sexta-feira, 19 de junho de 2015

Google, Microsoft e Apple vão deixar navegadores 20 vezes mais rápidos

Quando GoogleMicrosoft e Apple se juntam, certamente, é para algo grande. O mais novo projeto que traz a participação das três gigantes é o WebAssembly, nova abordagem para códigos binários na Internet. A intenção é melhorar a performance de navegadores no carregamento de páginas na rede em até 20 vezes. A empresas farão um esforço conjunto de unificação de códigos e novas tecnologias.
Microsoft Edge (Foto: Divulgação/Microsoft)Microsoft Edge, o sucessor do Internet Explorer está chegando aos computadores (Foto: Divulgação/Microsoft)
 Atualmente, o padrão é que os browsers usem JavaScript para interpretar seus códigos e permitir que os sites tenham certas funcionalidades, como formas e conteúdo dinâmico. O problema é que os códigos são, basicamente, arquivos de texto baixados de um servidor e compilados pela engine do browser, ou seja, um processo que pode demorar.
Algumas mudanças para otimizar o tempo de carregamento destas informações já vêm sendo feitas. Novos tipos de dados foram adicionados à linguagem e combinados ao asm.js, um padrão de alta performance do JavaScript. Assim, ele consegue chegar a uma velocidade um pouco maior.
Códigos bytecode
No entanto, com o WebAssemply, que usa códigos bytecode, o desempenho fica ainda melhor. Isso porque, com o formato binário, os códigos são comprimidos ainda mais do que os arquivos de texto do JavaScript, fazendo com que os mecanismos de decodificação atuem de forma até 23 vezes mais rápida do que o atual.
O que acontece é que este carregamento é fundamental para o tempo de abertura de uma página na web. Quanto mais rápida for a interpretação dos códigos, melhor a performance de navegação, tornando-a mais eficiente para o usuário final. Termos técnicos à parte, resumindo, o que todas as empresas querem é mais velocidade na hora de abrir um site.
Esforço conjunto
O mais interessante é que todas essas empresas têm as iniciativas próprias de acelerar e de incrementar o JavaScript, como o Typescript da Microsoft, o Native Client do Google e o próprio asm.js, que pertence àMozilla. Portanto, o WebAssembly promete reunir tudo que há de melhor entre elas.
O objetivo é usar o WebAssembly como padrão em todos os navegadores, garantindo uma performance mais eficiente no carregamento de conteúdo neles. Enquanto isso não acontece, o plano dos desenvolvedores é criar um script JS que seja convertido para o asm.js e possa ser usado em cada browser.
O projeto ainda está bem no começo e nem suas especificações ou design de alto nível foram finalizados por enquanto. Mesmo assim, as expectativas para ele são grandes. Só pelo fato de Google, Microsoft eApple estarem trabalhando em conjunto, a chance de ele sair do papel é grande.

Microsoft trabalha duro para corrigir erros do Internet Explorer no Edge

Microsoft enfrentou muitos problemas nos últimos anos com o Internet Explorer, que deixou de ser um programa super popular para se transformar em um browser rejeitado pelos usuários. Porém, com o novo navegador, o Microsoft Edge, a empresa afirma estar trabalhando para corrigir as antigas falhas.
Microsoft Edge (Foto: Reprodução)Microsoft irá corrigir antigas falhas do IE no seu novo navegador (Foto: TechTudo/Elson de Souza)
Segundo a fabricante do Windows, o Microsoft Edge está sendo feito para entrar na história como "o melhor de todos os tempos em renderizar conteúdo web de forma correta, rápida e confiável”. Os desenvolvedores afirmam que as melhorias são tanto para os usuários como os desenvolvedores.
A principal modificação do browser é que ele não exige mais que o conteúdo seja feito em seus padrões, como era no Internet Explorer. Muitos desenvolvedores reclamavam que o site, para abrir no IE, precisava de uma codificação diferente do usado em seus rivais. No Edge, isso não será problema.
“Estamos evoluindo o nosso mecanismo para ser mais interoperante com Blink e Webkit. Passamos bastante tempo trabalhando com todos os browsers para corrigir problemas e especificações desse tipo”, explica a equipe que está desenvolvendo o Edge no blog oficial do Windows.
Microsoft Edge será o sucessor do Internet Explorer (Foto: Divulgação/Microsoft) (Foto: Microsoft Edge será o sucessor do Internet Explorer (Foto: Divulgação/Microsoft))Edge promete melhorias na navegação (Foto: Divulgação/Microsoft))
O post destaca ainda que a Microsoft removeu legados ruins do Internet Explorer – como a necessidade do ActiveX. Além disso, aceitou e corrigiu a integração com CSS do WebKit e adicionou recursos como ES6, HTTP/2, captura de mídia, XPath, Motion JPEG e muito mais.
“Estes são apenas alguns exemplos das milhares de grandes e pequenas mudanças que fizemos na nossa engine. Durante o desenvolvimento, o Microsoft Edge está sendo consistentemente mais interoperável com a Web do que qualquer navegador antigo da Microsoft”, afirma a nota.
O aguardado navegador é uma das novidades mais esperadas do Windows 10, que vai ser lançado no próximo dia 29 de julho.
Via Microsoft
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Vice-presidente do Congresso de Honduras é acusada de corrupção


A deputada do governista Partido Nacional (PN, de direita) e vice-presidente do Congresso de Honduras, Lena Gutiérrez, é vista em 12 de dezembro de 2012
A deputada do governista Partido Nacional (PN, de direita) e vice-presidente do Congresso de Honduras, Lena Gutiérrez, foi acusada nesta quinta-feira de crimes contra a saúde pública, malversação de recursos públicos e fraude, informou a Procuradoria no Twitter.
Lena foi acusada junto com outros três familiares: o pai, Marco Tulio Gutiérrez, e dois irmãos, sócios da fabricante de remédios Astropharma.
"Eu me sinto um pouco surpresa. Estou mostrando a cara, porque não tenho nada a esconder", reagiu a deputada, em entrevista coletiva.
Ela admitiu que membros da família Gutiérrez foram sócios da Astropharma entre 2000 e 2009, mas garantiu: "vendemos nossas ações".
Desde janeiro, a Procuradoria investiga o desvio de US$ 300 milhões do Instituto Hondurenho de Seguridade Social (IHSS), por ordens do presidente Juan Orlando Hernández.
O presidente admitiu ter tido informes de que US$ 94.000 desses recursos "ingressaram" na campanha que, em 2013, levou-o ao poder.
Os fundos foram desviados para funcionários públicos e empresários, mediante compras superfaturadas de remédios e de equipamentos para os hospitais por parte dessa instituição.
Cerca de dez pessoas, entre funcionários e empresários, estão presas. Dezenas foram acusadas pela Procuradoria por atos de corrupção.

Saída da Grécia seria o início do fim da Eurozona


O primeiro-ministro grego Alexis Tsipras durante entrevista coletiva em Atenas em 17 de junho
Uma saída da Grécia da zona do euro, situação conhecida como 'Grexit', representaria o início do fim da união monetária, afirmou o primeiro-ministro grego Alexis Tsipras em uma entrevista publicada pelo jornal austríaco Kurier.
"O famoso Grexit não pode ser uma opção, nem para os gregos nem para a União Europeia. Seria um processo irreversível, seria o início do fim da zona do euro", afirma Tsipras na entrevista apresentada como "exclusiva".
"Até agora a Europa se orientou para uma unidade maior. Tomar a decisão contrária significaria o fracasso da ideia europeia", completa.
Segundo o chefe de Governo grego, debate a respeito do 'Grexit', hipótese que ganhou força nos últimos dias com a falta de acordo entre Atenas e seus credores, "começou quando teve início a aplicação do rígido programa de austeridade imposto pela União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI)".
Apesar dos sacrifícios impostos ao povo, a "Grécia não se tornou mais competitiva e a dívida do Estado não diminuiu", disse Tsipras.
"Precisamos revisar todo o conceito em seu conjunto", concluiu.
As declarações de Tsipras foram divulgadas após um novo fracasso das negociações entre Atenas e seus credores, na quinta-feira em uma reunião de ministros das Finanças da Eurozona.
Há vários meses, Atenas negocia com os credores - UE, FMI e Banco Central Europeu (BCE) - a liberação de uma nova parcela da ajuda financeira, em troca da continuidade das reformas estruturais no país.
Uma nova reunião acontecerá na segunda-feira em Bruxelas entre chefes de Estado e de Governo dos 19 países da zona do euro sobre Grécia.
Se um acordo não for alcançado até o fim de junho, a Grécia pode ficar incapacitada para pagar a quantia de 1,5 bilhão de euros que deve ao FMI até o dia 30 e declarar um 'default' (suspensão de pagamentos).

Cardeal mente a Papa sobre uso de 30 milhões euros Cardeal teria mentido para Francisco sobre verba italiana

Cardeal mentiu ao Papa sobre uso de 30 milhões euros (foto: ANSA)
Cardeal mentiu ao Papa sobre uso de 30 milhões euros (foto: ANSA)
19 JUNHO, 08:39CIDADE DO VATICANOZBF
(ANSA) - Uma investigação da polícia italiana descobriu que o papa Francisco foi enganado pelo cardeal Giuseppe Versaldi sobre a destinação de uma verba de 30 milhões de euros. Segundo dados da polícia apresentados nesta sexta-feira (19), Versaldi, atual prefeito da Congregação para a Educação Católica, teria usado um fundo de 30 milhões do governo da Itália destinado à manutenção do hospital Menino Jesus para comprar o IDI (Instituto Dermopático da Imaculada).
    Em uma conversa telefônica de 26 de fevereiro de 2014 interceptada pela polícia, o cardeal combinou com o empresário Giuseppe Profiti de mentir em uma audiência com o Papa. Na época, o cardeal era delegado pontifício para a Congregação para os Filhos da Imaculada e presidente da Prefeitura de Assuntos Econômicos da Santa Sé. O caso veio à tona durante a operação batizada de "Divina Providência" e conduzida pela Procuradoria de Trani. A investigação já levou à prisão duas freiras. Também foi emitido um mandado de prisão domiciliar ao senador Antonio Azzolini (NCD). (ANSA) http://www.papafrancesconewsapp.com/por/
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Casa Branca? Está demitido, Donald Trump Empresário norte-americano deveria olhar para sua história familiar e para um mapa antes de atacar a imigração e o México Governo do México responde ao ataque xenófobo de Donald Trump

“Está demitido!”. Essa frase – horrível para milhões de pessoas em todo o mundo – tornou famoso nas telas de TV, no começo da década passada, o empresário e multimilionário norte-americanoDonald Trump, que era a estrela do The Apprentice (O Aprendiz). Era um reality show no qual um grupo de jovens dava o que supostamente seriam seus primeiros passos no implacável mundo dos negócios sob o atento olhar de Trump passando por todos os tipos de provas que tinham pouco a ver com as finanças e muito com o espetáculo. O clímax de cada programa vinha quando Trump reunia os participantes e os incitava a se esfolarem entre si como gladiadores em uma escola de negócios tentando permanecer no programa. Finalmente, o empresário fazia sua intervenção – naturalmente no papel de César – e decidia quem continuava vivo em seu show e quem morria, catodicamente falando. Para estes, depois de um insuportável discurso de ganhadores e perdedores, olhava bem nos olhos, sorria e sentenciava: “Está demitido!”. E aí acabava tudo, porque depois, como sempre acontece, vinham os anúncios.

Trump está preocupado porque quer que os EUA continuem sendo os EUA e não uma terra onde cheguem estrangeiros que – coisas sem importância – transformaram esse país na democracia mais próspera da Terra. Estrangeiros como, por exemplo, sua própria mãe, Anne McLeod, nascida na Escócia. Um país no qual fique claro que toda a árvore genealógica nasceu entre o Atlântico e o Pacífico, e não como seu avô, um imigrante alemão de sobrenome Drumpf, que mudou para Trump. Um país no qual um empresário ganhe seu primeiro dólar em uma cidade de nome absolutamente anglo-saxão. Como ele mesmo, que fez seu primeiro negócio em Cincinatti, cujo nome é tirado do cônsul romano Lúcio Quíncio Cincinato. É preciso entender Trump: qualquer dia desses chegam os imigrantes colocam um nome espanhol em cidades como “Los Angeles” ou “San Francisco”.The Apprentice terminou faz alguns anos, mas Trump ainda não sabe. Agora anunciou sua pré-candidatura à Casa Branca com um insultante discurso contra milhões de pessoas e uma nação amiga dos EUA: o México, que também se chama Estados Unidos e também está na América do Norte, com certeza. Mas isso Trump também não sabe. Em uma das intervenções mais racistas já feitas por alguém com aspirações presidenciais, Trump disse, entre outras barbaridades, que o México é um país de “drogas e estupradores” e propôs construir na fronteira um muro que, naturalmente, os mexicanos pagariam. Só faltou pedir que algum estagiário de The Apprentice se encarregasse da tarefa.
São compreensíveis a raiva e a indignação do Governo mexicano pelas barbaridades de Trump, mas é conveniente não perder de vista que essa não é a primeira vez que ele usa a democrática corrida até a Casa Branca para fazer publicidade. Fez o mesmo há quatro anos e só demonstrou uma patética irrelevância política. O povo é sábio e quer dizer: “Você na Casa Branca? Está demitido”. E depois, os anúncios.

    JUAN PABLO ESCOBAR | FILHO DE PABLO ESCOBAR » “A proibição das drogas criou Pablo Escobar e os outros traficantes” Filho do traficante, lança livro sobre a infância ao lado do pai, e critica guerra às drogas Juan Pablo Escobar: “Meu pai me mostrou o caminho a não seguir” O dia em que Pablo Escobar zombou dos EUA e tirou esta foto

    Juan Pablo, filho do traficante Pablo Escobar. / MARCELO SAYÃO (EFE)
    Juan Pablo Escobar estava feliz. Era o seu 5o aniversário, e uma grande festa foi organizada na casa da família em Medellín, na Colômbia. Vendado e com um pedaço de pau na mão, ele foi em direção a uma piñata (boneco de papel crepom recheado de presentes), golpeando em vão algumas vezes até acertar o alvo. Ao tirar o lenço que cobria os olhos, se surpreendeu quando viu que os adultos avançavam sobre os brindes que caiam com mais rapidez que as crianças. Juan olhou para o chão e entendeu o que estava acontecendo: a piñata colorida não tinha doces, mas dezenas de maços de dólar dentro.
    Pergunta. O que criou Pablo Escobar?Filho de um dos maiores traficantesde cocaína do mundo, Pablo Escobar, Juan se acostumou desde pequeno a conviver com os excessos e a violência que acompanhavam o pai. Ele acaba de lançar no Brasil o livro Meu Pai, as Histórias que Não Deveríamos Saber, pela Editora Paralela, onde conta a infância ao lado daquele que já foi um dos mais procurados criminosos do mundo.
    Resposta. Creio que o verdadeiro culpado pelo nascimento da figura do meu pai – e dos outros narcotraficantes que vieram depois -, o responsável por toda essa guerra, violência e abusos, é a proibição das drogas. A proibição propõe essa divisão, esse enfrentamento até a morte, onde todos lutam por esse elixir que as superpotências demandam todos os dias. E estão dispostos a pagar altos preços por isso. A proibição é uma ideia maquiavélica que sem dúvida está nos prejudicando como sociedade. O contexto proibicionista é um caldo eficaz para que surjam grandes traficantes, como meu pai, como Chapo [El Chapo Guzman, líder do Cartel de Sinaloa, no México], dispostos a desafiar as instituições. Isso é o combustível da violência.
    P. A guerra às drogas fracassou?
    R. Estamos há 40 anos vivendo as consequências dos fracassos ininterruptos dessa guerra. A única certeza que temos hoje é que ela não funciona. E pior ainda: ela garante que a droga seja de pior qualidade, destruindo mais ainda os consumidores em detrimento da saúde publica. Os efeitos dessa guerra são mais corrupção e mais venda de armas, e isso faz com que os narcotraficantes continuem crescendo e aumentando seu poder, o que lhes permite desafiar as democracias americanas sem pestanejar.
    P. O México é um retrato desse fracasso?
    R. Tristemente o México está vivendo uma violência que nós já tivemos na Colômbia. O que essa realidade nos mostra é que o problema hoje está no México, mas amanhã pode estar em outros países. Independentemente de onde a lei de proibição das drogas seja aplicada, os resultados são os mesmos, e cada vez piores. Antigamente os cartéis colombianos eram os empregadores dos mexicanos. Hoje é ao contrário, os mexicanos é que mandam.
    Juan com o pai em frente à Casa branca.
    P. A legalização da cocaína não traria riscos para a sociedade?
    R. A pior droga de todas está legalizada. É o álcool. É a que mais vidas rouba todos os anos. Ele é legal, paga impostos, as revistas e propagandas mostram as pessoas bebendo e se divertindo. Mas se vemos os dados da Organização Mundial da Saúde, é tenebroso ver que morrem 200.000 pessoas por ano como consequência do uso de drogas, e morrem 3,8 milhões por causa do álcool e do tabaco. Me parece que é preciso mudar esse enfoque militar dado ao assunto das drogas, quando o correto seria o enfoque da saúde pública.
    P. A quem interessa a proibição na América Latina?
    R. O maior interessado não está na América Latina. É preciso procurá-lo mais acima. A América Latina é a vítima da proibição. Os países que propõe essa ideia são os mais beneficiados. A proibição garante os altos preços, o que garante o financiamento da corrupção e a compra de armas. A América Latina não é um grande produtor de armas. Nós sabemos quem são os grandes fabricantes de armas. Os maiores produtores dos precursores químicos [produtos usados no refino da pasta base da cocaína], que permitem que a droga exista, não estão aqui. Estão na Alemanha e nos Estados Unidos. Como eles perdem esse produtos químicos em uma época em que existe rastreamento por chip, códigos de barras, etiquetas inteligentes... Mas mesmo assim ninguém sabe como eles desaparecem e depois aparecem nas drogas nas ruas. Quem quer a proibição prospera. Eles estão felizes, é um grande negócio.
    P. Você acha que alguns Governos são coniventes com o tráfico?
    R. Depois dos atentados de 11 de Setembro a quantidade de controles aumentou muito. Mas a droga continua entrando [nos Estados Unidos]. Como continuam conseguindo entrar? Eles conseguem apreender um imigrante mexicano ilegal que tenta atravessar a fronteira. Mas passam trinta caminhões com droga e ninguém vê nada...
    Vejo a proibição como a continuação da escravidão. Ela gera escravos que não sabem que são escravos"
    P. Os traficantes latino americanos são ‘coadjuvantes’ nesse esquema?
    R. Vejo a proibição como a continuação da escravidão. Ela gera escravos que não sabem que são escravos. Um traficante, no final de contas, é um escravo dos Estados Unidos. No cartel de Cali existem pessoas que o Governo americano deixou que prosperassem por anos. Eles geraram muito dinheiro para muita gente, a ponto de acharem que eles, os traficantes, eram senhores, os amos desse dinheiro. Depois os EUA os capturou e confiscou o dinheiro. Milhões de dólares. E esse modelo de ação se repetiu milhares de vezes. São os escravos latino americanos que arriscam a vida, enquanto que os EUA os deixam passar, os deixam fazer negócio, sabe por onde entram no país e os vigiam, os deixam crescer. Quando os traficantes estão bem grandes e ricos eles vão atrás deles e pegam o dinheiro. É muito bom para qualquer nação ter ‘idiotas úteis’ trabalhando para você sem saber disso. O dia em que os narcos se dão conta que estão trabalhando para os EUA, é o dia em que eles se veem com algemas e correntes no tornozelo.
    P. Qual seria a reação dos traficantes à legalização?
    R. Não existe um só narcotraficante que esteja a favor da legalização. Isso seria o fim dos seus negócios, não lhes convém. Caso legalizem as drogas, no dia seguinte eles ficariam pobres. Não teriam recursos para corromper, manter um exército e desafiar os Governos.
    P. Os cartéis ainda têm força na Colômbia?
    Juan posa com o livro, lançado esta semana no Brasil. / MARCELO SAYÃO (EFE)
    R. É difícil dizer. Caíram alguns chefes, mas o negócio continua funcionando. Você já ouviu alguma vez falar em déficit de cocaína no mundo? Os narcos colombianos aprenderam, principalmente com a historia do meu pai, que não é prudente enfrentar a autoridade de frente, porque você ganha visibilidade, e aí eles lhe capturam ou matam. Os traficantes modernos perceberam que há uma arma muito mais perigosa e poderosa que o narcoterrorismo [Pablo Escobar foi responsável por dezenas de atentados a bomba contra autoridades], que é a corrupção. Esse método de operar lhes permite permanecer na sombra por muito tempo, e faz com que o negócio continue funcionando bem.
    P. Em algum momento você pensou em seguir os passos do seu pai?
    R. Quando as coisas estavam bem nós não estávamos conscientes do problema em que estávamos metidos. Era difícil saber o que viria. Meu pai sempre me disse que se eu quisesse ser médico, ele me daria o melhor hospital da cidade. Se eu quisesse ser estilista, me daria o melhor salão de beleza. Ele apoiaria qualquer decisão que eu tomasse livremente. Se eu pedisse para ser bandido ele também teria me ajudado. Não tenho dúvidas. Mas vimos tanta violência que foi relativamente fácil entender e decidir que esse não era o caminho. Seria preciso ser cego para não ver que é um caminho que leva uma destruição total.
    P. Hoje em dia o tráfico de drogas, com o suposto glamour, as armas, carros, mulheres exercem um fascínio sobre os jovens...
    R. Todo mundo gosta das mulheres, das comodidades que o dinheiro trás. Mas eu tive esse dinheiro, e quanto mais dinheiro tínhamos, mas pobre nos sentíamos, porque não tínhamos liberdade para gastá-lo, para desfrutar disso. A riqueza às vezes é relativa. Passamos momentos em que tínhamos milhões de dólares em cima da mesa, mas não podíamos por o pé para fora de casa para comprar comida [durante a guerra entre os cartéis]. Literalmente passamos fome algumas semanas, apesar de termos uma grande fortuna. Para mim, ignorar essas lições seria insultar o legado dessa vida, o que me levaria à morte.
    P. No livro você conta que seu pai tinha relação tanto com Manuel Noriega, ditador panamenho, quanto com o grupo de esquerda Frente Sandinista de Libertação Nacional, da Nicarágua. Ele tinha alguma ideologia?
    A riqueza às vezes é relativa. Passamos momentos em que tínhamos milhões de dólares em cima da mesa, mas não podíamos por o pé para fora de casa para comprar comida"
    R. Meu pai era um homem muito contraditório em seus atos e em suas ideias. Ele dizia que não era nem de direita, nem de esquerda nem de centro, mas que ele apoiava as ideias que lhe pareciam importantes. Sua vida está cheia de contradições neste sentido. Ele era um homem que tinha uma tendência a ter mais ideias de esquerda, mas foi o fundador do primeiro grupo paramilitar de ultradireita da Colômbia. Por outro lado, era um homem que construía campos de futebol nos bairros pobres, para que os jovens tivessem um espaço de lazer onde pudessem ficar longe da violência e das drogas, mas paradoxalmente financiava tudo isso com dinheiro do tráfico. Com relação a Noriega e aos sandinistas, tem a ver com o fato de que, no final de contas, não importa centro, esquerda ou direita. Todos se interessam por uma ideologia em comum, na qual meu pai era muito bom, que era dinheiro. Então com dinheiro na mão eram todos amigos.
    P. O que motivou a entrada do seu pai na política? [Pablo Escobar foi eleito vereador e deputado]
    R. Ele já tinha muito poder militar e econômico. Mas lhe faltava o poder político para que pudesse ajudar os pobres. Ele foi um dos poucos políticos que não entrou na política para roubar. Porque ele já tinha tudo, não precisava entrar para conseguir mais dinheiro. O comércio de cocaína lhe dava mais dinheiro do que qualquer ato de corrupção poderia lhe dar como congressista. Ele queria utilizar o poder público pelo bem dos pobres da Colômbia.
    P. No livro você fala que tinha poucos amigos na infância...
    R. Não tive oportunidade de ter muitos amigos na escola, porque os pais proibiam seus filhos de ficar perto de mim. Então eu acabei sendo muito amigo de alguns dos piores bandidos da Colômbia, que trabalhavam com meu pai. Era com eles que eu brincava. Meu único amigo dos tempos da escola era um menino órfão, porque ninguém o proibia de andar comigo.
    Não tive oportunidade de ter muitos amigos na escola, porque os pais proibiam seus filhos de ficar perto de mim. Meus amigos eram os piores bandidos da Colômbia"
    P. Como foi essa convivência com os bandidos?
    R. Aprendei muito com eles. Sobre seu sofrimento, sobre porque eram tão violentos, porque se comportavam dessa maneira. A conclusão a que cheguei foi que em seus lares nunca houve amor, respeito... Seus pais batiam neles, abusavam das esposas e irmãos. Eram lares marcados pela violência.
    P. Seu pai fazia muitas obras de caridade nas favelas. O que o motivou a fazer isso?
    R. Suas condições de vida. Ele tinha muitos parentes que viviam em situação de pobreza extrema. Seu sócio, Gustavo Gaviria, morava em um barraco de papelão, não tinha o que comer. Então ele não era alheio ao que acontecia na Colômbia. Quando começou a ter dinheiro, as classes pobres foram as primeiras que ele ajudou.