segunda-feira, 2 de maio de 2016

Monja Coen: “A corrupção está dentro de nós”

A Monja Coen, no Templo Soto Zen Budista Taikozan Tenzuizenji, em São Paulo, onde recebeu a reportagem do EL PAÍS, em 21 de abril.A Monja Coen, no Templo Soto Zen Budista Taikozan Tenzuizenji, em São Paulo, onde recebeu a reportagem do EL PAÍS, em 21 de abril. 

Monja budista mais pop do Brasil fala sobre o impeachment de Dilma e a intolerância política

Para ela, num Estado laico como o nosso é "absurdo" que parlamentares "votem em nome de Deus"

Marina Novaes
Vestida de branco dos pés à cabeça, Cláudia Dias Baptista de Souza, 69 anos, se misturou à multidão que ocupava a avenida Paulista no dia 18 de março para se manifestar contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Apenas a carequinha denunciava que estava ali a líder budista mais pop do Brasil, a Monja Coen, que há 33 anos deixou a vida regada a sexo, drogas e rock n' roll para se dedicar ao zen budismo. Sorridente, com um semblante tranquilo de observadora, ela decidira participar como "pessoa física", sem o habitual samue (o manto dos monges), de sua primeira manifestação desde o início da conturbada crise política que o Brasil atravessa desde 2015. Alguns a reconheceram e pediram para tirar fotos. Mas, nas redes sociais, nem todos ficaram felizes ao saber que a religiosa tinha escolhido um lado.
A política não é tema das conversas dentro do templo soto zen budista que lidera no Pacaembu, bairro nobre da região central de São Paulo. Mas, fora dele, ela sentia que era hora de se manifestar. "Eu sou contra o impeachment. No momento em que eleições legitimamente realizadas estão sendo questionadas, estamos dando um retrocesso político", respondeu, semanas depois, ao receber o EL PAÍS em sua casa para uma entrevista sobre atitudes zen em meio à tensão social atual.

A partir dali abraçou um estilo de vida que lhe trouxe serenidade e uma vocação. Nunca escondeu seu passado por ver em sua trajetória o exemplo prático de como é possível virar qualquer vida do avesso e recomeçar. Se tornou a primeira mulher a ocupar a presidência das Seitas Budistas no Brasil, se casou com um monge (de quem se separou anos depois), escreveu livros sobre a vida zen e hoje se define como uma "monja e dona-de-casa", que roda o Brasil dando palestras sobre felicidade e vê alegria em coisas triviais, como caminhar no parque com seus três cachorros e votar. "Me alegra poder dar meu voto. Eu vivi muito tempo numa época em que não podíamos votar". Na definição da filha Fábia, 52 anos, é "uma figura", "iluminada e de bem com a vida".
Cláudia se tornou Coen (Co quer dizer  e En significa círculo,ou seja, um só círculo) em 1983, quando fez votos monásticos e entrou para o Mosteiro Feminino de Nagoia, no Japão, onde viveu por mais de uma década. Ex-jornalista, prima dosMutantes Sérgio Dias e Arnaldo Dias Baptista, ela descobriu aos 36 anos, em Los Angeles, "essa coisa maravilhosa que é a meditação", quando fazia uma reportagem sobre sociedades alternativas nos Estados Unidos. Deixou para trás um passado agitado, que inclui um casamento aos 14 anos (e uma gravidez e divórcio aos 17), uma fase de groupie da banda de rock Alice Cooper, uma prisão na Suécia por tráfico de LSD e uma tentativa de suicídio. 
A Monja Coen. Ricardo Matsukawa
E é justamente  (como diz o nome que ganhou do professor japonês) que assume sua posição política. Antes de continuar a entrevista, faz questão de esclarecer: essa é a sua opinião pessoal e não representa a comunidade que lidera, que tem liberdade para pensar como quiser. Também esclarece que não é filiada a nenhum partido político, não vota sempre no mesmo grupo, nem possui uma ideologia partidária. E que "entende muito pouco desses assuntos". Razões pelas quais não vê como quem pensa diferente dela deveria se sentir incomodado com sua opinião, já que conviver com pessoas que pensam diferente é, para ela, algo que deveria ser "enriquecedor" e, mais: necessário.
"Nós não falamos de política aqui. Mas eu tenho notado que as pessoas ficam muito virulentas quando vão discutir o seu ponto de vista... Há muitas pessoas intolerantes hoje. Teve uma senhora que frequentava o templo e veio aqui chorando me dizer que não poderia mais ser guiada por mim porque soube que eu me manifestei publicamente sobre o tema. Olha isso que interessante... Aí tem gente que diz: 'Ah, mas a monja não pode ter uma opinião política'... Isso não é verdade. Todos temos. Nós estamos numa democracia e existem várias formas de pensar", diz.
Para ela, há certos momentos em que é preciso se posicionar no mundo. “Cada um de nós tem que assumir aquilo que faz, aquilo que é e aquilo que pensa. E assumir, com isso, as consequências", ponderou, sem rodeios. Por isso lembrou que não falava em nome de mais ninguém a não ser dela mesma

Circo político versus Estado laico

"É um absurdo falarem 'estou aqui votando em nome de Deus' porque o nosso Estado é laico"
Para a missionária budista, o Estado ser laico é fundamental para a democracia brasileira, o que a faz achar "um completo absurdo" o fato de deputados federais citarem mais a palavra Deus que as acusações contra Dilma ao votarem por sua destituição. "É um absurdo falarem 'estou aqui votando em nome de Deus', porque o nosso Estado é laico. É importante que seja laico. Nem todos os evangélicos, os católicos, os budistas, enfim, são a favor do impeachment... Então você não pode falar em nome de todas essas pessoas sem consultá-las antes", disse, em referência à aprovação, pela Câmara Federal, da continuidade do processo contra Dilma no dia 17 de abril. 
"O que eu vi naquela votação na Câmara foi um circo. E pensei depois: que bom que eu estou do lado daqueles que perderam essa votação. Porque eu não gostaria de estar do lado daqueles que ganharam. Porque eu teria muita vergonha. Pois aquilo não foi honesto."

Cisão da sangha

Coen se diz especialmente preocupada com a divisão do Brasil e o clima de intolerância. Uma das poucas referências políticas que faz quando se dirige à comunidade budista é sobre a importância de não deixar com que esse momento de crise —que é passageira, frisa ela— divida "famílias, separe amigos, destrua comunidades". "Buda, ele dizia que um dos crimes maiores que podia ser cometido era a cisão da sangha, divisão da comunidade. Que é o que a gente está vivendo no Brasil. Que lamentável. Seja qual lado que ganhe ou que perca todos nós perdemos e ganhamos juntos."
Para a missionária, neste sentido, "todos os lados" da história estão errados, sejam governistas ou opositores. "Nós não precisamos destruir o outro para provar que temos capacidade. E nisso, todos eles estão na mesma panela", observou, reprovando o discurso do "nós contra eles", tão presente em falas políticas. "Eu não gosto da palavra luta, por exemplo, e muitos partidos políticos usam isso. Eu não acho que a gente deve lutar por coisa alguma. Eu acho que a gente deve trabalhar para construir algo", completa, retomando o tom zen do papo.
A monja segurando um leque japonês. Ricardo Matsukawa

A corrupção dentro de nós

Monja Coen fala frases duras, gesticula bastante, mas não eleva o tom da voz. Mantém o olhar suave  mesmo nas vezes em que usa palavras como "hipocrisia" ao falar dos que usam a bandeira "contra a corrupção" para destituir o Governo. "Então somos todos contra a corrupção e os corruptos. E os juízes quem são? São esses senhores que têm as perninhas presas em escândalos", diz. Também não altera o timbre ao dizer que a "mídia brasileira não é democrática" e "manipula a população ocultando um dos lados da história".
Demonstra paixão ao falar e gesticula muito, mas não perde o tom sereno. Ricardo Matsukawa
Foi um livro de Léon Trotsky (não se lembra qual), que fazia menção ao combate à corrupção, que a motivou a se tornar monge nos anos 80. O livro apontava justamente  que qualquer mudança social positiva só seria possível se a transformação fosse interna."Se a mudança não for do coração, interna de cada um de nós, não vão ser partidos políticos, sistemas econômicos que vão fazer a diferença. Porque nós somos corrompíveis. Todos nós. Em níveis diferentes. E como é que você pode acessar um nível de incorruptibilidade? Como fazer isso através de uma visão clara da realidade de que estamos todos e tudo interligados? Como é que eu mexo nisso sem ódio, sem criar atrito? Isso, pra mim, é uma arte. É uma arte de fazer política. E nós ainda não chegamos lá."

Desapego 

Questionada, porém, sobre as acusações de corrupção que pesam contra o PT e contra o Governo Dilma, a monja relativiza o poder que "um presidente tem dentro de um jogo político que inclui muitos interesses" e o quão reais são as acusações. Não se aprofunda no assunto, mas diz não "botar a mão no fogo por ninguém". Apesar disso, nega ter medo de admitir estar errada, mais uma vez recorrendo ao budismo ao avaliar essa hipótese.
"Eu acredito na Dilma. Acho que é uma senhora honesta. Acho que ela queria fazer coisas pelo bem do Brasil e está sendo impedida porque não soube fazer as barganhas políticas. Mas posso estar errada? Posso. E se ficar provado que não era isso, vou dizer: eu me enganei. Porque eu descobri uma coisa maravilhosa que é o zen budismo, que me tira o apego de tudo, inclusive de um ponto de vista. Eu posso errar. Eu não sou uma ativista política. Eu apenas tenho uma opinião política."
— E, diante de todo esse cenário de caos político, como a senhora tem conseguido se manter zen?
Ela recebe a pergunta com uma gargalhada. Pensa alguns segundos e responde:
Monja Coen, em seu templo em São Paulo. Ricardo Matsukawa
 A vida continua, apesar de tudo e apesar de todos os aspectos e revezes. Eu continuo meditando, continuo fazendo o meu trabalho. Esse é um dos princípios básicos do budismo: não há nada fixo, nada permanente. Então neste momento que estamos atravessando essa turbulência, vamos apertar nossos cintos, vamos controlar nossas finanças, manter a calma… Porque sabemos que a turbulência passa. Não vamos fazer disso essa coisa tão negativa, como se o mundo fosse acabar, porque não vai. Eu ainda acredito que nós podemos construir uma cultura de paz. Uma cultura de respeito. Isso tudo vai passar...

Família real divulga novas fotos da princesa Charlotte




Os registros foram feitos pela mãe Kate Middleton. A princesa comemora um ano nesta segunda (2/5)




O duque e a duquesa de Cambridge, príncipe William e Kate Middleton, divulgaram novas fotos da pequena Charlotte neste domingo (1º/5). A princesinha completa um ano nesta segunda-feira (2/5).


As fotografias foram tiradas pela mãe, Kate, na residência da família em Norfolk.
Nas imagens, Charlotte consegue ficar em pé e, sorridente, empurra um brinquedo no jardim.
A pequena é irmã do príncipe George. Ela é a quarta na linha de sucessão do trono britânico.
Ao divulgar os registros no Facebook, a família real disse: “Esperamos que todos aproveitem essas imagens encantadoras tanto quanto nós”.

O sentimento que eu tenho é de vergonha, de tristeza, de desilusão.

Os gafanhotos do PT

Os gafanhotos do PT

Para onde vão os 22 mil servidores comissionados depois que Dilma Rousseff deixar o governo?…
Para os governos petistas estaduais e municipais, ora.
É um bando de gafanhotos do dinheiro público. As informações são do O Antagonista.


Por Aguiasemrumo: Romulo Sanches de Oliveira


A galinha dos ovos de ouro da Petrobrás, não pode mais dar ovos, qual a outra empresa brasileira depois do BNDES, de capital fechado, tem tanto dinheiro, as lacras vão colher ovos agora na caixa econômica federal?


“Respeito”. Palavra que para algumas pessoas nem existe no dicionário, respeito é um aprendizado que deveria começar no berço, saber ser ético, respeitar o próximo isso é uma qualidade que todo ser humano precisa ter Senhor Lula! É uma atitude tão simples saber respeitar isso é pensar no próximo! A ausência desta qualidade Senhor Lula faz do homem um ser desprezível! Lembram-se desta frase Respeite a si mesmo como respeita o próximo! É deste jeito que tinha que ser! No meu vê quem não sabe se der ao respeito no meu ponto de vista o qualifico de desonesto!



Por que Henrique Meirelles é o favorito do mercado financeiro para o Brasil da crise

Ex-presidente do BC trabalhou com Lula quando este era rejeitado pelo mercado e amado pelas massas. Com Temer, pode ser titular da Fazenda de um líder aceito por investidores e sem apoio popular


Se o mercado financeiro no Brasil fosse um ser humano era o caso de dizer que ele anda emotivo nos últimos dias. Como alguém que reencontrou uma antiga paixão e passa a nutrir esperanças de um novo velho casamento. Quem balança o cascudo coração dos homens do dinheiro atende pelo nome de Henrique Meirelles. O ex-presidente do Banco Central nos dois Governos de Lula (2003-2010) está altamente cotado para ser o ministro da Fazenda, caso o vice-presidente Michel Temer tenha de assumir a presidência se Dilma Rousseff for afastada. “O mercado financeiro é apaixonado pelo Meirelles, faz juras de amor eterno a ele”, brinca Luís Eduardo Assis, ex-diretor do BC.Henrique Meirelles, eventual ministro da Fazenda num Governo TemerHenrique Meirelles, eventual ministro da Fazenda num Governo Temer 
Por ora, nem Temer nem Meirelles confirmam oficialmente o cortejo, muito embora dois encontros da dupla na semana passada tenham sido noticiados, o que fez a bolsa subir e o dólar cair na sequência.
Vindo de uma longa e premiada carreira no Brasil e no exterior pelo antigo BankBoston, Meirelles está atualmente à frente do banco Original, do grupo JBS. Entre esses dois empregos em bancos privados, houve a presidência do BC dos dois mandatos de Lula. Sua passagem pelo Governo é lembrada pela transparência na comunicação, um ciclo bem sucedido de redução de juros, a inflação domada a seus cuidados, e uma expansão contínua do PIB. Na época, era filiado ao PSDB e parecia ser alguém muito alinhado à ‘elite’ para estar num governo voltado ao trabalhador, que contava com forte resistência dos donos do dinheiro. As empresas levaram um tempo para descongelar seus projetos de investimento até ter certeza de que o ex-sindicalista não faria nenhuma loucura com a economia.
Meirelles foi chamado para ser o fiador de Lula junto ao mercado, o recado de que governaria cumprindo a cartilha econômica. Foi o chefe do BC que ajudou a quebrar as resistências dos investidores. Numa entrevista concedida ao final de 2006 à revistaIstoÉ, ele afirmou o que seria a chave para o sucesso da sua gestão no primeiro Governo Lula. “Neste governo, a grande mudança é que ancoramos a expectativa de inflação. Hoje, o mercado tem a certeza de que o Banco Central vai cumprir a meta de inflação”.
Agora filiado ao PSD, o economista nascido em Anápolis (Goiás, no centro-oeste do país) há 70 anos vê-se novamente instado a cumprir o papel de fiador da economia em um momento delicado do Brasil, incluindo uma inflação que estourou a meta. Mas, com diferenças substanciais em relação à sua primeira passagem pelo poder público. Naquela época, Lula tinha o apoio popular de 50 milhões de brasileiros que o elegeram, embora os empresários desconfiassem dele. Agora, é exatamente o oposto. Meirelles pode entrar em um Governo com baixíssimo apoio popular  – apenas 8% dos brasileiros se sentem representados por Temer – e alta expectativa de agentes financeiros. Não seria de se estranhar que a aceitação de Meirelles possa até superar a de Temer, pois tem mais credenciais que o atual vice.
Se confirmado ministro da Fazenda, precisará implementar medidas bastante indigestas para os brasileiros, como a redução de gastos em áreas sociais, trabalhar pela reforma da Previdência, que altera a idade da aposentadoria, e mirar aumento de impostos. Todas medidas que devem incendiar os movimentos sindicais e sociais que se sentirem atingidos, e Meirelles pode ver-se transformado em algoz do trabalhador do dia para a noite. “Ninguém tem grandes ilusões de que ele vai salvar o país no curto prazo, mas a questão inicial [para um eventual novo Governo] é oferecer confiança. E Meirelles tem esse capital”, observa Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura de Lula.
O eventual ministro da Fazenda sabe o peso da palavra “confiança” entre seus pares. Ao sair de um encontro com Temer no último dia 29, recorreu ao verbete em conversa com jornalistas para falar sobre o que o Brasil precisa atualmente. “É preciso confiança na solvência futura do Estado brasileiro [contas públicas em ordem] e são necessárias medidas que possam de fato, conjuntamente com a restauração da confiança, levar ao aumento dos investimentos, das contratações, das concessões de empréstimos, para que as empresas possam voltar a produzir e contratar”, disse.
No curto prazo, a ausência de esperanças de um futuro melhor – num momento em que o único consenso é que o Brasil vai enfrentar mais desemprego e recessão até o final de 2016 – favorece a chegada de Meirelles (e do próprio Temer, se confirmado na presidência), avaliam especialistas. Isso porque qualquer medida que ofereça uma luz no fim do túnel na atual escuridão em que se encontra o país vai ganhar destaque.
Luis Eduardo Assis acredita que muitas medidas amargas já foram tomadas por Dilma no ano passado e a situação fica mais confortável a partir de agora. “Bem ou mal, já houve os ajustes de preços da gasolina, de energia, e já houve alta de juros para controlar a inflação no ano passado, que começa a ceder”, afirma. Embora ainda supere a meta oficial, a inflação deve fechar este ano mais próximo da meta de 6,5% - o mercado espera um pouco acima dos 7%. Em 2015, a inflação foi de 10,67%.
Num potencial Governo Temer, Meirelles oferece ainda outro atributo valoroso, aos olhos dos agentes financeiros. “Finalmente vamos ter um ministro que vai conseguir ser ministro”, afirma Sérgio Valle, da MB Associados, numa clara ironia pelos anos Dilma. A presidenta, que também é economista, é acusada de interferir demais nas decisões da Fazenda. Isso ficou claro neste segundo mandato, quando bateu de frente com Joaquim Levy na hora de acertar os compromissos para a meta fiscal. Seu ex-ministro dizia uma coisa, e Dilma anunciava outra.
Mansueto de Almeida, especialista em contas públicas, também enxerga em Meirelles a possibilidade de se tornar um forte capitão do time econômico. “Uma boa equipe econômica, onde todos falem a mesma língua, o que não acontecia com o PT ultimamente, já será benéfico e é fundamental”, afirma.Um pecado imperdoável para o impiedoso mercado, que gosta das coisas muito bem explicadinhas, como diria o personagem de um antigo humorístico da TV brasileira. “Levy era um ministro isolado. Com Meirelles há a chance de termos um ‘triunvirato’ afinado”, completa Valle, referindo-se aos outros nomes que podem ocupar o Ministério do Planejamento e o próprio Banco Central.
As expectativas tão altas à sua chegada, por outro lado, podem frustrar o mesmo mercado, acredita Marcos Lisboa, presidente do Grupo Insper, que vê uma lua de mel limitada para um futuro Governo Temer. “Há uma tendência a um sentimento de alívio, de melhora, com o eventual desfecho do impeachment em uma direção”, disse ele ao EL PAÍS pouco antes da votação do impeachment na Câmara. “Mas esse sentimento é exagerado. Pode gerar um movimento cíclico de certa euforia.”
Meirelles tem a seu favor, a priori, um Congresso que apoia a chegada de Temer e que pode aprovar as reformas impopulares necessárias. Mas esse apoio também é uma incógnita, uma vez que alguns projetos precisariam ser avaliados ainda neste ano de eleições, e os deputados têm seus interesses políticos a defender para não ficar mal com o eleitor. Há, ainda, uma guerra de interesses de todos os partidos que apoiaram o impeachment da presidenta e cobram agora cargos num eventual Governo de transição, e que não devem ficar satisfeitos de terem restrições para gastar.
Seja como for, Meirelles já tornou-se personagem chave para o Brasil da crise, bajulado à esquerda e à direita. Tanto que foi cogitado a integrar o Governo Dilma duas vezes. A primeira quando Joaquim Levy deixou o Governo no final do ano passado. A bolsa subiu rapidamente diante das especulações, que se mostraram infundadas. Seu nome voltou a ser debatido como a solução, caso a presidenta sobrevivesse ao impeachment. E agora sua volta é considerada certa com Temer.
Esse apreço declarado tem um motivo. Aliás, mais de um. Meirelles reúne as qualidades ‘astrais’ de que o mercado se alimenta. Investiu numa linguagem acessível em seus tempos de presidente do BC, mostrou-se comprometido com o cargo ao ficar oito anos com Lula, entre 2003 e 2010 – tornando-se o mais longevo chefe da autarquia – e manteve a inflação dentro da meta durante o seu reinado, calibrando as taxas de juros para cima ou para baixo, a depender dos ventos do consumo.
Quando assumiu, em 2003, os juros no Brasil estavam na casa dos 25% e a inflação fechara o ano anterior em 12,53%, acima da meta da época, de 11%. Quando saiu os juros estavam em 10,75% e a inflação a 5,91%, abaixo do teto de 6,5%. Aos olhos de seus admiradores, Meirelles soube dar a dose correta do veneno, inclusive ao longo do trágico ano de 2009, que parecia devorar o mundo inteiro. Vale saber se a máxima do mercado financeiro de que ganhos passados não garantem o lucro futuro vai ser contrariada por Meirelles.

Delcídio diz que foi ‘explorado para benefícios’ de Lula e filho de Cerveró

01/05/2016 18h31 - Atualizado em 01/05/2016 20h52

Acusação consta das alegações finais entregues ao Conselho de Ética.
Parecer do relator deve ser votado pelo colegiado na próxima terça-feira (3).

Do G1, em Brasília

Em suas alegações finais ao Conselho de Ética do Senado, o senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS) diz que foi “explorado para benefícios de terceiros” e cita o ex-presidente Luiz Inácio do Lula da Silva e Bernardo Cerveró, filho do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
Delcídio responde a um processo no colegiado por suposta quebra de decoro por ter sido flagrado em uma gravação negociando um plano de fuga para o ex-diretor da estatal, alvo da Operação Lava Jato.

No documento, protocolado na sexta-feira (29) e ao qual a Globonews teve acesso, a defesa classifica a representação apresentada no conselho contra Delcídio de “fantasiosa”, “confusa” e “estapafúrdia” e pede a anulação do processo alegando não haver provas. A votação do parecer recomendando ou não a cassação do mandato parlamentar dele está prevista para a próxima terça-feira (3).
A defesa de Delcídio sustenta que “toda a prova que a defesa requereu que fosse trasladada do STF [Supremo Tribunal Federal] para o Conselho de Ética demonstraria que Delcídio do Amaral jamais foi o articulador disso tudo”.
E continua: “Ao contrário! Delcídio do Amaral foi explorado para benefícios de terceiros: de um lado, de Lula para proteger a família do amigo [José Carlos] Bumlai; de outro lado, de Bernando Cerveró [filho do ex-diretor da área internacional da Petrobras Nestor Cerveró] que o atraiu por truques cênicos para criar a ‘cama de gato’ e conseguir o trunfo da colaboração do pai”.
Procurado pela reportagem, o Instituto Lula informou que "o ex-presidente já falou sobre o assunto em depoimento à Procuradoria Geral da República e negou a fantasiosa tese de Delcídio do Amaral e de sua defesa".

A defesa de Bernando Cerveró nega a utilização de truques cênicos e afirma que a reunião em que foi realizada a gravação aconteceu nos mesmos moldes de outras reuniões entre Bernardo e Delcídio.

Segundo a defesa do senador, um dos alvos da delação de Cerveró seria Bumlai e Delcídio teria a missão de demover o ex-diretor da Petrobras da ideia de fechar acordo com o Ministério Público Federal.
Ex-líder do governo no Senado, Delcídio foi preso pela Polícia Federal em novembro do ano passado acusado de tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato. Em conversa que teve o áudio gravado, o senador trata de um plano de fuga para que Cerveró não fechasse acordo de delação premiada e, se fechasse, que não o citasse. A gravação foi feita por Bernardo Cerveró e entregue ao Ministério Público.
Falta de provas
Os advogados de Delcídio argumentam ainda que a representação contém apenas o teor do áudio degravado, sem estar autenticado, e não o áudio em si.
“O único elemento de prova que pretende lastrear a malsinada imputação vertida na confusa e fantasiosa representação é um documento apócrifo – mais do que apócrifo, anônimo – que se autodenomina de ‘degravação’”, escreveu a defesa.
Os advogados pedem ainda o cancelamento da sessão desta terça-feira e que a fase de instrução seja reaberta. Requer ainda que ele seja absolvido, mas, caso o processo seja considerado procedente, que Delcídio receba uma punição mais branda do que a cassação do mandato parlamentar. Pelo Código de Ética, as demais penas previstas são censura, advertência ou perda temporária do exercício do mandato.A defesa também diz que a gravação foi obtida por “meio enganoso”, porque Bernardo se aproveitou da relação de confiança que Delcídio possuía com a família do ex-diretor da Petrobras para induzi-lo a se “autoincriminar”.

Os advogados alegam ainda que a representação não deixa clara qual é a imputação contra o senador. “As malversadas construções vertidas na estapafúrdia peça inaugural não revelam com mínima clareza no que teria consistido exatamente a quebra de decoro”.

A peça entregue no conselho afirma que o dispositivo pelo qual o PPS e a Rede, autores da representação, pedem a sua cassação diz que a quebra do decoro ocorreria mediante a prática de “irregularidades graves”, incluindo o desvio de verba para enriquecimento do senador ou a aplicação indevida de recursos públicos.

A defesa sustenta, porém, que nenhum dos casos de aplica à conduta atribuída ao senador na representação. “A representação é pródiga em vituperar ignomínias e maledicências contra o senador Delcídio. Todavia, quando se trata de amoldar tecnicamente em qual hipótese de tipicidade concreta teria incorrido a sua conduta, a representação deixa um vazio, sintomático da sua inépcia”, afirma nas alegações finais.

Suspeição
Nas alegações finais, os advogados também solicitam que o relator Telmário Mota (PDT-RR) e todos os demais integrantes do Conselho de Ética sejam declarados “suspeitos” para decidirem sobre o caso, porque “publicamente anteciparam juízos de valor” sobre a denúncia.
Procurado pelo G1, Telmário Mota disse que considera o pedido de suspeição “incrível” porque ele deu “várias oportunidades” para Delcídio se defender no Conselho de Ética. O parlamentar também afirmou que conselho está julgando o “comportamento” do senador e não o crime que ele teria cometido, por isso os documentos não são fundamentais para o processo administrativo. Telmário também afirmou que a intenção da defesa é atrasar os trabalhos do colegiado.
Além disso, os advogados querem que o Conselho de Ética marque uma nova data para que Delcídio preste depoimento ao colegiado.
Ao todo, o conselho marcou quatro datas para que ele fosse ouvido. No entanto, o senador apresentou licenças médicas e não compareceu a nenhuma das sessões agendadas
.

STF suspende crédito extra de R$ 100 mi para propaganda da Presidência Decisão liminar foi concedida em ação proposta pelo partido Solidariedade. Para Gilmar Mendes, crédito não poderia ser liberado sem aval do Congresso. Mariana Oliveira Da TV Globo, em Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes decidiu neste domingo (1º) suspender a liberação de um crédito extra de R$ 100 milhões para a Presidência da República gastar em publicidade e propaganda do governo federal.
O Palácio do Planalto afirmou que não iria comentar a decisão porque ainda não havia sido notificado.

O magistrado concedeu uma liminar (decisão provisória) em ação apresentada na última sexta-feira (29) pelo partido Solidariedade questionando uma medida provisória editada na semana passada pela presidente Dilma Rousseff.
No momento em que é publicada, a MP entra em vigor imediatamente, mas tem que ser confirmada pelo Congresso Nacional em um prazo máximo de 120 dias para virar lei - caso contrário, perde a validade.
Na sua decisão, Gilmar Mendes apontou que não havia urgência para a medida provisória e que a abertura do crédito só poderia ter ocorrido com aval do Legislativo.
A mesma medida provisória também previa abertura de crédito de outros R$ 80 milhões para implantação de infraestrutura para os Jogos Olímpicos, mas a validade dessa parte foi mantida por Gilmar Mendes.

O ministro mandou notificar a Presidência, o Advogado-geral da União e a Procuradoria Geral da República para que se manifestem. Em seguida, levará o caso para ser apreciado pelo plenário da corte, o que não tem prazo para acontecer.
Relevância e urgência
Na ação, o Solidariedade argumentou que não estavam presentes os requisitos mínimos de “relevância” e “urgência” para justificar a abertura de crédito extraordinário. Em meio à crise política, o partido ponderou ao STF que a verba seria destinada a "fins pessoais e partidários" num momento em que o Congresso discute o processo de impeachment de Dilma.

Segundo a ação, o crédito só poderia ter sido autorizado por decisão do Congresso Nacional e a medida provisória revela uma "indevida expropriação da competência do Poder Legislativo pelo Poder Executivo".

O ministro entendeu que a abertura de crédito R$ 100 milhões para publicidade desrespeita a Constituição porque nada indica que se tratem de despesas "imprevisíveis e urgentes".

Segundo o ministro, "não se pode dizer que os gastos com publicidade, por mais importantes que possam parecer ao governo no quadro atual, sejam equiparáveis às  despesas decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública".

Mendes destacou ainda que não é papel do Supremo discutir "a conveniência e a oportunidade" dessas despesas, mas destacou que as únicas que autorizam a abertura de créditos por medida provisória são as "imprevisíveis e urgentes".

Em relação aos R$ 80 milhões de créditos para os Jogos Olímpicos, o ministro considerou que "a questão constitucional afigura-se mais delicada". Segundo ele, a proximidade dos jogos transforma os gastos em urgentes, "ainda que as condições para sua abertura possam ser resultado de má gestão".

"Isso porque a proximidade dos Jogos Olímpicos torna a urgência qualificada e não há nos autos elementos que permitam, em análise inicial, típica de providências cautelares, infirmar o caráter extraordinário do crédito, ainda que as condições para sua abertura possam ser resultado de má gestão. Assim, indefiro a medida cautelar no que concerne ao crédito aberto em favor do Ministério do Esporte para gastos com 'Implantação de Infraestrutura para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016'", afirmou.