segunda-feira, 20 de junho de 2016

LUCIANO DA ROS | PESQUISADOR UFRGS “Não há um poder Judiciário no Brasil, mas 17.000 magistrados”

Para Luciano Da Ros, autonomia sem transparência está na raiz de ações de juízes contra jornalistas

Pesquisador da UFRGS, Luciano Da Ros
Pesquisador da UFRGS, Luciano Da Ros 



ANDRÉ DE OLIVEIRA



Em uma semana pulou de 37 para 45 o número de processos movidos por juízes e membros do Ministério Público do Paraná contra jornalistas da Gazeta do Povo, que publicaram uma série de reportagens, em fevereiro deste ano, tratando de supersalários no Judiciário do Estado. Mas outras novidades relacionadas ao caso também aconteceram: o trabalho da equipe do jornal recebeu o prêmio Liberdade de Imprensa da Associação Nacional de Jornais (ANJ), de 2016, e o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) declarou que a moção das ações é um “suicídio institucional”.



Apesar das boas notícias para os jornalistas, contudo, a disputa judicial continua. Em entrevista ao EL PAÍS, o cientista político e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Luciano Da Ros, fala sobre problemas históricos do Judiciário brasileiro que, segundo ele, explicam em parte as ações movidas contra a Gazeta do Povo. Dedicando-se a diferentes campos de pesquisa, Da Ros tem um trabalho que foca na eficiência da Justiça no Brasil, levantando dados sobre gastos, transparência, celeridade etc.




Pergunta. Você tem apontado que o Judiciário brasileiro é hoje o mais caro do mundo e que há muito pouco incentivo para que os Tribunais controlem seus gastos. Isso é uma exclusividade desse poder?
Resposta. Não. É uma realidade comum à burocracia de forma geral, só que isso acaba sendo mais verdadeiro no caso de órgãos que têm uma autonomia muito grande, como é o caso do poder Judiciário no Brasil. Por exemplo, quando falamos em ajuste fiscal ou reformas no Estado, pensamos logo no Executivo, e nunca entram na lista o Legislativo ou o Judiciário. Quem acaba pagando a conta é o funcionalismo público do Executivo. Por quê? Porque existe certa facilidade no controle que vem de cima, da chefia do Executivo. Ou seja, dos governadores, prefeitos e presidentes eleitos. Só que esse comando centralizado e legitimado pela população não existe no poder Judiciário, até porque, em quase todos os casos, a liderança desses órgãos é eleita por seus próprios pares. A falta de incentivo para controle de gastos é generalizada, mas em órgãos com muita autonomia, cresce.

P. Nesse ponto, a imprensa tem papel de controle, não?
R. Sim. Eu diria que a maior parte das grandes reformas que a gente teve no Brasil para a melhoria da eficiência do poder Judiciário, que não envolvem apenas orçamento, mas também gestão de processos e outras coisas, não partiram de dentro dele. Posso exemplificar a partir de dois casos significativos. O primeiro, e mais recente, é a criação do Conselho Nacional de Justiça [CNJ]. Idealizado como um órgão de controle externo do Judiciário, sua criação fez parte da campanha presidencial de Lula, em 2002, e teve como principal defensor o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos. Só que a criação desse órgão era um tema que já tinha sido colocado lá na Constituinte, em 1988. O segundo, e mais antigo, é a implantação dos Tribunais de Pequenas Causas, hoje chamados de Juizados Especiais. A ideia por trás disso era dar maior celeridade e menor custo para o Judiciário. Embora existissem iniciativas em um ou outro Estado, o esforço para nacionalizar esse modelo partiu, assim como no caso da CNJ, de fora do Judiciário. Veio do então Ministério da Desburocratização. Ou seja, no caso do Judiciário, os esforços para reformas de grande impacto têm partido tanto do Executivo como a partir de mobilizações da opinião pública. As reformas aprovadas por iniciativa do próprio poder Judiciário existem, mas são mais incrementais. Aí, para voltar à questão, os meios de comunicação têm o papel fundamental de chamar a atenção para ineficiências da Administração pública e provocar o debate.
"Os meios de comunicação têm o papel fundamental de chamar a atenção para ineficiências da administração pública e provocar o debate"
P. Como você avalia, então, a disputa judicial envolvendo magistrados do Paraná e jornalistas da Gazeta do Povoapós a publicação de uma reportagem sobre rendimentos de servidores que acabam extrapolando o teto constitucional?
R. Diz-se, em todo o mundo, que a liberdade de imprensa deve estar apoiada em um Judiciário independente. E vice-versa: que a imprensa ajuda na autonomia da Justiça, enquanto o Judiciário garante que não haverá interferência de outros poderes no trabalho do jornalista. Se a abertura dessas múltiplas ações no Paraná é, ou não, caso pensado para intimidar a imprensa, o fato é que elas estão dificultando o trabalho desses repórteres. Seja como for, esse episódio faz a gente pensar se no Brasil essa relação entre Judiciário e imprensa não é o contrário do que deveria ser.
P. E o que está na raiz dessa briga judicial?
R. Acredito que é o fato de que nós tivemos avanços pontuais na Justiça, mas que algumas questões básicas e fundamentais ainda não foram resolvidas. Uma delas é o fato de que o elevado nível de autonomia individual dos membros do Poder Judiciário no Brasil, que é benéfico para manter sua isenção e imparcialidade, pode ao mesmo tempo se tornar prejudicial para a boa administração da Justiça se não for acompanhado de mecanismos de transparência e responsabilização. Só isso é capaz de explicar tanto esse tipo de ação individualizada dos juízes do Paraná, que tem sido vista por setores da sociedade como cerceamento de liberdade de imprensa, como também um dos motivos do custo desproporcional que o Judiciário brasileiro tem.
"Como esses mecanismos de controle da jurisprudência são recentes e o grau de autonomia dos magistrados individuais é muito alto, ocorre de um juiz decidir de uma forma e, em uma vara vizinha, outro juiz decidir um caso idêntico de outra forma"
P. Como assim?
R. Um dos efeitos desta enorme autonomia individual dos magistrados é que cada juiz decide da forma que entende e, desse modo, é impossível ter posições claras de como o Judiciário, institucionalmente, decide. A melhor forma de ilustrar isso é dizer que não existe um Poder Judiciário propriamente dito no Brasil, e sim 17.000 magistrados. Quer dizer, toda a ideia do poder Judiciário é que haja independência exatamente para que os juízes tenham isenção de julgar sem que seus próprios interesses afetem o conteúdo da decisão. Para isso, é necessário um bom salário e garantias de que o magistrado não será exonerado ou removido de seu cargo. Contudo, isso não significa que, necessariamente, cada juiz pode decidir um caso da forma como ele sozinho acredita que deve ser decidido. Ele tem que obedecer a legislação, mas também tem que levar em conta as decisões anteriores que foram tomadas em casos idênticos. No Brasil, como esses mecanismos de controle da jurisprudência são recentes e o grau de autonomia dos magistrados individuais é muito alto, ocorre de um juiz decidir de uma forma e, em uma vara vizinha, outro juiz decidir um caso idêntico de outra forma. Isso é terrível, porque toda a ideia de que precisamos da independência do juiz é para que ele possa aplicar a mesma lei aos mesmos casos, para que haja igualdade e não diferença.
P. Você disse que isso é capaz de explicar as ações dos juízes e também o alto custo do Judiciário. Como entra essa segunda questão?
R. Hoje no Brasil em diversos casos vale mais a pena tentar a sorte na Justiça do que compor uma solução negociada fora do poder Judiciário. Isso porque as partes envolvidas em um processo não tem segurança sobre qual é ou será a posição do Judiciário a respeito de um determinado conflito, pois não há posições únicas dentro do próprio Judiciário sobre um mesmo tipo de caso. Isso é seguramente uma das causas da explosão de processos no país. Em 1990 eram cinco milhões de novos processos a cada ano, agora são 30 milhões. Para se ter uma ideia, hoje existe cerca de um processo em andamento para cada dois habitantes. Por fim, isso acaba produzindo uma carga de trabalho enorme e a consequência é o Judiciário mais caro do planeta. Enquanto os gastos de países como EspanhaEUA e Inglaterra ficam entre 0,12% e 0,14% do PIB, o do Brasil está na casa do 1,3%.
"Como é que se punem magistrados para além do CNJ? Que tipos de punições existem? Há poucos estudos sobre isso e são questões essenciais para se compreender como se constrói um Judiciário íntegro e probo"
P. Você acredita que esse aumento no número de novos processos também está refletido na alta influência do Judiciário na vida política brasileira?
R. Com certeza. O professor Conrado Hübner Mendes, da Universidade de São Paulo, diz uma coisa muito verdadeira sobre o STF [Supremo Tribunal Federal] que é que não há um Supremo como instituição, mas 11 ministros e cada um deles têm enormes possibilidades de interferência sobre os processos com pedidos de vista, votos individuais, prazos pouco claros para levar os casos a julgamento, para incluí-los na pauta etc. Isso é visto no sistema judicial como um todo e é em parte por isso que os políticos têm levado as questões para a Justiça. É a mesma lógica: já que não se tem certeza das posições do Judiciário, vale arriscar. O problema é que existe pouca política institucional e muita atuação individual.
P. Mas então onde o Judiciário brasileiro tem sido bem sucedido?
R. Comparativamente com outros países da América Latina, por exemplo, ele é considerado um dos poderes mais bem estruturados, com maiores recursos, com garantias mais fortes de independência. Quer dizer, nós temos um Judiciário altamente profissionalizado. Há muitas discrepâncias regionais, claro. Por exemplo, no Estado do Maranhão, o primeiro concurso público para servidores aconteceu apenas em 2005, só depois do CNJ ser criado. Mas, de forma geral, temos um Judiciário que tem garantias de independência e atua com muitos recursos. Veja bem, a grande questão é que há pouco controle, pouca transparência e que, quando existe, essas práticas são muito recentes. Ninguém estuda, por exemplo, como funcionam as corregedorias da Justiça. Ou seja, como é que se punem magistrados para além do CNJ? Que tipos de punições existem? Há poucos estudos sobre isso e são questões essenciais para se compreender como se constrói um Judiciário íntegro e probo.
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Salário de juízes federais em comparação ao PIB per capita do brasileiro em início e fim de carreira
P. A independência, então, é essencial, mas, ao mesmo tempo fonte de problemas.
R. Se não houver controle e transparência, sim. Outro exemplo de uma coisa boa, mas que pode ter um reflexo ruim se não houver uma forma de fiscalização eficaz é a facilidade de acesso ao Judiciário. Nosso acesso ao poder Judiciário se ampliou muito ao longo dos últimos anos. E isso é ótimo. Ainda que vários problemas persistam, vários mecanismos foram criados ou se expandiram, como a assistência judiciária gratuita e a própria defensoria pública. Só que ao se diminuir as barreiras para se ter acesso ao Judiciário, um outro problema ficou escancarado: a desigualdade do tratamento de diferentes partes. Veja, por exemplo, a desigualdade expressa na dificuldade em condenar definitivamente um político por corrupção, por um lado, e o fato de que hoje temos 200.000 presos sem julgamento no Brasil, por outro. Esse tipo de desigualdade de tratamento é extremamente danoso em um poder do Estado que deve primar pela igualdade de tratamento. Enfim, para resumir, eu destacaria como pontos bons, embora longe de resolvidos: grau de independência, recursos e acesso. Pontos negativos: desigualdade de tratamento e ineficiência.
P. Alguns observadores têm apontado que o Judiciário é um dos poderes menos democráticos do Brasil. Isso teria raízes históricas relacionadas à ditadura militar. Você concorda?
"Há uma mudança gradual da cultura institucional e uma diversificação crescente na magistratura, mas a arquitetura e as práticas institucionais ainda são herdeiras desse sistema de acomodação com os militares"
R. A ditadura militar no Brasil operou, grosso modo, com essa arquitetura institucional do Poder Judiciário que está hoje aí, tanto que a LOMAN [Lei Orgânica da Magistratura Nacional] é de 1979. De igual forma, não houve grandes expurgos na magistratura durante a ditadura e basicamente essa máquina que existia agora, existia lá atrás. O nosso Judiciário, então, conviveu com a ditadura, mas conviveu em um sistema de acomodação. O Judiciário foi em grande medida conivente com a ditadura e a ditadura foi conivente com abusos dentro do Poder Judiciário, permitindo remunerações enormes, nepotismo, sistemas de loteamento de cargos e um conjunto de práticas que herdamos e que estamos tentando resolver até hoje.
P. E houve algum avanço?
R. Sim. Vem havendo uma enorme renovação dos quadros da magistratura, de forma que hoje a grande maioria dos integrantes do Poder Judiciário ingressou depois de 1988. Há uma mudança gradual da cultura institucional e uma diversificação crescente na magistratura, mas a arquitetura e as práticas institucionais ainda são herdeiras desse sistema de acomodação com os militares. Agora, o nosso Judiciário não é menos democrático necessariamente por ser fruto da ditadura. Ele é um poder menos democrático porque, em suma, ele é o mais independente e menos sujeito a controle. E isso, como já dito, é uma faca de dois gumes. Por fim, ele também é o único dos três poderes que não tem ninguém eleito. Não há mecanismos de legitimação popular. Em alguns países, como nos Estados Unidos, existem eleições, por exemplo. E em vários outros países, o Judiciário funciona por um sistema de indicações, como é com o nosso STF, que é um mecanismo indireto de legitimação popular dos juízes. No nosso sistema Judiciário isso ocorre para apenas alguns cargos. Na maior parte deles, é o próprio Judiciário que seleciona seus integrantes.

Alckmin quer reduzir participação da população nas decisões sobre gestão da água Promotor avalia que projeto do Plano Estadual de Recursos Hídricos reduz poder de decisão dos comitês de bacias, entidades de participação da sociedade por Rodrigo Gomes, da RBA

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Apesar da forte seca que atingiu São Paulo, o governo Alckmin quer reduzir participação da população nas decisões
São Paulo – O Projeto de Lei 192, de 2016, que estabelece o novo Plano Estadual de Recursos Hídricos de São Paulo, pronto para entrar na pauta da Assembleia Legislativa, não será solução para os problemas de gerenciamento dos recursos hídricos que levaram a Região Metropolitana de São Paulo a uma situação grave de falta de água entre 2014 e 2016: “Se o projeto não sofrer modificações vai ter um retrocesso, em vez de um avanço”, definiu o promotor do Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público em Piracicaba, Ivan Carneiro Castanheiro.
Dentre os principais problemas, está a redução do poder de decisão dos Comitês de Bacia, grupos formados por representantes do poder público estadual e municipal, e da população que vive na região de uma bacia hidrográfica. Pelo projeto, os comitês não seriam mais consultados para definição do enquadramento dos corpos hídricos, por exemplo. Essa medida define que tipo de uso um corpo d'água terá em uma determinada bacia, a partir de uma classe.
O mesmo rio pode ter várias classes, dependendo da região em que ele está e da opção que tem a população daquele local. Os rios de classe Especial são rios com maior preservação, onde se pode captar água com pouca ou nenhuma necessidade de tratamento dela. Os de classe 1 também são destinados ao abastecimento doméstico e à recreação e ao lazer, como natação. Já os rios de classe 4 são aqueles em que é liberado o despejo de esgoto e a água não pode nem sequer ser tratada.
Hoje, para definir as classes dos rios, os comitês de bacias hidrográficas são consultados, o Conselho Estadual de Recursos Hídricos aprova e elabora um projeto de lei. “A proposta atual é para que o conselho decida sozinho, sem nem mesmo ouvir a manifestação do comitê. Então, achamos que a proposta é absurda e vem na contramão da necessidade de que a sociedade se apodere dos próprios destinos e opte pelo tipo de rio que quer, pela qualidade ambiental, defina o uso dos recursos hídricos”, explicou Castanheiro.
A preocupação em que a decisão seja apenas do conselho diz respeito à possibilidade de atuação da sociedade em cada um dos espaços. No comitê, cada terço do colegiado corresponde a um segmento: poder público estadual, municípios, população. No conselho, há 11 assentos para o governo estadual e onze para representantes de bacias hidrográficas. Trabalhadores do setor e entidades ambientais têm um assento cada. Usuários de recursos hídricos dividem os cinco últimos assentos, sendo um industrial, um do agronegócio, um agroindustrial, um do setor de energia e um do abastecimento público.
“O poder de decisão da sociedade acontece no Comitê de Bacias Hidrográficas. Se você levar esse centro de decisões para o Conselho Estadual de Recursos Hídricos, esvazia o poder de decisão dos comitês de bacias e, consequentemente, o poder da população de participar dessas definições”, afirmou Castanheiro. Para o promotor, o correto seria ampliar a participação da sociedade no comitê, seguindo o que determina a Lei Federal 9.433, de 1997, pela qual a divisão deve ser de 50% sociedade e 50% poder público.
Outro pronto que preocupa o promotor do Gaema é a decisão sobre implementação de Áreas de Proteção e Recuperação de Mananciais (APRM). Em regiões próximas de distritos industriais, de empreendimentos agrícolas de grande dimensão, ou mesmo de ocupação residencial, é possível estabelecer restrições de uso e ocupação do solo para proteger os reservatórios.
“Nessa crise hídrica que vivemos nos dois últimos anos, ficou evidente a importância de ter reservatórios bem protegidos, com a preservação das áreas marginais dos reservatórios”, argumentou o promotor. Porém, o novo plano determina que essa decisão passaria a ser exclusiva do Conselho Estadual de Recursos Hídricos, sem passar pelos comitês. Castanheiro também criticou a falta de definição de metas e de ações claras a serem desenvolvi

Renan decidirá nesta semana se abre processo de impeachment de Janot

20/06/2016 06h00 - Atualizado em 20/06/2016 06h00

Para advogadas, Janot  dá tratamento diferenciado a situações 'análogas'. 

Cunha tem até quinta-feira para apresentar recurso à CCJ da Câmara.



http://g1.globo.com/politica/noticia/2016/06/renan-decidira-nesta-semana-se-abre-processo-de-impeachment-de-janot.html
Gustavo Garcia e Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que vai decidir nesta quarta-feira (22) se abre ou não processo de impeachment do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Na semana passada, duas advogadas protocolaram, no Senado, uma denúncia contra o procurador, alegando que Janot dá tratamento diferenciado a situações “análogas” de possíveis práticas de atos ilícitos.

 
As advogadas entendem que Janot deveria ter pedido, ao Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff por suposta tentativa de obstrução às investigações da operação Lava Jato. Esse foi o argumento de Janot para pedir as prisões de Renan, do senador Romero Jucá (PMDB-RR) e do ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Renan disse que recebeu, ao todo, nove pedidos de impeachment do PGR entre os anos de 2015 e 2016. Quatro deles foram arquivados. O peemedebista disse ainda que vai analisar o novo pedido “com imparcialidade”, mas fez duras críticas a Janot, dizendo que o procurador “extrapolou os limites do ridículo” ao pedir as prisões.

A Procuradoria-Geral da República não quis comentar as declarações de Renan Calheiros e, também, a possível abertura de impedimento de Janot.

Na semana passada, os senadores Cristovam Buarque (PPS-DF) e João Capiberibe (PSB-AP) pediram “cautela” de Renan ao analisar o pedido de impeachment, sob pena de parecer que o presidente do Senado abriria o processo em um ato de retaliação. Nos bastidores, no entanto, o senador Fernando Collor (PTC-AL), autor de seis pedidos de impeachment de Janot em 2015, estaria apoiando a abertura do processo.

De acordo com a Constituição, cabe ao Senado “processar e julgar os ministros do Supremo Tribunal Federal, os membros do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, o procurador-geral da República e o advogado-geral da União nos crimes de responsabilidade”.
Dilma Rousseff
A comissão especial do impeachment segue ouvindo, nesta semana, os depoimentos de testemunhas da defesa da presidente afastada Dilma Rousseff. O “ideal”, segundo o relator do processo – senador Antonio Anastasia (PSDB-MG) –, seria que os depoimentos terminassem já na próxima sexta (24).

No entanto, o próprio relator não descarta a possibilidade de os depoimentos se estenderem até a próxima semana, pois ainda faltam depoimentos de mais de 20 testemunhas.

O processo de impeachment está na fase intermediária, chamada de “pronúncia”, na qual o colegiado deve – após coleta de provas, perícias e depoimento de testemunhas – votar um parecer, que será elaborado por Anastasia, dizendo se a denúncia contra Dilma é ou não procedente e se o caso vai a julgamento final.

Supersimples
Na terça-feira (21), o Senado tentará votar um projeto de atualização do Supersimples, que reduz impostos e a burocracia para o pagamento de contribuições de pequenas e microempresas. Se aprovado, o projeto permitirá que empresas que faturam até R$ 4,8 milhões por ano possam se inscrever no programa. Atualmente, o teto para participação no Supersimples é de R$ 3,6 milhões anuais.

A justificativa do projeto informa que a atualização do teto poderia aquecer a economia, gerando empregos. Renan Calheiros queria ter colocado a proposta em votação na semana passada, masnão houve consenso entre os senadores.
Recurso de Cunha à CCJ
Termina na próxima quinta-feira (23) prazo para a defesa do presidente afastado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apresentar recurso à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara contra a decisão do Conselho de Ética de aprovar parecer pela cassação do peemedebista.

O advogado de Cunha, Marcelo Nobre, informou que deve usar todo o prazo de cinco dias úteis, que começou a contar na última sexta (17). Ele deve argumentar que o processo que tramitou no Conselho de Ética tem vício de nulidade, por não ter sido concedido prazo extra para a defesa e pelo fato de o relator do caso, deputado Marcos Rogério (DEM-RO), ter migrado do PR para o DEM – partido que integra o bloco parlamentar que elegeu Cunha.

O presidente da CCJ, Osmar Serraglio (PMDB-PR), deve decidir, no início desta semana,quem será o relator de outros recursos já apresentados por Cunha e aliados que pedem a nulidade do processo de cassação. O recurso que a defesa apresentará na próxima quinta será encaminhado ao mesmo deputado que assumir a relatoria dos pedidos anteriores.

Pauta da Câmara
Por causa das festividades de São João, que mobilizam grande parte dos estados do Nordeste, a Câmara vai antecipar as votações para a noite desta segunda-feira (20).
Está na pauta a medida provisória 714 de 2016, que eleva de 20% para 49% o limite de participação estrangeira no capital com direito a voto das companhias aéreas brasileiras.

Outro projeto na pauta é o que altera as regras para nomeação a conselhos de fundos de pensão. A proposta visa dificultar o aparelhamento dos fundos por partidos políticos.
Uma das mudanças prevista por ele é que, para participar de conselhos, o indicado não poderá ter exercido atividade político-partidária nos dois anos anteriores à nomeação.

Saiba quem são os dez criminosos mais procurados pela Interpol no país

Edição do dia 19/06/2016
19/06/2016 22h59 - Atualizado em 19/06/2016 22h59

Veja como são caçados aqueles que caíram na lista da polícia internacional.


http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2016/06/saiba-quem-sao-os-dez-criminosos-mais-procurados-pela-interpol-no-pais.html
Fantástico divulga a lista dos dez criminosos mais procurados pela Interpol no Brasil. São pessoas que fugiram sem pagar por seus crimes, como Carlos Pinheiro, de Coari, no Amazonas. Ele é irmão do ex-prefeito da cidade, Adail Pinheiro, e é condenado por desvio de dinheiro público.
Na lista da Interpol, também aparece Silvana Seidler, suspeita de matar a própria filha, de 7 anos, em dezembro de 2014, em Santa Catarina. Até recentemente, um mafioso italiano também era procurado pela Interpol. Ele arrumou documentos falsos e viveu tranquilamente no brasil, durante 30 anos; foi preso e extraditado para a Itália.
Por dois meses a equipe do Fantástico trabalhou nesta reportagem para mostrar para você como são caçados os criminosos que caem na lista da polícia internacional. Descubra na reportagem acima.

Temer se reúne com governadores para discutir dívida e socorro ao Rio

20/06/2016 06h00 - Atualizado em 20/06/2016 06h00


Governo do RJ decretou estado de calamidade por crise financeira.

No fim de junho, termina prazo do STF para acordo entre União e estados.

Do G1, em Brasília
O presidente em exercício, Michel Temer, se reúne nesta segunda-feira (20) com governadores, em Brasília. Na pauta do encontro está a renegociação da dívida dos estados com a União e o recente decreto de calamidade do governo do Rio de Janeiro, motivado por crise financeira.
A reunião está programada para começar às 15h, no Palácio do Planalto. Pela manhã, porém, os governadores se reúnem na residência oficial do governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg.
Calamidade pública
No sábado (18), o secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimentos da Presidência da República, Moreira Franco, declarou, por meio de nota, que Temer vai "cumprir sua parte" para ajudar o RJ. Ele também cobrou que o governador do estado, Francisco Dornelles, “cumpra a sua".

Franco não entrou em detalhes sobre quais seriam as partes do acordo. Segundo informações do RJTV, a União faria repasse de cerca de R$ 3 bilhões ao RJ nesta semana. Segundo fontes do telejornal, R$ 500 milhões seriam destinados para concluir a Linha 4 do Metrô a tempo da Olimpíada, que começa em 5 de agosto.

De acordo com a colunista do G1 e daGloboNews, Cristiana Lôbo, o governo federal só deve definir o repasse de recursos extra para o Rio de Janeiro após a reunião desta segunda com os governadores.

A avaliação feita em Brasília por assessores do Palácio do Planalto, informa a colunista, foi de que Dornelles se antecipou às negociações ao baixar o decreto de calamidade pública, que tinha por objetivo abrir caminho para o repasse de recursos federais ao Estado.

O Planalto teme que a atitude de Dornelles incentive governadores de outros estados em dificuldades financeiras a apressionar o governo federal por liberação de recursos.

Entretanto, o G1 apurou que Temer foi comunicado na véspera (quinta, 16) sobre o decreto de calamidade. Dornelles e o prefeito do Rio, Eduardo Paes, foram a Brasília informar ao presidente em exercício sobre a medida de exceção.

Até sábado (18), o Governo do RJ não havia dito o que, na prática, o decreto possibilita o estado fazer para tentar minimizar a crise. Dornelles falou apenas que tomará "medidas muito duras".
Dívida dos Estados
Durante a reunião desta segunda o governo federal também espera avançar na negociação com os estados sobre um alívio no pagamento de suas dívidas com a União, que hoje superam os R$ 400 bilhões.

No final de junho vence o prazo de 60 dias dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para que o Planalto e os governadores cheguem a um acordo. Se não houver solução, a Corte voltará a analisar o cálculo que definirá o montante a ser pago.

No dia 9 de junho, o Ministério da Fazendaentregou a representantes dos estados uma nova proposta para a renegociação das dívidas. Ela prevê a redução, de 24 para 18 meses, do período de carência (suspensão) do pagamento das parcelas e ainda a queda gradual do percentual da dívida sob carência. Ela começaria com 100% e vai se reduzindo até chegar em 0% no 18º mês.

Antes, os estados haviam pedido 100% de carência no pagamento por 24 meses. Eles alegam queda da arrecadação de impostos e dificuldades em cumprir compromissos financeiros - alguns estados, como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul, chegaram a atrasar pagamento de salários e aposentadorias.

Entretanto, o governo federal também enfrenta dificuldade com suas contas. A estimativa é de que o rombo fiscal possa chegar a R$ 170,5 bilhões em 2016.