sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

“A TENDÊNCIA DE 2018 PARA O MDB É O RETORNO AO PLANO DE FUNDO DA POLÍTICA BRASILEIRA”






O REAPARECIMENTO DE José Sarney nas manchetes evidenciou que o ex-presidente está bem longe de sair dos bastidores do poder. O senador aposentado é apontado como principal nome por trás da escolha de Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha de Roberto Jefferson, para chefiar o ministério do Trabalho. Sarney nega, no entanto, ter influenciado a decisão do presidente Michel Temer.
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O pesquisador Rafael Moreira, da Universidade de São Paulo (USP), estuda o desenvolvimento político do partido MDB.
 
Foto: Divulgação USP
Para o cientista político Rafael Moreira, pesquisador da USP cujo principal foco de estudos é a história e a estratégia do PMDB (agora rebatizado de MDB), essa postura do ex-presidente reflete bem o modus operandido partido, de ocupar as coxias da cena política para se beneficiar ao máximo do presidencialismo de coalizão. O especialista explica que, após 20 meses na boca de cena do poder, com Temer na presidência, o partido deve procurar voltar aos fundos do palco, ambiente que a legenda domina como nenhuma outra no país, neste ano eleitoral que se inicia. Ainda segundo ele, Roberto Jefferson (PTB) começou o ano tornando a própria filha ministra do Trabalho e pode encerrá-lo se elegendo a um cargo parlamentar.
TIB: Um dos principais personagens do mensalão, Roberto Jefferson fez da própria filha ministra do Trabalho. O que este fato nos mostra?
R.M.: Boa parte da classe política brasileira se comporta como se fosse uma casta. Extremamente privilegiados, vivem descolados da realidade da maioria da sociedade brasileira. Para eles, a política é como um empreendimento ou como se fosse algo de direito da família, que passa de geração para geração.
TIB: Surge, agora, a questão se a Cristiane Brasil vai se candidatar e abandonar o governo, ou se o pai vai ser candidato…
R.M.: Esse é um comportamento estratégico de Roberto Jefferson. Em um sistema eleitoral proporcional, sobretudo no Brasil, que tem dimensões continentais e um eleitorado muito grande, ele acaba tendo chances de ser eleito.
Se você tem grana, se lança em um estado grande como São Paulo [pelo qual Roberto Jefferson anunciou que irá se candidatar], e chega a uma parte do eleitorado que não o conhece, tem chances de se eleger. O sistema proporcional dá esse tipo de saída, e é assim que muitos se perpetuam por até mesmo décadas. O [Paulo] Maluf é eleito até hoje, gente. Eles sabem usar o marketing eleitoral.
TIB: Uma parcela da população apoiou o afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff alegando ser “contra a corrupção”. Em seu lugar, entra um governo que dá poder a Roberto Jefferson, condenado e depois perdoado pelo STF pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. E agora o senhor comenta que ele ainda tem chances de ser eleito este ano. O que isso diz sobre o Brasil?
R.M.: Uma parte do eleitorado deve estar chocada ou até anestesiada.
A parte da população brasileira que foi às ruas para pedir a retirada de um governo eleito democraticamente, de fato, parou de ir às ruas, porque ela cumpriu o papel que imaginou que ia cumprir, no fundo. Mesmo que isso não ficasse claro à época, por trás de um discurso contra a corrupção, ali você via ódio antipetista. Com todas as críticas que a gente pode e deve fazer ao governo do PT, precisamos admitir que tinha ódio: ódio de classes, que muitas vezes se manifestava em discursos machistas, porque era a primeira vez que tínhamos uma presidenta mulher.
Outra parte, mais progressista, nunca deixou de ir às ruas. Esse papo de que o povo brasileiro saiu das ruas é mentira, está tendo manifestaçãodireto. Lógico que não tem o mesmo índice de antes, até porque a conjuntura atropela tudo.
TIB: O próprio Roberto Jefferson não acaba surfando nesse ódio anti-PT que você citou?
R.M.: Mas aí não é uma característica só dele. Uma parte do sistema político atraiu para si todo esse discurso antipetista e de suposto combate à corrupção. E, no caso de alguns, foi até patético, porque tinha um componente hipócrita muito forte. Teve quem logo depois fosse pego pelos mesmos crimes de corrupção.
É lógico que temos que criticar isso, mas o Roberto Jefferson é só mais um que aprendeu a surfar na onda antipetista da opinião pública. Até mesmo alguns filiados ao PT tentaram se aproveitar disso, saindo do partido. Existe uma parte da classe política que se aproxima do PT quando ele está em ascensão eleitoral e depois sai de perto quando o partido começa a declinar.
TIB: Isso, inclusive, acontece entre partidos de esquerda.
R.M.: E que tipo de esquerda é essa, que se aproxima do PT para se beneficiar eleitoralmente e sai quando o partido começa a declinar? Será que o partido que faz isso não demonstra mais uma posição fisiológica do que ideológica de esquerda?
TIB: Qual partido você acha que se destaca por esse movimento de aproximação e afastamento cíclico em relação ao PT?
R.M.: O PDT parece se manter fiel ao PT, o PCdoB parece ter se afastado com a pré-candidatura de Manuela [D’Ávila], parece ser um sinal dessa fisiologia. O PSB parecia ser um partido muito atrelado ao PT por muito tempo, mas em 2014 começa a se afastar com a candidatura de Marina Silva. Esses três são os principais partidos que orbitam historicamente em torno do PT, dos que têm peso eleitoral grande e bancada. Mas é preciso esperar a aproximação das eleições para entender quais vão se manter fiéis ao projeto de governo petista/lulista, de redução da desigualdade a longo prazo, e quais estavam atrelados apenas para se beneficiar de alguma maneira.
TIB: Como você interpreta o retorno do nome Sarney às manchetes?
R.M.: Este caso torna claro que ele se aposentou, mas não perdeu o poder. Esse peso dele vem aparecendo em diversas entrevistas que fiz recentemente com políticos para minha pesquisa. Ele consegue pautar quem quer e barrar quem ele não quer. Foi esse o caso agora, ao indicar alguém do PTB, que nem é seu partido, para um cargo no governo.
TIB: A negação do próprio Sarney sobre essa influência na escolha do nome para o ministério do Trabalho é algo surpreendente?
R.M.: O comportamento do Sarney nesse caso se assemelha muito ao comportamento histórico do próprio MDB, de buscar o plano de fundo. Então não surpreende.
A tendência de 2018 para o MDB é o retorno ao plano de fundo da política brasileira, elegendo uma bancada grande mais uma vez, aquilo que tem sido a tônica das últimas eleições. O partido age de maneira estratégica quando entende que essa é a melhor forma de se beneficiar do presidencialismo de coalizão, e o Sarney demonstra saber disso. O MDB atravessou o governo do PSDB com Fernando Henrique Cardoso (1995-2003) e depois passou por um ciclo de governo com o PT, também fazendo parte da base. E desembarca apenas no momento em que a opinião pública começa a se movimentar em torno do campo da direita e de um antipetismo. E o Sarney também o faz.
TIB: Ou seja, fisiologismo. Certo?
R.M.: Sim, um fisiologismo. O MDB vem sendo descrito pela literatura da ciência política brasileira por características negativas e elas, às vezes, se estendem aos seus quadros. O Sarney é um exemplo disso. São figuras que parecem só existir enquanto estiverem atreladas ao governo e ao Estado. O partido DEM também é um exemplo disso. Ele vinha em uma trajetória de queda no número de filiados e, agora que volta ao governo em 2016, parece voltar à vida.
TIB: Mas seria o governo que depende do MDB ou o MDB que depende do governo?
R.M.: Todos os governos que foram eleitos entenderam como é que funciona o presidencialismo de coalizão brasileiro. E todos sacaram que precisariam do MDB para governar. O MDB, da sua parte, percebeu como se beneficiar desse sistema: não lançando candidato próprio à presidência da República, compondo chapa com aquele que eles acreditam ter a maior chance de ganhar e, ao mesmo tempo, lançando o máximo de candidatos ao legislativo, garantindo uma bancada grande. Esse último faz com que qualquer governo a ser eleito, independente de ser a sua chapa ou não, acaba tendo de recorrer a você.
TIB: Em que ponto o Lula percebeu isso?
R.M.: No primeiro mandato do Lula (2003-2006). A entrada do MDB se dá depois do Mensalão. Ali foi a sacada, quando ele [Lula] percebeu: “Olha, a gente vai ter que governar com esses caras, independente de quem seja, para aprovar minimamente a nossa agenda”.
TIB: E agora, que é presidente, Temer não pensaria em se lançar candidato?
R.M.: No momento em que ele se torna interino [maio de 2016], sim. Mas hoje acho muito difícil. Esse é o tipo de mosca azul, de ambição pessoal que passa pela cabeça de muitos políticos brasileiros, mas alguns percebem que não têm a força e o apoio popular que acham ter. E, para o Temer, isso deve ter ficado bem claro quando saíram as pesquisas apontando a rejeição a ele. Deve ter pensado: “Não, eu estava viajando, mesmo”.
O [João] Doria é outro que achou que teria uma ascensão meteórica da prefeitura de São Paulo direto para a presidência da República. Esse tipo de ambição passa pela cabeça de certos políticos, mas em determinado momento eles caem na realidade.


Foto do topo: José Sarney se despede no plenário do Senado em dezembro de 2014.

Partidos Vão Custar Incríveis R$ 3,5 Bilhões Só Em 2018!



  • 05/01/2018





O Orçamento de 2018 para todo o governo federal será de R$ 3,5 trilhões. A peça foi aprovada pelo Congresso Nacional e já foi sancionada pelo presidente Michel Temer (MDB).

Leia também >>> Com falso discurso de corte, Temer incha a máquina e cria 2 mil cargos de indicação política



Um dos destaques da parasitagem é o custo dos partidos. A máquina de financiamento que move os políticos brasileiros funciona na base do financiamento empresarial, com origem em contratos superfaturados, e doações partidárias. Com a proibição do financiamento empresarial (em 2016 já valeu a regra), os congressistas se mostraram incapazes de pedir doações aos próprios eleitores ou aos empresários, pessoas físicas, donas das jurídicas que tradicionalmente doavam (foi proibida a doação de empresas, não de empresários).

Os políticos brasileiros são simplesmente inabilitados para criar laços e interlocução com pequenos e médios empreendedores, além do próprio eleitorado, para criar uma rede orgânica de apoio. É mais fácil sugar recursos públicos.

Confira abaixo quanto os partidos políticos irão custar para o lombo do brasileiro só em 2018:

Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o Fundo Eleitoral – R$ 1,7 bilhão.

Fundo Partidário – R$ 888,7 milhões.

Renúncia fiscal para propaganda eleitoral em Rádio/TV – R$ 1 bilhão (o maior valor da história).

Total – R$ 3,5 bilhões.

Por enquanto, o partido NOVO é o único que não recebe Fundo Eleitoral ou Partidário.



Para comparação, o Orçamento prevê para investimentos em “Sistemas Públicos de Abastecimento de Água e Esgoto em Municípios com população até 50.000 habitantes” – R$ 433,6 milhões.

“Remuneração e aperfeiçoamento dos professores, aquisição de material didático-escolar, manutenção de programas de transporte escolar entre outras despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino” – R$ 358,9 milhões.

Investimentos em vagas de ensino técnico profissionalizante, 15 mil vagas do PRONATEC – R$ 284,4 milhões.

Educação de Jovens e Adultos –  R$ 91 milhões (o Brasil ainda tem 11,8 milhões de analfabetos).

Se você quiser ler outros absurdos do Orçamento de 2018, clique aqui e leia o documento na íntegra

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Indulto

Debate sobre indulto é guiado por despreparados e espertalhões, diz Gilmar http://www.conjur.com.br/2017-dez-29/indulto-discutido-despreparados-espertalhoes-gilmar

Carta aos Juristas do Mundo



Carta aos Juristas do Mundo denuncia práticas de ‘lawfare’ e de estado de exceção no Brasil



Documento denuncia lawfare e o uso de normas processuais de “exceção” por setores do Sistema de Justiça no Brasil. (Divulgação)
Da Redação
Um grupo de mais de 600 juristas, operadores do Direitos e lideranças de organizações políticas e sociais lançou uma carta dirigida à comunidade jurídica internacional, denunciando a prática de lawfare (uso do sistema de justiça para realizar perseguições políticas) e o uso de normas de estado de exceção por parte do Poder Judiciário no Brasil. A carta pede que a comunidade jurídica do mundo volte sua atenção para o que está acontecendo no Brasil e seus desdobramentos imprevisíveis. Assinam a carta, entre outros, nomes como Boaventura de Sousa Santos, Pilar del Río, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães, Tarso Genro, João Pedro Stédile e Luiz Carlos Barreto. Segue a íntegra da carta que está aberta a adesões neste endereço:
Carta aos Juristas do Mundo
Dirigimo-nos à comunidade jurídica internacional – juristas, acadêmicos, estudiosos e operadores do Direito, magistrados – para solicitar a sua digna atenção para o que ocorre atualmente no Brasil, que terá reflexos na fragilização política e institucional de todas as jovens democracias latino-americanas. O Estado de Direito em nosso país está sendo corroído depois do Golpe contra a Presidenta Dilma, encetado por meio de um Congresso majoritariamente fisiológico ou corrupto, comprometido com forças econômicas espúrias. Sufocaram a força normativa da Constituição e, de mãos dadas com uma mídia oligopolizada, naturalizaram a “exceção” com recorrentes violações a princípios e normas constitucionais que caracterizam e sustentam uma saudável vida democrática.
A deformação de um conjunto de processos contra a corrupção sistêmica no país –  justa ação do Ministério Público que despertou a simpatia da população e de pessoas de todas as classes e partidos democráticos da nação – é a consequência do “aparelhamento” das medidas anticorrupção para fins de instrumentalização política por setores da direita e da extrema direita do Ministério Público, que hoje se arvoram purificadores da moral pública nacional. Fazem-no, especialmente, para atacar a figura do Presidente Lula, visando anular sua participação no próximo pleito presidencial. Nenhuma pessoa está acima da lei e não nos opomos a qualquer investigação ou processamento de quem quer que seja; porém, com cumplicidade de parte do Poder Judiciário, o Sistema de Justiça, não apenas em relação a Lula, mas especialmente em razão dele, tem sufocado o direito à ampla defesa, tratando-o de forma desigual e discriminatória e criado normas processuais de “exceção” contra ele e vários investigados e processados, típico “lawfare”, subordinado ao processo eleitoral.
São os seguintes, os elementos de fato e de direito, que caracterizam este processo de perversão e diluição das funções institucionais do garantismo democrático:
1. instrumentalização política das “delações premiadas”, com a cumplicidade majoritária da mídia, para dar direcionamento e seletividade ao vazamento de informações;
2. conduções coercitivas de caráter nitidamente político, desnecessárias e ao arrepio dos dispositivos processuais do Estado de Direito formal, com o visível intuito de desmoralizar lideranças políticas que sequer foram convidadas a depor, medida agora provisoriamente suspensa por decisão monocrática de ministro do STF;
3. prisões preventivas de longo curso, coativas, destinadas a buscar depoimentos especificamente contra o Presidente Lula, alvo preferencial dos Procuradores de Curitiba;
4. manifestação pública de juízes, desembargadores e ministros do Supremo Tribunal Federal, participando do contencioso político e muitas vezes adiantando opiniões e votos sobre processos que estão sob sua jurisdição;
5. humilhação pela mídia, de réus, investigados e presos, “julgando” os mesmos de forma antecipada, fora do processo, cortejando e promovendo à condição de heróis, os integrantes do MP e do Judiciário que dão suporte aos seus pré-julgamentos.
É preciso que essas informações sejam claramente compreendidas pela comunidade jurídica internacional, a quem solicitamos apoio para a luta dos brasileiros comprometidos com a ética pública, a segurança jurídica, a preservação da soberania popular e a reconstrução da democracia.

Troca-troca em delegacias estratégicas movimenta Polícia Civil





Mudanças envolvem unidades responsáveis por algumas das maiores operações desencadeadas no ano passado


Rafaela Felicciano/Metrópoles




O ano começou agitado nos bastidores da Polícia Civil. Um mês após o diretor-geral da corporação, Eric Seba, anunciar a criação de uma superdelegacia para concentrar unidades especializadas em investigar corrupção, a PCDF se prepara para implementar as mudanças.
Nos últimos dias, alguns nomes foram definidos e aguardam publicação no Diário Oficial do DF. Ao menos dois delegados das chamadas delegacias circunscricionais, unidades localizadas em Regiões Administrativas, devem perder a chefia.
A criação de uma coordenação que une investigações sobre o combate ao crime organizado, contra a administração pública e à ordem tributária foi anunciada em dezembro. Na ocasião, Seba antecipou que Fernando César, atual chefe da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), ficaria à frente da superdelegacia que vai absorver a Divisão de Combate aos Crimes contra a Administração Pública (Decap), e as delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Deco) e Contra a Ordem Tributária (Dicot).

A equipe de Fernando César deve contar com Adriano Valente, delegado-adjunto da Deco; Wenderson Teles, da Divisão de Inteligência Policial (Dipo); e Jonas Bessa, chefe da Decap.
Bessa integrou investigações importantes no cenário político do Distrito Federal, como a Operação Drácon. O delegado-adjunto de Bessa, Virgílio Agnaldo Ozelami, também deve assumir uma divisão. Ele chefiou as investigações que levaram para a cadeia servidores da Secretaria de Mobilidade suspeitos de cobrarem propina de empresas de transporte.
Outras mudançasLuiz Henrique Dourado, que chefiava a Deco, terá como responsabilidade comandar a Coordenação de Repressão às Drogas (Cord), antes capitaneada por Rodrigo Bonach. O delegado, querido entre os colegas e considerado um profissional de ponta, deverá assumir a chefia em uma unidade ainda a ser definida. Dourado, que traz grande experiência em investigações complexas, vai trabalhar com o delegado Jorge Antônio Cheim Pires.
A Coordenação de Crimes Contra o Patrimônio será criada neste ano. O coordenador escolhido foi Marco Aurélio Vergílio. Atual chefe da Delegacia de Roubos de Furtos de Veículos (DRFV), Vergílio tem ampla experiência em grandes coordenações: já passou pela Cord e, segundo colegas, conduziu um trabalho de excelência na DRFV, tirando de circulação uma série de quadrilhas especializadas no roubo e no furto de veículos.
A DRFV será incorporada à Coordenação de Crimes Contra o Patrimônio e organizada em duas divisões. Uma delas, chefiada por Raphael Seixas, que está na especializada desde 2013 e comandou boa parte das operações de destaque deflagradas pela unidade. O outro diretor será Bruno Ehndo, ex delegado-adjunto da 24ª DP (Setor O). O delegado Fábio Santos Souza, que estava na Secretaria da Segurança Pública, também vai compor a equipe da coordenação.
A reportagem procurou o presidente da Associação e do Sindicato dos Delegados de Polícia (Adepol e Sindepo), Rafael Sampaio, para falar sobre as mudanças. Ele preferiu aguardar a decisão dos delegados, que será conhecida em uma assembleia a ser marcada para a próxima semana. “Vamos nos manifestar oficialmente somente após o evento”, disse.

Entidade De Juízes Processa Seus Ex-Presidentes Por Suspeita De Fraude





  • 05/01/2018




Diante da morosidade do Judiciário, uma associação de juízes decidiu ingressar como assistente de acusação em dois processos criminais movidos contra magistrados ex-presidentes da própria entidade. Eles são suspeitos de arquitetar a maior fraude da história da Justiça Federal.
Entre 2000 e 2009, a Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer) obteve empréstimos da Fundação Habitacional do Exército por meio de contratos fictícios, usando dados cadastrais de juízes e desembargadores federais que desconheciam o ardil.
O fato foi revelado pela Folha de S.Paulo em novembro de 2010.
A atual diretoria da Ajufer contratou, por R$ 50 mil, o escritório do advogado Jorge Amaury Nunes, de Brasília, para ingressar como assistente de acusação em duas ações penais que tramitam vagarosamente no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que engloba o DF e 13 Estados.

Nunes é professor da UNB, ex-procurador do Banco Central. O advogado vai acompanhar todos os processos cíveis, criminais e administrativos sobre o caso.
Em carta aos associados, em setembro, o presidente da Ajufer, Leonardo Paupério, afirmou que, “para superar o gosto amargo desse passado, não há outro remédio senão apurar as responsabilidades e clamar por Justiça”.
No texto, ele faz referência a reportagem da Folha de S.Paulo de julho, que definiu a fraude como o mensalão da toga, que corre o risco de ficar impune.
Com recursos obtidos em sucessivos contratos fictícios, a associação rolou mensalmente empréstimos não quitados; parte do dinheiro era desviado ou depositado em contas de laranjas.
Na época da fraude, alguns membros da atual diretoria da Ajufer ainda não eram juízes. Outros foram vítimas. Paupério, por exemplo, teve seu nome usado indevidamente em dois empréstimos fictícios.
“Passados sete anos desde a descoberta daquela década de fraudes, os fatos ainda não foram suficientemente esclarecidos e os responsáveis permanecem impunes”, diz Paupério.
Ele lembra que “mais de R$ 20 milhões teriam sido desviados de maneira fraudulenta e criminosa”. Até hoje não se sabe o destino do dinheiro.
RITMO LENTO
Foram denunciados no TRF-1 os ex-presidentes da Ajufer Moacir Ramos, Solange Salgado da Silva Ramos de Vasconcelos, Hamilton de Sá Dantas e Charles Renaud Frazão de Moraes. Foi decretada a extinção da punibilidade, por prescrição, de Dantas.
Também são réus o ex-diretor da FHE José de Melo, e Cezário Braga e Nilson Freitas Carvalho, apontados como agiotas e doleiros.
Segundo os autos, o juiz Moacir Ramos – apontado como mentor do esquema– indicava à FHE os supostos beneficiários dos empréstimos, sacava a quantia para pagar prestações em curso e transferia para contas pessoais e de doleiros a diferença.
No mês seguinte, ele “firmava” novos empréstimos em valores superiores e repetia o desvio de recursos. A denúncia foi oferecida ao TRF-1 pelo Ministério Público Federal em dezembro de 2014. Só foi recebida em maio de 2016. Até agora, segundo a Ajufer, os réus não foram citados.
OUTRO LADO
A Fundação Habitacional do Exército (FHE) não comenta a decisão da Ajufer de contratar o escritório do advogado Jorge Amaury Nunes para ingressar como assistente de acusação em duas ações penais que tramitam no TRF-1.
“Não cabe à FHE avaliar nem se manifestar sobre os profissionais contratados pela Ajufer”, informa.
Sobre a decisão do Tribunal de Contas da União, que citou ex-dirigentes e funcionários da FHE como responsáveis solidários, a fundação informa que “se trata de processo classificado, pelo TCU, com confidencialidade restrita, sobre o qual não vai se pronunciar”.
O advogado Jonas Modesto da Cruz, que defende o juiz federal Moacir Ramos, considerado o principal responsável pela fraude nos financiamentos, diz que só se manifesta nos autos.Ramos afirmou à corregedoria que a Fundação do Exército “tinha conhecimento de todos os contratos e os assinava sem opor qualquer resistência”.
A reportagem não conseguiu ouvir os juízes Charles Moraes e Solange Salgado e os ex-servidores da FHE.
Moraes afirmou à corregedoria “não ter consciência da dimensão dos fatos em apuração, devido à confiança que depositava no diretor-financeiro, Moacir Ramos”.
Salgado disse ao corregedor que “assinava cheques em branco, na confiança que depositava no juiz Moacir Ramos”. Afirmou que “também foi uma das associadas lesadas”.
Com relação à acusação contra o ex-presidente da entidade Hamilton Dantas, foi decretada a extinção da punibilidade, por prescrição. Com informações da Folhapress.

Temer perderá mais da metade dos ministros para a disputa eleitoral




Marcelo da Fonseca
postado em 05/01/2018 06:00 / atualizado em 05/01/2018 07:24




"Vamos fazer paulatinamente (troca de ministros). Para conseguir manter a base, tem que manter os partidos" - Eliseu Padilha, ministro da Casa Civil(foto: JOSÉ CRUZ/AGÊNCIA BRASIL)
Até abril, prazo final de desincompatibilização para ministros que vão disputar as eleições de outubro, o Palácio do Planalto pode ter de mudar os titulares de mais da metade das 29 pastas. Nas últimas duas semanas, dois ministros – Ronaldo Nogueira (Trabalho), do PTB,  e Marcos Pereira (Indústria, Comércio Exterior e Serviços), do PRB – anteciparam o desembarque do governo Michel Temer (PMDB) alegando que pretendem focar em suas campanhas eleitorais. Ontem, foi a vez de o ministro da Saúde, Ricardo Barros, do PP, anunciar que deixará a pasta para disputar uma vaga com deputado federal. Ao todo, o Planalto contabiliza ao menos 17 ministros que podem deixar as pastas nos próximos meses para disputar algum cargo.

“Eu vou sair para disputar a eleição como deputado federal. Fico no cargo o tempo que o presidente determinar. Mas a data limite é dia 7, prazo que a lei impõe”, afirmou o ministro da Saúde. De acordo com a legislação, ministros que decidirem disputar a eleição têm até 7 de abril para pedir exoneração. No início de dezembro, outro ministro a sair do governo foi Antonio Imbassahy (PSDB), que deixou a Secretaria de Governo, após divergências entre tucanos e aliados de Temer.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, disse que os ministros que pretendem deixar o governo por causa das eleições sairão de forma paulatina, conversada com Temer. Padilha lembrou que, em dezembro, o governo ameaçou fazer uma reforma ministerial ampla, trocando 17 ministros, mas recuou por insatisfação dos que desejavam permanecer por mais tempo no poder. “O presidente Michel Temer já disse isso em dezembro, vamos fazer paulatinamente”, disse Padilha. “Para conseguir manter a base, tem que manter os partidos”, avaliou o ministro responsável pela articulação política do governo federal.

Ontem, o Diário Oficial da União (DOU) publicou o decreto de nomeação da deputada Cristiane Brasil Francisco (PTB-RJ) como ministra do Trabalho. A titular foi definida na quarta-feira pelo presidente Michel Temer depois de encontro com o presidente do partido, o ex-deputado Roberto Jefferson, que é pai da nova ministra. Jefferson, que foi condenado no processo do mensalão, se disse emocionado e chorou ao falar com jornalistas ao fim do encontro. Para ele, a escolha de Cristiane representa “um resgate da família”. “É o orgulho, a surpresa, a emoção que me dá. É o resgate, sabe? É um resgate. (O mensalão) Já passou. Fico satisfeito”, disse.

Temer havia pedido na quarta-feira ao PTB para indicar um nome alternativo ao do deputado Pedro Fernandes (PTB-MA), adversário eleitoral do ex-presidente José Sarney (PMDB), amigo de Temer. Segundo Jefferson, Sarney vetou a indicação do parlamentar, mas o ex-presidente nega a informação. Cristiane assumiu a pasta no lugar do deputado Ronaldo Nogueira (PTB-RS), que deixou o cargo alegando que vai se candidatar neste ano para mais um mandato parlamentar. A data da posse da nova ministra ainda não foi marcada, mas deve ocorrer na próxima semana.

MEIRELLES
 Já o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, cotado para a disputa presidencial pelo PSD, usou ontem sua conta no Twitter para reafirmar que segue focado nas atividades da Fazenda e que uma eventual candidatura nas eleições deste ano só será definida em abril, prazo final para que titulares de cargos públicos deixem suas funções para poder entrar na disputa eleitoral. “Tenho dito reiteradas vezes que só decidirei sobre candidatura em abril”, escreveu em suas redes sociais. “Meu foco está 100% voltado ao meu trabalho de organizar as contas públicas, fazer a economia crescer e gerar mais empregos”, completou.

O nome de Meirelles como presidenciável tem ganhado força no meio político e no seu partido, o PSD. O presidente licenciado da sigla e ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab, afirmou que o partido trabalha para que o ministro seja candidato a presidente. “Não tem plano B ou plano C, só plano A, que é o Meirelles”, declarou Kassab. No entanto, o nome de Meirelles não decolou nas pesquisas eleitorais, nas quais a preferência  pelo ministro gira entre 2% e 3%, e Kassab não descarta apoio à candidatura de Alckmin e a à eventual de Temer . (Com agências)