quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Aposentado britânico é condenado a 360 chibatadas após ser pego com vinho caseiro na Arábia Saudita

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Image captionAposentado já cumpriu pena de 1 ano de detenção, mas segue preso
Um aposentado britânico flagrado com vinho caseiro na Arábia Saudita poderá receber 360 chibatadas, uma punição que, segundo a família, o mataria.
Karl Andree, de 74 anos, foi detido pela polícia religiosa saudita transportando a bebida em seu carro em agosto de 2014 e segue preso, mesmo após ter cumprido pena de um ano de detenção.
O consumo e a posse de álcool são proibidos no conservador país muçulmano, que segue uma estrita versão do Islã.
Andree já sofreu três tipos de câncer. Sua filha Kirsten Piroth disse à BBC que ele "não sobreviveria" à punição. Segundo ela, a família acredita que as chibatadas não serão realizadas devido a saúde e idade do pai, mas que ainda há "alguns pontos de interrogação" no caso.
"Ele é um homem velho, de 74 anos, sobreviveu a três tipos de câncer com tratamentos muito fortes, ele é asmático, tem gota (tipo de artrite) - ele não está muito bem", disse ela.
"Ele está mentalmente bem mas sua saúde física não está boa; acredito que ele recebeu a sentença, já cumpriu a pena e quero ele em casa agora".
A filha disse "não entender porque está levando tanto tempo (para a soltura) já que me parece que naquele sistema o que é preciso... é um telefonema para a pessoa certa".
O Ministério de Relações Exteriores britânico disse estar "trabalhando ativamente para a soltura o mais rápido possível".
O órgão britânico alerta que as punições para a posse de álcool na Arábia Saudita são "severas" e cita leis locais proibindo homossexualidade, que mulheres dirijam e tráfico de drogas, crime que prevê a pena de morte.
O filho de Andree, Simon, disse à BBC que seu pai "gostou de morar na Arábia Saudita por 25 anos e foi muito feliz no país".
Ele disse que o pai tinha conhecimento das leis e se arrependia do que tinha acontecido. "Mas ele tem que ser liberado", disse ele.
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Image captionSegundo filha, estado de saúde de Andree é delicado
"Minha mãe tem demência e está piorando rapidamente e meu pai realmente quer voltar e vê-la".

Sérgio Moro interroga André Vargas e familiares em processo da Lava Jato Audiência será nesta quarta-feira (14) na Justiça Federal em Curitiba. Vargas, a esposa e irmão respondem por lavagem em compra de imóvel.

Fernando CastroDo G1 PR
O ex-deputado André Vargas foi detido durante a 11ª fase da Lava Jato (Foto: Reprodução/ RPC)Ex-deputado André Vargas está preso no Complexo
Médico-Penal do Paraná (Foto: Reprodução/ RPC)
O ex-deputado federal André Vargas será interrogado nesta quarta-feira (14) pelo juizSérgio Moro em ação penal a que responde por lavagem de dinheiro. Além dele, a esposa, Edilaira Gomes, e o irmão Leon Vargas também serão ouvidos na Justiça Federal. A audiência está marcada para as 14h.
André e Leon Vargas, já foram condenadospelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro em processo deriva da 11ª fase da Operação Lava Jato. Conforme a sentença, o ex-deputado federal recebeu propina por intermédio de contratos de publicidade firmados com a Caixa Econômica Federal e o Ministério da Saúde.
No processo em que serão ouvidos nesta quarta, Vargas e os familiares são acusados de lavagem de dinheiro na compra de um imóvel em Londrina. De acordo com o Ministério Público Federal(MPF), a negociação tinha por objetivo esconder parte do dinheiro de propina recebido por André Vargas, no caso já julgado por Sérgio Moro.
Os interrogatórios dos réus precedem a fase de diligências complementares da ação penal. Depois, abre-se o prazo para apresentação das alegações finais – o último estágio antes da sentença.
A denúncia
Vargas, a esposa e o irmão compraram um imóvel em Londrina por cerca de R$ 500 mil. A operação, segundo os procuradores, possui indícios de lavagem de dinheiro, já que o imóvel custaria, na verdade, R$ 980 mil.
Conforme as investigações, a família de Vargas adquiriu o imóvel pagando cerca de R$ 320 mil, além de fazer um financiamento para quitar o restante do valor pago ao proprietário.
No entanto, em depoimento, o antigo dono do imóvel afirmou que recebeu os R$ 980 mil de Vargas. A diferença, afirma o MPF, foi paga informalmente, sem constar nos registros de imóveis ou na declaração de imposto de renda.
O ministério Público Federal diz que o negócio foi feito com a ajuda de Leon Vargas, que negociou com a imobiliária, e com a anuência da esposa, Eidilaira Soares, de André Vargas, que deu o nome para a compra do imóvel.

Sem programa específico para refugiados, Brasil coloca centenas de sírios no Bolsa Família Luiza Bandeira Da BBC Brasil em Londres

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Image captionProgramador sírio, que chegou ao país com mulher e três filhos, diz que dinheiro que recebe do Bolsa Família dá para comprar comida e fraldas, 'mas só isso'
O programador Ali*, de 34 anos, era um homem rico na Síria. Ganhava US$ 4 mil (cerca de R$15 mil) por mês, tinha carro e foi um dos melhores alunos da sua pós-graduação.
"Aqui no Brasil, sou pobre", conta ele, que se mudou há um ano e sete meses para o país sul-americano fugindo da guerra civil.
Sem renda, a solução foi recorrer a um programa criado originalmente para retirar brasileiros da miséria: o Bolsa Família.
Assim como ele, cerca de 400 imigrantes sírios que vieram para o Brasil estão no programa, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. O número se refere a julho. A pasta não informou o valor específico recebido pelos sírios – o benefício médio do programa é de R$ 167 mensais por família.
Após facilitar a entrada de refugiados sírios, o Brasil passou a ser o país que mais recebeu pessoas desse grupo na América Latina. Segundo dados do Ministério da Justiça, 2.097 refugiados sírios vivem no país atualmente - o maior grupo entre os 8.530 refugiados do Brasil, à frente dos angolanos, que são 1.480.
Mas, sem falar a língua e em meio à crise econômica, muitos deles - apesar de terem qualificação profissional ─ não conseguem emprego. O governo brasileiro, diferentemente de outros países, não tem um programa específico apenas para refugiados que ofereça diretamente ajuda financeira a eles.
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Image captionGuerra civil na Síria já fez 4 milhões deixarem o país

'Renda zero'

O número de sírios no Bolsa Família tem crescido desde 2013, ano em que o Brasil facilitou a concessão de vistos.
Em dezembro daquele ano, sete famílias com pelo menos um sírio – ou cerca de 25 pessoas ─ estavam entre os beneficiários do programa. Hoje, são 163 famílias.
O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável pelo programa, usa o número de famílias, e não de pessoas, para a comparação.
No total, 15.707 famílias com estrangeiros estão no programa.
Para Larissa Leite, da Cáritas-SP, que atende refugiados, o número de sírios incluídos fica abaixo do esperado.
"Principalmente no período da chegada, os sírios têm renda zero. É preciso analisar o que está acontecendo."
O secretário nacional de Renda de Cidadania do ministério, Helmut Schwarzer, diz acreditar que o número de sírios no programa irá crescer.
"Possivelmente a gente ainda vai ter algum aumento. À medida que a documentação das famílias for ficando pronta, que o direito de residência for concedido, pode ser que mais famílias solicitem o benefício."

Língua latina com palavras de origem árabe

Segundo a pasta, todo estrangeiro em situação regular no país pode ter acesso ao programa se atender os critérios para inclusão. "O Bolsa Família nunca teve um proibição de participação de estrangeiros. A lei não os distingue dos brasileiros", disse o secretário.
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Image captionAli* não quis tentar cruzar o mar com destino à Europa
Para entrar no programa, é preciso que a família tenha renda mensal de até R$ 77 por pessoa ou de até R$ 154 se houver crianças ou adolescentes.
Ali*, que não quis ter o nome revelado porque não se sente confortável com sua situação, descobriu que podia entrar no programa com a ajuda de um vizinho.
Ele veio para o Brasil porque não queria fugir ilegalmente pelo mar (rumo à Europa), o que seria perigoso e o deixaria a mercê de traficantes de pessoas. Além disso, queria "um segundo país", e não "um lugar em que fosse ser tratado como refugiado para sempre."
Ficou em dúvida entre Turquia e Brasil, mas optou pelo último porque achou que aprender português, uma língua latina e com algumas palavras de origem árabe, seria mais fácil.
Para chegar ao país, gastou mais de US$ 10 mil (cerca de R$ 37 mil).
Ficou em um hotel quando chegou, mas suas economias estavam se esgotando muito rapidamente. Com isso, se mudou para um apartamento, onde soube do Bolsa Família.
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Image captionSem dinheiro para aluguel, alguns sírios vivem em ocupação em São Paulo
Ali* ganha R$ 386 por mês para sustentar, além dele, a mulher e três filhos ─ que entraram em escolas brasileiras, uma das exigências do programa.
O valor é 2,5% do salário que recebia na Síria.

Comida e fraldas

Ali* diz que o dinheiro dá para comprar comida e fraldas. "Mas só para isso."
"O maior problema é pagar o aluguel. O Brasil deveria ter uma bolsa refugiado, porque o aluguel é muito caro aqui", diz ele.
A reclamação de falta de apoio é comum entre refugiados sírios.
"Mas tentamos fazer eles entenderem que a inclusão deve ser dentro da realidade local. Estamos em crise. Estamos todos em crise", diz Larissa Leite, da Cáritas-SP.
Larissa afirma, no entanto, que os valores do programa ficam abaixo da necessidade dos refugiados.
"A inclusão de refugiados no Bolsa Família é super positiva - sinal de que há um esforço manter igualdade. Mas, em algumas circunstâncias, essas pessoas precisam de apoio maior, porque não falam o idioma, não conhecem a realidade brasileira", diz ela.
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Image captionVigília por refugiados sírios no Rio; Brasil foi o país que mais recebeu sírios na América Latina
"Não estamos defendendo qualquer tipo de diferenciação em relação à população brasileira. Mas se o Brasil tem compromisso de proteção, essa proteção tem que ser na área social também", afirma.
O Conare (Comitê Nacional para os Refugiados), ligado ao Ministério da Justiça, afirma que a assistência específica aos refugiados no país é feita por meio de repasses para Estados, municípios e organizações da sociedade civil que fornecem auxílio com moradia, aulas de português, cursos profissionalizantes, assistência jurídica e psicossocial e, se for preciso, ajuda financeira.
O Conare anunciou na semana passada a liberação de R$ 15 milhões de crédito extraordinário para assistência a refugiados e imigrantes. Além de serem enviados a estes parceiros, os recursos, de acordo com o órgão, também servirão para "consolidar uma rede de centros de referência e acolhida para imigrantes e refugiados".

Sem tempo para planos

A inclusão de refugiados sírios no programa divide especialistas.
Sonia Rocha, do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (Iets), acha que os refugiados não deveriam estar no Bolsa Família.
"Isso mascara o problema e tira o foco. Precisamos de mecanismos próprios para refugiados nas instituições", diz ela.
"A pobreza deles é temporária ─ a situação se aproxima muito mais daquela de quem perde o emprego e ganha o seguro-desemprego do que de quem é extremamente pobre e precisa de um programa de combate à miséria."
"É uma situação conjuntural, não estrutural."
Já a coordenadora do Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento da Universidade Federal Fluminense, Celia Kerstenetzky, avalia que a situação deve ser vista no contexto da "mais profunda crise mundial de refugiados em décadas."
Para ela, como as condições são emergenciais e o Brasil não tem tradição de receber refugiados, "uma resposta imediata humanitária possível me parece ser sim incluir essas famílias no nosso principal programa público de transferência de renda."
"Não há tempo para planos e muita racionalidade", afirma.
"Os sírios podem ter boas oportunidades no mercado de trabalho no médio ou talvez até mesmo no curto prazo, mas enquanto elas continuarem dentro da faixa de renda prevista para o Bolsa Família, o benefício vai continuar sendo pago", conclui o secretário Helmut Schwarzer.
*nome fictício
Colaborou Luis Kawaguti, da BBC Brasil em São Paulo

Monsanto revela que milho transgênico pode fazer mal à saúde

O milho, um dos alimentos mais antigos da história da humanidade, atualmente tem a maior parte da sua produção destinada, no Brasil, ao consumo animal. Apenas cerca de 15% é para o consumo humano.
O problema em torno deste alimento, defendido por conter vitaminas A e do complexo B, proteínas e minerais como o ferro, fósforo, potássio e cálcio, tem fundamento na utilização do grão transgênico.
Um artigo publicado no International Journal of Biological Sciences mostrou que o consumo da semente modificada tem efeitos negativos principalmente sobre fígado e rim, órgãos ligados à eliminação de impurezas.
Embora suas propriedades nutricionais sejam mantidas, [referência retirada]#, o estudo francês revelou que os grãos do milho transgênico apontam claros sinais de toxidade. O biólogo molecular Gilles-Eric Séralini e sua equipe puderam divulgar a pesquisa depois que um decisão judicial obrigou a Monsanto revelar sua própria análise dos grãos que manteve em sigilo impedindo que a informação se tornasse pública.
Os franceses então divulgaram a comparação dos efeitos das sementes MON 863, NK 603 e MON 810 sobre a saúde de mamíferos, sendo as duas últimas permitidas no Brasil, bem como sementes resultantes do seu cruzamento.
No caso do NK 603, os dados apontam perda renal e alterações nos níveis de creatinina no sangue e na urina, que podem estar relacionados a problemas musculares. É por esse motivo que os pesquisadores destacam que o coração foi afetado nos ratos alimentados com esta variedade. O quadro para o MON 810 não muda muito. Embora os machos em geral demonstrem maior sensibilidade a tóxicos, foram as fêmeas que apresentaram ligeiro aumento do peso dos rins, que pode corresponder a uma hiperplasia branda, geralmente presente quando associada a processos imunoinflamatórios.
Os autores do artigo publicado no International Journal of Biological Sciences concluíram que os dados sugerem fortemente que estas três variedades de milho transgênico induzem a um estado de toxicidade, que pode resultar da exposição a pesticidas (glifosato e Bt) que nunca fizeram parte de nossa alimentação.
A Comissão Técnica de Biossegurança, a CTNBio, informa que “o milho NK603 é tão seguro quanto às versões convencionais”, que a modificação genética “não modificou a composição nem o valor nutricional do milho”, que “há evidências cientificas sólidas de que o milho NK 603 não apresenta efeitos adversos à saúde humana e animal” e que “o valor nutricional do grão derivado do OGM referido tem potencial de ser, na realidade, superior ao do grão tradicional”. A CTNBio também avalia que no caso do MON 810 “os efeitos intencionais da modificação não comprometeram sua segurança nem resultaram em efeitos não-pretendidos” e que a “proteína é tóxica somente para lagartas”.
Acrescentamos ao artigo publicado originalmente no site do MST, o Manual do Consumidor, elaborado pelo Greenpeace:
"Corpo do artigo está a do International Journal of Biological Sciences, em inglês."

Um novo tabuleiro regional Acordo de Associação do Pacífico (TTP) ajuda a entender melhor a polarização latino-americana

Acordo de Associação do Pacífico, que acaba de ser assinado, entra em uma cadeia de fenômenos que estão reconfigurando a América Latina.
A liberalização que o TTP – sua sigla em inglês – implica envolve 40% da economia e 33% do comércio global. Reúne 12 países da América, Ásia e Oceania, dentre os quais três da Aliança do Pacífico: México, Peru e Chile. Não tem, entretanto, o viés pró-norte-americano que a esquerda regional dá a essa aliança, denunciada pelo vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, como “a represália de Washington contra a autonomia regional”. Não somente o império não está entre seus fundadores, como o TTP causou controvérsias em Washington. Hillary Clinton, por exemplo, lamentou que o acordo “não serve para aumentar os salários e o nível de emprego”.
O TTP reúne atores como o Japão, Austrália, Nova Zelândia e Singapura, o que lhe dá uma diversidade desconhecida na região. Liberaliza o comércio, mas também fixa regras para a circulação de capitais, que serão decisivas para o investimento.
O acordo do Pacífico também pode ser entendido por um contraste. Encontra os países do Atlântico em plena turbulência. Nos últimos doze meses, o Brasil registrou um déficit fiscal de 9% do PIB e sua moeda desvalorizou em 55%. Em 2015, sua economia irá se contrair em 2,8%. A Argentina registra uma inflação de 23%, um déficit fiscal de 8%, e uma queda de reservas monetárias que a obrigou a limitar as importações e intervir no mercado de câmbios. A brecha entre o dólar oficial e o paralelo é de 70%. A Venezuela é uma caricatura dos outros dois países. Segundo o FMI, em 2015 a inflação superará os 150%, o PIB cairá 10% e o desemprego alcançará os 15%.
As três nações integram o Mercosul com o Paraguai e o Uruguai, que experimenta uma interminável agonia. A Argentina bloqueou o comércio com o Brasil por não ter dólares para pagar a importação. A recessão brasileira determina uma queda da demanda. A Venezuela se fechou até provocar uma crise fronteiriça com a Colômbia. Ao invés de liberalizar o comércio, o trio subscreveu acordos Estado-Estado com a China que, em troca de créditos, ganhou grandes negócios sem licitação. O TTP coloca um desafio a esse enclausuramento: inclui países como a Austrália e a Nova Zelândia, produtores de alimentos que competem com a Argentina e o Brasil
O TTP entra por essa brecha. Ajuda a entender melhor a polarização latino-americana entre estratégias de abertura e tendências ao fechamento. A queda no preço das commodities acelerará a divergência.A outra característica familiar dos parceiros do Atlântico é que seus Governos estão carcomidos pela corrupção. O caso mais notório é o do Brasil. Pela assombrosa dimensão dos bens desviados, mas também porque lá a justiça é independente. A corrosão moral desestabiliza a política e faz com que as reformas sejam mais custosas.
Neste ponto é compreensível que, pressionada pelo empresariado,Dilma Rousseff queira assinar um tratado de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia antes do final do ano. Será um milagre da diplomacia. O Acordo Transpacífico vem junto com outras novidades. O restabelecimento de relações com Cuba aproxima os Estados Unidos de toda a região. Sobretudo porque os discursos nacionalistas estão sendo sufocados pela queda bolivariana.
A mudança cubana coincide com um maior isolamento da Venezuela. Não é por acaso. As relações entre Raúl Castro e Nicolás Maduro estão muito deterioradas. Castro costuma se queixar pelo fato do venezuelano não o visitar quando passa pela ilha: a agenda se reduz a um encontro com Fidel. Além disso, o irascível herdeiro de Chávez detonou o conflito com a Colômbia sem perguntar-se quais seriam as consequências na negociação entre Juan Manuel Santos e as FARC. Cuba é a garantia do processo, que pode dar à Colômbia o protagonismo na região. Outra mudança a ser registrada.
A entropia do chavismo semeia a intranquilidade. O papa Francisco recusou pela terceira vez um pedido de encontro de Maduro. Foi em Havana. Chancelarias amigas, como a do Brasil e Chile, alertaram Caracas sobre o receio de que as eleições de dezembro desencadeiem uma nova tempestade. Neste caso, não poderão sustentar a culposa tolerância exibida diante do autoritarismo chavista.
Reduzir o Acordo de Associação Transpacifico ao seu significado comercial é, então, um erro. É também um sinal da nova configuração do tabuleiro regional.

AB Inbev e SABMiller controlarão um terço das vendas de cerveja Esta é a sexta maior aquisição na história corporativa mundial

IVÁN HELBLING / PAULA CASADO (EL PAIS VÍDEO)
As cervejas Budweiser e Peroni Nastro Azzurro terão o mesmo dono. A multinacional Anheuser-Busch InBev conseguiu, finalmente, concluir o acordo com a concorrente SABMiller para assumir suas operações, depois de fazer uma oferta que a avalia em 106 bilhões de dólares (398,2 bilhões de reais). A companhia conjunta controlará um terço do mercado mundial, mas precisará se desfazer de algumas marcas para superar as exigências das autoridades antitruste.
A compra da empresa britânica a esse preço é a maior aquisição corporativa de 2015 e uma das seis maiores da história. É um valor semelhante ao que os acionistas da Philip Morris pagaram para assumir o controle da empresa em plena bolha do crédito. É também a maior operação empresarial já feita no Reino Unido, superando amplamente os 264,9 bilhões de reais que, pelo câmbio atual, a Royal Dutch Shell desembolsou pelo BG Group.A negociação sobre cifras começou há um mês, embora a possibilidade de fusão já estivesse sobre a mesa havia anos, como parte atual do processo mundial de consolidação do setor, no qual a AB InBev é líder. A SABMiller, número dois, soube se impor e conseguiu um aumento da oferta após várias rejeições. O grupo presidido pelo brasileiro Carlos Brito pagará à vista 44 libras esterlinas (251,97 reais) por cada uma das ações da concorrente. Isso representa uma valorização de 50% sobre o valor médio de mercado em meados de setembro, antes que a primeira oferta fosse formalizada.
Os números são enormes. A nova AB InBev SABMiller terá uma capitalização em Bolsas próxima de 275 bilhões de dólares, suficiente para colocá-la entre as 10 maiores companhias de capital aberto do mundo. Em sua carteira combinará quase 400 marcas de cerveja, como Corona, Stella Artois, Grolsch e Pilsner Urquell. O faturamento somado das duas empresas é de 55 bilhões de dólares por ano, o que faz do conglomerado pós-fusão uma das maiores companhias de consumo do mundo.
A AB InBev conta com 16 cervejas que geram faturamento superior a um bilhão de dólares cada uma. A integração com a SABMiller lhe permitirá controlar 30% das vendas de cerveja em escala global, além de ser um ator dominante nos EUA, com 70% do mercado. A empresa combinada ocupará também o primeiro ou o segundo lugar em 24 dos 30 maiores mercados do mundo. Pelos termos da fusão, os lucros serão divididos em partes iguais.
Os analistas de Wall Street acreditam que o valor da SABMiller é adequado e esperam que os proprietários da empresa britânica, entre os quais se encontram o grupo Altria e a Bevco como maiores acionistas, darão seu aval. A proposta vai acompanhada de uma alternativa que implica um pagamento parcial em ações, limitada a 41% dos títulos da SABMiller, uma estratégia voltada a contentar a Altria (multinacional do tabaco com sede nos EUA) e a Bevco (da família colombiana Santo Domingo). Os acionistas da empresa adquirida têm o direito de nomear diretores, mas não poderão vender suas ações durante cinco anos.
As duas multinacionais, cuja sede conjunta será na Bélgica, precisam unir forças para compensar a queda mundial nas vendas, especialmente em países emergentes como o Brasil e a China. A queda de 20% no valor da britânica, junto com os juros historicamente baixos, fez com que a AB InBev movesse suas fichas. Mas, se as últimas duas semanas de negociação foram intensas, mais complicado será convencer os órgãos reguladores para que deem seu aval à operação. Para isso, as empresas terão de fazer concessões. Entre elas estaria o fim da parceria da SABMiller com a canadense Coors e a chinesa CR Snow.
O mercado observa agora o que farão as rivais Heineken e Calsberg para não ficarem de fora do processo de consolidação, já que a opção de se fundirem com a SABMiller se fechou. Elas poderiam ser as principais interessadas em assumir os ativos dos quais a InBev-SABMiller precisar se desfazer por questões regulatórias. O acordo contempla uma provisão de três bilhões de dólares como compensação à britânica caso a fusão seja reprovada.

Secretaria de Segurança terá que usar armas de choque do Detran

Crédito: Kléber Lima/CB/D.A PressCrédito: Kléber Lima/CB/D.A Press
Crédito: Kléber Lima/CB/D.A PressCrédito: Kléber Lima/CB/D.A PressCrédito: Kléber Lima/CB/D.A Press
Os 220 tasers comprados pelo Departamento de Trânsito (Detran) em 2011 não podem ser usados pelos seus agentes e devem ser destinados para outra finalidade. O Tribunal de Contas do DF acatou representação do Ministério Público de Contas contra uma suposta gestão antieconômica da autarquia.
A Corte estabeleceu prazo de 30 dias para que a Secretaria da Segurança Pública e da Paz Social e Detran “adotem medidas objetivando o imediato emprego das pistolas não letais – tasers, no âmbito do complexo administrativo distrital, ante sua impossibilidade de utilização pelos agentes de trânsito da autarquia”.