segunda-feira, 9 de março de 2015

Microsoft está a considerar automatizar os downloads de DLC na Xbox One Major Nelson contou que a companhia está a pensar na melhor forma de o fazer.

A Microsoft está a pensar em introduzir na Xbox One uma função que permita automatizar o download de conteúdos.
Durante uma sessão de perguntas e respostas no PAX East, um fã questionou Major Nelson sobre essa possibilidade. O fã explicou que quando faz uma pré-compra de conteúdos descarregáveis para jogos, através dos season pass, nem sempre sabe exactamente quando estarão disponíveis esses conteúdos. O fãs acrescentou que se sentia frustrado por não descarregá-los assim que estão disponíveis.
O Major Nelson admitiu que não é a primeira vez que lhe falam sobre isso e que a Microsoft está a trabalhar numa solução.
"Já nos fizeram esse pedido antes. Não sei qual a posição que ocupa na lista de prioridades da Microsoft, mas estou completamente de acordo contigo. Estamos a tentar descobrir qual a melhor forma para isso," respondeu o Major Nelson ao fã.
Para ele um dos problemas de uma função deste tipo está no facto dos utilizadores muitas vezes terem restrições de tráfego de Internet. "Não queremos que alguém tenha um season pass e que de repente todos os gigabytes do mês desapareçam porque fez um download de uma actualização ou algo do género."

Novas imagens do Windows 10 revelam novidade interessante

Espera-se para o final deste mês de Março a chegada de mais uma actualização da versão Technical Preview do Windows 10.
Depois de várias novidades prometidas em Janeiro, os utilizadores querem agora testar o que a Microsoft tem estado a produzir.
Mas, e como vem sendo normal, surgiram agora novas imagens, de mais uma build do Windows 10. E as novidades são muito interessantes, especialmente a nível gráfico.
win_10_1

Estas novas imagens, apresentadas pelo site Wzor.net, são da Build 10031.0, que se julga não ser ainda a versão final da actualização da Tecnical Preview que vai se disponibilizada ainda este mês.
É uma Build intermédia e de testes internos da própria Microsoft, destinada a detectar alguns erros e situações anormais que possam estar no código.
Como seria de esperar esta nova versão traz algumas novidades a nível gráfico, algo que interessa particularmente aos utilizadores e a todos os que acompanham os desenvolvimentos deste novo sistema operativo da Microsoft.
Com a chegada da nova versão do Menu Iniciar muito do trabalho visível neste novo Windows tem estado centrado em melhorar e tornar mais completo este componente.
E é isso que se pode ver nesta nova Build. Existem algumas subtis mudanças no Menu Iniciar, que podem ser muito do agrado dos utilizadores.
A Microsoft parece estar agora a apostar em colocar transparências no novo Menu Iniciar do Windows 10 e esta nova versão têm-nas já aplicadas.
Do que pode ser visto das imagens publicadas, estas transparências passam a estar sempre presentes no Menu Iniciar, mesmo quando este está maximizado e a ocupar o ecrã completo.
Estas transparências estão só no Menu Iniciar, não sendo aplicada à barra de aplicações ou ao botão deste mesmo menu.
Não existe qualquer confirmação de que esta novidade vá ser mantida no Windows 10. Pode bem ser um simples teste que a Microsoft está a realizar para avaliar a usabilidade desta alteração.
Uma última novidade, se bem que não muito positiva, é a não inclusão do Spartan nesta nova Build. O novo browser da Microsoft espera-se que seja incluído na Tecnical Preview deste mês e deveria estar já presente nas Builds de testes.
Mas a Microsoft tem ainda algum tempo para desenvolver este browser e conseguir tê-lo pronto a tempo de o apresentar na próxima actualização do Windows 10.

Machismo no Judiciário pode limitar impacto de lei do feminicídio Mariana Schreiber Da BBC Brasil em Brasília

Gustavo Lima (Congresso Nacional)
Aprovação da lei do feminicídio foi comemorada por bancada feminina
"A mulher moderna ─ dita independente, que nem de pai para seus filhos precisa mais, a não ser dos espermatozoides ─ assim só o é porque se frustrou como mulher. Tanto isto é verdade ─ respeitosamente ─ que aquela que encontrar o homem de sua vida, aquele que a satisfaça como ser e principalmente como ser sensual, tenderá a abrir mão de tudo (ou de muito), no sentido dessa 'igualdade' que hipocritamente se está a lhe conferir. A mulher quer ser amada. Só isso. Nada mais".
Esse é um dos trechos de uma decisão de 2007 do juiz Edilson Rumbelsperger Rodrigues, de Sete Lagoas (MG), em que o magistrado qualifica a Lei Maria da Penha de "herética" e "anti-ética".
A lei foi criada em 2006 com objetivo de reduzir a violência doméstica contra a mulher. Além de estabelecer punições, prevê também políticas públicas de prevenção e para melhorar o atendimento e proteção das vítimas.
Por essa decisão, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) determinou em 2009 o afastamento de Rodrigues de sua função por dois anos.
O juiz recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e logo em seguida teve sua punição suspensa pelo ministro Marco Aurélio de Melo, que entendeu que deveria ser respeitada a liberdade de expressão de Rodrigues.
O caso ilustra um dos empecilhos apontados pelo movimento feminista para a eficácia de leis que protegem as mulheres: a cultura machista no judiciário.
Na semana passada, o Congresso aprovou o estabelecimento de penas mais altas para o assassinato de mulheres "por razões da condição de sexo feminino" - o chamado "feminicídio".
A nova lei deve ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff nesta segunda-feira. Ela inclui o feminicídio no Código Penal como homicídio qualificado, cuja pena pode variar de 12 a 30 anos - uma punição mais severa, portanto, do que a prevista para homicídio simples (de 6 a 20 anos).
A inclusão desse novo crime no Código Penal foi amplamente comemorada por movimentos feministas, mas muitos acreditam que haverá dificuldades no cumprimento da lei.
Thinkstock
Segundo Ipea, lei Maria da Penha teria reduzido em 10% homicídios domésticos de mulheres
Com uma redação curta e ampla, teme-se que sua aplicação dependa muito do entendimento subjetivo de cada magistrado.
O texto aprovado diz apenas que "considera-se que há razões de condição de sexo feminino" quando o crime envolve "violência doméstica e familiar" e "menosprezo ou discriminação à condição de mulher".
Além disso, a lei prevê que a pena pode ser elevada em até 50% se o crime for praticado enquanto a mulher estiver grávida; caso ela seja menor de 14 anos, maior de 60 anos ou deficiente; ou se o assassinato for cometido em frente aos filhos ou pais da vítima.

Resistência

O juiz Rumbelsperger Rodrigues falou à BBC sobre a polêmica em torno da sua decisão.
Ele diz que, inicialmente, considerou a Lei Maria da Penha inconstitucional por dar tratamento diferenciado a mulheres ao classificar como violência doméstica atos de humilhação, manipulação, insulto, vigilância constante, chantagem, ridicularização, entre outros. Na sua opinião, esse tipo de violência atinge tanto homens como mulheres. "O homem xinga, a mulher xinga, o homem persegue por ciúmes, a mulher persegue por ciúmes", afirma.
Ele reconhece que não aplicou as novas regras nos primeiros meses de vigência da lei, o que levou o Ministério Público a recorrer de suas decisões.
Em vez da Lei Maria da Penha, o juiz diz que aplicava o Código Penal comum "para proteger as mulheres". Seis meses depois de sua manifestação polêmica, Rodrigues conta que evoluiu seu entendimento e passou a aplicar a nova legislação em casos de violência física, sexual e ameaças, que, segundo ele, correspondem a 90% dos processos envolvendo violência doméstica que passam por sua vara.
Apesar da mudança, o magistrado diz que não se arrepende do que escreveu na decisão que levou a sua punição pelo CNJ e mantém a opinião de que a Lei Maria da Penha é "exagerada".
"A mulher sofre desde que existe. Isso gera uma indignação, compreensível, mas que causa uma reação além da necessária. Quem nunca comeu chocolate quando come se lambuza", diz.
Rodrigues considera que a criação de penas mais duras para o feminícido está correta e diz que aplicará a nova lei. Afirma, porém, ser a favor também de "punição exemplar" para mulheres que "se automutilam ou provocam seus maridos" para conseguir enquadrá-los na Lei Maria da Penha.

Estatísticas

Um estudo do Ipea divulgado na semana passada estimou que a Lei Maria da Penha teria reduzido em cerca de 10% os homicídios domésticos de mulheres, evitando milhares de mortes.
Eduardo Cunha (Reuters)
Eduardo Cunha se nega a analisar a legalização do aborto, demanda histórica do movimento feminista
De acordo com o Mapa da Violência, uma comparação com 84 países feita com dados da Organização Mundial de Saúde, o Brasil é o sétimo país com maior taxa de homicídio de mulheres: 4,4 assassinatos a cada 100 mil.
A representante da ONU Mulheres no Brasil, Nadine Gasman, considera que a "cultura do machismo" também pode atrapalhar a aplicação da nova lei do feminicídio.
Segundo ela, o Brasil é o 16º país da América Latina a aprovar essa legislação e será o primeiro a receber um projeto piloto de qualificação de agentes do sistema judiciário, que investigam e julgam mortes violentas de mulheres por razões de gênero.
Ainda não há previsão para seu início. No momento, um grupo de trabalho atua em conjunto com o Ministério da Justiça e a Secretaria de Políticas para Mulheres na sua implementação.
"A lei do feminicídio é muito importante. Ela obriga os investigadores a buscarem esses sinais de ódio contra as mulheres (na execução do crime). Mas é uma investigação difícil, pois não há perspectiva de gênero dentro da polícia, do Ministério Público", ressalta Gasman.
A coordenadora do Movimento Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar do CNJ, Ana Maria Duarte Brito, reconhece que a descrição do crime do feminicídio na nova lei ficou "aberta". Ela diz, porém, que é comum que isso aconteça na formulação de legislação. "Com o tempo, as próprias decisões dos juízes (jurisprudência) vão estabelecendo os parâmetros de aplicação da lei", afirma.
"É mais fácil aperfeiçoar a lei depois que ela já existe. Ela pode ser melhorada com a revisão do Código Penal (que está em análise no Congresso, sem previsão de conclusão)."

Congresso conservador

Parte do movimento feminista tem criticas a própria criação do crime de feminicídio porque considera que o Código Penal não é capaz de mudar mentalidades.
"A tipificação de crimes e o aumento de penas não são a solução. O que precisamos é de uma mudança comportamental. O sistema penal individualiza os casos e o machismo no Brasil é de natureza estrutural", afirma Gabriela Ferraz, advogada-coordenadora na ONG Instituto Terra, Trabalho e Cidadania.
Ela observa que a lei proposta pelo movimento feminista foi alterada no Congresso por iniciativa da bancada de parlamentares evangélicos, que substituiu a expressão "gênero" da proposta inicial por "sexo feminino", com objetivo de afastar a possibilidade de que transexuais fossem abarcados pela lei. A bancada feminina aceitou a mudança para viabilizar a aprovação do texto.
Para Ferraz, esse movimento indica que demandas mais progressistas do movimento feminista não terão espaço na atual legislatura.
A percepção é reforçada pelas palavras do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, que rechaçou a possibilidade do Congresso analisar uma demanda histórica do movimento: a legalização do aborto
"Aborto só vai à votação se passar pelo meu cadáver”, disse Cunha, no mês passado.

O lugar onde a esquerda não não degusta Caviar

Lucía e Pepe
A nova missão do agora ex-presidente uruguaio José Mujica: eleger sua mulher, Lucía Topolansky, prefeita de Montevidéu.
No fim de semana, os dois participam de diversas atividades de rua, aproveitando o bom tempo.
Diz Mujica a respeito de Lucía:
- Se tivesse que definir esta companheira a definiria com a força feminina de uma abelha que vai, e vai e vai…
O ex-presidente também a definiu como “alguém que constrói pontes”.
Caso a Frente Ampla (coalizão de esquerda da qual o casal faz parte) vença, será o sexto mandato seguido em Montevidéu.
Além de Lucía, há dois outros pré-candidatos frenteamplistas: Daniel Martínez e Virgínia Cardozo.
Martínez é do Partida Socialista (como o agora presidente Tabaré Vázquez), Virgínia ao Partida pela Vitória do Povo e Lucía ao Movimento de Participação Popular, principais forças políticas que formam a Frente Ampla.
A proposta de Lucía se dá em três eixos: convivência, meio ambiente e transporte.
Em ato, no sábado, ela argumentou a respeito da sua vontade de governas.
- Por que queremos governar? Porque governar é administrar bem, é pensar nas pessoas e ouvir seus problemas, e porque, como bem diz Ana (Olivera, atual prefeita de Montevidéu).
A lembrou o marido, companheiro décadas, ao falar de “sonhos realizáveis”.
Aqui, neste texto, perfil que escrevi sobre Lucía, grande mulher, casada com um grande homem:

Lucía e Pepe 1

Por Léo Gerchmann, Repórter Especial
leo.gerchmann@zerohora.com.br

O momento era solene como costumam ser os juramentos de posse presidencial. Fazia calor em Montevidéu naquele março de 2010. Avesso a formalidades, o novo presidente uruguaio, José Pepe Mujica, dispensou a gravata e disse, olhos fincados nos olhos da senadora Lucía Topolansky, ele de blazer preto e camisa branca, ela de tailleur cor-de-rosa:

— Eu, José Mujica Cordano, comprometo-me, pela minha honra, a desempenhar lealmente o cargo que a Constituição da República me confiou defender.
O rosto de Lucía, vincado pelas rugas de uma vida intensa, comprimia-se. Traía a emoção, o choro reprimido, guardado para depois, quando estivesse em casa.

Não era a primeira vez que Lucía o ouvia jurar lealdade. Não era a primeira vez que um prometia para o outro as mais edificantes intenções.

Fora dos ambientes sisudos onde se exerce o poder, a 20 minutos do Palácio Presidencial, os dois socialistas, Lucía e Pepe Mujica, plantam acelgas, beterrabas e flores no rancho de Rincón del Cerro. Lucía é a mulher de Mujica, o homem que implementou medidas libertárias e levou o Uruguai a se tornar referência mundial, eleito o “país do ano” de 2013 pela revista britânica The Economist, acostumada, em 170 anos de história que se confunde com o capitalismo, a propor receitas austeras para as mais diversas nações.
Parceira na Frente Ampla (coalizão de partidos de esquerda, sindicatos e organizações sociais) e companheira de armas nos anos de chumbo, Lucía conheceu Mujica e por ele se apaixonou quando ambos circulavam pelas sombras da clandestinidade, no início dos anos 1970. Juntos, planejaram assaltos, sequestros e fugas.

— Nos conhecemos na militância clandestina, que impõe grande solidão ao nos afastar de nossas famílias. Na luta, os seres humanos têm a oportunidade de se conhecer em profundidade, em suas virtudes e seus defeitos. É um espaço que aproxima, propicia o afeto e o amor, e foi isso o que nos juntou — diz ela.
Desde abril de 1972, há mais de 40 anos, são um casal que chama a atenção pela cumplicidade na luta e no afeto. O casamento, formalizado apenas em 2005, tomou corpo depois que Mujica fugiu da prisão de Punta Carretas andando mais de cem metros em meio a fezes e baratas, no subsolo de Montevidéu. Houve, porém, novo encarceramento dos dois e a libertação com a anistia, em 1985. Nunca mais se separaram. Nunca tiveram filhos.
Desentendimentos eventuais? Assessores contam que a afinidade entre os dois chega a ser assombrosa. Não os imaginam discutindo. Lembram Mujica levando a primeira-dama na garupa da vespa do casal, tradição que começou quando ele tinha cabelos negros e ela era loira e que continua, agora que a vida já pintou de branco as melenas intactas dos dois, esvoaçantes na medida em que a “motoca” segue seu rumo. Lembram deles indo para a casa no campo, acomodados no fusca azul ano 1987 do qual jamais cogitaram abrir mão, e depois pondo a mão na terra para cultivar os sonhos que sempre compartilharam.
— Sou o soldado mais fiel do presidente – diz Lucía. — No Senado, na política e na vida.

Casamento gay, aborto nas primeiras 12 semanas de gestação, regulação da produção e da venda de Cannabis sativa como forma de tomar o processo das mãos dos traficantes. São diversas as revoluções pontuais que Mujica deixará na sua passagem pelo governo uruguaio, que se encerra neste 2014. Ano em que a companheira Lucía completará 70 anos de uma vida intensa, em 25 de setembro.

A reeleição não é possível pela Constituição uruguaia, e Mujica não a deseja. Aos 78 anos, convenceu-se de que os ideais de guerrilheiro tupamaro um dia se realizarão. Mas tudo se dará em uma “construção intergeracional”, um processo mais longo do que ambos, na juventude rebelde que compartilharam, acreditavam ser possível.
Lucía vai além. Rejeita insinuações segundo as quais poderia um dia suceder o marido. Quando a pergunta lhe é feita ou quando seu nome é cogitado para tentar a vice-presidência na chapa do provável candidato frente-amplista Tabaré Vásquez (o antecessor de seu marido, entre 2005 e 2010, que deve ter a indicação confirmada), ela se diz impressionada pelas agruras emocionais de dirigir um país. E lembra um drama pessoal: anos atrás, recuperou-se de um câncer de mama. Acha que a militância política e o desgastante exercício do poder adoecem as pessoas.
Não. Aparentemente, isso não é para Lucía. Definida por Mujica como seu “disco rígido”, ela cultiva com carinho a rotina de embarcar na “Fusqueta” azul, sempre ao lado do marido, e plantar suas hortaliças no terreno reservado para os sonhos do casal. É lá que também cuidam dos seus cães, o mais famoso deles a pernetinha Manuela, o mimo do casal.
Assim como Mujica faz com seus vencimentos presidenciais, Lucía reserva a maior parte dos proventos para doar a ongs Não-Governamentais.
Lucía e Mujica são afinados até na rejeição a cerimônias e ostentações de poder. Legisladora dedicada, entra cedo e sai tarde do Senado. No seu gabinete, a mesa está sempre abarrotada de documentos que faz questão de ler. Há, também, livros e fotos de personalidades como Che Guevara, Carlos Gardel e, claro, “Pepe” Mujica. É um gabinete semelhante ao que ela tem em casa, com livros, flâmulas, pôsteres e a marcante identidade de quem ali vive resguardado por três policiais numa viatura que parece lembrar a eles próprios: ora, ali vive um presidente e sua mulher senadora.
Hoje, Lucía é a imagem de uma senhora ponderada, que zela pelo marido, um típico avô traquinas com bigode de tangueiro, que tão bem cairia nos jogos de dama da Praça da Alfândega. No passado, ela assustou sua família de classe média alta, com a qual viveu, na infância, em bairros luxuosos de Montevidéu e até em Punta del Este. Seu irmão, Carlos Topolansky, um ano mais velho (são sete no total), recorda do pai, um engenheiro, chocado ao saber que a filha, uma menina dedicada que estudara balé e piano, que lia, pintava, jogava vôlei, andava de bicicleta e cavalgava com estilo, tornara-se uma guerrilheira ao participar da política estudantil na faculdade de arquitetura. Pior: essa informação chegou numa batida policial, em 1969. Pior ainda: a irmã gêmea de Lucía, María Elia, também aderira ao Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T), em 1967.

Foram anos difíceis, 13 deles na prisão. Não tão difíceis como os de Mujica, que amargou a solitária e se distraía falando com as formigas durante boa parte dos 14 anos em que esteve preso. Para Lucía, foram raríssimos os momentos de solidão no cárcere. Até dividiu o espaço, certa vez, com uma freira que havia sido sua professora em Montevidéu.

— Aprendíamos muito umas com as outras, idiomas, experiências de vida. Escrevíamos histórias para contarmos umas às outras.
Lucía e Mujica são afinados até na rejeição a cerimônias e ostentações de poder. Legisladora dedicada, entra cedo e sai tarde do Senado. No seu gabinete, a mesa está sempre abarrotada de documentos que faz questão de ler. Há, também, livros e fotos de personalidades como Che Guevara, Carlos Gardel e, claro, “Pepe” Mujica. É um gabinete semelhante ao que ela tem em casa, com livros, flâmulas, pôsteres e a marcante identidade de quem ali vive resguardado por três policiais numa viatura que parece lembrar a eles próprios: ora, ali vive um presidente e sua mulher senadora.
Hoje, Lucía é a imagem de uma senhora ponderada, que zela pelo marido, um típico avô traquinas com bigode de tangueiro, que tão bem cairia nos jogos de dama da Praça da Alfândega. No passado, ela assustou sua família de classe média alta, com a qual viveu, na infância, em bairros luxuosos de Montevidéu e até em Punta del Este. Seu irmão, Carlos Topolansky, um ano mais velho (são sete no total), recorda do pai, um engenheiro, chocado ao saber que a filha, uma menina dedicada que estudara balé e piano, que lia, pintava, jogava vôlei, andava de bicicleta e cavalgava com estilo, tornara-se uma guerrilheira ao participar da política estudantil na faculdade de arquitetura. Pior: essa informação chegou numa batida policial, em 1969. Pior ainda: a irmã gêmea de Lucía, María Elia, também aderira ao Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros (MLN-T), em 1967.

Foram anos difíceis, 13 deles na prisão. Não tão difíceis como os de Mujica, que amargou a solitária e se distraía falando com as formigas durante boa parte dos 14 anos em que esteve preso. Para Lucía, foram raríssimos os momentos de solidão no cárcere. Até dividiu o espaço, certa vez, com uma freira que havia sido sua professora em Montevidéu.

— Aprendíamos muito umas com as outras, idiomas, experiências de vida. Escrevíamos histórias para contarmos umas às outras.
Lucía soube da importância de aceitar o diferente, seja na maneira de se vestir ou na forma de pensar. Pede que entendam o marido, um presidente que dispensa a pretensa respeitabilidade da gravata. Entende que as pessoas devem se vestir como se sentem melhor. Em casa, divide as tarefas. Mujica faz o chimarrão, ela prepara o café da manhã. Ouvem juntos o noticiário no rádio. A cozinha, aliás, é um espaço que Lucía domina: diz fazer bem empanadas, pastéis e pizzas. Inventa. Prepara a mesa bem enfeitada para o marido. Tomam vinho moderadamente durante as refeições. Produzem, na chácara de Rincón del Cerro, seu próprio Tannat. Em torno dos dois cálices, falam da vida, admitem que lamentam não ter filhos, projetam adotar 30 ou 40 crianças quando o mandato presidencial chegar ao fim. Fora da chácara, gostam de ir a apresentações de tango, o ritmo que lhes encanta. E nesse ritmo tão platino, de dramas e glórias, de escuros e claros, ela deixou a guerrilha, criou a facção frenteamplista Movimento de Participação Popular, tornou-se deputada em 2000, passou por diversas comissões e chegou ao Senado.

Ataque aéreo a refinaria controlada pelo Estado Islâmico mata 30 na Síria, dizem monitores

BEIRUTE (Reuters) - Um ataque aéreo na Síria realizado pela coalizão liderada pelos Estados Unidos atingiu uma refinaria de petróleo controlada pelo grupo militante Estado Islâmico perto da fronteira com a Turquia, no domingo, matando 30 pessoas, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos.
Rami Abdulrahman, que administra o Observatório, disse que os mortos eram trabalhadores da refinaria e militantes do Estado Islâmico. A refinaria atacada fica pouco ao norte da cidade de Tel Abyad, perto da fronteira turca, segundo ele.
Perguntado sobre o relato do Observatório, um porta-voz da Força-Tarefa Conjunta Combinada dos EUA responsável pelo combate ao Estado Islâmico disse: "Quando uma alegação de vítimas civis causadas pelos EUA ou as forças da coalizão é considerada ser crível, uma investigação completa é lançada para determinar a precisão do crédito e quaisquer circunstâncias que o rodeiem."
O porta-voz disse que as forças norte-americanas e da coalizão tinham implementado "medidas significativas de mitigação dentro do processo de ataque e durante a realização de operações para reduzir o potencial de baixas civis e danos colaterais".
O grupo Estado Islâmico conquistou amplas áreas da Síria e do Iraque, declarando-os parte de um "califado" transfronteiriço. Os territórios que controla no norte e no leste da Síria incluem regiões produtoras de petróleo que financiam as atividades do grupo.
(Por Tom Perry; Reportagem adicional de Peter Cooney, em Washington)

Governo sanciona lei que prevê pena maior para assassinato de mulheres Texto prevê aumento de pena para morte decorrente de violência doméstica. Serviço público de denúncias recebeu 52,9 mil ligações no ano passado

A presidente Dilma Rousseff sancionará nesta segunda-feira (9) em cerimônia no Palácio do Planalto a lei que aumenta a pena para quem matar mulheres por razões de gênero, informou a Secretaria de Comunicação Social. Aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 3, o texto também prevê pena maior para mortes decorrentes de violência doméstica e para os casos em que a mulher é assassinada estando grávida.

De acordo com a Presidência, a cerimônia de sanção da lei ocorrerá no Salão Oeste do Palácio do Planalto e foram convidados ministros, parlamentares, autoridades e representantes de movimentos dos direitos das mulheres. O evento está marcado para as 15h, segundo a agenda oficial.
O texto aprovado pelo Congresso considera a questão de gênero quando o crime envolve violência doméstica e familiar ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Pela proposta, o chamado "feminicídio" será incluído no Código Penal e passará a ser agravante do crime de homicídio, além de ser classificado como crime hediondo.

Atualmente, as circunstâncias previstas como agravante são meio cruel, motivo fútil, motivo torpe, impossibilidade de defesa da vítima e quando é praticado para acobertar outro crime. A pena de prisão para homicídio simples varia de 6 a 20 anos. No caso do homicídio qualificado, onde se incluirá o feminicídio, a pena vai de 12 a 30 anos.

Com a sanção do projeto, a pena será agravada em um terço até a metade se o crime for praticado durante a gestação ou nos três meses posteriores ao parto. Também haverá aumento nessa mesma proporção se o crime for contra pessoa menor de 14 anos, maior de 60 anos ou com deficiência. Se cometido na presença de filhos, netos ou pais da vítima, a pena também sofrerá aumento.

O feminicídio também será incluído no rol de crimes hediondos, quando a pena inicial tem que ser cumprida necessariamente em regime fechado e a progressão de regime leva mais tempo.

Conforme balanço divulgado pela Secretaria de Políticas para as Mulheres na semana passada, o Disque 180, serviço público para denúncia de violência doméstica, registrou 52,9 mil ligações. Dessas, 27,3 mil somente relacionadas a violência física.

Vítimas de estupro
Em agosto de 2013, a presidente Dilma sancionou lei que determinou o atendimento obrigatório e imediato no Sistema Único de Saúde (SUS) a vítimas de violência sexual. Com a sanção, todos os hospitais da rede pública foram obrigados a oferecer, de forma imediata, entre outros serviços, a "profilaxia da gravidez", termo que, de acordo com o Ministério da Saúde, refere-se ao uso da chamada "pílula do dia seguinte"
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PIB anualizado do Japão no 4º tri é revisado para expansão de 1,5%

PIB anualizado do Japão no 4º tri é revisado para expansão de 1,5%

segunda-feira, 9 de março de 2015 07:20 BRT
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TÓQUIO (Reuters) - O Produto Interno Bruto (PIB) do Japão subiu 1,5 por cento em termos anualizados no quarto trimestre, de acordo com dados revisados do governo divulgados nesta segunda-feira.
O resultado ficou abaixo da preliminar de 2,2 por cento, uma vez que os gastos de capital enfraqueceram. A expectativa em pesquisa da Reuters junto a economistas era de um crescimento de 2,2 por cento na base anualizada.
Na comparação trimestral, a economia expandiu 0,4 por cento no quarto trimestre, segundo os dados do Escritírio do Gabinete, ante preliminar de 0,6 por cento e expectativa de crescimento de 0,6 por cento.
Os gastos de capital caíram 0,1 por cento ante o trimestre anterior, contra aumento de 0,1 por cento na leitura preliminar e abaixo da previsão de expansão de 0,3 por cento.
(Reportagem de Stanley White)