sábado, 14 de fevereiro de 2015

Nível de água do Sistema Cantareira sobe neste sábado, informa Sabesp

14/02/2015 09h19 - Atualizado em 14/02/2015 09h23

Nível de água do Sistema Cantareira sobe neste sábado, informa Sabesp

Índice subiu de 6,9% para 7,1%, de acordo com empresa de São Paulo.
Sistema abastece 6,2 milhões de pessoas na Grande SP.

Márcio PinhoDo G1 São Paulo
Vista aérea do chão rachado do Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira, na quinta-feira (Foto: Paulo Whitaker/ Reuters)Vista aérea do chão rachado do Atibainha, que faz
parte do Sistema Cantareira, na quinta-feira
(Foto: Paulo Whitaker/ Reuters)
O nível do Sistema Cantareira subiu de 6,9% para 7,1% neste sábado (14), segundo boletim divulgado no site da Sabesp. As represas do sistema abastecem 6,2 milhões de pessoas na Grande São Paulo.
Outros sitemas
Confira abaixo os níveis deste sábado dos outros cinco sistemas que atendem a Grande São Paulo:
Alto Tietê: subiu de 13,3% para 13,7;
Guarapiranga: caiu de 55,2% para 55%;
Alto Cotia: caiu de 34,3% para 34,2%;
Rio Grande: subiu de 79,9% para 80,2%;
Rio Claro: subiu de 31,8% para 31,9%.
Na sexta-feira (13), o governo de São Paulo divulgou que não descarta rodízio de água. Também informou que irá criar um plano de contingência caso seja necessário adotar o racionamento.
Excassez de chuvas e seca foram motivos apontados pelo governo como problemas no abastecimento. Por isso, recomenta à população que economize no consumo.

O Centro Nacional de Monitoramento de Desastres Naturais (Cemaden) em São José dos Campos (SP), divulgou relatório no início de fevereiro mostrando que o Cantareira poderia secar em junho considerando a média de chuva dos últimos meses. O relatório traz cinco cenários e, no pior deles, com previsão de chuva 50% abaixo da média, não haveria mais água no meio do ano.

Rock in Rio anuncia Faith No More e banda de Alice Cooper e Johnny Depp

13/02/2015 21h06 - Atualizado em 13/02/2015 21h42

Rock in Rio anuncia Faith No More e banda de Alice Cooper e Johnny Depp

Faith No More, que lança disco em 2015, toca na mesma noite do Slipknot.
'Supergrupo' Hollywood Vampires tem Cooper, Depp e Joe Perry (Aerosmith).

Do G1, em São Paulo
Faith No More (Foto: Divulgação / Dustin Rabin)Faith No More (Foto: Divulgação / Dustin Rabin)
O Rock In Rio anunciou shows do Faith No More e do Holywood Vampires para a edição de 2015 no Brasil, em setembro. O Faith No More toca na mesma data que o Slipknot. O Holywood Vampires, banda formada por Alice Cooper, Johnny Depp e Joe Perry (Aerosmith), está na noite de System of a Down e Queens of the Stone Age.
O Faith No More vai chegar ao Brasil com um álbum novo, após 18 anos sem lançamentos. "Sol Invictus", que sai em maio deste ano, será o sétimo disco do grupo de Mike Patton. A banda já veio para o Rock In Rio de 1991. O show mais recente deles no Brasil foi em 2011, no festival SWU. No Rock in Rio 2015, o Faith No More toca no Palco Mundo. Para a mesma noite neste palco, oSlipknot foi anunciado como atração principal.
Hollywood Vampires
 O novo "supergrupo", com o cantor Alice Cooper e os guitarristas Johnny Depp e Joe Perry, vai lançar um álbum, segundo a assessoria do Rock in Rio. O disco será lançado em breve, e também conta com Brian Johnson, vocalista do AC/DC desde 1980, e Zak Starkey, ex-baterista do The Who e do Oasis, filho do ex-beatle Ringo Starr, diz a assessoria. Veja ao lado vídeo do convite de Alice Cooper para o show.
Johnny Depp, além de ator, já é conhecido pelas incursões na guitarra, e tocou com nomes como Marilyn Manson, Oasis, Steven Tyler e Keith Richards
O Hollywood Vampires tem o mesmo nome da famosa turma de rockstars que se reunia para beber nos anos 70. Os amigos daquela época incluíam Alice Cooper, John Lennon, Keith Moon e outros.
Rock in Rio 2015
A edição brasileira do Rock in Rio está confirmada para 18, 19, 20, 24, 25, 26 e 27 de setembro de 2015, na Cidade do Rock, no Rio (Parque dos Atletas, na Av. Salvador Allende, sem número), em uma área com mais de 150 mil metros quadrados. As atrações, além das duas anunciadas, por enquanto incluem Slipknot, Queens of the Stone Age, Katy Perry, A-Ha e System Of A Down, que se apresentam no Palco Mundo, e John Legend, já confirmado para o Palco Sunset.
Ingressos
Os 100 mil Rock in Rio Cards colocados à venda se esgotaram em 1 hora e 40 minutos, em novembro. O valor do ingresso, para cada dia, era de R$ 320 (inteira), R$ 160 (meia-entrada) e R$ 272 para clientes do banco Itaú.
O Rock in Rio Card equivale a um ingresso antecipado para o evento. Quem fez a compra garantiu a entrada antes da confirmação de todos os artistas que vão tocar e pode escolher em qual data pretende usá-lo. A escolha do dia deve ser feita até 2 de abril. A venda oficial abre para o público em geral também em abril.
Edição em Las Vegas
Antes da edição no Rio, o festival vai acontecer pela primeira vez nos Estados Unidos, após edições em Lisboa e em Madrid. No Rock in Rio Las Vegas, o Metallica será atração principal do fim de semana dedicado ao rock. Linkin Park, Taylor Swift e No Doubt estão confirmados. O evento acontece em Las Vegas nos dias 8, 9, 15 e 16 de maio.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Fitch agrava ainda mais o já negativo "rating" da Ucrânia

Fitch agrava ainda mais o já negativo "rating" da Ucrânia

© Gleb Garanich / Reuters"O novo programa do FMI vai ajudar a satisfazer as necessidades de financiamento da Ucrânia, mas uma reestruturação associada da dívida externa detida por privados aparece crescentemente provável", segundo o comunicado da Fitch. (Arquivo)

A agência de notação financeira Fitch reduziu esta sexta-feira o "rating" da Ucrânia, empurrando-o ainda mais para baixo no estatuto de lixo ('junk') em que já se encontrava, citando o risco de o país não pagar a sua dívida.

A Fitch baixou a nota de CC para CCC, argumentando que o novo programa de assistência do Fundo Monetário Internacional (FMI), anunciado na quinta-feira, seria insuficiente para as necessidades e que parece "cada vez mais provável" que a sua dívida detida por privados seja reestruturada. 

A Ucrânia concordou com o FMI em fazer reformas em troca de um programa de reformas económicas. 

O novo empréstimo substitui um anterior, de dois anos, no montante de 17 mil milhões de dólares (15 mil milhões de euros), anunciado em abril, que se mostrou inadequado para estabilizar as finanças ucranianas, dado o confronto com a insurgência pró-russa no leste industrializado. 

"O novo programa do FMI vai ajudar a satisfazer as necessidades de financiamento da Ucrânia, mas uma reestruturação associada da dívida externa detida por privados aparece crescentemente provável", segundo o comunicado da Fitch. 

A agência de rating especificou que o défice orçamental do país, incluindo as perdas da empresa estatal de energia Naftogaz, alcançou os 13% do produto interno bruto em 2014 e estimou que a dívida pública direta e garantida subiu para 72% do PIB em 2014. 

"A escalada do conflito com os rebeldes nas regiões do leste, de Donetsk e Lugansk, afetou a economia de forma severa", acrescentou-se nos fundamentos da decisão. 

Um acordo de cessar-fogo entre o governo e os rebeldes deve entrar em vigor no domingo, mas os combates continuaram hoje de forma intensa.

Egito liberta jornalistas da Al-Jazzera que estiveram mais de um ano presos

Egito liberta jornalistas da Al-Jazzera que estiveram mais de um ano presos

"Um pequeno passo na direção certa", foi o modo como o canal Al-Jazeera comentou o caso, acrescentando que o tribunal deveria terminar com este "caso absurdo".  
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 Última atualização há 17 minutos
Mohamed Fahny a sair do tribunal de mão dada com a sua mãe
Mohamed Fahny a sair do tribunal de mão dada com a sua mãe /  Asmaa Waguih/Reuters
Um tribunal do Cairo libertou condicionalmente esta sexta-feira dois jornalistas da Al-Jazeera que estiveram mais de um ano presos sob a acusação de terem apoiado a Irmandade Muçulmana.
O jornalista egípcio-canadiano Mohammed Fahmy teve de pagar uma caução de 29 mil euros, enquanto o seu colega egípcio Baher Mohammed não teve de pagar caução, mas também terá de voltar a apresentar-se no tribunal a 23 de fevereiro, para novo julgamento, não podendo entretanto sair do país.
A Al-Jazeera considerou que a decisão é "um pequeno passo na direção certa", acrescentando que o tribunal devia terminar com "este caso absurdo" e libertar incondicionalmente ambos os jornalistas.
Os dois jornalistas fizeram a cobertura da repressão dos islamitas após a deposição do Presidente eleito Mohamed Morsi e da sua Irmandade Muçulmana, em julho de 2013, conjuntamente com o seu colega australiano Peter Greste, tendo sido os três condenados em junho de 2014 a penas de prisão entre os sete os dez anos.
Greste foi libertado há duas semanas e deportado para a Austrália.
Fahmy afirmou que também tentou ser deportado, mas que os responsáveis egípcios indicaram-lhe que para tal teria de abdicar da cidadania egípcia.
Os três jornalistas sempre negaram as acusações, afirmando que não têm sequer qualquer ligação à Irmandade Muçulmana e que se limitaram a fazer o seu trabalho.


Ler mais: http://expresso.sapo.pt/egito-liberta-jornalistas-da-al-jazzera-que-estiveram-mais-de-um-ano-presos=f910819#ixzz3RfG3CcHH

BRASILEIRO DIANTE DO PELOTÃO DE FUZILAMENTO NA INDONÉSIA

BRASILEIRO DIANTE DO PELOTÃO DE FUZILAMENTO NA INDONÉSIA: Laudo médico é a última esperança da família

À ESPERA DO PELOTÃO — o presidente da Indonésia negou o pedido de suspensão da execução de Gularte, feito pelo governo brasileiro (Foto: Dita Alangkara/AP)
Família de Rodrigo Gularte tenta impedir sua execução ao alegar que ele sofre de doenças psiquiátricas (Foto: Dita Alangkara/AP)
Execução de Rodrigo Gularte está marcada para dia 21. Indonésia já negou o segundo pedido de clemência do governo brasileiro
Por Bela Megale, para VEJA.com
A família do brasileiro Rodrigo Gularte, condenado à morte na Indonésia por tráfico internacional de drogas ao ser preso no país com seis quilos de cocaína em 2004, entrará nesta quarta-feira, em caráter de urgência, com um pedido de suspensão da execução. Eles receberam hoje um laudo oficial de médicos credenciados pelo governo concluindo que Gularte sofre de “esquizofrenia e transtorno bipolar com características psicóticas”.
O exame foi realizado nesta terça-feira na clínica do Presídio Pasir Putih, na ilha de Nusakambangan, pelo professor Haji Sowadi e uma equipe de cinco médicos.
O objetivo da família é interná-lo antes do dia 21, data prevista para o fuzilamento de Gularte e mais dez condenados à morte. O laudo médico recomenda que o brasileiro “receba imediatamente um intenso tratamento psiquiátrico com medicações num hospital”.
A Indonésia não tem legislação específica para condenados que se tornaram doentes psiquiátricos após cometerem o crime, mas a defesa do brasileiro aposta que, com a medida, seja possível ao menos adiar o fuzilamento. Em entrevista a VEJA, o porta-voz da Justiça, Tony Spontana, afirmou ter sugerido essa estratégia ao advogado de Gularte, já que via chances de ele não ser executado caso fosse comprovada a doença.
Um dia antes do exame, Gularte encontrou-se com a mãe, que se juntou aos parentes que já estão no país tentando encontrar uma solução diplomática junto à Embaixada do Brasil para evitar que ele seja fuzilado.
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Petrobras nos EUA vai enfrentar Justiça implacável

Um dos maiores criminalistas americanos diz que a Petrobras nos EUA vai enfrentar Justiça implacável

(Foto: Gilberto Tadday)
Robert Luskin, criminalista americano: Petrobras pode ser punida nos Estados Unidos (Foto: Gilberto Tadday)
LÁ A JUSTIÇA É IMPLACÁVEL
Um dos maiores criminalistas dos Estados Unidos afirma que as investigações do petrolão em seu país serão profundas e podem levar a uma severa punição de empresas brasileiras
Entrevista a Malu Gaspar publicada em edição impressa de VEJA
O criminalista Robert Luskin é um personagem típico de Washington: integrante do primeiro time da advocacia americana, circula entre republicanos e democratas com a mesma desenvoltura e conhece como poucos os meandros da burocracia governamental.
Mas, apesar de ter ganho notoriedade defendendo clientes famosos – Karl Rove, ex-assessor do presidente George W. Bush acusado de divulgar informações contra uma agente da CIA, e o ciclista Lance Armstrong, alvo de um escândalo de doping -, sua maior especialidade é a lei que pune corporações internacionais por pagar propina para obter contratos, o Foreign Corrupt Practices Act.
Além de dar aulas sobre o tema na Universidade de Georgetown, em Washington, Luskin, 64 anos, ex-promotor formado em Harvard, já defendeu dezenas de multinacionais em inquéritos do gênero. Nesta entrevista a VEJA, ele informa que as investigações sobre o petrolão nos Estados Unidos vão desvendar toda a extensão do esquema. Até empresas que não atuam lá, entre elas algumas das empreiteiras, poderão ser alcançadas pelas pesadas punições estabelecidas pela lei americana.
As investigações sobre o escândalo da Petrobras nos Estados Unidos podem atingir empresas brasileiras que pagaram propina para obter contratos?
É bem possível. Os Estados Unidos interpretam a lei de forma bastante abrangente. Se a empresa contraiu um empréstimo aqui, se alguma transação financeira foi intermediada por instituições bancárias americanas ou um dos envolvidos é americano, o governo pode decidir entrar no caso.
Foi o que ocorreu com a petroleira francesa Total, investigada por ter pago milhões em propinas a um funcionário público no Irã. Não havia praticamente nada que ligasse a história aos americanos, mas um único pagamento, justamente o primeiro, de 500 000 dólares, foi feito a partir de uma conta bancária nos Estados Unidos. O governo passou a investigar o escândalo, e a Total foi multada em 398 milhões de dólares.
A empresa até poderia ter enfrentado o governo em um processo judicial alegando falta de legitimidade, mas preferiu selar o acordo porque, se perdesse, o custo seria bem mais alto do que a multa.
No caso Petrobras, a quanto podem chegar as multas?
Não se pode dizer antes que se saiba exatamente em que projetos houve negociata, quanto de propina foi pago e qual o ganho obtido. É a partir desses dados que se calculam não apenas a multa mas também eventuais penas de prisão. Para chegar a um número, o Departamento de Justiça e a Securities and Exchange Commission (SEC, o órgão fiscalizador do mercado americano) vão se juntar e aprofundar a investigação.
Foi esse o procedimento no caso da Alstom. A apuração começou por um episódio ocorrido na Indonésia e foi ganhando vulto à medida que avançava. A multa à multinacional francesa foi de 772 milhões de dólares. A mesma força-tarefa vai ser acionada no escândalo Petrobras. No final, acho muito provável que as empresas brasileiras envolvidas façam acordo e aceitem encerrar o caso pagando a multa.
Por que as empresas tendem a fazer acordo?
É difícil imaginar uma companhia com ações na bolsa americana litigando contra Washington em um caso de corrupção. Nenhuma fez isso até hoje, porque perder nos tribunais significaria ser impedida de vender ações, ver seus executivos banidos do mercado e receber multas e sanções financeiras muito maiores do que a organização seria capaz de suportar. Litigar nesses casos pode custar à empresa a própria sobrevivência.
No caso da Petrobras, uma questão controversa diz respeito às responsabilidades da presidente da estatal, Graça Foster, e da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, ex-presidente do conselho de administração. Ambas dizem que não sabiam de nada. Esse argumento seria acolhido em cortes americanas?
Depende de como as investigações vão evoluir. À luz da lei anticorrupção, o simples fato de ter estado no comando de uma empresa no período em que os crimes foram cometidos, ou de ter falhado em identificá-los, não configura crime. Muitos executivos alegam não saber de nada e saem ilesos. Para que sejam acusados, é preciso provar que tiveram conhecimento do esquema e não o coibiram ou que participaram dele de alguma forma.
Por essa razão, o Departamento de Justiça trabalha sempre com o objetivo de conseguir testemunhas, e-mails e documentos.
Funcionários públicos ou políticos que tenham recebido propina no caso Petrobras podem vir a ser punidos nos Estados Unidos?
Essa é uma questão interessante. Ninguém sabe ao certo. Vejo o caso Petrobras como um teste para a lei americana. Ela nasceu para punir os corruptos. Seu texto, porém, não é claro quanto à culpabilidade de quem recebe o dinheiro. A própria Petrobras pode tentar escapar de punições alegando ter sido vítima.
O governo americano já desenvolveu várias teses sobre como agir nessas situações, mas até hoje elas não foram postas à prova. Se for mesmo adiante, o caso brasileiro representará uma chance de definir o escopo da lei anticorrupção nos Estados Unidos.
Há outras leis regulando as empresas nos Estados Unidos, como a Sarbanes-Oxley, que pune crimes financeiros e contra o mercado de capitais. A Petrobras e seus executivos podem ser enquadrados nela?
Certamente. É com base nessa lei que os investidores estão processando a Petrobras aqui. Nesse caso, a punição é civil, e não criminal. Pagam-se multas vultosas, mas na prática ninguém tem ido para a cadeia por causa da Sarbanes-Oxley.
Depois de passar por uma investigação desse tipo, como uma empresa consegue se recuperar junto aos investidores?
Ela tem de provar que é digna de confiança e merece uma segunda chance, adotando uma política muito mais severa de controle e de governança.
A Petrobras acaba de criar uma diretoria de governança. É suficiente?
A criação de uma área de fiscalização e governança é uma das providências que o Departamento de Justiça exige de empresas atingidas por escândalos de corrupção. É o mínimo. Existe um manual sobre o que fazer para evitar novos episódios, com uma lista ampla de iniciativas e controles que devem ser adotados para reduzir as vulnerabilidades sobre as quais a corrupção viceja.
É preciso aparelhar-se para evitar novos crimes. Não tenho dúvidas de que a Petrobras vai por esse caminho.
A lei anticorrupção americana é considerada eficiente?
É fato que as grandes companhias americanas têm um nível de transparência que não existia quando a lei entrou em vigor, há quase quatro décadas. Graças a ela, a iniciativa de se meter em negócios escusos raramente parte do topo da organização, mas de funcionários menos graduados, da área de vendas ou de escritórios regionais. As empresas refinaram os processos de controle, aprenderam a identificar mais rapidamente os desvios e desenvolveram mecanismos para coibi-los.
A lei americana claramente estabeleceu um padrão. Casos como o da Alstom reverberam em todo o ambiente corporativo, fazendo com que executivos mal-intencionados avaliem, antes de se meterem em uma negociata, se seus ganhos superam os riscos de ser pegos.
Quais as maiores fragilidades da lei americana contra a corrupção?
Uma de suas limitações é permitir que o peso das multas recaia sobre os acionistas, já que o dinheiro sai do caixa da empresa, e não do bolso dos executivos culpados. Eles é que deveriam arcar com todas as consequências de seus atos. Outra questão emerge não da lei americana em si, mas de sua comparação com as dos demais países.
Existe uma enorme disparidade entre as penas dadas nos Estados Unidos e as adotadas no resto do mundo. Vários países, é verdade, criaram leis mais parecidas com a nossa, que pune fortemente, mas não a ponto de quebrar empresas infratoras. As leis aqui nos Estados Unidos visam a coibir o crime, dando às empresas a chance de reformar seus procedimentos.
A lei anticorrupção brasileira entrou em vigor no ano passado. Em geral, quanto tempo leva para que esse tipo de iniciativa comece a ter impacto?
Não há resultados imediatos. Isso é um fato da vida nesses casos. A lei francesa precisou de uma década para se fazer sentir e provocar uma mudança positiva no ambiente de negócios. A rapidez da transformação no Brasil vai depender de como a lei será aplicada – se para todos ou de forma seletiva. Se valer só para poucos, de nada adiantará, e o resultado desastroso será a perda de respeito por parte da sociedade.
Cabe à sociedade mobilizar-se. Parece ingênuo dizer isso, mas um dos fatores que mais impulsionaram a aplicação de leis anticorrupção em muitos países foi a sensação de cansaço, de intolerância da população com a repetição impune desse tipo de crime.
A corrupção é um mal inevitável?
Não vejo assim. O nível de corrupção na Ucrânia, por exemplo, é muito superior ao da Alemanha. Mas não acredito que os ucranianos sejam naturalmente mais corruptos que os alemães. Em qualquer lugar, muitas pessoas são tentadas a ganhar dinheiro de maneira ilegal. O grau de corrupção de um país, porém, dependerá das leis, da sua aplicação e da qualidade das instituições que zelam por elas.
O fato de o Brasil ter atualmente casos graves e recorrentes de corrupção é reflexo da falta de uma legislação eficiente e, não se pode esconder, de uma certa cultura de leniência de parte substancial da sociedade.
Que setores são mais expostos à corrupção?
Há uma piada muito repetida entre advogados americanos que resume bem a questão. Perguntam a um famoso assaltante de bancos por que, afinal, ele se especializou em roubar bancos. Ele responde: porque é lá que o dinheiro está. Determinados setores da economia e certos tipos de negócio estão mais sujeitos à corrupção justamente por oferecer recompensas mais altas.
De acordo com minha experiência, a indústria do petróleo, com seus lucros fabulosos, é um desses setores mais propensos a abrigar a corrupção. Nesse caso, por depender de concessões, autorizações e licenças do governo. O mesmo se passa com grandes projetos de infraestrutura patrocinados pelo Estado. Onde quer que haja somas vultosas trocando de mãos em negócios que envolvam o Estado e o setor privado, o risco de ocorrer corrupção será alto.
Alguns de seus casos mais famosos acabaram em acordos, como aquele em que, depois de passar anos negando, o ciclista Lance Armstrong confessou ter se dopado. Como se chega à conclusão de que o melhor é capitular?
Não posso falar sobre casos específicos como o de Lance, mas afirmo que essa nunca é uma decisão do advogado. O réu jamais vai agradecer ao encarregado de sua defesa por tê-lo convencido a se declarar culpado. Ele só o faz quando está preparado. É muito pessoal.
Eu sempre informo sobre os riscos e exponho claramente as escolhas em jogo. Já houve ocasiões em que o cliente preferiu fazer acordo quando, por mim, eu teria levado o caso a julgamento.
O senhor sabia que Lance Armstrong estava mentindo?
De maneira alguma posso responder a essa pergunta. Posso dizer apenas que enfatizo aos clientes a necessidade de eles me contarem absolutamente tudo.
O criminalista americano Edward Williams dizia: “Defendo meus clientes da culpa legal. O julgamento moral deixo para a majestosa vingança de Deus”. Quais são os limites morais do advogado criminal?
Depende de quem você é. Se aceito um caso, é claro que tenho o dever de defender integralmente os interesses do cliente. Nunca julgo meus clientes, mas sigo uma regra quando me pedem para fazer coisas com as quais não concordo ou quando alimentam expectativas de desfecho que não julgo razoáveis. Eu sugiro à pessoa ou à empresa que procure um profissional que possa atendê-la mais de acordo com suas pretensões.

Revista dá propina na privatização da Vale como certa

Revista dá propina na privatização da Vale como certa

 
Redação Terra
A edição desta semana da revista Época confirma "de modo conclusivo" as denúncias surgidas na semana passada em reportagem da revista Veja sobre pagamento de propinas no processo de privatização da Companhia Vale do Rio Doce. A certeza, de acordo com a reportagem de Época, foi dada por dois executivos que participaram diretamente do processo de venda da Vale do Rio Doce, uma operação de R$ 3,3 bilhões. Nenhum deles, no entanto, quis se identificar. Encobertos pelo anonimato, esses executivos "forneceram relatos detalhados do funcionamento do submundo das estatais que estavam sendo repassadas à iniciativa privada". De acordo com um deles, o empresário Benjamin Steinbruch, que liderou o consórcio vitorioso na privatização, estava convencido de que Ricardo Sérgio de Oliveira - acusado de cobrar as propinas - falava em nome do PSDB. Steinbruch negou-se a falar sobre o assunto com a revista, assim como Ricardo Sérgio. Nas entrevistas publicadas em Veja na semana anterior, o ministro da Educação, Paulo Renato Souza, e o presidente do BNDES na época da privatização da Vale, Luiz Carlos Mendonça de Barros, apenas disseram ter ouvido o empresário Benjamin Steinbruch acusar Ricardo Sérgio de Oliveira, tesoureiro de campanhas do PSDB e diretor do Banco do Brasil, de cobrar propinas. Eles não se consideraram capazes de confirmar o fato.