terça-feira, 28 de junho de 2016

Dilma não ‘pedalou’, mas autorizou decretos sem aval do Congresso, diz perícia

Documento do Senado conclui que a presidenta não cometeu um dos crimes de que é acusada
Dilma pedalada fiscalA presidenta afastada no último dia 22.  PR
São Paulo
Uma perícia realizada por especialistas do Senado Federal para a comissão especial que avalia o processo deimpeachment de Dilma Rousseff  afirma que ela não realizou a chamada pedalada fiscal, um dos dois crimes de responsabilidade pelos quais ela está respondendo. Ela, no entanto, teria sido responsável por editar três decretos sem a permissão do Legislativo, como afirma a segunda acusação contra ela. 
O termo pedaladas fiscais foi popularizado pela oposição para justificar que Dilma Rousseff havia cometido improbidade administrativa, o que justificaria seu afastamento do cargo. Elas são manobras fiscais que consistem no atraso de pagamentos a bancos públicos, não informado de maneira clara, para que se maquie as contas públicas, ou seja, se informe ao Congresso Nacional que a situação está melhor do que de fato está. Com isso, o Governo acaba por pagar juros a mais, o que causa impacto no Orçamento.
Rousseff, segundo a oposição, teria pedalado no Plano Safra, crédito subsidiado para agricultores familiares, e atrasado os repasses feitos ao Banco do Brasil. A perícia afirma que as parcelas com vencimento entre os meses de janeiro e de novembro de 2015 foram pagas com atraso, em dezembro de 2015, o que gerou o pagamento de correção de 450,57 milhões de reais, mas afirma que na análise dos dados e documentos apresentados pela acusação e defesa não foi identificado ato da presidenta afastada que "tenha contribuído direta ou imediatamente para que ocorressem os atrasos nos pagamentos". Ou seja, apedalada ocorreu, mas não foi por interferência direta dela. Não fica claro, entretanto, os motivos que levaram a essa conclusão e quem serias os responsáveis pela irregularidade. A defesa de Rousseff afirmava, desde o início, que não existiam justificativas para o impeachment com base neste argumento da acusação.
A presidenta, afastada no último dia 12 de maio, também é acusada de ter autorizado a publicação de quatro decretos de créditos suplementar, sem a avaliação do Congresso Nacional, o que contraria a Constituição federal. A perícia afirma que três deles promoveram alterações na programação orçamentária "incompatíveis com a obtenção da meta de resultado primário vigentes à época". Dois deles são dos dias 27 de julho de 2015, nos valores de 1,7 bilhão de reais e de 29,92 milhões de reais; e um terceiro em 20 de agosto de 2015, no valor de 600,26 milhões de reais. "esta junta identificou que pelo menos uma programação de cada decreto foi executada orçamentária e financeiramente no exercício financeiro de 2015, com consequências fiscais negativas sobre o resultado primário apurado", diz o documento. "Há ato comissivo da Exma. Sra, Presidente da República na edição dos decretos, sem controvérsia sobre sua autoria". Segundo os analistas, o quarto decreto teria tido impacto neutro no Orçamento, mesma avaliação que foi feita pela própria comissão de outros dois decretos que eram avaliados no início e acabaram retirados do processo.
O documento, de 224 páginas, respondeu a 99 quesitos apresentados pela defesa e pela acusação. A realização da perícia foi um pedido da defesa, durante a Comissão Especial Processante, onde um grupo de senadores discute o processo, antes que ele vá a julgamento no plenário do Senado. Ela foi inicialmente negada pelos parlamentares, em maioria opositores de Rousseff, mas acabou aceita por determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski, que preside a comissão nesta fase.  Ele argumentou que a rejeição poderia levar à argumentação, por parte da defesa, de que o processo de discussão deveria ser anulado. 
A análise é feita em momento decisivo, em que parte dos senadores que apoiaram a abertura do processo já afirmam que podem mudar de ideia na votação final. Nesta terça-feira, o parecer do relator da comissão começa a ser realizado. Segundo o cronograma inicial, ele deverá ser votado na comissão no próximo dia 4 de agosto e votado no dia 9 em plenário. Se os senadores concordarem que há base para que ela seja julgada, o processo caminha para a votação final, também no plenário, o que deve ocorrer no final de agosto.
Na tarde desta segunda-feira, a perícia foi comemorada tanto pelo lado pró-impeachment quanto pelo contrário. O senador Cássio Cunha Lima (PSDB) disse que a perícia passará a ser agora um instrumento da acusação, já que se comprovou que houve crime de responsabilidade em relação aos decretos e que houve comprovação de que, em relação ao Plano Safra, também houve crime. "A perícia contábil afirma que foram feitos empréstimos bancários com o pagamento de juros. Em uma perícia fiscal não é preciso se estabelecer a autoria , uma vez que a responsabilidade está apontada no artigo 84, inciso dois da Constituição Federal", ressaltou ele, referindo-se ao texto da legislação que diz que compete privativamente ao Presidente da República exercer, com o auxílio dos Ministros de Estado, a direção superior da administração federal". "É inimaginável pensar que algo dessa magnitude tenha sido realizado sem o conhecimento por ação ou omissão da presidenta Dilma".
Parlamentares pró-Rousseff usaram o espaço para atacar os argumentos. "Inicialmente eram seis decretos. Dois já caíram [na comissão]. Agora caiu mais um [na perícia]", afirmou o senador Lindbergh Farias (PT), que disse que sobre as pedaladas os analistas afirmaram que a presidenta não foi alertada de crime pela área técnica. "Não há crime sem autoria. Em crime de responsabilidade não existe ato de omissão", disse.
Em entrevista à Rádio Guaíba, do Rio Grande do Sul, Rousseff afirmou que a perícia não mostrou que ela cometeu crime de responsabilidade e voltou a reforçar a versão de que sofrera um golpe. "No que se refere ao Plano Safra, a minha presença em nenhum ato foi constatada. Portanto, consideraram que eu não participei em nenhum momento do Plano Safra porque isso não é papel do presidente da República. Nós viemos dizendo isso há muito tempo, mas agora a própria perícia do Senado constatou isso", ressaltou.

Delação cita propina de R$ 30 milhões a Jucá, Renan e Braga


Geraldo Magela/Agência Senado

Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, afirmou em depoimento aos procuradores que pagou a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar supostos repasses a peemedebistas



Uma nova delação premiada, firmada com a Procuradoria-Geral da República, aponta o suposto repasse de propinas milionárias para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros (AL), Romero Jucá (RR) e Eduardo Braga (AM). Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, afirmou em depoimento aos procuradores que pagou R$ 30 milhões a dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses.


Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra seriam os responsáveis por distribuir o dinheiro para os senadores. Mello depôs em fevereiro e, em seguida, deixou o cargo que ocupava no Hypermarcas. O advogado da empresa, José Luís Oliveira Lima, foi procurado pela reportagem, mas não se manifestou.
A Procuradoria-Geral da República vai pedir ao Supremo Tribunal Federal que as afirmações envolvendo os políticos sejam investigadas. O relato não é alvo de inquérito na Operação Lava Jato. O Estado apurou que as informações repassadas por Mello referem-se à atuação de parlamentares na defesa de interesses da empresa no Congresso.
Os lobistas, segundo Mello, diziam agir em nome de políticos e que estes poderiam tomar iniciativas de interesse da empresa e do setor no Congresso. Segundo o delator, Lúcio Funaro se dizia “muito próximo” do presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e de outros peemedebistas da Casa. Já Milton Lyra afirmava agir em nome dos senadores “da bancada do PMDB” que teriam sido destinatários da maior parte da propina.
Mello disse que conheceu os lobistas em Brasília. Ele afirmou que se “ajustou” com Funaro e Lyra para “se aproximar” do poder. Seu objetivo, declarou, era “proteger” o mercado que representava. Disse ainda que, para ele, o setor “tinha que ter uma proteção legal”.
Mello trabalhou por mais de 20 anos no Hypermarcas, grupo do qual se desligou depois de fechar a delação. Ele afirmou que “ressarciu” o grupo daquele montante que disse ter repassado aos lobistas. Segundo ele, a empresa Hypermarcas “não auferiu nenhuma vantagem nem sofreu prejuízos porque foi reembolsada”.
Operadores
O executivo citou vários nomes em sua delação premiada, incluindo Renan, Jucá, Braga e Cunha. Na Operação Lava Jato, Funaro já foi apontado como operador de Cunha e responsável por viabilizar o escoamento de propina das empreiteiras para as contas do deputado afastado fora do País.
Os investigadores chegaram a mapear dois carros – um Hyundai Tucson e uma Land Rover Freelander – em nome da empresa C3 Produções, da mulher de Cunha, mas que foram pagos por empresas ligadas a Funaro. Também na Lava Jato, os irmãos Milton e Salim Schahin, do grupo Schahin, disseram aos investigadores que foram ameaçados por Funaro por causa de problemas em obra de interesse dele e de Cunha.
Também na apuração do cartel que atuou na Petrobrás, Lyra foi apontado como operador de Renan e seu nome apareceu em uma anotação apreendida no gabinete do senador cassado Delcídio Amaral (sem partido-MS).
No documento, ele está relacionado a um suposto pagamento de R$ 45 milhões em propina para o PMDB. Em outra frente da Lava Jato, que apura desvios em fundos de pensão, Lyra é investigado por aparecer como operador de duas empresas que captaram R$ 570 milhões do Postalis, o fundo de pensão dos Correios.
Zelotes
Renan e Jucá também são investigados na Operação Zelotes, deflagrada inicialmente pela Polícia Federal em março de 2015 para investigar um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) – órgão colegiado do Ministério da Fazenda, responsável por julgar recursos de autuações contra empresas e pessoas físicas por sonegação fiscal e previdenciária.
A investigação da Operação Zelotes se desdobrou para a apuração de suposta compra de medidas provisórias no Congresso. Os senadores peemedebistas são suspeitos de terem recebido propina para aprovar medidas provisórias de interesse de empresas do setor automobilístico.
Já Eduardo Braga, ex-ministro de Minas e Energia durante o governo Dilma Rousseff e atualmente senador pelo Amazonas, foi citado em delação premiada de ex-executivos ligados à empreiteira Andrade Gutierrez como destinatário de propina em obras no Amazonas e em licitações relacionadas à Copa. Todos os parlamentares citados negam envolvimento em irregularidades.
O outro ladoQuestionado pela reportagem sobre o teor da delação de Nelson Mello, o advogado do Grupo Hypermarcas, José Luís Oliveira Lima, não se manifestou.
Por meio de sua assessoria de imprensa, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), negou qualquer tipo de recebimento de vantagens indevidas. Em nota, Renan reiterou nunca ter recebido “vantagens de quem quer que seja”.
É de zero a chance de se encontrar recursos sem origem justificada do senador."
Nota enviada pela assessoria do senador Renan Calheiros

Procurada, a assessoria do senador Romero Jucá (PMDB-RR) solicitou que a reportagem procurasse seu advogado. O Estado entrou em contato com Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, mas ele não respondeu às ligações da reportagem.
O senador Eduardo Braga (PMDB), por meio de sua assessoria, informou não conhecer ou manter qualquer tipo de relação com os lobistas Lúcio Funaro e Milton Lyra. O senador informou nunca ter recebido valores da Hypermarcas ou de seu ex-diretor Nelson Mello.
O advogado Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que representa Lúcio Funaro, disse que não comentaria o caso porque não teve acesso à delação. Milton Lyra e sua defesa não foram localizados.
O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), citado por Mello como próximo a Funaro, afirmou que desconhece completamente o assunto da delação premiada do ex-diretor do Grupo Hypermarcas.
Indagado sobre o motivo da citação, o presidente afastado da Câmara dos Deputados disse não ter “qualquer relação com esse assunto” e desmentiu as afirmações do delator. Procurado, o advogado Luiz Francisco Carvalho, que defende Nelson Mello, não respondeu às ligações da reportagem.

Após saída do Reino Unido, US$ 1 tri desaparece das bolsas de valores

Edição do dia 27/06/2016
28/06/2016 00h09 - Atualizado em 28/06/2016 01h21

Plebiscito continua causando um curto circuito nos mercados financeiros. Alemanha, França e Itália anunciaram novo impulso ao projeto europeu.

Fabio Turci e Pedro VedovaNova York, Londres
 Os mercados seguem em curto-circuito depois do plebiscito que definiu a saída do Reino Unido daUnião Europeia. Nesta segunda-feira (27), um trilhão de dólares desapareceu das bolsas de valores e duas das maiores agências de avaliação de risco reduziram a nota de crédito dos britânicos.
O secretário de estado americano, John Kerry, foi para Bruxelas e Londres tentar diluir as consequências do referendo, mas a missão é inglória.
O porta-voz do apocalipse britânico agora tenta acalmar os mercados. Antes, o ministro das Finanças, alertava que, se escolhesse a saída, o país ficaria "permanentemente mais pobre". Agora, garantiu que o Reino Unido está numa "posição forte".

George Osborne deixou claro que já tem um plano de contingência pronto há meses. Com um olho na TV e outro nos gráficos, os operadores do mercado financeiro não se deixam convencer.
Dados no vermelho não saem da boca dos analistas. Uma federação de empresários indica que pelo menos 250 empresas podem sair do Reino Unido.

A indefinição política derrubou as ações na Bolsa de Londres - a ponto de suspenderem a negociação de papéis de bancos. A libra esterlina voltou a registrar o menor nível nos últimos 31 anos em relação ao dólar. Outros pregões europeus também fecharam em queda.
O rosto da campanha pela separação da União Europeia põe panos quentes. Boris Johnson afirmou que as declarações do ministro das Finanças encerram o "projeto do medo" - uma referência ao pessimismo sobre a saída. O ex-prefeito de Londres disse ainda que os direitos dos europeus no Reino Unido e dos britânicos na Europa estão garantidos.

Boris Johnson pode até falar como primeiro-ministro, mas não tem o posto garantido. O líder do governo ainda é David Cameron, que chamou todos os seus ministros para definir os próximos passos e, quem sabe, um sucessor ou sucessora. A ministra do Interior é um dos nomes mais fortes para assumir o cargo, mas, assim como o ministro das Finanças, Theresa May pediu para o país ficar na União Europeia.
O maior partido de oposição também busca um novo líder. Muitos pesos-pesados trabalhistas retiraram o apoio a Jeremy Corbyn. O motim já soma mais de 20 figurões, que criticam a participação dele na campanha pela permanência. As maiores forças políticas britânicas não sabem se ficam ou se vão e o país sem lideranças não sabe para onde vai.
Encontro
Reunidas na Alemanha, aquelas que são agora as três maiores economias da União Europeia se esforçaram para sinalizar um rumo. Alemanha, França e Itália anunciaram que irão propor um novo impulso ao projeto europeu depois do plebiscito favorável à saída do Reino Unido. Sem detalhar as medidas, a chanceler alemã disse que os focos serão defesa, crescimento, emprego e competitividade. Angela merkel acrescentou que não haverá negociação formal ou informal até que o pedido de ruptura definitiva com a União Europeia seja formalizado.

Polícia Federal faz operação contra desvios da Lei Rouanet

28/06/2016 07h35 - Atualizado em 28/06/2016 07h58

Segundo investigações, grupo criminoso atuou por 20 anos no Minc.
Estão sendo cumpridos 51 mandados, sendo 14 de prisão temporária.

Do G1 São Paulo
A Polícia Federal faz na manhã desta terça-feira (28) em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro, a Operação Boca Livre para apurar desvios de recursos federais em projetos culturais com benefícios de isenção fiscal previstos na Lei Rouanet.
Segundo as investigações, um grupo criminoso atuou por quase 20 anos no Ministério da Cultura e conseguiu aprovação de R$ 170 milhões em projetos.
O desvio ocorria por meio de diversas fraudes, como superfaturamento, apresentação de notas fiscais relativas a serviços/produtos fictícios, projetos duplicados e contrapartidas ilícitas realizadas às incentivadoras.
A Polícia Federal concluiu que diversos projetos de teatro itinerante voltados para crianças e adolescentes carentes deixaram de ser executados, assim como livros deixaram de ser doados a escolas e bibliotecas públicas. Os suspeitos usaram o dinheiro público para fazer shows com artistas famosos em festas privadas para grande empresas, livros institucionais e até a festa de casamento de um dos investigados na Praia de Jurerê Internacional, em Florianópolis, Santa Catarina.
Estão sendo cumpridos 51 mandados, dentre os quais 14 de prisão temporária e 27 mandados de busca e apreensão, em sete cidades no estado de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. 124 policiais participam da operação.
A Lei Rouanet foi criada em 1991, durante o governo Fernando Collor (PTC/AL). A legislação permite a captação de recursos para projetos culturais por meio de incentivos fiscais para as empresas e pessoas físicas. A Lei Rouanet permite, por exemplo, que uma empresa privada direcione parte do dinheiro que iria recolher gastar com impostos para financiar propostas aprovadas pelo Ministério da Cultura para receber recursos.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Fundo move ação de falência contra a Oi na Holanda

27/06/2016 22h17 - Atualizado em 27/06/2016 22h17

Fundo move ação de falência contra a Oi na Holanda

Syzigy Capital Managemen fez pedido com base em títulos de US$ 800 mil.
Endividada, Oi pediu recuperação judicial na semana passada.

Do G1, em São Paulo
A logo da empresa de telecomunicações Oi é vista em um shopping de São Paulo em outubro de 2013 (Foto: Nacho Doce/Reuters/Arquivo)A logo da empresa de telecomunicações Oi em um shopping de São Paulo em outubro de 2013 (Foto: Nacho Doce/Reuters/Arquivo)
A Syzigy Capital Management – gerida pelo fundo Aurelius – entrou com um pedido de falência contra a subsidiária holandesa da Oi, a Oi Brasil Holdings Cooperatif UA, em um tribunal da Holanda, informou a operadora brasileira por comunicado nesta segunda-feira (27).
Oi pediu recuperação judicial na semana passada após declarar uma dívida acima de R$ 65 bilhões. A justiça brasileira ainda vai avaliar se aprova o pedido.
Segundo a nota, o pedido foi feito com base em um descumprimento, pela Oi Brasil Holdings, quanto a títulos (bonds) emitidos no valor principal total de US$ 800 mil.
"Tal medida agressiva por parte de um titular minoritário de bonds não foi inesperada, e a Oi está preparada para tomar todas as medidas cabíveis, inclusive na Holanda, para se proteger contra tais ações e não espera que haja impactos sobre o processo de recuperação judicial em curso no Brasil", diz a empresa por nota.
No Brasil, uma decisão liminar da Justiça do Rio de Janeiro suspendeu, por 180 dias, todas as ações e execuções contra as empresas do grupo Oi. O objetivo é evitar que novas ações judiciais sejam realizadas entre o pedido de recuperação judicial e eventual aceitação por parte do juízo.
Além disso, cortes do Reino Unido e dosEstados Unidos também deram reconhecimento e tutela provisória contra ações de credores durante o período de recuperação, que será avaliado pela justiça brasileira.
"Não obstante esta recente ação tomada na Holanda, a Oi pretende continuar a ingressar em
discussões construtivas de uma reorganização com a maioria dos seus credores no contexto do
processo de recuperação judicial das Empresas Oi no Brasil. A Oi pretende empreender todos os esforços apropriados para buscar assegurar a proteção dos interesses das Empresas Oi e de todos os seus stakeholders", disse a empresa por nota.

Justiça mantém prisão preventiva do ex-ministro Paulo Bernardo

27/06/2016 19h49 - Atualizado em 27/06/2016 21h27

Ele teria se beneficiado de esquema que desviou R$ 100 milhões.

Defesa diz que não há razões que justifiquem a prisão..

Do G1 São Paulo
Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento e Comunicações nos governos Lula e Dilma Rousseff, deixa o Instituto Médico-Legal (IML) de São Paulo. Bernardo foi preso em Brasília na manhã desta quinta (23) na Operação Custo Brasil (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)Paulo Bernardo, ex-ministro do Planejamento, deixa o IML de São Paulo (Foto: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo)
A Justiça Federal em São Paulo manteve, nesta segunda-feira (27), a prisão preventiva do ex-ministro Paulo Bernardo. do Planejamento do governo Lula e das Comunicações no primeiro governo Dilma, ele foi preso na quinta (23), em Brasília, na Operação Custo Brasil, um desdobramento da 18ª fase da Operação Lava Jato.
Apontado como um dos principais beneficiados do esquema de propina que desviou R$ 100 milhões dos funcionários públicos que fizeram empréstimo consignado, Bernardo chegou na noite de quinta a São Paulo e foi levado à sede da Polícia Federal, na Lapa, Zona Oeste. No dia seguinte, prestou depoimento à Justiça Federal.
Segundo o Ministério Público Federal (MPF), a empresa contratada pelo Ministério do Planejamento para gestão de crédito consignado a funcionários públicos, o Grupo Consist, cobrava mais do que deveria e repassava 70% do seu faturamento para o PT e para políticos. A propina paga entre 2009 e 2015 teria chegado a cerca de R$ 100 milhões. "Dezenas de milhares de funcionários públicos foram lesados", disse o superintendente da Receita Federal em São Paulo, Fábio Ejchel.
Em nota divulgada na quinta, a defesa de Paulo Bernardo disse que a prisão é ilegal e que o ex-ministro não teve envolvimento em eventuais irregularidades no Planejamento (veja nota dos advogados no final desta reportagem).
Depoimento
A defesa do ex-ministro entrou com pedido de liberdade, que foi analisado após audiência de custódia do advogado Guilherme de Salles Gonçalves, um dos alvos da operação e que se apresentou na tarde de domingo à PF em São Paulo.
“O próprio investigado Guilherme, em dado momento, parece ter admitido que, às vezes, o Fundo Consist pagava algumas despesas para ‘PB’, que seria Paulo Bernardo. Na sua alegação, isto não seria algo ilícito, porém prática comum de seu escritório, que seria especializado em questões eleitorais”, disse o juiz em sua decisão que negou o pedido de liberdade.
Segundo a decisão, o pagamento ao ex-ministro é um “fato que pode ter múltiplas interpretações”. “Desta forma, os indícios, por enquanto, subsistem.”
"Não vislumbro, ao menos por ora, razões para rever a decisão de manutenção da prisão preventiva de Paulo Bernardo. Portanto, mantenho a prisão preventiva de Paulo Bernardo, sem prejuízo de análise de eventual petição escrita a ser apresentada pela defesa técnica", disse o juiz.
A defesa de Paulo Bernardo afirmou que o depoimento de Gonçalves deixou claro que o ex-ministro não se beneficiou de maneira alguma dos valores que foram recebidos da Consist. E que, com isso, não há razões que justifiquem a prisão preventiva de Paulo Bernardo.
Defesa de Gonçalves
Para o advogado Rodrigo Sanches Rios, que defende Gonçalves, a prisão de seu cliente é "desnecessária". "Desde a primeira busca e apreensão, em agosto, nós já havíamos mostrado que as contas do escritório estavam em ordem no tocante ao fundo Consist. Em nenhum momento, nós vamos provar isso, esse dinheiro saiu do escritório. Nunca foi para o Paulo Bernardo. Esse dinheiro é do escritório, é do Guilherme, e cabe a ele comprovar, e nós temos documentos que demonstram isso”, disse Rios.
Segundo o advogado, o dinheiro não se refere a honorários que Gonçalves tenha recebido em seis meses, são honorários de cinco anos.
“O doutor Guilherme explicou para o magistrado a origem desse contrato, os trabalhos que ele prestou para a Consist durante cinco anos. O doutor Guilherme nunca foi um servidor ou um laranja - vamos usar esse termo - do ministro Paulo Bernardo”, afirmou o advogado.
A Procuradoria discorda. "O Ministério Público tem vários elementos não só através de colaborações premiadas, mas elementos documentais, provas técnicas, e-mails, todo esse conjunto probatório sustenta o pedido de prisão". disse o procurador da República Rodrigo de Grandis "Tanto assim que o Judiciário acatou o pedido de prisão do Ministério Público Federal."
Senadora
Bernardo é marido da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que estava com ele em seu apartamento funcional, em Brasília, quando a polícia chegou. “Hoje foi um dia muito triste na minha vida como mulher, como política e, sobretudo, como mãe. Conheço o pai dos meus filhos. Sei das suas qualidades e do que não faria, por isso sei da injustiça que sofreu nesta manhã. Mais de 10 pessoas estranhas entraram em minha casa com ordem de busca e apreensão. Trouxeram também uma ordem de prisão preventiva contra o Paulo”, disse Gleisi na nota.
Nesta segunda, a senadora usou a tribuna do Senado para comentar a prisão do marido. "O cerco policial, por terra e ar, de nossa casa e a ordem judicial para entrar em nosso apartamento teve a clara intenção de constranger, não só a mim, mas a todos os moradores, como se a intenção principal fosse mostrar sua onipotência contra cidadãos desarmados", discursou a petista.
  •  
  •  
Agentes da Polícia Federal realizam buscas na sede do PT Nacional em São Paulo. A ação faz parte da Operação Custo Brasil, que integra a Lava Jato, investigando o pagamento de propina entre os anos de 2010 e 2015 a pessoas ligadas ao MPOG (Foto: Suamy Beydoun/Futura Press/Estadão Conteúdo)Agentes da Polícia Federal realizam buscas na sede do PT Nacional em São Paulo. A ação faz parte da Operação Custo Brasil, que integra a Lava Jato, investigando o pagamento de propina entre os anos de 2010 e 2015 a pessoas ligadas ao MPOG (Foto: Suamy Beydoun/Futura Press/Estadão Conteúdo)
Esquema
De acordo com a Polícia Federal, o Ministério do Planejamento, entre 2010 e 2015, direcionou a contratação da Consist para operacionalizar o crédito consignado a funcionários públicos da União.
"Segundo apurou-se, 70% dos valores recebidos por essa empresa  eram repassados a pessoas ligadas a funcionários públicos ou agentes públicos com influência no MPOG [Ministério do Planejamento] por meio de outros contratos - fictícios ou simulados", disse a PF.
Ainda segundo os investigadores, um escritório de advocacia ligado a Paulo Bernardo recebeu cerca de R$ 7 milhões entre 2010 e 2015 por meio de esquema.
Os crimes investigados na operação são de tráfico de influência, corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas de 2 a 12 anos de prisão.
  •  
Operação Custo Brasil - arte (Foto: Arte/G1)
Delator
Um dos delatores da Operação Lava Jato, o ex-vereador de São Paulo Alexandre Romano,afirmou que propina recolhida a partir de contrato da empresa de software Consist com o Ministério do Planejamento era dividida entre ele, o ex-ministro Paulo Bernardo e o PT, através do ex-tesoureiro João Vaccari Neto. A informação consta em um dos termos da colaboração homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
O delator passou a participar do esquema por indicação do Paulo Ferreira, que também foi tesoureiro do PT.
Procurada, a defesa de Romano disse que ele não irá se manifestar sobre o caso.
Conforme relatado, cabia ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto, que está preso no Complexo Médico-Penal na Região Metropolitana de Curitiba por participação em irregularidades na Petrobras, definir os percentuais de propina.
Romano disse que recebia 32% do lucro da Consist com o contrato com o Ministério do Planejamento. Deste percentual, segundo ele, 1/3 era repassado para Paulo Bernardo, com a intermediação de Guilherme Gonçalves que emitia notas fiscais contra a Consist. Os 2/3 restantes eram direcionados ao Vaccari, PT e o delator.
Ainda conforme o relato do ex-vereador, a parcela que cabia a Vaccari era recebida, principalmente, pela Jamp que é uma empresa ligada a Milton Pascowitch - também é delator da Operação Lava Jato.
PF realiza ação relacionada a desdobramento da 18ª fase da Lava Jato (Foto: Sergio Tavares/ G1)PF realiza ação relacionada a desmembramento da 18ª fase da Lava Jato (Foto: Sergio Tavares/ G1)
Histórico
Paulo Bernardo e Gleisi haviam sido indiciados pela PF em março por suspeitas de que dinheiro desviado da Petrobras abasteceu em 2010 a campanha ao Senado da parlamentar.
A PF disse na ocasião ter indícios suficientes contra o ex-ministro e a senadora. As conclusões da Polícia Federal foram anexadas ao inquérito 3979, que tramita no Supremo Tribunal Federal , na Operação Lava Jato.
Um dos delatores da Lava Jato, o doleiro Alberto Youssef, afirmou em sua delação premiada ter recebido determinação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa para entregar R$ 1 milhão para a campanha de Gleisi Hoffman do Paraná.
Isso teria sido feito em um shopping de Curitiba. A quantia teria sido entregue pessoalmente por Yousseff a um homem. Youssef afirmou que Gleisi sabia de todo o esquema. E que  Paulo Bernardo pediu um "auxílio" na campanha da mulher.
Gleisi e Bernardo negaram, ainda, solicitações de doações ao doleiro Alberto Youssef. À PF, Paulo Bernardo disse que não fez qualquer pedido de "auxílio" a Costa para a campanha de Gleisi.Depoimentos anteriores
Em depoimentos à Polícia Federal em abril do ano passado, a senadora Gleisi Hoffmann e o marido dela e ex-ministro Paulo Bernardo negaram irregularidades na arrecadação para a campanha da petista ao Senado em 2010.
Questionado sobre as anotações "PB" e "1,0", encontradas na agenda de Paulo Roberto Costa apreendida pela Polícia Federal, o ex-ministro disse não ter conhecimento das anotações.
Em depoimento à Justiça, Costa afirmou que as anotações diziam respeito ao valor de R$ 1 milhão repassados a Paulo Bernardo para a campanha da petista ao Senado.
Em seu depoimento, Gleisi Hoffmann também disse desconhecer as anotações na agenda de Costa. Ela afirmou ainda que o empresário Ernesto Kugler participou de alguns eventos da campanha de 2010, mas que năo atuou na captação de recursos.
Posicionamento das defesas
À TV Globo, a defesa de João Vaccari disse que não vai se manifestar.
À TV Globo, a defesa de Nelson Freitas também disse que não iria se manifestar.

Por meio de nota, a Consist informou que "sempre colaborou e continuará colaborando com a Justiça Federal e com os órgãos de investigação".
O advogado de Leonardo Attuch foi procurado pela TV Globo, mas ainda não deu resposta.
Os advogados dos demais presos ainda não foram localizadas pelo G1
Veja íntegra da nota da defesa de Paulo Bernardo:
"O Ministério do Planejamento se limitou a fazer um acordo de cooperação técnica com associações de entidades bancárias, notadamente a ABBC e SINAPP, não havendo qualquer tipo de contrato público, tampouco dispêndios por parte do órgão público federal. Ainda assim, dentro do Ministério do Planejamento, a responsabilidade pelo acordo de cooperação técnica era da Secretaria de Recursos Humanos e, por não envolver gastos, a questão sequer passou pelo aval do Ministro.
Não bastasse isso, o inquérito instaurado para apurar a questão há quase um ano não contou com qualquer diligência, mesmo tendo o Ministro se colocado à disposição por diversas vezes tanto em juízo como no Ministério Público e Polícia Federal.
A defesa não teve acesso à decisão ainda, mas adianta que a prisão é ilegal, pois não preenche os requisitos autorizadores e assim que conhecermos os fundamentos do decreto prisional tomaremos as medidas cabíveis
NOTA DOS ADVOGADOS"