pouco mais de dois meses.
Depois da breve conversa com Rousseff, quando a orientou a tratar a situação de maneira institucional, sem ataques a Cunha ou aos opositores – algo que não foi ouvido por ela—, Temer seguiu para a capital paulista para compromissos particulares. Na agenda do vice-presidente está um encontro, na segunda-feira, nada menos do que com o grupo de empresários que defende o impeachment. O coletivo do empresariado é liderado pelo pré-candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, João Dória.
Os sinais de afastamento de Temer e um Padilha demissionário – ele deve oficializar o seu pedido na segunda-feira – representariam, conforme aliados, o desembarque ao menos outros dois ministros que são da cota do vice-presidente: Helder Barbalho (Portos) e Henrique Eduardo Alves (Turismo). Haveria ainda mais quatro ministros do partido: Kátia Abreu (Agricultura), Celso Pansera (Ciência), Marcelo Castro (Saúde) e Eduardo Braga (Minas e Energia).
Nem todos peemedebistas, contudo, estão de acordo com esse cenário. O maranhense Hildo Rocha, um dos vice-líderes do partido, por exemplo, diz que a decisão de Padilha de afastar do Governo foi algo pessoal e isolado. “Não vejo isso como uma orientação partidária ou como do nosso presidente Michel. Não razão para deixarmos o Governo agora”, afirma.
Enquanto isso, no mercado financeiro e em parte do establishment econômico, as chances de um Temer à frente do Governo são saudadas, já que até um plano de voo econômico para o Brasil em crise o peemedebista já apresentou. Foi sob a batuta de Temer que o PMDB elaborou texto criticando a política econômica e prometendo um giro liberal. O documento leva o sugestivo título de Uma Ponte para o Futuro.

Inicialmente, mercado reagiria bem a um governo Temer

Mesmo acreditando que o impeachment de Dilma Rousseff (PT) não ocorrerá, a consultoria global de risco político Eurasia entende que o mercado reagiria bem, ao menos em um primeiro momento, a um governo de Michel Temer (PMDB).
Em uma análise distribuída na quinta-feira passada, um dia após Eduardo Cunha aceitar um dos pedidos de impeachment contra Rousseff, a Eurasia ressaltou que haveria um alívio temporário da crise porque os investidores demonstraram otimismo com o projeto “Uma ponte para o futuro”, uma espécie de programa de governo elaborado pelo PMDB sob a orientação de Michel Temer.
Os especialistas ressaltaram, no entanto, que o PMDB deveria ser implicado, assim como Rousseff tem sido, no esquema de corrupção desvendado pela Lava Jato. Logo, sofreria a forte oposição do PT no Congresso e teria um PSDB como aliado pontual em reformas políticas, mais de olho nas eleições presidenciais de 2018. Ou seja, os dias não serão nada fáceis para quem estiver no comando do Executivo nos próximos anos.