quarta-feira, 15 de junho de 2016

Executivo da Camargo Corrêa aponta R$ 21 milhões em propina a PT e PMDB em Belo Monte

Luiz Carlos Martins fechou delação premiada em meados do ano passado e prestou novo depoimento em 30 de março deste ano

Por: Estadão Conteúdo
15/06/2016 - 09h04min
Executivo da Camargo Corrêa aponta R$ 21 milhões em propina a PT e PMDB em Belo Monte Regina Santos,Divulgação Norte Energia,Agência Brasil/ABR
Foto: Regina Santos,Divulgação Norte Energia,Agência Brasil / ABR
O engenheiro Luiz Carlos Martins, ligado à Camargo Corrêa e delator daOperação Lava-Jato, relatou compromisso de R$ 21 milhões em propina com PT e PMDB nas obras da Usina de Belo Monte. O engenheiro fechou delação premiada em meados do ano passado e prestou novo depoimento em 30 de março deste ano.
Martins reiterou todas as informações prestadas em sua colaboração. Relatou que, em 2011, levou ao então presidente da Camargo Corrêa, Dalton Avancini, a "cobrança" que lhe havia sido feita pelo então presidente da Andrade Gutierrez Energia, Flávio Barra.
"No sentido de que 1% dos valores desembolsados no contrato das obras civis de Belo Monte deveria ser encaminhado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB); que, complementando, afirma que a participação da Camargo Corrêa no empreendimento compreendia 16% no consórcio construtor (CCBM), pelo que lhe caberia o pagamento de R$ 21 milhões a título de propina aos citados partidos, 50% para cada", relatou.
O engenheiro disse que, ao levar "tal demanda" a Avancini, foi orientado a tratar exclusivamente dos pagamentos relacionados ao PMDB, "sendo que os valores a serem direcionados ao PT o próprio presidente disse que iria resolver", afirmou.
Martins mencionou ainda que cogitou comprar R$ 1 milhão em suco de fruta para maquiar suposta propina ao senador Edison Lobão (PMDB-MA) nas obras da usina. No depoimento prestado à Polícia Federal, em Brasília, no fim de março, ele detalhou que a "operacionalização dos pagamentos" a Lobão envolveu a empresa AP Energy Engenharia e Montagem LTDA. O peemedebista era então ministro de Minas e Energia.
"O "caminho" utilizado para fazer o dinheiro chegar ao destinatário, o então ministro de Minas e Energia Edison Lobão, foi mencionado em reunião do Conselho Diretor do CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte); que, especificamente, recorda-se que foram cogitados vários "caminhos", sendo que um deles envolvia Luiz Fernando Silva, que teria sido secretário estadual no Maranhão e que teria vínculos com o então ministro Lobão", relatou.
Enquanto discutia a dificuldade remeter o dinheiro ao Maranhão para pagar a propina, "em um momento o de descontração, surgiu a ideia de aquisição de R$ 1 milhão em suco de fruta". A ideia não foi para frente.
Martins contou que passou a procurar uma empresa com atividade compatível com a Camargo Corrêa, que pudesse fazer a intermediação dos valores. Segundo ele, "a remessa de valores ao Maranhão ficou ao encargo da AP Energy ou de outras empresas ligadas a ela".
Defesas
O criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que defende Lobão, declarou que o senador "desconhece essa empresa". "Nunca ouviu falar, não conhece essas duas pessoas que seriam os donos da empresa. Realmente não tem a menor noção de por que houve a citação." Citado, Dalton Avancini fez acordo de delação premiada antes e delatou o próprio Luiz Carlos Martins. A reportagem não localizou a defesa da empresa AP Energy. Também não foi encontrado o defensor de Luiz Fernando Silva. Procurados, PT e PMDB não se manifestaram até a conclusão desta edição.
Delfim
O engenheiro Luiz Carlos Martins destacou também que o PMDB determinou propina de 10% ao economista Delfim Netto, ex-deputado federal do partido, sobre as obras da Usina de Belo Monte. O executivo declarou que pagou R$ 160 mil em 4 parcelas.
Em 25 de junho do ano passado, o engenheiro relatou que, durante uma reunião, em 2012, o então presidente da Andrade Gutierrez Energia, Flávio Barra, "informou que do valor de 1% da propina que deveria ser dividida entre as empresas, ao invés de ser 50% para o PT e 50% para o PMDB, seriam na verdade 45% para cada e 10% seriam destinados a Delfim Neto". "Todos reclamaram disso, mas Flávio informou que era uma determinação do agente político do PMDB", declarou o executivo.
Os advogados Ricardo Tosto e Maurício Silva Leite, defensores de Delfim, informaram que o ex-ministro recebeu por serviços de consultoria. "Delfim Netto informa que prestou serviços de consultoria na área econômica e que recebeu os respectivos honorários." 

Traição de aliado mostra perda de poder de Cunha, diz jornal

Pouco depois de defender peemedebista, Wladimir Costa mudou voto e apoiou cassação
POLÍTICA COMISSÃOHÁ 29 MINSPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Ao lado da mudança de tom da deputada Tia Eron (PRB-BA), que havia sido colocada na Comissão de Ética para salvar Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a mudança no voto de Wladmir Costa (SD-PA) sinaliza que o presidente da Casa afastado começa a perder poder. A avaliação é do jornal O Globo.
Minutos antes de votar contra Cunha, Costa havia feito uma contundente defesa do mandato do peemedebista. No entanto, após o voto de Tia Eron, recuou e mudou de posição. Costa era dado como "voto certo" por aliados de Cunha. Sua traição provocou revolta e ele fo acusado de ser "fraco de caráter". A derrota do presidente da Câmara afastado foi puxada pelos votos da oposição, que se aliou ao PT e ao PSOL. O PMDB, por outro lado, se opôs ao primeiro passo em direção à cassação de Cunha.
"Votei por convicção e certeza que, mesmo não existindo provas materiais, existem indícios gravíssimos contra o mesmo e familiares. Me antecipei e resolvi informar logo pela manhã ao presidente do partido. O Paulinho [da Força, presidente do partido], mesmo não tendo exigido de minha pessoa que eu votasse contra ou a favor, me pareceu muito surpreso com o voto. Ficou atônito, mas logo saberá que fiz o melhor para o partido", disse o deputado.

Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira
Interesse na própria sobrevivência! 

Bebê de 2 anos some em lago da Disney após ser arrastado por jacaré

Criança caiu em lago artificial na noite de terça-feira (14) em Orlando, nos Estados Unidos
MUNDO ORLANDOHÁ 3 HORASPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
Um bebê de dois anos desapareceu na noite de terça-feira (14) depois de ser arrastado por um jacaré de um lago artificial que faz parte de uma das atrações do Disney World em Orlando, Flórida (EUA). As informações são do jornal Folha de S. Paulo.
De acordo com a polícia local, o incidente ocorreu por volta das 21h30 (22h30 em Brasília) em meio a um evento no resort Grand Floridian. O complexo fica próximo ao Magic Kingdom, o principal parque da Disney. Fontes de imprensa local dizem que a criança caiu no lago Seven Seas, que fica em frente ao parque.
O estado da Flórida vem passando por um série de incidentes envolvendo jacarés nos últimas meses. Em Lakeland, cidade que fica a 90 quilômetros de Orlando, um desses animais atacou um pessoa na semana passada. Dias depois, outro jacaré foi encontrado comendo restos humanos na mesma região. As autoridades do estado chegaram a alertar moradores e turistas para ter mais atenção em relação ao réptil.

"Respeitar o Próximo é a sabedoria da Evolução"

Respeito. Palavra que para algumas pessoas nem existe no dicionário, respeito é um aprendizado que deveria começar no berço, saber ser ético, respeitar o próximo isso é uma qualidade que todo ser humano precisa ter! É uma atitude tão simples saber respeitar isso é pensar no próximo! A ausência desta qualidade faz do homem um ser desprezível! Lembram-se desta frase Respeite a si mesmo como respeita o próximo! É deste jeito que tinha que ser! No meu vê quem não sabe se der ao respeito no meu ponto de vista o qualifico de desonesto! Independente das diferenças o respeito é fundamental para se tiver respeito como disse Maycon Oliver "Respeitar o Próximo é a sabedoria da Evolução" É admirável o ato de respeitar o próximo vamos nos comprometer com o respeito, não tem como sermos felizes não respeitando o próximo, para conservarmos os valores, mantermos os amigos, precisamos aprender a respeitar a dor dos outros o mundo esta precisando de pessoas mais humanas! Vamos lembrar que o mundo gira em torno de todos nós, mais para algumas pessoas parece girar em torno do próprio umbigo achando este que pode tudo Pessoas assim só vão aprender no sofrimento... Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante. Albert Schweitzer.







Disney doa US$ 1 milhão para vítimas de ataque em boate gay de Orlando

15/06/2016 08h38 - Atualizado em 15/06/2016 08h39

Dinheiro será destinado à fundação criada para ajudar vítimas do ataque.

Atirador Omar Mateen matou 49 pessoas e feriu outras 53 na boate Pulse.

Da Agência Efe
Presidente da Disney anunciou que doará US$ 1 milhão (R$ 3,47 milhões) para ajudar as famílias das vítimas do ataque em boate gay de Orlando (Foto: Reprodução/Walt Disney Company)Presidente da Disney anunciou que doará
US$ 1 milhão (R$ 3,47 milhões) para ajudar as
famílias das vítimas do ataque em boate gay de
Orlando (Foto: Reprodução/Walt Disney Company)
A Disney anunciou na terça-feira (14) que doará US$ 1 milhão (R$ 3,47 milhões) para ajudar as famílias das vítimas do ataque a uma boate gay de Orlando, na Flórida (EUA). O atirador Omar Mateen invadiu a casa noturna e matou 49 pessoas, além de ter ferido outras 53.
"Estamos desconsolados por esta tragédia e esperamos que com esta doação possamos ajudar as pessoas na comunidade que foram afetadas por este ato sem sentido", afirmou em comunicado Bob Chapek, presidente de Walt Disney Parks and Resorts.
A companhia de entretenimento disse que o dinheiro será destinado à fundação OneOrlando, criada pelo prefeito da cidade, Buddy Dyer, a fim de ajudar "a todos os afetados pelos trágicos eventos" do último domingo (12).
No ataque, o atirador armado com um fuzil AR-15 e uma pistola atirou contra os frequentadores da boate Pulse, voltada para o público LGBT, na madrugada de domingo (12). Entre os 53 feridos, seis se encontram em estado grave
Chapek lamentou as mortes e afirmou que cerca de 74 mil funcionários da companhia são moradores de Orlando. No comunicado, a Disney disse que disponibilizou cinco pontos para os funcionários que desejarem doar sangue.
O complexo também conta com um alojamento complementar que pode ser utilizado por parentes das vítimas. Além disso, a empresa prometeu que igualará cada dólar que os empregados doarem através de um programa da Fundação Walt Disney.
Fundo OneOrlando
Na terça (14), o prefeito de Orlando anunciou a criação do Fundo OneOrlando, que apoiará as organizações que ajudam as famílias e vítimas do ataque, assim como as comunidades LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais), latinas e religiosas, entre outras.
Prefeito de Orlando, Buddy Dyer, anunciou a criação do Fundo OneOrlando (Foto: Chris O'Meara/AP)Prefeito de Orlando, Buddy Dyer, anunciou a criação do Fundo OneOrlando (Foto: Chris O'Meara/AP)
Disney como alvo
As autoridades investigam se Mateen buscou outros alvos antes do massacre na boate, entre eles o parque temático da Walt Disney em Orlando, segundo a emissora "ABC News".
Embora a companhia tenha se recusado a comentar o assunto, um executivo da Disney, que preferiu não ser identificado, afirmou ao jornal local "Orlando Sentinel" que Mateen visitou o parque temático Magic Kingdom, propriedade da Disney, em abril.
Feridos
No Centro Médico Regional de Orlando, para onde foi levada a maioria dos feridos, seguem hospitalizadas 27 pessoas, seis delas em estado grave, enquanto 11 se encontram em outros hospitais da região, segundo o último boletim médico.
Em entrevista coletiva conjunta, o cirurgião Michael Cheatham informou que o hospital atendeu 44 pessoas, das quais nove morreram logo após serem internadas, 27 estão hospitalizadas e o restante recebeu alta.

À espera de transplante, americano vive 555 dias sem coração

15/06/2016 07h43 - Atualizado em 15/06/2016 07h43

Enquanto aguardava doador, jovem de Michigan foi mantido vivo com coração artificial externo - que carregava na mochila.

Issaac MumenaBBC Africa, Kampala
Stan Larkin na quadra de basquete, com o coração artificial e o Freedom Driver em uma mochila (Foto: Universidade de Michigan/Divulgação)Stan Larkin na quadra de basquete, com o coração artificial e o Freedom Driver em uma mochila (Foto: Universidade de Michigan/Divulgação)
Nos últimos 18 meses, o americano Stan Larkin, de 25 anos, levou uma rotina semelhante a de outros jovens da mesma idade, com momentos de lazer ao lado a família, passeios de carro com os amigos e eventuais jogos de basquete. A diferença é que Larkin não tinha um coração.
Durante os 555 dias seguintes, enquanto aguardava um doador compatível para que pudesse ser submetido a um transplante, Larkin foi mantido vivo graças a um coração artificial temporário.Diagnosticado com cardiomiopatia, condição genética que afeta o músculo do coração, o morador de Ypsilanti, no Estado de Michigan, foi submetido a uma cirurgia para a retirada do órgão em 7 de novembro de 2014.
O dispositivo, denominado "Coração Artificial Total" e fabricado pela empresa SynCardia, é conectado por dois tubos que saem do corpo do paciente a uma máquina chamada Freedom Driver, que garante a energia para o funcionamento do coração artificial e permite que o sangue seja bombeado para o corpo.
Pesando pouco mais de 6 kg, o Freedom Driver é carregado em uma mochila, o que permitiu que Larkin, em vez de esperar pelo transplante em uma cama de hospital, como a maioria dos pacientes nessa situação, pudesse ir para casa e levar uma vida praticamente normal durante o período.
No mês passado, os médicos finalmente encontraram um doador e Larkin recebeu um transplante. Ele passa bem e já teve alta.
Stan Larkin, com o coração artificial, jogando basquete com seu pai (Foto: Universidade de Michigan/Divulgação)Stan Larkin, com o coração artificial, jogando basquete com seu pai (Foto: Universidade de Michigan/Divulgação)
"É impressionante como ele levou uma vida ativa com o dispositivo, até jogando basquete", disse à BBC Brasil o médico Jonathan Haft, que realizou ambas as cirurgias no Centro Cardiovascular Frankel da Universidade de Michigan.
"Ele obviamente queria o transplante, queria se livrar da mochila e de todo o trabalho envolvido, mas em termos de independência e qualidade de vida foi realmente extraordinário ver como ele se saiu bem", avalia o cirurgião.
Grupo seleto
Apesar de não ser inédito, o caso de Larkin é pouco comum. "Ele foi o primeiro paciente no Estado de Michigan a ser liberado do hospital usando essa tecnologia, esse componente externo que permite ao paciente esperar pelo transplante em casa", salienta Haft.
Segundo a Universidade de Michigan, antes dessa tecnologia portátil ser aprovada nos Estados Unidos (em junho de 2014), o coração artificial total temporário era ligado a uma máquina chamada "Big Blue", que pesava cerca de 190 kg e tinha o tamanho de uma lavadora de roupas, obrigando os pacientes a permanecer no hospital por meses ou até anos até encontrarem um doador.
De acordo com Haft, o coração artificial total do tipo usado por Larkin é implantado cerca de 200 vezes por ano ao redor do mundo, um número bastante baixo em um universo de milhões de pessoas com doenças cardíacas graves.
O médico observa que, em caso de pacientes à espera de transplante, costuma ser mais frequente o uso de dispositivos de assistência ventricular, que auxiliam apenas um ou outro lado do coração.
Ao contrário desses dispositivos, o coração artificial total é equipado para auxiliar quando ambos os lados do coração falham e precisam de assistência, como no caso de Larkin.
Conforme a Universidade de Michigan, Larkin faz parte de um grupo seleto de pacientes nos Estados Unidos a se beneficiar da independência proporcionada por essa tecnologia portátil.
Irmão
Larkin foi diagnosticado em 2007, após desmaiar jogando basquete.
Seu caso é ainda mais incomum porque seu irmão mais novo, Dominique, de 24 anos, descobriu ter a mesma doença e teve o coração removido menos de um mês depois de Larkin.
Dominique teve seu coração substituído pelo órgão artificial em dezembro de 2014. Seis semanas depois, ainda no hospital, recebeu um transplante.
Os irmãos Dominique (à esquerda) e Stan (à direita) Larkin, após o transplante (Foto: Universidade de Michigan/Divulgação)Os irmãos Dominique (à esquerda) e Stan (à direita) Larkin, após o transplante (Foto: Universidade de Michigan/Divulgação)
"É raro o fato de dois irmãos, que sofriam da mesma doença havia anos, terem vindo parar no hospital na mesma época. Ambos chegaram a um estágio avançado da doença ao mesmo tempo, então tínhamos os dois na nossa Unidade de Tratamento Intensivo, e ambos receberam um coração artificial na mesma época, com poucas semanas de diferença", observa Haft.
Limitações
Em entrevista coletiva após o transplante, Larkin descreveu os últimos 18 meses como uma "montanha-russa de emoções".
Apesar da independência proporcionada pelo dispositivo portátil, Larkin teve de conviver com algumas limitações.
"Esse dispositivo obviamente precisa de energia para funcionar. Há baterias que dão ao paciente liberdade por um curto período de tempo, mas é preciso sempre levar baterias extras e poder carregar o dispositivo quando a carga estiver chegando ao fim", ressalta Haft.
"Nós também recomendamos aos pacientes levar um Driver extra para que, caso falhe, possam trocar onde estiverem. Larkin precisava estar sempre acompanhado de alguém que levasse o Driver extra", diz o médico.
Além disso, Haft ressalta que os tubos que saem da pele do paciente são grandes e suscetíveis a infecções.
O cirurgião prevê que avanços tecnológicos irão produzir dispositivos menores, mais leves e com baterias mais duradouras.
Haft afirma que, à medida que essa tecnologia se tornar mais frequente, vai permitir aos pacientes atividades como trabalhar e viajar.
"É gratificante ver o resultado fantástico no caso de Larkin", comemora.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Teori nega pedido de prisão feito pela PGR contra Renan, Sarney e Jucá

14/06/2016 19h06 - Atualizado em 14/06/2016 21h09

Ministro do STF considerou imunidade parlamentar e ausência de flagrante.

No mesmo despacho, magistrado deu 5 dias para Cunha apresentar defesa.

Renan RamalhoDo G1, em Brasília
O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta terça-feira (14) os pedidos de prisão apresentados pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da República José Sarney.
Na avaliação do ministro do STF, não houve no pedido de prisão "a indicação de atos concretos e específicos" que demonstrem a efetiva atuação dos três peemedebsitas para interferir nas investigações da Lava Jato.
Em relação ao pedido da PGR para prender o presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), Teori ainda não tomou uma decisão definitiva. Em razão do vazamento do pedido de prisão do deputado do PMDB, o magistrado mandou intimar Cunha a se manifestar em até cinco dias para se defender.
Além disso, o sigilo envolvendo o pedido de prisão do presidente afastado da Câmara será retirado para possibilitar que os advogados tomem conhecimento dos motivos apresentados por Janot para colocar o peemedebista atrás das grades.
A informação sobre os pedidos de prisão de Renan, Jucá e Sarney foi publicada na edição da última terça (7) do jornal "O Globo" e confirmada pela TV Globo. Já a solicitação para prender Cunha foi divulgada pelo Bom Dia Brasil.
Segundo o jornal, Janot solicitou a prisão de Renan, Sarney e Jucá em razão de suspeitas de que eles estavam tentando obstruir as investigações do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
No caso de Cunha, segundo a TV Globo, o Ministério Público alegou que a decisão do Supremo de afastá-lo da presidência da Câmara e do mandato de deputado federal não surtiu efeito e o parlamentar teria continuado interferindo no comando da Casa.
Os pedidos da Procuradoria foram baseados nos depoimentos do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado aos investigadores da Lava Jato e em gravações que ele fez de conversas com Renan, Sarney e Jucá. Em sua delação premiada, Machado relatou aos procuradores da República ter repassado a eles propinas no valor de R$ 71,7 milhões.
Os valores, disse o executivo em depoimentos, foram desviados de contratos da estatal e entregues em espécie ou por meio de doações eleitorais registradas. Ele detalhou que, para Calheiros, foram pagos R$ 32,2 milhões; para Jucá, R$ 21 milhões; e para Sarney, R$ 18,5 milhões. Os valores das propinas constam na decisão de Teori que negou o pedido de prisão.
Nesta terça, o relator da Lava Jato retirou o sigilo das solicitações para prender os integrantes da cúpula do PMDB. Com isso, o teor da delação premiada do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado deverá ser divulgada nesta quarta-feira (15).
Nos áudios, os políticos do PMDB discutiam com Machado estratégias para tentar barrar a Operação Lava Jato. Jucá chegou a afirmar que era preciso fazer um "pacto" para frear as investigações. Nomeado como ministro do Planejamento do presidente em exercício Michel Temer, Jucá foi exonerado após a divulgação da fala.
A PGR viu indícios nas gravações de que os peemedebistas estavam conspirando para limitar as investigações do esquema de corrupção que atuava na Petrobras.
"O teor das conversas gravadas, por si só, não constituem motivo suficiente para a decretação da prisão preventiva. Indispensável seria que o Ministério Público indicasse condutas concretas aptas a formar um convencimento minimamente seguro sobre o risco alegado. No ponto, o requerimento de custódia cautelar está calcada em presunção de que os requeridos, pelo teor das conversas gravadas, poderão utilizar da força política que possuem para causar interferências nas investigações, sem contudo apresentar atos ou elementos concretos nesse sentido”, destacou Teori na decisão.
Incomodado com o vazamento dos pedidos de prisão, o procurador-geral da República determinou que o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, instaure inquérito para apurar o caso.

Ele também avaliou que o Ministério Público não demonstrou fundamentos suficientes para a prisão dos peemedebistas.
'Inexistência de flagrante'

Relator dos processos da Lava Jato no STF, Teori Zavascki rejeitou os pedidos de prisão considerando a imunidade parlamentar e a inexistência de crime em flagrante, condição necessária para prender parlamentares com foro privilegiado.
“O Ministério Público não apontou a realização de diligências complementares, tendentes a demonstrar elementos mínimos de autoria e materialidade, a fim de justificar a medida de cunho restritivo, fundamentando o seu pedido exclusivamente no conteúdo das conversas gravadas pelo colaborador e em seu próprio depoimento”, escreveu o ministro no despacho divulgado nesta terça-feira.
Ele ainda destacou no despacho o entendimento do STF de que deve ser decretada prisão antes de uma condenação somente em situação “absolutamente necessária”, como “exceção à regra da liberdade”.
“A medida somente se legitima em situações em que ela for o único meio eficiente para preservar os valores jurídicos que a lei penal visa a proteger, segundo o art. 312 do Código de Processo Penal. Fora dessas hipóteses excepcionais, a prisão preventiva representa simplesmente uma antecipação da pena, o que tem merecido censura pela jurisprudência desta Suprema Corte”, escreveu.
Em relação a Sarney, o ministro do STF considerou que não havia motivos para uma prisão preventiva, mesmo que em regime domiciliar com monitoramento por tornozeleira eletrônica, como propôs a PGR.
O relator da Lava Jato rejeitou, em outra decisão, pedidos de busca e apreensão em locais ligados a Renan, Jucá e Sarney. A PGR queria autorização para buscar provas do envolvimento dos três peemedebistas em crimes de organização criminosa e embaraço às investigações.
Crítica ao teor dos diálogos
Em outro trecho de sua decisão, Teori Zavascki também chama a atenção para o teor das conversas de Renan, Jucá e Sarney com Machado. Na visão do magistrado, os diálogos não estão à altura de agentes públicos do porte dos caciques do PMDB.
“Não se mostram à altura de agentes públicos titulares dos mais elevados mandatos de representação popular. Mas não se pode deixar de relativizar a seriedade de algumas afirmações, captadas sem a ciência do interlocutor, em estrito ambiente privado”, ponderou o ministro.
Mesmo assim, diz Teori, as falas não são suficientes para decretar prisões antes de uma condenação em que são necessárias provas de crime.
Montagem Eduardo Cunha, José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá (Foto: José Cruz, Fabio Rodrigues Pozzebom, Antonio Cruz e Marcelo Camargo/Agência Brasil)Eduardo Cunha, José Sarney, Renan Calheiros e Romero Jucá (Foto: José Cruz, Fabio Rodrigues Pozzebom, Antonio Cruz e Marcelo Camargo/Agência Brasil)
O que dizem os políticos
As assessorias de Romero Jucá e José Sarney informaram ao G1 que eles não vão se pronunciar sobre a decisão do ministro do STF. O G1 procurou Cunha, mas até a última atualização desta reportagem não obteve retorno.
No dia do pedido de prisão, Renan Calheiros classificou, por meio de nota, de "desarrazoada, desproporcional e abusiva" a solicitação do Ministério Público. Nesta terça, a assessoria do presidente do Senado informaram que mantinha as mesmas declarações apresentadas no comunicado da semana passada.
Na nota, ele ainda tinha reafirmado que "não praticou nenhum ato concreto que pudesse ser interpretado como suposta tentativa de obstrução à Justiça".

José Sarney também afirmou, na ocasião do pedido de prisão, que estava "perplexo, indignado e revoltado". O ex-presidente da República destacou, em uma nota, que, após ter dedicado 60 anos à vida pública, julgou que "tivesse o respeito de autoridades do porte do procurador-geral da República.
"Jamais agi para obstruir a Justiça. Sempre a prestigiei e fortaleci. Prestei serviços ao país, o maior deles, conduzir a transição para a democracia e a elaboração da Constituição da República", diz trecho do comunicado.
Já Romero Jucá havia dito na semana passada que considerava "absurdo" o pedido de prisão e falou que não temia nada. Afirmou ainda que apoia qualquer tipo de investigação. Jucá ressaltou que lamenta "este tipo de vazamento seletivo", que, segundo ele, "expõe as pessoas sem nenhum tipo de contraditório".
Eduardo Cunha disse, no dia do pedido, que via com "estranheza" o pedido de prisão feito por Rodrigo Janot.