quarta-feira, 11 de março de 2015

Smartphone com Android será usado como controle de games

Gente, essa notícia do Google Play Games promete agradar em cheio aos usuários de Android. Afinal, agora quem tem smartphone ou tablet com o sistema operacional do robô vai poder controlar seus games com mais de um jogador, através do seu dispositivo móvel, em uma TV Android. Demais, né?
divulgação
divulgação
Smartphone com Android será usado como controle de games

Secretário-geral da Otan diz que Rússia continua equipando rebeldes ucranianos

MONS, Bélgica (Reuters) - O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, disse nesta quarta-feira que a Rússia continua a armar e treinar forças rebeldes no leste da Ucrânia e pediu a Moscou que respeite o acordo de cessar-fogo retirando-se completamente do conflito.
Perguntado em entrevista coletiva sobre as declarações de um diplomata dos EUA que afirmou que tanques russos teriam entrado na Ucrânia nos últimos dias, ele recusou-se a comentar especificamente, mas disse: "Nós... ainda vemos presença e apoio intenso russo aos separatistas no leste da Ucrânia. Nós vemos a entrega de equipamentos, forças e treinamento. E então a Rússia ainda está no leste da Ucrânia."
"Assim sendo, nós pedimos à Rússia que retire todas as suas forças do leste da Ucrânia e que respeite o acordo de Minsk."

(Reportagem de Alastair Macdonald)

Saiba desativar o bloqueio da tela do Android e tirar a senha de proteção

Desativar o bloqueio de tela do Android pode ser útil, caso o usuário precise fazer algo sem ser interrompido, como ler um texto longo, por exemplo. Seja qual for o motivo, siga os passos abaixo e veja como aumentar o tempo de bloqueio e desativar a senha de proteção do aparelho.
lg-g-flex-usando1 (Foto: Luciana Maline/TechTudo)Veja como tirar a senha de bloqueio do Android (Foto: Luciana Maline/TechTudo)
Aumentando tempo de bloqueio
Passo 1. Acesse as configurações do Android e toque em “Tela”;
Acesse as configurações do Android (Foto: Reprodução/Helito Bijora) Acesse as configurações do Android (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 2. Em seguida, toque em “Modo de espera” e selecione 30 minutos, que é o máximo disponível;
Aumentando o tempo de bloqueio automático (Foto: Reprodução/Helito Bijora) Aumentando o tempo de bloqueio automático (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Desativando senha
Passo 3. Volte às configurações do Android, deslize a tela até a seção “Pessoal” e toque em “Segurança”. Nas configurações de segurança, toque em “Bloqueio de tela”;
Acesse as configurações de segurança (Foto: Reprodução/Helito Bijora) Acesse as configurações de segurança (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Passo 4. Confirme o seu PIN, senha ou desenho atual. Por fim, marque a opção “Nenhum”, para desativar a proteção por senha.
Desativando a senha de bloqueio do Android (Foto: Reprodução/Helito Bijora) Desativando a senha de bloqueio do Android (Foto: Reprodução/Helito Bijora)
Pronto! Dessa forma, o seu celular demorará mais tempo para ser bloqueado e, quando isso acontecer, basta pressionar o botão para ligar a tela e voltar onde você estava, sem precisar desbloquear o aparelho usando um código ou desenho.

Preço de aluguel sobe abaixo da inflação pelo 9º mês seguido Índice FipeZap registrou em fevereiro alta de 1,95% em 12 meses. Nesse mesmo período, inflação medida pelo IPCA foi de 7,70%.

Os preços locação de imóveis registraram em fevereiro a 9ª queda real consecutiva, segundo o Índice FipeZap, que acompanha o preço do aluguel em 9 cidades brasileiras.
O aumento nominal no acumulado em 12 meses foi de 1,95% em fevereiro. Nesse mesmo período, o aumento da inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) foi de 7,70%.

O preço médio anunciado para locação por m2 nas 9 cidades pesquisadas em fevereiro foi de R$ 34/mês. A cidade com o m2 mais caro foi o Rio de Janeiro (R$ 41/mês), seguida por São Paulo (R$ 38/mês). O aluguel mais barato foi em Curitiba (R$ 16/mês).
"O preço médio de locação registrou, portanto, queda em termos reais de 5,34% nos últimos 12 meses", destaca o relatório.
Os preços anunciados para locação considerados para o cálculo do índice são para novos aluguéis. Ou seja, o Índice FipeZap de Locação não mede a variação dos contratos vigentes.
O índice calcula ainda a rentabilidade para o investidor que opta por locar seu imóvel. Em fevereiro, o retorno médio com aluguel foi de 4,9% ao ano, valor superior em 0,1 ponto percentual à taxa de janeiro. Ao mesmo tempo, a taxa de juros real no Brasil foi de 5,8%.
"Desde setembro de 2014 a 'taxa do aluguel' está abaixo dos juros reais", destaca o relatório.

CPI das universidades sugere que trote seja classificado como crime de tortura

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo, que investigou denúncias de violações a direitos humanos em universidades paulistas, encerrou hoje (10) seus trabalhos e apresentou relatório final. Após 40 audiências, nas quais foram ouvidos mais de 200 depoimentos, o relatório, de 190 páginas, reúne em torno de 9 mil documentos, entre fotos, vídeos de trotes violentos e depoimentos de sete mulheres estupradas em festas universitárias.
O relatório do deputado Ulysses Tassinari (PV) apresenta mais de 30 recomendações que serão encaminhadas, principalmente, ao Ministério Público, e solicita que as investigações sobre violações prossigam, com punições aos agressores. O documento também será encaminhado a autoridades brasileiras e ao papa Francisco. No caso do papa, o relatório será encaminhado porque duas das universidades denunciadas são vinculadas à Igreja Católica: a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas).
Em uma dessas recomendações, os deputados paulistas pedem que os trotes praticados contra calouros nas universidades de todo o país sejam classificados como crime de tortura no Código Penal Brasileiro.
“O que acho mais urgente é tirar toda a violência, que ocorre nos trotes, do capítulo de 'atentado violento ao pudor', elevando-o à categoria de tortura. Trote é uma forma de tortura”, disse o deputado Adriano Diogo (PT), presidente da CPI, para quem os acusados pelas práticas de trotes e violações devem ter seus nomes incluídos em um cadastro estudantil de antecedentes. Ele explica, porém, que não se trata de uma ficha criminal, para ser usada em concursos para admissibilidade em bolsas de estudo e financiamento de pesquisa. Mas ressalta que "nenhum torturador pode ascender na carreira sem que apareça, em seu currículo, que ele participou de atividades de tortura”.
O relatório da CPI propõe ainda a criação de dois projetos de lei para combater os trotes nas universidades. Um pede a proibição de patrocínio de eventos estudantis por empresas que fabriquem, comercializem ou distribuam bebidas alcoólicas. O outro pretende combater os trotes nas universidades e investigar as violações de direitos humanos e demais ilegalidades no âmbito das universidades.
Os deputados pedem a responsabilização civil, penal e administrativa das pessoas que integram os centros acadêmicos e as associações atléticas das universidades, responsáveis por trotes violentos a calouros e pelas festas denunciadas por casos de estupro, abuso e violência.
Eles também pedem a abertura de inquérito civil pelos ministérios públicos, estadual e federal, para apuração de improbidade administrativa por dirigentes das universidades e faculdades que se omitiram na apuração e punição dos casos de violações a direitos humanos. Sugerem ainda a abertura de inquérito policial para apuração de todos os crimes relatados nos anexos coletados pela CPI.
De acordo com o relatório, propõem também a criação de uma ouvidoria estudantil vinculada à Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, para atender os casos de abuso e de assédio nas instituições de ensino do estado, e pedem que o Ministério da Educação crie mecanismo semelhante para atender as reclamações de estudantes em todo o país.
“Acho que [a CPI] valeu a pena, mesmo com todas as dificuldades e o grande número de advogados fazendo com que os depoentes não comparecessem, esvaziando as sessões. Se a CPI fosse um livro, não teria saído do índice. No Ministério Público será uma nova CPI, mas todos os indícios e a parte inicial estão prontos”, disse o deputado Adriano Diogo, cujo mandato termina nesta semana.
Para o deputado, as universidades têm grande papel para impedir que violações continuem a acontecer. Segundo ele, as universidades têm que se preparar para o que ocorre fora da sala de aula. "Educar não é só dar aulas de biologia, química ou matemática. Educar é tarefa integrada, e isso não ocorre hoje”, enfatizou.

Senado aprova fim das coligações nas eleições proporcionais




O Plenário do Senado aprovou nesta terça-feira (10), em primeiro turno, o fim das coligações partidárias nas eleições proporcionais. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 40/2011, do ex-senador José Sarney (PMDB-AP), havia sido aprovada na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) em junho de 2012 e faz parte de um grupo de matérias relacionadas à reforma política selecionadas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, e por líderes partidários.
Foram 61 votos a favor e apenas sete contrários, além de duas abstenções. A proposta ainda precisa ser aprovada em segundo turno no Senado para seguir para apreciação da Câmara dos Deputados. Pela proposta, somente serão admitidas coligações nas eleições majoritárias – para senador, prefeito, governador e presidente da República. Fica assim proibida a coligação nas eleições proporcionais, em que são eleitos os vereadores e os deputados estaduais, distritais e federais.
A PEC causou debate entre os senadores, principalmente entre aqueles de partidos considerados menores. O senador Telmário Mota (PDT-RR) criticou a proposta e afirmou que a alteração pode trazer dificuldades para os partidos em pequenas cidades. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também se posicionou contra a proposta, afirmando que a medida corre o risco de ser questionada no Supremo Tribunal Federal (STF), pois pode ser interpretada como um limite à “liberdade de organização partidária do país”.
— Acho que o fim das coligações serve apenas a uma coisa: deixar os partidos menores. Os partidos pequenos têm menos tempo de TV, menos recursos do Fundo Partidário e ainda serão impedidos de buscar coligações — lamentou a senadora.
O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) elogiou a iniciativa do presidente Renan Calheiros de colocar em pauta os projetos da reforma eleitoral. Crivella, entretanto, disse que a proposta fere a Constituição, que garante a livre associação das legendas. Ele disse que “certamente a proposta não passará na Câmara dos Deputados e, se passar, o STF a derrubará”. O senador José Agripino (DEM-RN), na mesma linha, disse ter a impressão que a medida “não vai ter êxito” na Câmara.
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) também apoiou a PEC, mas disse que o ideal seria o fim de coligação para todos os cargos no primeiro turno, permitindo a coligação apenas no segundo turno e para cargos majoritários. O senador Omar Aziz (PSD-AM) também declarouapoio ao fim das coligações, mas disse acreditar que o ideal seria o fim do voto na legenda.
Para o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), a proposta é positiva. Ele defendeu, porém, a possibilidade da construção de federações de partidos. Por um acordo de lideranças, a emenda que previa a possibilidade de federações foi destacada e votada de forma separada de outras três emendas, que foram rejeitadas em globo. Levada a votação, a construção de federações conseguiu apenas 35 votos favoráveis, quando o necessário era 49, no mínimo.
O senador Humberto Costa (PT-PE) classificou a proposta como um avanço importante, já que a experiência atual “vai contra o fortalecimento ideológico”. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) manifestou apoio à matéria que, em sua opinião, é uma forma de consolidar os partidos, que seriam fortalecidos em sua ideologia e em seus posicionamentos. O senador Reguffe (PDT-DF) também afirmou apoiar a proposta, mas disse que a medida não é suficiente para transformar a política brasileira. Ele defendeu o voto distrital, que é tema da PEC de sua autoria.
Na visão do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), um novo modelo de eleições, em que as legendas não necessitem de auxílio para alcançar o quociente eleitoral, fortalece os partidos. Ele ponderou, porém, que é preciso discutir o financiamento de campanha de forma urgente. Para Walter Pinheiro (PT-BA), a PEC 40/2011 é um passo importante, mas é preciso “um passo mais sólido”, que é a definição sobre o financiamento. Na mesma linha, o senador Lasier Martins (PDT-RS) apoiou a PEC, mas pediu o fim do financiamento privado para campanhas eleitorais.
— O povo não está interessado em questões secundárias. Precisamos de uma nova cultura política e o ponto de partida é o fim do financiamento das empresas — disse Lasier.
Em resposta, o presidente Renan Calheiros afirmou que os projetos da reforma política serão votados por tema. Ele disse que vai buscar um entendimento com as lideranças para que os projetos que tratam do financiamento de campanha sejam votados na próxima terça-feira (17). Renan acrescentou que tem buscado uma “agenda expressa” comum com a Câmara de Deputados, para que os projetos da reforma política sejam aprovados em ambas as Casas.
Na justificativa da PEC, Sarney argumenta que as coligações nas eleições proporcionais costumam ser passageiras, sem identificação ideológica ou programática, visando apenas a aumentar o tempo de exposição dos partidos maiores nas propagandas eleitorais das rádios e das TVs. Sarney ainda destaca que a medida pode fortalecer os partidos e a transparência na representação política – já que o voto dado a um candidato não poderá eleger outro de uma legenda distinta.
O relator da matéria na CCJ, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), registra em seu relatório que a proposta colabora com o “aperfeiçoamento da democracia representativa assegurada pela Constituição” e vai instituir um sistema que pode refletir, com fidedignidade, a vontade dos eleitores expressa nas urnas.

“Brasil não pode desperdiçar seu 'soft power'”, diz Celso Amorim


BBC Brasil
Celso Amorim ressalta importância de continuidade de políticas para não perder avanços conquistados
O ex-ministro da Defesa e das Relações Exteriores Celso Amorim diz que a dimensão do Brasil no exterior não pode ser separada do crescimento interno e que a confiança conquistada pelo país no cenário global é um trunfo que não pode ser desperdiçado.
De volta ao Rio de Janeiro e à vida fora do governo após um longo período em Brasília, Amorim prefere não comentar as políticas da presidente Dilma Rousseff – que vem sendo criticada por uma retração na política externa e pela falta de recursos no Itamaraty.
O ex-ministro, no entanto, reafirma que uma "boa diplomacia" é essencial para uma "boa política externa" e ressalta a importância da continuidade para não perder avanços conquistados na área das relações internacionais.
Amorim lança nesta quarta-feira seu novo livro, Teerã, Ramalá e Doha – Memórias da Política Externa Ativa e Altiva (Editora Benvirá), em que esmiúça três processos de negociação ao longo de seu período como chanceler durante o governo Lula (2003-2010).
A capa do livro traz um mapa antigo com uma orientação diferente do comum: África e Brasil no Norte e Europa no Sul. A peça é a reprodução de uma antiga tapeçaria que ficava pendurada em seu gabinete em Brasília – refletindo a crença de Amorim (e Lula) em um mundo multipolar, com uma nova ordem mundial, e um Brasil protagonista.
Na introdução, Amorim diz que as narrativas do livro compõem o quadro de uma travessia do Brasil de "potência média", confinada à sua própria região, ao status de "ator global" – papel que sua política externa procurou exercer em Teerã, intermediando com a Turquia as negociações por um acordo nuclear; com a aproximação de países árabes e de Israel; e nas negociações comerciais multilaterais da Rodada de Doha.
Em entrevista à BBC Brasil, ele afirma que o livro é importante para que a opinião pública saiba o que foi feito e por quê; e relembra o desfecho frustrante das negociações pela Declaração de Teerã, levadas adiante a pedido dos Estados Unidos, mas malogradas após este decidir impor sanções mais rigorosas ao Irã.
Leia abaixo os principais trechos da entrevista.
BBC Brasil - O seu novo livro trata de três processos que refletem sua crença em mundo multipolar, com o Brasil exercendo um papel de protagonismo. Trata de um período em que o país teve uma atuação marcante na política externa, e também de episódios pelos quais o senhor e o ex-presidente Lula foram criticados, como o acordo com o Irã, quando foram acusados de estar dando um passo maior que as pernas. O livro é uma resposta a essas críticas?
Celso Amorim - O livro não é uma reposta a ninguém. Acho que é importante para a opinião pública brasileira saber o que fizemos e por quê. Não acho de maneira nenhuma que o Brasil tenha dado um passo maior que as pernas. A presença do Brasil era requisitada. Eu sentia isso de maneira dramática na África, sentia isso também no Oriente Médio.
O Brasil desperta esse confiança, talvez por termos uma composição tão misturada, ou por vivermos em paz com 10 vizinhos há 150 anos, ou por estarmos fora dos grandes eixos de confrontação geopolítica. O fato é que o país desperta confiança, e isso é um grande trunfo na presença internacional. Jogar isso fora é desperdício. Bem, não fui eu nem o Brasil que inventamos o termo soft power, foi o (acadêmico americano) Joseph Nye.
Nenhum país se afirma só com soft power, mas ele é importantíssimo. Não é a toa que o presidente (americano Franklin Delano) Roosevelt dava tanta importância ao cinema e dizia: 'onde for o cinema americano, lá irão nossos modos de vida'. O Brasil não pode desperdiçar o seu soft power, o seu poder brando, digamos assim. Ainda que tenha que reforçar também seu poder militar.
BBC Brasil - Um dos relatos mais esperados no seu livro é o passo a passo para firmar a Declaração de Teerã, negociação que começou motivada por um pedido do presidente Obama e terminou mal depois que os Estados Unidos voltaram atrás e optaram pelo caminho de endurecer as sanções ao país. Foi uma puxada no tapete?
Amorim - Não era algo que não pudesse acontecer. Mas apostamos que, se conseguíssemos firmar o acordo exatamente nos termos solicitados pelo presidente Obama em cartas ao presidente Lula e ao primeiro-ministro da Turquia, daria tudo certo. Infelizmente não foi assim.
Na época, o Irã tinha mais ou menos 1.200 quilos de urânio levemente enriquecido. Hoje tem 7 ou 8 mil quilos.
Perdeu-se muito tempo ao não aceitar a Declaração de Teerã. Claro que não era a solução definitiva de todos os problemas, nós sabíamos disso. Era um passo de criação de confiança – cujos passos haviam sido reiterados pelo presidente dos Estados Unidos. Hoje, eu faço votos de que o acordo (que está sendo discutido entre Irã e EUA) seja concluído, não tenho nenhuma mágoa a esse respeito, pelo contrário, acho positivo, só acho que se perdeu tempo.
BBC Brasil - Qual é a diferença entre o acordo que está sendo proposto agora pelo presidente Obama daquele acordo de 2010? E qual é a importância de ele ter sido tentado na época, mesmo não tendo ido para a frente?
Amorim - Acho que nós ajudamos a mostrar que era possível negociar com eles. E é o que está ocorrendo agora. Esse acordo agora é mais amplo. Ele aceita o fato de que o Irã tem 7 ou 8 mil quilos de urânio enriquecido. Por outro lado, ele já se engajaria em eliminar algumas sanções. Mas o curioso de tudo é que sempre nos diziam: "não confiem no Irã, porque eles vão puxar o tapete". Não foram eles que puxaram o tapete.
BBC Brasil - Seu livro novo fala muito na importância de um mundo multipolar e com o Brasil exercendo um protagonismo nesse mundo. Mas agora existe um certo consenso de que é um momento de retração na política externa brasileira.
Amorim - O Brasil já passou por outros períodos de retração. A curva geral é ascendente. O país viveu muitos momentos difíceis, tanto do ponto de vista político quanto do ponto de vista econômico. Eu acho que essas coisas são cíclicas.
Mas a política externa tem que ter continuidade. Você está lidando com fatos de longo prazo. Você não pode abandonar, nem que tenha que fazer um esforço adicional. Essa é a minha experiência. Você não pode decepcionar, porque aquilo que você leva dez anos para criar – uma confiança, uma relação – você com um ato pode perder. Depois pode recuperar, mas dá muito trabalho recuperar.
Reprodução
Livro de Amorim traz reprodução de mapa antigo que ficava pendurado em seu gabinete em Brasília
BBC - Com o corte recente no orçamento, o Ministério das Relações Exteriores teve que conter despesas e estamos vendo relatos de cortes e dificuldades financeiras em embaixadas e consulados...
Amorim - Eu acho que vai melhorar. Eu escrevi um artigo (na Folha de S. Paulo) dizendo: "Dias melhores virão?" Eu espero que daqui a seis meses eu já possa tirar o ponto de interrogação desse artigo. E afirmar de uma maneira mais clara que dias melhores virão.
BBC Brasil - O que levou o senhor a escrever o artigo?
Amorim - Eu acho que havia todo dia uma notícia ruim sobre o Itamaraty. E isso correspondia também a uma certa queda na própria autoestima dos diplomatas. Eu pessoalmente me senti muito responsável pelos jovens diplomatas. Não é à toa que meu primeiro livro se chamou Conversas com Jovens Diplomatas.
Durante meu período, aumentei em 40% as vagas (no Itamaraty). As pessoas entraram para o ministério porque confiaram na política e na carreira. E a maior recompensa é se sentir realizado profissionalmente, isso eu sempre digo.
Agora, você tem que ter um mínimo de condições pessoais de vida, não pode estar com a sua família com risco de doença o tempo todo. Isso aparentemente estava ocorrendo, ou pelo menos se dizia que estava ocorrendo.
Eu me senti obrigado a fazer uma constatação, mas esperançosa, de que foi uma flutuação passageira.
BBC Brasil - Na sua época à frente do Itamaraty, o país vivia um momento de muito otimismo, o "boom" do Brasil, e o senhor teve uma parceria muito positiva com o ex-presidente Lula, desfrutava de bastante autonomia. Sempre se diz que a presidente Dilma não tem muito esse estilo...
Amorim - Eu não posso falar sobre a atual presidenta.
BBC Brasil - Mas a pergunta é se é importante essa autonomia para o chanceler.
Amorim - Não sei se é autonomia, eu procurava agir da maneira que achava que o presidente Lula também pensava. Eu sinto que havia uma grande afinidade de ideias. Mas eu conversava com ele com frequência, e sabia qual era a orientação que ele tinha. Tanto que eu repito muitas vezes no livro: política externa não é do ministro do Exterior. Política externa é do presidente.
BBC Brasil - O senhor acha que a presidente Dilma pode ser persuadida a colocar mais ênfase na política externa?
Amorim - Eu acho que a presidente Dilma sabe muito bem o que ela precisa fazer. E se ela quisesse o meu conselho, ela teria pedido.
O que estou dizendo é que a dimensão do Brasil no exterior não pode ser separada do crescimento interno. É tudo parte do mesmo processo. Você adquire mais prestígio no mundo e isso acrescenta às suas possibilidades de dialogar com tomadores de decisão em outras áreas. Se você olhar por um prisma puramente econômico, nós quintuplicamos o comércio com países africanos e quadruplicamos o comércio com países árabes. Isso em sete ou oito anos.
BBC Brasil - Mas qual seria o risco de o governo atual não atentar para os problemas (no Itamaraty)?
Amorim - Não tenho uma bola de cristal, mas a minha impressão é que a própria designação do atual ministro (Mauro Vieira), uma pessoa muito competente, equilibrada, hábil, é uma demonstração de que há, sim, um desejo de melhorar as coisas. É indício de que as pessoas – não é só uma, são várias – despertaram para a importância de se manter uma boa diplomacia – e uma boa diplomacia necessariamente implica diplomatas com uma autoestima elevada.
Uma boa diplomacia é essencial para uma boa política externa. As duas coisas andam juntas. A boa diplomacia nunca salvará uma má política externa, mas uma má diplomacia pode estragar até uma boa política externa. E esse é o risco que a gente corre se, por qualquer motivo, a diplomacia, ou os recursos para ela, não forem levados em conta.
BBC Brasil - O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está indo para Caracas com seus colegas do Equador e da Colômbia para iniciar conversas com o governo e a oposição na Venezuela (o ministro cumpriu agenda no país na última sexta-feira). Que papel o senhor acha que o Brasil deve ter nesse momento de acirramento de tensões no país?
Amorim - Os problemas da Venezuela ninguém de fora pode resolver. Nem deve tentar resolver. O que nós podemos fazer é ajudar para que as forças políticas da Venezuela busquem elas próprias uma solução. Você não pode ter um país totalmente dividido. Você não vai governar metade do país contra a outra metade do país, você tem que governar o país inteiro.
É preciso que haja entendimento também da oposição de que ela não pode tratar um governo que foi legitimamente eleito como se pudesse ser derrubado de uma hora para outra. Isso não é cabível.
É possível em tese, buscar essa aproximação. Certamente haverá muitos que querem participar porque isso traz ganhos para a Venezuela. Agora, a eleição, quem foi eleito, isso tem que ser respeitado. Não é porque no meio do governo você achou que estava ruim, então... não pode.
BBC Brasil - Este ano, em dezembro, haverá eleições na Venezuela, em meio à preocupação com um autoritarismo crescente no país. O Brasil deve buscar envolver outros países nas conversas com o país?
Amorim - Quando houve uma crise semelhante, quando nós assumimos em 2003, o Brasil propôs criação do grupo de amigos da Venezuela. Esse grupo reuniu os Estados Unidos, que tinham relação com a oposição (venezuelana), Portugal e Espanha, na época com governos conservadores, também Chile e México... Com isso conseguimos criar um ambiente que facilitou o diálogo. E esse diálogo propiciou que um fato que fazia parte do calendário eleitoral ocorresse tranquilamente, evitando que houvesse outras aventuras.
BBC Brasil - Se houver uma escalada autoritária na Venezuela, isso pode ameaçar a presença do país no Mercosul?
Amorim - Esperemos que não haja. Através desse diálogo, que acho que deveria haver, você vai mitigar qualquer tendência nesse sentido, se é que ela existe. O que sempre ocorre nessas situações é que um culpa o outro: 'eles tentaram o golpe, então tive que fazer isso'. Nós temos que tirar esse círculo vicioso de uma escalada negativa e colocar um círculo virtuoso de ações positivas.