quinta-feira, 16 de junho de 2016

Do PC do B ao DEM, propina de Machado não conhece ideologia

Ex-presidente da Transpetro enredou políticos de seis legendas no esquema de corrupção investigado pela Lava Jato
São Paulo / Brasilia
Em uma das delações mais ecléticas do ponto de vista partidário desde o início da Lava Jato, o ex-presidente da TranspetroSérgio Machado narra o pagamento de propinas em dinheiro vivo e disfarçadas de doações de campanha a dezenas de políticos de diferentes matizes ideológicos. PMDB, PT, PP, DEM, PSDB e PC do B são as legendas citadas. Em todos os casos, os recursos teriam como origem repasses irregulares de empresas que obtinham contratos com a estatal. De acordo com Machado, os pagamentos começaram em 2004, e se tornaram mensais à partir do momento em que Edison Lobão(PMDB-MA) assumiu o ministério de Minas e Energias, em fevereiro de 2008. “A partir daí a Transpetro passou a ter mais capacidade de investimento, gerando mais contratos e, consequentemente (...) permitindo arrecadar mais propina”. Machado diz que no total repassou 100 milhões de reais a políticos do PMDB. Veja quem foram os principais citados na delação.
Michel Temer (PMDB-SP)
É a primeira vez que o nome do presidente interino é citado diretamente por um delator da Lava Jato como envolvido em um ato que ele saberia ser ilícito. Conforme depoimentos que Machado concedeu ao Ministério Público Federal, Temer solicitou que ele obtivesse 1,5 milhão de reais de propina para a campanha de seu aliado Gabriel Chalita à prefeitura de São Paulo no ano de 2012. Em nota, Temer afirmou que “sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas”.
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Em seu depoimento, Machado diz que “em 2004 ou 2005” Renan o procurou e disse que “precisava manter sua estrutura e suas bases políticas”, indagando se ele não poderia colaborar. De acordo com o delator, estava implícito que o senador “não esperava que os aportes fossem feitos de meus recursos próprios”, e sim via propinas pagas por contratos com a Transpetro. As reuniões entre os dois ocorriam mensalmente para acertar os repasses, que totalizaram 32 milhões de reais, 8,2 milhões via doações oficiais de campanha feitas pela Queiroz Galvão, Galvão Engenharia e Camargo Correa. Em nota, o senador diz que “jamais recebeu recursos de caixa dois ou vantagens de quem quer que seja. Todas as doações de campanhas eleitorais ocorreram na forma da Lei, com as prestações de contas aprovadas pela Justiça”. Calheiros já é alvo de diversos inquéritos da Lava Jato.
Aécio Neves (PSDB-MG)
Machado afirma que ajudou a captar recursos ilícitos para a campanha do hoje senador tucano à presidência da Câmara dos Deputados em 2001. Os recursos foram usados para financiar a campanha de 50 parlamentares simpáticos ao parlamentar mineiro. No total, as doações irregulares totalizaram 7 milhões de reais. "Esses recursos ilícitos foram entregues em várias parcelas em espécie, (...) aos próprios candidatos ou a seus interlocutores. A maior parcela foi destinada ao então deputado Aécio Neves, que recebeu 1 milhão em dinheiro", afirmou o delator. O senador já é investigado em dois inquéritos da Lava Jato. Em nota, Aécio afirma que "são acusações falsas e covardes de quem, no afã de apagar seus crimes e conquistar os benefícios de uma delação premiada, não hesita em mentir e caluniar".
José Sarney (PMDB-MA)
Em 2006 Machado diz ter sido procurado por Sarney, que relatou “dificuldades em manter sua base política no Maranhão e no Amapá”, e pediu ajuda financeira. No total, o delator afirmou ter repassado 18,5 milhões de reais ao então senador, sendo que 2,2 milhões foram pagos via doações oficiais das empreiteiras Camargo Correa e Queiroz Galvão para suas campanhas de 2010 e 2012. O advogado de Sarney negou as acusações de Machado.
Romero Jucá (PMDB-RR)
Na delação, Machado afirma que acertou os repasses com Jucá, que apoio sua nomeação para a Transpetro. Ele afirma que ia ao Senado mensalmente, onde entrava pela garagem para se encontrar com o senador. Jucá teria recebido 21 milhões de reais, sendo 4,2 milhões em doações oficiais de campanha pagas pela Camargo Correa e Queiroz Galvão em 2010 e 2014. Os advogados de Jucá negaram que o senador tenha recebido valores indevidos. Gravações feitas por Machado já haviam levado, no mês passado, à queda do senador do ministério montado por Temer.
Edison Lobão (PMDB-MA)
Maior responsável pelo crescimento exponencial do esquema de propina da Transpetro, de acordo com Machado, Lobão teria afirmado que na qualidade de ministro “deveria receber a maior propina mensal paga” dentre os políticos de seu partido. O delator afirma que a expectativa do peemedebista era embolsar 500.000 reais por mês, mas se contentou com menos quando foi informado que o máximo possível seria 300.000 reais. Os pagamentos a Lobão eram feitos, segundo Machado, a seu filho Marcio Lobão. No total o ministro recebeu 24 milhões de reais, 2,7 milhões via doações oficiais de campanha da Camargo Correa e da Queiroz Galvão. Os advogados de Lobão negaram que o senador tenha recebido valores indevidos.
Jader Barbalho (PMDB-PA)
Machado diz que era amigo de Barbalho desde 1991, e que após assumir a Transpetro o senador começou a pressioná-lo para receber propinas para fortalecer “sua base no Pará”. No total o delator disse ter repassado 3 milhões de reais ao peemedebista, mas depois a relação entre os dois sofreu um desgaste. Em seu depoimento Machado diz que Barbalho queria que ele saldasse em 2006 uma dívida sua com o banco BVA, o que não foi feito. O presidente do BVA, José Augusto Ferreira dos Santos, teria ligado pessoalmente para cobrar a dívida. Em nota enviada ao jornal A Folha de S.Paulo, Barbalho afirmou que "o que ele [Machado] quer, na verdade, é, combinado com o Ministério Público e a Justiça, sair da cadeia e ir beber vinho em Paris com os filhos. É um bandido com cobertura judicial".
Valdir Raupp (PMDB-RO)
O delator relata também que a Queiroz Galvão doou 850.000 reais para Raupp a seu pedido. Em nota, o senador afirmou que "repudia as declarações" de Machado.
Heráclito Fortes (PSB-PI)
Em 2006 a Transpetro queria ver aprovado no Senado um aumento de seu limite de endividamento, o que teria que passar por diversas comissões. Machado alega que ao chegar à comissão de infraestrutura, presidida pelo senador Heráclito Fortes, começaram a surgir dificuldades. Em sua delação, ele afirma que o parlamentar não pautava a matéria para ir a votação. Machado procurou o tucano Sérgio Guerra (morto em 2014), que se comprometeu, em troca de um valor de propina, a convencer Fortes a votar o projeto. Ficou acordado que cada um receberia um milhão de reais. No final, Machado ficou devendo 500.000 reais para Fortes, que em 2014 “cobrou bastante durante as eleições”. “Existem várias ligações telefônicas feitas por Heráclito à Transpetro para cobrar esse valor”. A reportagem não conseguiu entrar em contato com Fortes, que está fora do país.
Henrique Alves (PMDB-RN)
Machado afirmou que sempre o ajudava em época de campanha com pagamentos de propina disfarçados de doações oficiais. De acordo com o delator, Henrique Eduardo Alves recebeu 1,5 milhão de reais pago entre 2008 e 2014, em quatro eleições. Atualmente Alves é ministro do Turismo do Governo do presidente interino Michel Temer. Em nota, o peemedebista disse que "repudia a irresponsabilidade e leviandade" do teor da delação de Machado.
Candido Vaccareza (ex-deputado federal do PT-SP)
Em 2010, Machado afirmou ter conseguido uma doação de 500.000 reais por intermédio da Camargo Corrêa para Vaccareza. O petista já foi citado na Lava Jato pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e pelo doleiro Alberto Youssef. O petista divulgou nota na qual afirma que "Machado nunca arrecadou para as minhas campanhas, nunca pedi que ele arrecadasse”, e que seu nome é citado “de forma genérica”.
Jandira Feghali (PC do B-RJ) e Luiz Sérgio (PT-RJ)
Os dois sempre foram defensores da indústria naval, setor no qual as empreiteiras investiram pesadamente para obter contratos. Em sua delação, Machado afirma que a Queiroz Galvão doou 100.000 reais para a Jandira em 2010 e 400 mil para o Luiz Sérgio, em 2010 e 2014. O dinheiro seria propina disfarçada de doação oficial. Em nota, o petista afirmou que as doações recebidas foram legais e declaradas. Jandira afirmou que “repudia a tentativa de criminalizar as doações feitas segundo as leis à época vigentes, portanto legais e públicas, (...) bem como qualquer tentativa de vincular meu nome ao recebimento de propina”.
Edson Santos (PT-RJ)
O petista teria procurado Machado no ano de 2014 pedindo ajuda para concorrer ao cargo de deputado federal pelo Rio de Janeiro. O delator disse ter Intermediado doação por meio da Queiroz Galvão no valor de 142.400 reais.
Francisco Dornelles (PP-RJ)
Pediu ajuda a Machado em 2010, quando era presidente do PP. A Queiroz Galvão doou 250.000 reais ao diretório do PP do Rio de Janeiro. Atualmente Dornelles é governador interino do Rio de Janeiro. A reportagem não conseguiu contato com seus advogados.
Ideli Salvati (PT-SC)
Ela era a líder do Governo Lula no Senado em 2010, e segundo Machado pediu doação de campanha para concorrer ao Governo de Santa Catarina. A petista recebeu 500.000 reais da Camargo Correa naquele ano por orientação do delator. A reportagem não conseguiu contato com seus advogados.
Jorge Bittar (ex-deputado federal do PT-RJ)
Recebeu 200.000 reais da Queiroz Galvão em 2010 por meio do diretório regional do Rio. De acordo com a delação de Machado, o valor teria sido repassado por sua orientação. Em nota, o petista afirmou que todas as suas doações foram declaradas e feitas dentro da lei.
Garibaldi Alves (PMDB-RN) e Walter Alves (PMDB-RN)
Machado afirmou que em época de eleições Garibaldi o procurava. A última vez foi em 2014. Na ocasião, pediu doação para Walter Alves, seu filho. Foram doados 250.000 reais para o peemedebista, que se candidatou a deputado federal. Repassou também 450.000 reais para Garibaldi nas eleições de 2012 e 2014. Ambos afirmaram que as doações foram "oficiais e sem nenhuma troca de favor, benesse ou vantagem de qualquer natureza".
José Agripino Maia (DEM-RN) e Felipe Maia (DEM-RN)
Segundo o delator, a Queiroz Galvão doou 300.000 reais para Felipe Maia, o filho de Agripino, no ano de 2014, e 250.000 para o próprio senador no pleito de 2010. Os repasses teriam sido organizados por Machado.

Preço do feijão-carioca dispara no DF e quilo chega a R$ 10

Produto teve aumento recorde nos últimos 12 meses, com alta de 23,7% somente em 2016. Preço foi influenciado por condições climáticas

16/06/2016 5:21 , ATUALIZADO EM 16/06/2016 6:13


Do aumento no preço do feijão-carioca está pesando no bolso do brasiliense. Nos últimos 12 meses, o valor teve aumento de 43,61% no Distrito Federal – sendo 23,7% somente em 2016. O índice é superior à média nacional de inflação para o produto, que teve alta de 41,62% no mesmo período, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O pacote de 1kg do grão já ultrapassa R$ 10 na capital.
Caroline Bchara/MetrópolesCAROLINE BCHARA/METRÓPOLES
A disparada do preço foi bastante influenciada pelo clima no DF. De acordo com o produtor Valtair Fernandes Cardoso, 57 anos, a primeira safra de seu feijão – plantada entre agosto e dezembro de 2015 e colhida entre janeiro e março deste ano – teve uma queda de 60% com relação à produção do ano passado. “Isso influencia bastante”, revelou Cardoso, que tem fazendas na DF-320 (próximo à Planaltina) e em Padre Bernardo (GO).
“Nós sofremos com a seca e o Paraná (grande produtor de feijão), com a chuva. Por isso, o preço aumentou em todo o país”, explicou. E a expectativa é que o valor do pacote somente se normalize a partir de fevereiro do ano que vem.
A próxima safra é irrigada, mas estamos com um problema sério de falta de água em algumas regiões e isso deve manter os preços lá em cima. A situação só deve melhorar depois da colheita da lavoura plantada na época de chuva."
Valtair Fernandes Cardoso, produtor de feijãoe acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o feijão-carioca é o principal produto da primeira safra. A queda na produção nacional nessa época foi de 9% se comparada a do ano passado, afirma o gerente de Levantamento e Avaliação de Safra da Conab, Cleverton Santana.
“O problema da segunda safra (plantada de janeiro a março) foi a produtividade. Tivemos precipitações abaixo da média e altas temperaturas, o que afetou o índice em 9,6%”, avaliou Santana. “Mas não podemos dizer que o impacto no preço se deu apenas por isso”, ressaltou.
CAROLINE BCHARA/METRÓPOLES
O engenheiro Luiz Carlos Machado substituiu a marca do feijão que comprava por conta do preço
ConsumoOs consumidores já estão em alerta com o aumento. O engenheiro Luiz Carlos Machado, 70 anos, começou a substituir a marca do feijão que comprava, justamente por estar muito cara.
“Coloquei no carrinho uma marca que não conheço. Na verdade, hoje a gente escolhe a menos cara, né? Já não é a mais barata”, destacou Machado.
“É um absurdo. Os preços têm aumentado muito de três meses para cá. É muito difícil abrir mão do arroz e do feijão, porque são alimentos básicos. O resto a gente dá um jeito”, declarou a professora aposentada Tânia Maria Kusel, 63 anos.
RepercussãoA alta do preço do feijão também invadiu as redes sociais nos últimos dias. Posts e memes foram publicados, alguns inclusive fazendo referências a programas do governo federal.

Polícia Federal faz operação contra contrabando em quatro estados

16/06/2016 07h49 - Atualizado em 16/06/2016 08h03
Operação foi deflagrada nesta quinta (16) no PR, SP, MG e ES.  

Ao todo, 138 mandados foram expedidos, sendo 43 de prisão.

Adriana JustiDo G1 PR
Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação na manhã desta quinta-feira (16) para combater o crime de contrabando. A ação ocorre em cidades do Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Espirito Santo e cumpre 138 mandados judiciais. A ação conta com 360 policiais federais e foi batizada de Celeno.
Do total de mandados, 28 são de prisão preventiva, 15 de prisão temporária, 18 de condução coercitiva, que é quando a pessoa é levada para prestar depoimento, e 77 de busca e apreensão. A prisão temporária tem prazo de cinco dias e pode ser prorrogada, já a prisão preventiva é por tempo indeterminado.
Segundo a PF, a quadrilha movimentava anualmente cerca de R$ 3 bilhões em mercadorias contrabandeadas.
As investigações começaram em 2013 e identificaram quatro grupos criminosos. Ainda conforme a PF, eles conduziam aeronaves de Salto Del Guairá, no Paraguai, até pistas clandestinas no interior de São Paulo. As mercadorias eram então retiradas dos aviões e escoadas para entrepostos de armazenamento, de onde eram transportadas por caminhões e veículos até os destinatários finais.
As investigações apontaram que pelo menos 12 aeronaves eram utilizadas pelos criminosos, realizando até dois voos diários, e que cada uma levava cerca de 600 quilos de mercadorias, num valor estimado de 500 mil dólares por frete ilícito.
Quatro aeronaves foram apreendidas ao longo das investigações. Uma delas é um monomotor, alvejado pela Força Aérea Brasileira (FAB), em outubro de 2015, quando tentava retornar ao Paraguai carregado de mercadorias.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

'Absolutamente inverídica', diz Michel Temer sobre delação de Machado

15/06/2016 18h12 - Atualizado em 15/06/2016 18h26

Presidente em exercício divulgou nota para rebater depoimento.
Ex-Transpetro disse que acertou pagamentos indevidos a Temer.

Filipe MatosoDo G1, em Brasília
A assessoria do presidente em exercício Michel Temer divulgou uma nota nesta quarta-feira (15) na qual afirmou que é "absolutamente inverídica" a versão dada pelo ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado em acordo de delação premiada. No depoimento, Machado declarou ter acertado com o peemedebista doações oficiais para campanhas do ex-deputado federal Gabriel Chalita com recursos que teriam origem ilícita.

No depoimento, o ex-presidente da Transpetro disse que Temer pediu a ele que obtivesse doações oficiais para Chalita na campanha à Prefeitura de São Paulo em 2012 – à época, o ex-deputado era filiado ao PMDB. Machado narrou encontro que teve com Temer em setembro daquele ano. Na ocasião, ele diz que acertou o valor de R$ 1,5 milhão para a campanha, pagos pela construtora Queiroz Galvão ao diretório do PMDB.
Na nota divulgada nesta quarta-feira, a assessoria de Temer informou que o presidente em exercício manteve relacionamento “apenas formal e sem nenhuma proximidade” com o ex-presidente da Transpetro. O texto diz ainda que, em toda sua vida pública, Michel Temer sempre respeitou “estritamente” os limites legais quando buscou recursos para campanhas eleitorais.

“[Temer] jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas”, diz outro trecho da nota.

O acordo de delação premiada assinado por Machado, que pode reduzir eventual pena a ser cumprida por ele em caso de condenação, foi homologado pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF). A íntegra dos depoimentos, que soma 400 páginas, foi tornada pública no inicio da tarde desta quarta-feira (15).
A informação do pedido de doação já havia sido revelada pela TV Globo em 27 de maio, no Jornal Nacional. Nesta quarta (15), a delação foi tornada pública pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e novos detalhes vieram à tona, como o valor da doação.

Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pela assessorai de Temer nesta quarta:
Nota à imprensa
Em toda sua vida pública, o presidente em exercício Michel Temer sempre respeitou estritamente os limites legais para buscar recursos para campanhas eleitorais. Jamais permitiu arrecadação fora dos ditames da lei, seja para si, para o partido e, muito menos, para outros candidatos que, eventualmente, apoiou em disputas.
É absolutamente inverídica a versão de que teria solicitado recursos ilícitos ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado – pessoa com quem mantinha  relacionamento apenas formal e sem nenhuma proximidade.
Brasília, 15 de junho de 2016.

Machado terá que devolver R$ 75 milhões e ficar 3 anos preso em casa

15/06/2016 18h33 - Atualizado em 15/06/2016 20h34

Ex-presidente da Transpetro disse ter captado R$ 100 milhões para PMDB.

Novo delator da Lava Jato só poderá receber advogados, médicos e família.

Renan Ramalho e Nathalia PassarinhoDo G1, em Brasília
O ex-presidente da TranspetroSérgio Machado se comprometeu a devolver aos cofres públicos R$ 75 milhões que teria recebido de propina enquanto comandou a estatal, de 2003 a 2014. Parte menor do valor, de R$ 10 milhões, deverá ser pago até o fim deste mês. Outros R$ 65 milhões até o final do ano que vem.

O montante foi acertado no acordo de delação premiada fechado pelo executivo com o Ministério Público. Pelo acordo, ele pegará uma pena máxima de 20 anos quando for condenado, mas cumprirá apenas 3 anos em prisão domiciliar.
Nesse período, deverá permanecer em casa por 2 anos e 3 meses. Depois, poderá sair para prestar serviços comunitários. Em sua residência, em Fortaleza, poderá receber apenas advogados, profissionais de saúde e uma relação restrita de 27 familiares e amigos.

Até fevereiro de 2018, Machado poderá se ausentar da residência somente em algumas datas especiais, como o Natal.

Na colaboração com as investigações da Operação Lava Jato, Sérgio Machado admitiu ter repassado propina a mais de 20 políticosde 6 partidos. Só para o PMDB, que apadrinhou sua nomeação, o executivo teria arrecadado R$ 100 milhões.
O novo delator da Lava Jato também contou aos procuradores da República sobre pedidos de doações eleitorais de parlamentares dePMDB, PT, PPDEMPSDB e PC do B.
"Embora a palavra propina não fosse dita, esses políticos sabiam, ao procurarem o depoente, que não obteriam dele doação com recursos do próprio, enquanto pessoa física, nem da Transpetro, e sim de empresas que tinham relacionamento contratual com a Transpetro", disse Machado na delação.
A Transpetro informou que analisa o conteúdo das delações de Sérgio Machado e de seus filhos, que é "vítima da prática de delitos" e que, como tal, será beneficiada pela multa a ser paga pelo delator. A empresa ressalta ainda que "atua em conjunto com a Petrobras e colabora com os Órgãos Externos de Controle, Ministério Público e Poder Judiciário".
A lista de Sérgio Machado (Foto: Editoria de Arte/G1)

Governo do DF promete resultados na Saúde em 45 dias Governador e secretário dizem aos distritais que, com organizações sociais na gestão, atendimento melhora a curto prazo 15 de junho de 2016


Francisco Dutra
francisco.dutra@jornaldebrasilia.com.br

Matheus Oliveira/Agência Saúde

Grave bem este prazo para cobrar e fiscalizar: 45 dias. Na reunião de ontem com 10 deputados distritais para a apresentação do programa de contratação de Organizações Sociais (OSs) na Saúde Pública, o Governo do Distrito Federal prometeu: caso os contratos sejam feitos, os primeiros resultados serão percebidos pela população em apenas 45 dias. O governador Rodrigo Rollemberg promoveu a conversa em busca de apoio dos parlamentares, uma vez que o tema é extremamente polêmico.
A reunião feita no Palácio do Buriti teve participação dos distritais Roosevelt Vilela (PSB) Juarezão (PSB), Luzia de Paula (PSB), Reginaldo Veras (PDT), Israel Batista (PV), Agaciel Maia (PR), Julio Cesar (PRB), Lira (PHS), Sandra Faraj (SD) e Rodrigo Delmasso (PTN). Ao lado de Rollemberg, estavam o secretário de Saúde Humberto Lucena (na foto) e o secretário adjunto de Relações Legislativas, José Flávio de Oliveira.
“Perguntei em quanto tempo o governo espera ter resultados concretos com as OSs. E o secretário de Saúde respondeu que serão necessários somente 45 dias. Achei essa meta muito ousada”, ponderou Reginaldo Veras. O parlamentar deixou a reunião convicto que as contratações de OSs não são a melhor saída para o DF. No entanto, os demais distritais se mostraram abertos para a estratégia.
O Buriti pretende reforçar os serviços de prevenção e cuidados básicos para diminuir a pressão nos hospitais.
A população seria atendida por OSs nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e equipes da Atenção Primária em Ceilândia. Segundo o Executivo, este modelo de contrato permitiria mais agilidade nas compras e contratação de pessoal, sem as amarras da Lei de Responsabilidade Fiscal. O custo anual do projeto seria de R$ 244 milhões.
Ponto de vista
O líder do governo na Câmara Legislativa, deputado Julio Cesar, classificou como “louvável” a decisão do GDF de chamar os distritais  para uma conversa. “O governador mostrou que está disposto ao diálogo. Ele apresentou uma proposta e está aberto para debate para chegar a um consenso. Finalmente, esta discussão saiu e muito do ponto morto. Lembrando que o governo jamais vai tirar direitos dos servidores”, comentou.   Com ou sem organizações sociais, o parlamentar ressaltou que a Saúde Pública do Distrito Federal  vai de mal a pior há anos.
Funcionários ameaçam fazer um “paredão”
“É paredão. Este sindicato vai fazer frente a esse programa de corrupção. O governo diz que não tem dinheiro para contratar servidores, comprar remédios e operar UTIs (Unidades de Tratamento Intesivo), mas tem para contratar OSs? Não vamos admitir isso”, disparou a presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Serviços de Saúde de Brasília (SindSaúde) Marli Rodrigues.
As categorias planejam fazer pressão contra as contratações na Câmara, no Ministério Público e na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “OSs chega cobrando pouco. Mas dois anos depois aumenta as taxas e todos ficam reféns. Temos empresas terceirizadas para limpeza, alimentação e segurança. Quando elas não recebem deixam de trabalhar. Como vai ser com as OSs? Se faltar dinheiro, elas vão parar! Hospital não é supermercado. Não encontramos vida na prateleira”, criticou Marli.
Sem segurar a indignação, a sindicalista considera que a contratação de OSs servirá como cobertura para a criação de currais eleitorais, cabides de empregos e esquemas para favorecimento de empresários. Segundo Marli, a Atenção Primária e as UPAs podem ser reforçadas com o emprego de servidores do quadro atual e com o melhor uso dos recursos disponíveis.

Renan Calheiros presta depoimento à PF em inquérito da Lava Jato

Peemedebista foi ouvido como parte de investigação que apura se ele foi beneficiado por pagamento de propina da Petrobras
POLÍTICA INVESTIGAÇÃOHÁ 1 HORAPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), prestou depoimento à Polícia Federal na última sexta-feira (10) em inquérito sobre corrupção da Petrobras na Lava Jato. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo nesta quarta-feira (15).
O cacique do PMDB foi ouvido como parte da investigação que apura se ele recebeu propina em acordo da estatal com a categoria dos práticos. O ex-deputado federal Aníbal Gomes (PMBD), já indiciado pela PF, é o princial alvo dessa fase das investigações.
As suspeitas sobre o acordo entre a estatal e os práticos surgiu a partir da delação do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa. Segundo ele, Aníbal teria prometido R$ 800 mil a Renan em "caso de resolução favorável" em ação judicial em que duas empresas de seriço de praticagem da Baixada Santista cobravam R$ 60 milhões de indenização da estatal.
Renan e Gomes negam envolvimento em esquemas ilegais. A assessoria do senador afirma que ele é o "maior interessado nos esclarecimentos" e que apenas antecipou o depoimento.