segunda-feira, 29 de abril de 2019

Vida de ratos




Postado por André Júnior em 24 de março de 2016 às 23h16


                   

É difícil sonhar de barriga vazia!


Dois ratos se encontram na praça da cidade. Um contava sobre sua vida no campo, a quantidade de filhos, netos e bisnetos, era uma ninhada. Dizia que a vida no campo não estava boa e sim muito complicada.
Os financiamentos nos bancos destinados para lavouras estavam fechados, só os grandes produtores tinham suas propostas de empréstimos aceitas e aprovadas pelo banco. Por isso, havia até pensado em morar na cidade, e abandonar o campo de vez, pois não tinha como manter a família por lá. Sem plantio, e, o paiol estando vazio é difícil sobreviver, há seis meses que não via um queijinho sequer, nem sonhar conseguiam, e sempre lamentava com a realidade.
– É difícil sonhar de barriga vazia!
O rato que morava na cidade tinha família pequena, mas começou sua lamúria e foi logo contando.
– Meu nobre roedor, aqui na cidade as coisas não estão diferentes, tudo está muito caro, os patrões estão demitindo por não ter como pagar o salário da moçada no final do mês. Tudo isso pela enorme carga tributaria cobrada pelo governo. A conta de luz, água, prestação da casa própria tá levando muitas famílias á contraírem dividas grandiosas, gigantescas mesmo, até tal de “bandeira vermelha” já inventaram para poderem cobrar mais. Existe outro mal que tem tirado o sono do povo que é: cartão de crédito. O juro astronômico está levando todos ao fundo do poço, e levando os donos de bancos á badalada lista de bilionários da revista Forbes.
– Então, como faço com minha família, como vou cuidar da minha prole? Não será fácil ficar por lá, e por aqui na cidade tudo está mal também. Não sei o que fazer. Acho que vou para o porto, embarcarei no primeiro navio que tiver carregado de grãos pra algum lugar do mundo, qualquer canto. Ao menos fartura haverá na viagem… né?
– É verdade Camundongo, alimento não faltará mesmo, os navios são enormes, e saem daqui abarrotados. Não entendo porque há pessoas e animais passando fome, com tanto alimento que é enviado á outros países. O alimento bom é selecionado e vai pra fora, para os gringos, o refugo fica pra gente, e ainda temos que pagar caro por ele!
– Senhor Rato, a verdade é que as coisas são mal explicadas, não é só isso que não entendemos, há muito mais que não explicam pra gente. Porque é assim, você sabe?
– Realmente não sei Camundongo. Diga!
– Não contam pra gente, pra não perderem a oportunidade de ficarem ricos, milionários, praticando corrupção, canalhices com a população, atos contra a constituição, e com isso promovem a fome e miséria. Sobrando pra população somente as migalhas, os restos dos banquetes luxuosos que promovem nas seções dos Palácios do Brasil e mundo afora!
– Mas, todos possuem o direito á justiça. Pode-se recorrer aos tribunais e exigir justiça!
– Justiça? Há muito tempo não se pratica justiça no País. Nos últimos acontecimentos envolvendo políticos, diretores e presidentes de estatais, Petrobrás, corrupção e STF, falaram até sobrar pra nossa humilde classe!
– Como assim senhor Camundongo, nossa classe, nossa honra foi ferida?
– Sim senhor Rato, foi mutilada no STF e na mídia, quando acontecia o julgamento do “Mensaleiros e Petrolão”. Agora está acontecendo á investigação na Petrobrás e voltamos á tona, somos lembrados diariamente. Os políticos que foram condenados no “mensalão” são chamados de Ratos, ou pelo nome cientifico “Rattus”. Mas, o mesmo tribunal que condenou a prole, pouco depois realizou outro julgamento, e claro, as penas que antes eram duras, foram revistas e substituídas por penas brandas. Agora, Existe na Justiça Brasileira, Até “Delação Premiada” como se pode premiar um bandido? E, o prêmio é o melhor possível, o bem mais precioso que há na vida, que é a: “Liberdade.” Então batizaram os supostos aplicadores da lei, de “Ratazanas”. Estou perplexo, nossa classe jamais merecia isso. Nossa existência devia ser respeitada, não podem aliar nosso comportamento ao comportamento dos Crápulas que vivem nesse País!
– Senhor Rato, nosso papo está bom, foi esclarecedor, mas vou voltar para o campo, aqui as coisas estão bem piores, não a lugar pra mais ratos na cidade, está entupido de “Rattus”!
– Camundongo, não brinque com coisa séria, afinal temos que defender nossa classe! E pra falar a verdade, logo vou reunir minha família e vou morar no campo também, não dá pra ficar aqui com essa espécie de “Rattus” ameaçando nossa sobrevivência e desrespeitando nossa dignidade!
“A corrupção não é uma invenção brasileira, mas a impunidade é uma coisa muito nossa.”
Jô Soares
O homem que se vende recebe sempre mais do que vale.
Barão de Itararé


(André Junior – Membro UBE – União Brasileira de Escritores – Goiás -escritorliterario@yahoo.com.br)





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