segunda-feira, 13 de junho de 2016

BRASIL Que horas ela, a democracia, volta? Governo interino foi com tanta sede ao pote de maldades que incendiou a resistência. As ruas não dão sossego, o Brasil e o mundo desconfiam e impeachment pode ter reviravolta por Redação RdB

defesa_estatais_foto_midia_ninja.jpg
Lançamento de campanha em defesa das empresas estatais, no Rio, em 6 de junho
Em 30 de março, a cineasta Anna Muylaert, diretora do premiado filme Que Horas Ela Volta?, participava de um ato promovido por artistas no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp). Dizia ela que, se houvesse o golpe, "o governo que assumir não conseguirá dar dois passos" porque não terá legitimidade. Para a diretora, Dilma Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva eram vítimas de "tortura moral". No dia seguinte, Anna Muylaert iria além. Em pleno território de O Globo – um dos alicerces do golpe –, dedicou a Dilma e a Lula o prêmio "Faz Diferença", com que era agraciada pelo jornal.
"Quero dedicar esse prêmio às Jéssicas que estão hoje na universidade e a algumas pessoas que eu acredito que têm muito a ver com isso. Eu entendo essas pessoas como pai e a mãe das Jéssicas. Não no filme, mas na vida real, que são o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff", afirmou. Exatos dois meses depois, em 30 de maio, era a atriz Camila Márdila, a própria Jéssica do filme, quem abraçava Dilma em um ato de apoio.
"A Jéssica ajudou as pessoas a verem que é possível buscar um futuro, lutar pela profissão que querem, pela universidade. Ajudou muita gente a conhecer outro universo, perceber que o mundo é maior, que as possibilidades são outras", disse a atriz, em evento de lançamento do livro A Resistência ao Golpe de 2016 (Canal 6 Editora, 425 páginas). Jéssica, no filme, é filha de uma empregada doméstica que estuda, passa em vestibular da Faculdade de Arquitetura da Universidade de São Paulo (USP) e se relaciona em pé de igualdade com os patrões da mãe.
PAULO PINTO/APTresistencia.jpg
Em um dos capítulos de A Resistência ao Golpe de 2016, o sociólogo Giovanni Alves, da Unicamp, traça o processo econômico desde 2003 para explicar que a presidenta Dilma iniciou seu primeiro governo, em 2010, em conjuntura de crise global, e precisou adotar medidas impopulares. Os oposicionistas aproveitaram para impor a crise política
Naquele lançamento, durante evento na Universidade de Brasília (UnB), parte das projeções de Anna Muylaert já estava consumada. O processo de impeachment estava posto. E integrantes do governo interino de Michel Temer, de fato, mal conseguem dar dois passos. Por onde passam são escrachados, no Brasil e no mundo. O titular em exercício no Palácio do Planalto, diferentemente de se firmar como "líder capaz de unir o Brasil", foi com tanta sede ao pote de maldades que conseguiu despertar mais rejeição e desconfiança do que supunham os senadores que votaram pelo afastamento de Dilma. Alguns já dão sinais de que podem mudar de voto no julgamento final.
Os eventos de lançamento do livro têm sido marcados por fortes manifestações. O trabalho reúne 105 artigos e entrevistas, descreve em detalhes como foi construído o ambiente que levou ao processo de impeachment e tenta influenciar a votação final. "O livro se insere na luta política. Ainda que não necessariamente alinhados política ou partidariamente, abordamos do papel do Supremo Tribunal Federal à atuação da mídia, das ‘pedaladas fiscais’ aos meandros do Legislativo, do papel dos atores políticos internacionais aos bastidores da Lava Jato, da crise de representatividade à ofensiva golpista", diz a professora de Direito da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) Gisele Cittadino, uma das idealizadoras da obra.
RFIprotesto_paris_foto_rfi.jpg
Protesto contra Serra em Paris

Show de horrores

No mesmo 30 de maio em que foi lançado o livro caía o ministro da Transparência, Fabiano Silveira, flagrado em conversa na qual, como integrante do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dá orientações ao senador Renan Calheiros (PMDB-AL) sobre como agir diante da Operação Lava Jato. Antes dele, caíra ­Romero Jucá do Ministério do Planejamento, também depois do vazamento de conversas com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, nas quais escancaram o objetivo de pôr Temer na cadeira de Dilma como forma de esfriar a operação, por haver muita gente graúda do PMDB e do PSDB em apuros.
Na semana seguinte, o STF determinou, por meio liminar, o retorno do jornalista Ricardo Melo à presidência da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) – Temer o havia demitido contrariando a lei de criação da EBC, que assegura mandato ao presidente da empresa pública. Aguardavam ainda na fila das exonerações o advogado-geral da União, Fábio Medina Osório, o ministro do Turismo, Henrique Alves, o secretário de Governo, Geddel Vieira Lima, e a candidata a secretária da Mulher, Fátima Pelaes. Todos devido a currículos desabonadores.
Além de moralmente combalido desde o dia da posse, o governo em exercício empunhou bandeiras – como se verá em reportagens desta edição –, nas áreas econômica e social, que nada têm a ver com união nacional ou esforço para sair da crise. Remetem diretamente aos programas derrotados nas eleições presidenciais desde 2002. Para o ministro da Justiça do governo Dilma Eugênio Aragão, o país está diante de um momento crucial para combater o desmonte das políticas sociais. "Resistir a esse grupo que não tem compromisso com a democracia é muito importante, porque significa resgatar a dignidade do nosso voto", afirma.
Em um dos capítulos de A Resistência ao Golpe de 2016, o sociólogo Giovanni Alves, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), traça em longa narrativa o processo econômico desde 2003 para explicar que a presidenta Dilma iniciou seu primeiro governo, em 2010, em conjuntura de crise global, e precisou adotar medidas impopulares. Os oposicionistas aproveitaram para impor a crise política.
"O economista Marcio Pochmann sintetizou numa frase a tragédia do lulismo: ‘Os ricos não nos querem mais’", observa Alves. "Golpear o PT no governo e na sociedade civil foi uma decisão suprema das oligarquias que historicamente controlam, há séculos, o sistema de produção, de reprodução social, de representação política e de poder."
FREDERIC PAGES/RFIfora_temer_em_buenos_aires_foto_frederic_pages_rfi.jpg
'Fora Temer' em Buenos Aires

Sinais de fumaça

As forças que trabalharam pelo "golpe" sentiram uma mudança de clima a favor de Dilma. E passaram a conviver com um tripé de adversidades. Primeiro, o governo Temer não convence a sociedade. Segundo, a base de apoio da presidenta trabalha com perspectiva real de alcançar entre 28 e 33 votos e barrar o desfecho do golpe no Senado. E, terceiro, há um quadro nacional e internacional de mobilizações pela restituição da ordem democrática. Não se passa um dia, desde 12 de maio, sem um "Fora Temer".
Se imprensa e forças políticas cogitaram uma possível calmaria, o vento logo virou. As revistas semanais começaram com edições fingindo distanciamento crítico e até ensaiaram mudar de assunto. IstoÉ, que conclamou "coxinhas" e "mortadelas" a dar uma trégua, e Veja, que chegou a dar como capa a pílula do câncer, logo voltaram aos panfletos condenatórios de Dilma. Jornais passaram a trazer manchetes como "Recessão se aprofunda, mas surgem sinais de recuperação" (Folha de S.Paulo), ou "Crise econômica perde força" e "Temer fala em retomar crescimento" (Valor Econômico).
Dilma, aliás, sumiu do noticiário. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a atenção: "Tentam esconder a farsa do golpe censurando nossos protestos e até as atividades da presidenta Dilma. Depois do golpe, a Rede Globo simplesmente retirou a Dilma do ar, como se ela não existisse. Como se ela não estivesse lutando diariamente junto com os democratas para restabelecer o mandato e o Estado de direito", afirma, em vídeo exibido na UnB durante o lançamento de A Resistência ao Golpe de 2016.
FACEBOOK/GLENN GREENWALDGLENN_GREENWALD_foto_facebook_glenn_greenwald.jpg
Glenn Greenwald: fortalecimento de operadores corruptos cinicamente conduzido em nome da luta contra a corrupção
Além da imprensa, o próprio Temer e sua base deram sinais de pânico, ao restringir viagens e até comida à presidenta – que tem o direito legal a uma estrutura para que possa se defender – e ao tentar impedir seu direito de defesa durante o rito de andamento do processo na comissão especial do impeachment no Senado. O relator da comissão, o tucano Antonio Anastasia (MG), chegou a recusar em bloco 70 requerimentos apresentados pelo advogado da presidenta, José ­Eduardo Cardozo.
O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, com sua coluna no site independente The Intercept, virou tormento para o colunismo político tradicional e se tornou referência para a imprensa internacional. "Desde o começo, ficou evidente que o processo tinha como objetivo principal o fortalecimento dos verdadeiros ladrões de Brasília, permitindo assim que impeçam, obstruam e ponham fim às investigações da Operação Lava Jato (além de impor uma agenda neoliberal de privatizações e austeridade extrema)", escreveu Greenwald.
"Não se trata apenas da destruição da democracia no quinto país mais populoso do mundo, tampouco da imposição de uma agenda de privatizações e ataque aos pobres para benefício da plutocracia internacional. Trata-se do fortalecimento de operadores corruptos – desrespeitando as regras democráticas – cinicamente conduzido em nome da luta contra a corrupção."
Com reportagens de Hylda Cavalcanti e Paulo Donizetti de Souza

EXCLUSÕES Sob governo de Temer, o país é para poucos Cortes do governo interino no orçamento e golpes na Constituição limitam alcance do SUS, do Bolsa Família, do Minha Casa, Minha Vida e da educação pública por Cida de Oliveira

Sem retrocesso. Manifestante prepara cartaz para protesto em frente à Faculdade de Saúde Pública da USP, em São Paulo
Segundo a visão de país expressa no documento Uma Ponte para o Futuro, do PMDB, apenas 10 milhões de brasileiros – os 5% mais pobres – devem ser alcançados pelo sistema de proteção social. Menos de duas semanas depois de “empossado”, o governo do presidente interino, Michel Temer, com seu pacote de ajuste fiscal aprovado a toque de caixa pelo Congresso, golpeou de uma só canetada a saúde e a educação pública historicamente subfinanciadas e políticas recentes de distribuição de renda. Nas palavras da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), uma catástrofe para a sociedade, “menos para a elite rentista, preguiçosa e escravagista que ainda há no Brasil”.
Em seus primeiros dias à frente do ­Ministério da Saúde, o deputado federal licenciado Ricardo Barros (PP-PR) defendia o redimensionamento do Sistema Único de Saúde (SUS) ao tamanho de seu orçamento. Nas entrelinhas, aventava mudanças, ou o fim, de programas como o Mais Médicos, o principal para o setor criado ainda na primeira gestão da presidenta afastada Dilma Rousseff. ­Único sistema público de acesso universal à saúde existente em país com mais de 100 milhões de habitantes e invejado por governantes de vários países, o SUS nunca esteve tão exposto ao perigo de extinção.
O Conselho Nacional de Saúde (CNS) estima perdas entre R$ 44 bilhões e R$ 65 bilhões para o SUS já em 2017. Serão afetadas ações na atenção básica – como vacinas, medicamentos, controle de doenças, Samu – e de média e alta complexidade – como procedimentos, exames, cirurgias, transplantes e UTI, inclusive nas Santas Casas que recebem repasses do SUS. O colegiado chama atenção para outra ameaça: a aprovação, em primeiro turno no Senado, do substitutivo à proposta de emenda à Constituição (PEC) que prorroga a Desvinculação das Receitas da União (DRU).
SAMIR CURY/FOTOS PÚBLICASMinistro_Saude_Ricardo_Barros_no_Ceara_foto_01_6_2016_Samir_Cury_Fotos_Publicas.jpg
Enquadrado. O ministro da Saúde, Ricardo Barros (de costas), ouve protesto dos funcionários do setor em congresso de Secretarias Municipais de Saúde, em Fortaleza
O mecanismo deixa o governo livre para usar como quiser parte dos impostos vinculados por lei a determinadas áreas, já instituídos ou que vierem a ser criados nos próximos quatro anos. Existe desde 1994 (com diversos nomes, mas com mesmo objetivo), sempre permitindo o manejo de 20% dos orçamentos. Pela proposta, porém, sobe para 30% o percentual de manobra pela União – estados, municípios e o Distrito Federal também terão essa prerrogativa.
O Conselho Nacional de Saúde protestou, já que havia defendido a ampliação dos recursos ao SUS por meio da Lei de Iniciativa Popular nº 321/2013, que cobra 10% das receitas correntes brutas da União, ou seu equivalente, para ações e serviços públicos de saúde. Pelas contas do CNS, a combinação de emendas à Constituição e projetos de lei em andamento, União, estados, Distrito Federal e municípios poderão tirar da saúde até R$ 80 bilhões nos próximos sete anos.
“Estão ameaçando as políticas públicas da Saúde, as leis trabalhistas, os direitos dos aposentados. Com o silêncio da mídia, estão armando um ataque ao pouco da política pública que o Brasil construiu. Dizem que o povo brasileiro não cabe no orçamento do Estado, não cabe no aeroporto, não cabe na praia. Temos de resistir”, diz o presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Gastão Wagner de Sousa Campos, professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Na última semana de maio, profissionais, professores e estudantes ocuparam a sede do Ministério da Saúde em Salvador. E na primeira semana de junho, dedicada a atividades em defesa do SUS, Ricardo Barros foi escrachado em Fortaleza por integrantes da Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares. O jeito foi sair de fininho, sem fazer o pronunciamento de praxe na abertura do congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems).
Educação
A exemplo dos postos de saúde e dos hospitais, as escolas públicas tendem a, na melhor das hipóteses, manter a tendência de sucateamento: fechamento de salas de aula, superlotação de turmas, piora na merenda e na conservação dos prédios e achatamento salarial dos trabalhadores – apesar de o ensino básico ser atribuição direta de estados e municípios, a União participa do financiamento por meio de repasses e convênios.
O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, ­Daniel Cara, adverte: “Para sanar essas dificuldades é preciso ampliar os investimentos no setor. Por isso, o Plano Nacional de Educação aponta para o aumento dos investimentos federais no setor até chegar a 10% do PIB. Em vez disso, o governo sinaliza reduzir. Está em risco a educação e seus 40 milhões de alunos, 2 milhões de professores e 5 milhões de outros profissionais em todo o país”. Segundo ele, “a maior política social do Brasil e uma das maiores do mundo está ameaçada pela insuficiência dos recursos para as necessidades educacionais atuais”.
A situação pode piorar porque, embora a pressão social tenha poupado a educação dos efeitos da DRU no primeiro turno da votação, prefeitos e governadores pressionam fortemente pela inclusão nas próximas etapas da tramitação. Programas mantidos pelo governo federal, como ProUni, Pronatec e Ciência sem Fronteiras estão ameaçados, bem como a expansão do ensino superior. Abrem-se perspectivas de privatização em todos os níveis de ensino, com a volta do debate sobre a cobrança de mensalidades até nas universidades públicas.
ANSELMO CUNHAmanifestacao_estudantes_foto_protesto_porto_alegre_06_6_2016_anselmo_cunha.jpg
Educar não é prioridade O Plano Nacional de Educação aponta para o aumento dos investimentos federais no setor até 10% do PIB. Em vez disso, o governo sinaliza reduzir
Há sinais de retrocesso também no aspecto pedagógico diante da influência de setores conservadores com a equipe de governo interino. Exemplo emblemático foi a recente participação do ex-ator em atividade Alexandre Frota com o ministro da Educação, Mendonça Filho. Frota, que trocou o espaço perdido na TV pelo sempre promissor mercado de pornografia, deve ter muito a discutir com uma autoridade em educação. E com o crescente debate em torno de leis e propostas em várias cidades do país conduzidas por pessoas interessadas em coibir o exercício do pensamento crítico em escolas e universidades.
Coordenador do Fórum Nacional de Educação e secretário de Assuntos Educacionais da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação ­(CNTE), Heleno Araújo aponta ainda ameaças ao caráter público, laico, inclusivo e democrático do processo educativo. “Preocupa o espaço dado pelo MEC a movimentos que tentam cercear atuação do professor, como o Escola Sem Partido e o Escola Livre. Trata-se de iniciativas intimidatórias, que censuram o livre pensamento e promovem a criminalização e a insegurança aos professores”, afirma.
Para completar o início avassalador de “gestão em exercício”, Mendonça Filho exonerou no início de junho 31 assessores técnicos, sendo 23 ligados à Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (Secadi) e oito, à Secretaria-Executiva da pasta. As demissões afetam as atividades do Fórum Nacional de Educação (FNE), instância criada com objetivo de mediar a interlocução e promover a participação social, seja no processo de concepção, aplicação e avaliação de políticas de ensino, além de acompanhar tramitação de projetos legislativos referentes ao setor e a implementação do Plano Nacional de Educação (PNE). “Ficamos sem equipe de trabalho”, lamenta Heleno Araújo.
Bolsa Família
Pelos cálculos de pesquisadores da Fundação Perseu Abramo (FPA), pelo menos 10 milhões de famílias que necessitam do Bolsa Família deverão deixar de ser atendidas a partir de 2017. A premiada política de transferência de renda – que além de dar um mínimo de segurança a milhares de famílias, estimular economias locais em milhares de municípios e inspirar diversos governos também por incentivar famílias pobres a manter seus filhos na escola e em dia com a vacinação e outras ações de promoção da saúde – deverá estar voltada para os 5% mais pobres entre todos os pobres do país.
UBIRAJARA MACHADO/MDSbolsa_familia_foto_serrinha_bahia_2013_Ubirajara_Machado_mds.jpg
Volta da miséria. Dez milhões de famílias que necessitam do Bolsa Família poderão deixar de ser atendidas a partir de 2017
Além da redução do número de bolsistas, os cortes apontam para congelamento dos benefícios concedidos. As projeções da FPA mostram o estrago inclusive em estados ricos, que concentram bolsões de pobreza em suas regiões metropolitanas. Pelo documento do PMDB que marcou o rompimento do partido com o governo no ano passado, as populações carentes estariam concentradas apenas em comunidades isoladas e esparsas.
Para o presidente da FPA, Marcio ­Pochmann, o impacto social será significativo, com agravamento da exclusão social. “Haverá aumento da pobreza, subnutrição, violência, com maior impacto sobre o sistema de saúde. E evasão escolar, já que a frequência à escola é condição para recebimento da bolsa. Poucos estados mantiveram seus programas próprios de transferência de renda. A maioria os desarticulou, reunindo-se em torno do programa federal. Há cidades em que mais da metade da população está na pobreza”, diz o economista.
Minha Casa
Temer chegou a anunciar em meados de maio o fim de subsídios do Tesouro Nacional para o Minha Casa, Minha Vida. Com a medida, a renda de famílias que ganham até R$ 1.800 ficaria comprometida com a prestação da casa. Em ­bate-bapo com internautas, a presidenta Dilma Rousseff lembrou que 80% do déficit habitacional está justamente nesta faixa de renda. “Além de acabar com o subsídio, o governo provisório vai reduzir o número de moradias que serão contratadas”, afirmou. Questionada sobre a possibilidade de o governo interino elevar as parcelas dos imóveis, mesmo daqueles comprados com sistema de parcelas fixas, a presidenta disse: “Não sabemos até que ponto eles irão no desmonte do Minha Casa, Minha Vida. Fique de olho. Nós estaremos”.
MARCELO CAMARGO/ABRministerio_das_cidades_foto_06_6_2016_Marcelo_Camargo_Agencia_Brasil.jpg
Em cima dos mais pobres. Temer chegou a anunciar o fim de subsídios do Tesouro para o Minha Casa, Minha Vida, atingindo famílias que ganham até R$ 1.800
Em 1º de junho, liderados pela Frente­ Povo Sem Medo, manifestantes ocuparam o prédio onde fica o escritório em São Paulo da Presidência da República, na Avenida Paulista. Exigiam a manutenção do compromisso de construção de 11.250 unidades habitacionais. Portaria determinando a contratação das obras havia sido assinada por Dilma, e revogada pelo interino. A medida afetaria uma modalidade do programa administrada por entidades da sociedade civil de forma associativa, que torna, segundo experiências já executadas, as construções melhores e mais baratas.
Sem admitir o temor de desgaste pela força da mobilização popular – a mesma que fez com que Temer recriasse o Ministério da Cultura dias após sua extinção –, o ministro das Cidades, Bruno Araújo, recuou e anunciou a publicação de nova portaria para a contratação de 13.900 moradias. Os manifestantes desocuparam o prédio.
Criado em 2009, o programa abriu 5 milhões de empregos em toda cadeia produtiva da construção civil. Até o final de abril, foram contratadas mais de 4 milhões de moradias que beneficiam mais de 6 milhões de pessoas. O programa pode custear até 90% do valor do imóvel e o restante é dividido em até dez anos, com parcela mínima de R$ 80 e máxima de R$ 270. Como lembrou ­Dilma em conversa com internautas, o governo interino já demonstrou ser contra qualquer subsídio para os mais pobres. “Acreditamos que eles, do jeito que vão, são capazes de tudo.”
MIDIA NINJAocupa_minc_rj_foto_midia_ninja.jpg
Programação cultural do Ocupa MInC-RJ
A Cultura preterida
A fusão do Ministério da Cultura (MinC) com o da Educação pelo governo interino, a pretexto de economia, durou uma semana. Temer anunciou a recriação da pasta em 21 de maio, quando a pressão de artistas era grande em atos, na imprensa e nas redes sociais, e havia órgãos ligados ao MinC ocupados em 18 estados, incluindo a sede da Fundação Nacional de Artes (Funarte), no Rio de Janeiro.
Em mais uma sucessão de tropeços, Temer chegou a mandar a senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) convidar a jornalista Marília Gabriela – que afirmou publicamente não compor governo golpista. A atriz Bruna Lombardi, a antropóloga Claudia Leitão e a professora Elaine Costa, coordenadora de cursos de pós-graduação na Fundação Getúlio Vargas, também recusaram. O posto acabou ocupado pelo secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Marcelo Calero, que tomou posse em 24 de maio.
ROVENA ROSA / ABRpovo_sem_medo_foto_01_6_2016_Rovena_Rosa_Agencia_Brasil.jpg
Povo Sem Medo. Movimentos de moradia ocupam a entrada do prédio onde funciona o escritório da Presidência da República em São Paulo, na Avenida Paulista, contra os cortes anunciados pelo governo interino no Minha Casa, Minha Vida

Estado Islâmico assume autoria do ataque em Orlando

O grupo terrorista afirma que o atentado foi executado por “um soldado do Estado Islâmico”

Atentado em Orlando


O grupo terrorista Estado Islâmico do Iraque e da Síria (ISIS, na sigla em inglês) assumiu a autoria do massacre de Orlando, com 50 mortos e 53 feridos, por meio de dois comunicados, escritos em árabe e em inglês, divulgados por meio das redes sociais da agência de informações Amaq, que funciona na sua órbita. Tradicionalmente, e por motivos religiosos, os radicais islâmicos intensificam seus ataques no mês do Ramadã, que dura até 6 de julho. Segundo o comunicado em inglês: “Fontes da Agência Amaq: o ataque contra um clube de homossexuais em Orlando, Flórida, que deixou mais de 100 mortos e feridos, foi executado por um soldado do Estado Islâmico”. O comunicado em árabe seguiu a mesma linha.
O Estado Islâmico geralmente reivindica a autoria de atentados executados no ocidente com certa rapidez, inclusive os que são realizados por lobos solitários, pessoas que operam por iniciativa própria, sem coordenação com nenhuma célula, mas inspiradas pela ideologia jihadista desse grupo que controla partes da Síria e do Iraque.
No entanto, quando o ISIS emitiu seu boletim diário, poucas horas depois do massacre, mencionava todas as suas atividades neste 12 de junho, mas não falou nada sobre o massacre de Orlando. Ainda assim, desde 2014, os líderes desse grupo terrorista deram permissão a qualquer pessoa para a execução de atentados terroristas em seu nome, sem necessidade de pedir permissão. Por isso, ratificou o apoio posteriormente, por meio da agência Amaq.suposto autor do massacre, Omar Mateen, americano de 29 anos, ligou para o número de emergência 911, antes de começar o ataque ao clube, e proclamou sua afiliação ao ISIS, segundo fontes policiais citadas pela imprensa local americana, como a emissora de televisão NBC. A chamada foi gravada e está sendo analisada pelos agentes que tocam a investigação.
O caso de Mateen é similar ao do autor do massacre de San Bernardino, Syed Farook, que ano passado matou 14 pessoas. No mesmo dia dos assassinatos, ele publicou uma mensagem no Facebook em que proclamava sua lealdade ao Estado Islâmico.

Tudo que já se sabe sobre o pior ataque a tiros dos Estados Unidos

Ataque na Flórida matou 50 pessoas em boate gay e deixou 53 ficaram feridas
MUNDO TRAGÉDIA ORLANDOHÁ 1 HORAPOR NOTÍCIAS AO MINUTO
A polícia americana informou que as investigações sobre o ataque na boate Pulse, em Orlando, que vitimou 50 pessoas e deixou 53 feridos está em pleno andamento.
Entre dúvidas e esclarecimentos, autoridades já divulgaram informações sobre o ocorrido, segundo o G1.
Confira:
- O atirador, Omar Mateen, matou 50 pessoas e deixou 53 feridas na boate. Mateen é cidadão americano e filho de pais afegãos. Nasceu em Nova York e vivia a 200 km de Orlando, na cidade de Port Saint Lucie.
A ex-mulher de Mateen informou ao "Washington Post" que ele era violento, mentalmente instável e batia nela constantemente enquanto eles eram casados.
- As armas usadas no crime foram um rifle AR calibre .223 e uma pistola 9mm semiautomática.
- A polícia foi acionada por volta das 2h da manhã, horário local, e resolveu resgatar as vítimas feitas reféns por volta das 5h.
- Houve troca de tiros entre atirador e polícia. O atirador foi morto por agentes, que libertaram os reféns.
- A Pulse faz parte de uma rede comunitária dinâmica na Flórida que pretende "despertar as consciências" sobre a homossexualidade nos Estados Unidos e no mundo.
- O atirador ligou para o 911 pouco antes do ataque dizendo ser leal ao Estado Islâmico.
- O FBI investiga o ataque por possível ligação com territoristas, mas nada foi confirmado.
- Mateen havia comprado duas armas na última semana.
- O Itamaraty afirmou que ainda não há registro de brasileiros entre as vítimas do ataque em Orlando
- Motivações do atirador ainda são desconhecidas.
- Investigadores procuram saber se Omar Mateen teria se radicalizado mesmo sem ter algum laço direto com o EI.
- Testemunhas disseram que tiros duraram cerca de um minuto, embora parecessem mais.
- O Papa, a Casa Branca, Donald Trump, Hillary Clinton, Dilma Rousseff, Michel Temer, políticos do mundo inteiro, celebridades e esportistas lamentaram o ataque.
- Antes deste, o pior ataque registrado havia ocorrido em 2007, quando um estudante matou 32 pessoas e se suicidou no campus da Universidade de Virginia Tech.

domingo, 12 de junho de 2016

Maior escândalo de corrupção da História do Brasil foi a privataria tucana Os meios de comunicação, com seu apoio incondicional às privatizações, foram um dos responsáveis pelo prejuízo de R$ 2,4 bilhões que teve o povo brasileiro Antonio Lassance*

Luciano Pereira / Aloysio Nunes - Flickr
O país teve um prejuízo de pelo menos R$ 2,4 bilhões com as privatizações do patrimônio público dado a preço de banana a grandes corporações privadas, durante o governo FHC.
 
A estimativa foi feita no clássico estudo escrito pelo jornalista Aloysio Biondi, que, em seu livro "O Brasil privatizado", afirma: 
 
"O governo diz que arrecadou 85,2 bilhões de reais com as privatizações. Mas contas “escondidas” mostram que há um valor maior, de 87,6 bilhões de reais, a ser descontado daquela 'entrada de caixa'"(p. 68)  
 


José Cruz / EBC
 
A obra essencial de Biondi, que chegou a vender mais de 140 mil cópias, acaba de ganhar uma nova edição na coleção História Agora, da Geração Editorial  (256 págs, R$ 29,90).
 
O cálculo dos prejuízos das privatizações não considera os possíveis ganhos e valorizações posteriores, cujos montantes Biondi reputa incalculáveis. 
 
As privatizações da mineradora estatal Vale do Rio Doce, em 1997, e do sistema Telebrás, em 1998, foram as mais emblemáticas e vultosas. 
 
Além de as empresas terem sido subavaliadas, foram entregues com dinheiro em caixa aos que as arremataram em leilões. É como alguém vender uma casa com dinheiro no cofre.
 

Wilson Dias / EBC
 
A análise de Biondi expõe a importância crucial dos meios de comunicação para criar a indiferença ou mesmo incitar o apoio da população à venda desenfreada das estatais, feita por aquele governo:
 
"Sem sombra de dúvida, os meios de comunicação, com seu apoio incondicional às privatizações, foram um aliado poderoso. Houve a campanha de desmoralização das estatais e a ladainha do 'esgotamento dos recursos do Estado'." (p. 21).
 
O alerta de Biondi é absolutamente atual, haja vista a sanha desencadeada contra toda a empresa Petrobrás em um escândalo no qual o acusado por falcatruas está preso e indiciado por seus crimes, bem diferente do padrão anterior de conivência dos governos diante da corrupção.
 

 
A comparação que pode ser feita pela tabela acima, mostrando os números de cada escândalo, evidencia a deliberada desproporcionalidade conferida ao mensalão e às denúncias contra a Petrobrás em relação a outros casos.
 
O ódio insuflado pelo mercado contra o atual governo Dilma se presta ao infame papel de distorcer a compreensão sobre essa página infeliz de nossa história.
 
O livro de Biondi, relançado, nos dá a chance de nunca esquecer o que fizeram com o Brasil, para jamais permitir que isso se repita.
 
Referências Bibliográficas: BIONDI, Aloysio. O Brasil Privatizado: um balanço do desmonte do Estado. 11ª edição. São Paulo: Editora da Fundação Perseu Abramo, 1999.


(*) Antonio Lassance é cientista político.


Créditos da foto: Luciano Pereira / Aloysio Nunes - Flickr

O golpe não é contra Dilma, Lula ou o PT. É contra você


Marcelo Zero
:
O golpe não é contra Dilma. Não é contra Lula. Não é contra o PT.
O golpe é contra os 54,3 milhões de votos que elegeram a presidenta em eleições livres e limpas. O mandato presidencial a eles pertence. Caso a agressão à soberania popular promovida pelo golpe se concretize, eles é que serão cassados.
O golpe é contra os 42 milhões de brasileiros que ascenderam à classe média, nos últimos 13 anos. É contra os 22 milhões de cidadãos que deixaram a pobreza extrema para trás. É contra as políticas sociais que praticamente eliminaram a miséria no Brasil. Miséria histórica, atávica, contra a qual os representantes do golpismo pouco ou nada fizeram, quando governavam.
O golpe é contra um processo de desenvolvimento que conseguiu tirar o Brasil do Mapa da Fome. Fome secular, vergonhosa, que os golpistas nunca conseguiram saciar. O golpe é para colocar o Brasil no Mapa da Vergonha.  
O golpe é contra a igualdade e pela desigualdade. Os que apostam no golpe também apostam na desigualdade como elemento essencial para o suposto bom funcionamento da economia e da sociedade. Eles apostam na meritocracia dos privilégios.
O golpe é contra a valorização do salário mínimo, que aumentou 76,5%, nos últimos 11 anos. O golpe é pelos salários baixos para os trabalhadores, pois, para os golpistas, salários reduzidos são essenciais para o combate à inflação e a competitividade da economia.
O golpe é contra a geração de 21 milhões de empregos formais, ocorrida nos últimos 12 anos. Quem aposta no golpe aposta num nível de desemprego mais alto, para reduzir os custos do trabalho. Aposta também na redução dos direitos trabalhistas, na terceirização e na volta da precarização do mercado de trabalho.
O golpe é contra a Petrobras e pela Petrobax. O golpe é contra a política de conteúdo nacional, que reergueu nossa indústria naval e reestruturou a cadeia econômica do petróleo. O golpe é contra a nossa maior empresa e tudo o que ela simboliza. O golpe é pela privatização e pela desnacionalização.
O golpe é contra os programas que abriram as portas das universidades brasileiras para pobres e afrodescendentes. O golpe é contra o ENEM e pelo vestibular. O golpe é pela manutenção da educação de qualidade como apanágio para poucos. O golpe é pela privatização do conhecimento. O golpe é contra as novas oportunidades e pelos antigos privilégios.
O golpe é contra o SUS e o Mais Médicos, programa que leva assistência básica à saúde a mais de 60 milhões de brasileiros que antes estavam desassistidos. O golpe é contra a saúde pública e pela mercantilização da medicina. O golpe é contra médicos cubanos e pacientes brasileiros. O golpe é pela doença que rende lucros. O golpe é uma patologia.
O golpe é contra a política externa ativa e altiva. O golpe é contra a soberania e por uma nova dependência. O golpe é contra o Mercosul e a integração regional. O golpe é para desintegrar a projeção dos interesses brasileiros. O golpe é para nos alinhar aos interesses das potências tradicionais. O golpe é contra o grande protagonismo que o país assumiu recentemente. O golpe é para nos apequenar.
O golpe é contra uma presidente honesta e pelos corruptos. O golpe é contra o governo que mais combate a corrupção. Que multiplicou as operações da Polícia Federal de 7 por ano para quase 300 por ano. Que fortaleceu e deu autonomia real a todas as instituições de controle. Que engavetou o engavetador–geral. O golpe é contra as apurações e pela impunidade. O golpe é contra a transparência e a verdade. O golpe é um engodo ético e moral. O golpe é cínico e hipócrita. O golpe é uma grande mentira.
O golpe é contra o futuro e pela restauração do passado. A única proposta do golpe é o golpe.
O golpe é contra a esperança e pelo ódio, para o ódio. O golpe é intolerante. O golpe é mesquinho.
O golpe é contra a grande nação e pela republiqueta de bananas.
O golpe é contra a democracia. Contra o Brasil.
O golpe é, sobretudo, contra você.



Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira

Todo esse mar de lama de corrupção, enriquecimentos ilícitos, nos dar a certeza da putrefação da política já que não existe ideologia. Um mandato parlamentar concede ao mau político a fazer negociatas com o erário público de interesses pessoais, sem o mínimo interesse com os sérios problemas e dificuldades enfrentadas pela nação, se esquecendo de que a pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. O voto no Brasil precisa deixar de ser obrigatório, pois a democracia séria e justa contempla esses benefícios a todos que não se identifiquem com as propostas de candidatos.

“Provérbios 12,34. A Justiça faz a grande a Nação, o pecado é a vergonha dos povos.”



“É lamentavelmente inacreditavelmente, verdadeiramente”.
Absolutamente,
Reconhecidamente,
Inegavelmente,
Que esse País foi descoberto por pessoas de índole e mente perigosa e que o nosso futuro a Deus dará?”


Desde 2008, mais de 6 mil servidores tiveram contas reprovadas pelo TCU

Esse é o número de gestores públicos que tiveram as contas reprovadas pelo tribunal em julgamentos nos quais não cabem mais recursos à corte

POLÍTICA RECURSOSHÁ 1 HORAPOR NOTICIAS AO MINUTO
O TCU (Tribunal de Contas da União) atestou, no últimos oito anos, que mais de 6,7 mil servidores fizeram mal uso de recursos federais.
Esse é o número de gestores públicos que tiveram as contas reprovadas pelo tribunal em julgamentos nos quais não cabem mais recursos à corte.
Ao todo, eles foram responsáveis por atos que deram origem a 10,4 processos já concluídos pelo TCU, no período de 2008 a 2016.
A lista com os 6,7 mil nomes foi entregue na quinta-feira (9) pelo presidente do Tribunal de Contas, ministro Aroldo Cedraz, ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Gilmar Mendes.
Um dos políticos que constam na relação do TCU é o vice-presidente do PT, Alberto Cantalice (PT). Ele foi alvo do tribunal por conta de irregularidades na aplicação de valores provenientes do Fundo Partidário. O processo transitou em julgado no início deste mês.
Grande parte desses gestores será impedida de disputar eleições pelos próximos oito anos, como determina a Lei da Ficha Limpa. A legislação veda a candidatura de quem teve as contas rejeitadas por participação em atos dolosos de improbidade administrativa.
Nem todos os integrantes da relação entregue pelo TCU, no entanto, estão impedidos de entrarem na corrida eleitoral.
Cada caso será analisada pelo Justiça Eleitoral, a quem cabe verificar, entre outras coisas, a gravidade do episódio julgado pelo TCU e se houve dolo do gestor cujas contas foram reprovadas.
"Ao receber esse material, poderemos fazer a análise desses nomes de maneira antecipada. Certamente haverá impugnações (de candidaturas nas eleições municipais deste ano)", analisou Gilmar Mendes.
"Essas irregularidades possuem origens diferenciadas, que vão de falta de conhecimento e de estrutura aos desvios cometidos pelos gestores. E não podemos mais assistir a tantos desvios no Brasil", criticou o ministro Aroldo Cedraz. Com informações da Folhapress.