sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Legado social do PT não resistiu ao 1º sinal de crise, diz autor de livro sobre partido

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Image captionLula discursa em assembléia de metalúrgicos do ABC paulista durante greve em março de 1979; livro analisa trajetória de ex-presidente e do PT
O legado social do PT na Presidência da República não resistiu ao primeiro sinal de crise econômica interna, avalia o sociólogo José de Souza Martins. "A classe média do PT caiu de patamar em horas", afirma.
Para um dos principais cientistas sociais do Brasil, o PT outrora popular e de traços messiânicos caiu na "armadilha" da "corrupção altruísta" - movida, em tese, pelo desejo de retirar dos ricos para "prestar um grande serviço à sociedade".
Martins, de 77 anos, acompanhou de perto a formação do partido e a influência de protagonistas sociais - como Igreja, camponeses e intelectuais - na criação da sigla, no começo dos anos 1980.
Ao separar os ingredientes da atual crise política - externos e internos ao PT -, ele identifica "partidos falidos" e pessoas "cheias e cansadas". "Estamos vivendo uma crise que é do Estado e da sociedade."
No recém-lançado Do PT das Lutas Sociais ao PT do Poder (editora Contexto), o 45º livro da carreira, o professor aposentado da USP e docente da Cátedra Simón Bolivar da Universidade de Cambridge (Inglaterra) descreve as mutações do PT após a chegada ao Planalto.
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Image captionEx-presidente em ato de campanha de Dilma Rousseff em 2014 em São Bernardo (SP); no poder, diz sociólogo, petista foi personagem dividido
De passagem por Londres, Martins conversou com a BBC Brasil, num diálogo que incluiu questões sugeridas por leitores via Facebook.
BBC Brasil - O ex-presidente Lula pode voltar em 2018 com a mesma força que saiu de seus mandatos ou a turbulência atual é um descontentamento geral com os partidos de esquerda? (pergunta do leitor André Luis dos Santos)
José de Souza Martins - Voltar ele pode, não é um candidato descartável. Ele é candidato. Mas ele perdeu conteúdo, o carisma dele está abalado, então pode voltar em condições muito desfavoráveis, o que deve complicar o quadro político brasileiro.
Isso porque o cenário já é de uma presidente sem força, que afinal é herdeira dele. Um presidente lulista em 2018, seja Lula ou não, será muito mais frágil do que ele já foi, e do que a própria Dilma é.
A possibilidade de Lula é muito dependente do fato que não há candidatos fortes à Presidência. Vai ser uma situação muito complicada. Os partidos não se fortaleceram nesse período, e não geraram lideranças.
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Image captionJosé de Souza Martins: PT avançou pouco na área social e caiu na armadilha da "corrupção altruísta"
BBC Brasil - Apesar de avanços sociais no período do PT no poder, algumas reformas não foram promovidas nem mesmo fomentadas pelo partido, o que agrava a situação na crise. Ainda há possibilidade de discussão dessas reformas pelo PT ou o partido mudou a ponto de não defender mais essas promessas? (pergunta do leitor Julio Tedesco)
Martins - O PT nunca levou a sério, por exemplo, a questão da reforma agrária. No livro mostro que os recuos principais do partido, já nos primeiros dias de governo, foram em relação à reforma agrária, que era a grande bandeira do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), dos grupos da Igreja Católica. O PT subestimou esse desafio, achou que a população do campo era dócil e apenas respondia a palavras de ordem.
O PT não avançou propriamente em nenhuma questão social. A classe média do PT caiu de patamar em questão de horas quando a crise se agravou. Houve avanços no ensino superior, mas em geral a questão da educação foi muito mal colocada. E houve casos graves como entregar o Ministério da Ciência e Tecnologia a um deputado (Celso Pansera, PMDB-RJ) que não é do ramo, cuja profissão é ser dono de restaurante por quilo.
As conquistas não foram tantas, elas expressaram um certo momento da história econômica internacional e não foram muito além disso. A queda era até previsível, e a recuperação será difícil, porque o governo terá que enfrentar o problema de um crescente número de desempregados - e isso, sim, conta socialmente.
BBC Brasil - No livro o sr. menciona o ex-presidente como um "personagem duplo e dividido": Lula e Luiz Inácio.
Martins - Às vésperas da eleição de 2002, Lula passa a ter duas faces: a face popular, que o gerou, e a face do poder. Que é um produto da trama do poder, não depende dele. E vira a pessoa que tem que fazer a gestão do poder, ainda que em nome de um partido, mas de um partido fragilizado pela dependência de outras siglas majoritárias no Congresso.
Às vésperas da eleição ele percebe isso, dá aquela entrevista (ao documentárioEntreatos, de João Moreira Salles) em que questiona o que será dele depois do poder. É um anúncio da consciência da fragmentação da pessoa que irá presidir a República. Logo em seguida há vários sinais de que setores da população, sobretudo mais simples, imaginavam que Lula tinha poderes mágicos. E ele acaba assumindo isso, que foi escolhido por Deus, nos primeiros meses de governo.
Ele governa o tempo todo dividido (entre messianismo popular e a prática do poder). Essa consciência da duplicidade se manifesta já no primeiro ano de governo. Em vez de agir como presidente, ele critica o governo como se não fosse ele. Essa dupla figura segue até o fim e vai, ao mesmo tempo, esvaziando o PT. O lulismo, que é o Lula maior do que o PT, fenômeno que o (cientista político) André Singer estudou e foi testemunha, é produto desse fenômeno de duplicação da pessoa que preside a República.
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Image captionLula fala a metalúrgicos sobre mesa em assembleia em estádio em março de 1979; petista "entende língua popular" como nenhum outro político do país, avalia professor
BBC Brasil - É possível prever se ainda haverá uma figura política que mova massas no Brasil? (pergunta do leitor Akassio Miranda)
Martins - Lula é único porque nenhum outro candidato teve competência para mobilizar a novidade antropológica da política brasileira que veio com a Constituição de 1988, o fim dos vetos à formação do eleitorado. Ele entende a língua popular. Uma coisa são os intelectuais do PT, que não entendem disso, os sindicalistas não sabem nada, e o Lula sabe.
Ele consegue ter uma conversa com o eleitorado, especialmente cara a cara, quando vai ao interior, é um diálogo de incorporação dessa população ao processo político, diferente de outros candidatos, mesmo petistas, que não sabem falar com essa população.
Historicamente seria possível haver uma figura populista de massas, demagógica, capaz de mobilizar a população. Porém o Lula esvaziou essa possibilidade. O Lula, sozinho, absorveu todo o potencial de populismo que havia na sociedade brasileira. Ele ainda é o depositário dessa possibilidade, porém sem a chance de reviver o que já foi.
BBC Brasil - Como avalia o crescimento de partidos e posições políticas mais radicais dos dois lados, à esquerda e à direita? (pergunta do leitor André Luis dos Santos)
Martins - A radicalização de esquerda aconteceu porque o PT fracassou na aglutinação da diversidade ideológica das esquerdas. As grandes figuras que estão em facções mais à esquerda passaram, de certo modo, pelo PT. O PT as rechaçou para fazer composições políticas à direita.
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Image captionLula e vice-presidente Michel Temer (PMDB) em abril de 2015; para professor, PT contribuiu para radicalização do cenário político ao afastar setores mais à esquerda do partido e privilegiar composições à direita
E na direita mesmo, propriamente direita, nunca deixou de haver propensão direitista, esvaziada, porém, pela própria ditadura militar. Claro que houve radicais no interior da ditadura, tortura, violência, mas a ditadura militar foi uma ditadura de composição, tentativa de negociar uma grande transição política.
E o maniqueísmo petista não é só petista. O Brasil é um país que tende, naturalmente, às dicotomias. Mas o maniqueísmo petista tem raiz forte no setor das pastorais sociais da Igreja Católica, muito influenciado pelo marxismo do (filósofo francês) Louis Althusser.
É essa ideia de que o Brasil se explica e pode ser explicado para o povo como resultado de uma polarização. Ouvi isso em Goiás, na Amazônia, onde essa Pastoral foi forte. Explicam ao pobre: você é pobre porque os ricos se apossaram de tudo que você tinha e do que você produz.
Aí vem a conversa da elite e dos trabalhadores, que é a base do discurso petista, e a influência da Igreja aí foi muito forte. O Lula frequentemente apela para essa questão das elites versus povo. Fica muito complicado nessa polarização explicar a realidade dos processos sociais em qualquer sociedade.
BBC Brasil - Como separar ingredientes externos e internos ao PT na atual crise política?
Martins - Quem discutiu isso foi Victor Nunes Leal no livro importantíssimoCoronelismo, Enxada e Voto, clássico da ciência política brasileira. É que o Brasil se divide desde o fim da monarquia em tendência absolutista, de um lado, e descentralizadora do processo político, de outro.
A tendência concentradora, absolutista e autoritária é a raiz das ditaduras que tivemos, inclusive a de Getúlio Vargas. De outro lado a democracia seria de um país politicamente descentralizado em favor do poder local dos municípios, que são frequentemente antissociais: latifúndio, autoritarismo, banditismo.
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Image captionLivro identifica fatores externos ao PT na atual crise política, como o predomínio da descentralização política e do PMDB após abertura e eleição frustrada de Tancredo Neves (foto)
Com a abertura política e a frustrada eleição de Tancredo Neves cresce o PMDB, que é o partido dos municípios, da negociata, dos acordos. É um poder fragmentador. A democracia no Brasil nunca é de indivíduos que livremente votam e decidem em nome da nação.
BBC Brasil - O sr. analisa no livro o que classifica como "corrupção cívica" ou "altruísta", que teria movido o envolvimento do partido em desvios de recursos.
Martins - O que ficou claro a partir dos primeiros acontecimentos desse tipo, anteriores ao mensalão, foi algo que remete ao que ocorreu na França nas revoltas estudantis de 1968. Estudantes em nome da expropriação burguesa começaram a roubar livrarias. Era uma expressão de uma concepção muito boba sobre a função histórica da burguesia e como ela acumula.
Não por acaso o envolvimento com corrupção no PT passa pelos intelectuais, pelos burocratas, e não pelas bases sindicais ou católicas. Visivelmente essa mentalidade chegou ao PT: porque todos os governos roubam e recebem propina de 10% nas negociatas o PT não tem como não fazer, mas fará em nome de sua permanência no poder e para prestar um grande serviço à sociedade que outros não fizeram. Aí caíram na armadilha, isso é uma armadilha.
BBC Brasil - O livro aborda o papel da Igreja Católica na formação do PT e da figura política de Lula. Qual é a relevância dessa ala no partido hoje?
Martins - Essa ala se afastou do partido. As figuras mais significativas tiveram que se afastar, e os indícios apontam que foi por pressão da própria CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). As figuras ligadas à Igreja que propunham vínculo entre CNBB e governo foram caindo fora do PT a partir do mensalão.
Você também vê isso no ABC paulista: a votação do PT para prefeituras cai drasticamente. Mesmo que o partido ainda eleja prefeitos por lá, os votos modificados pelo desencanto com a política são majoritários. Estamos vivendo um momento de crise da política, não é só do PT. Sempre se poderá dizer que o PT ajudou a aumentar a crise política.
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Image captionProtesto antigoverno em São Paulo em abril de 2015; analista vê "crise do Estado e da sociedade", com "pessoas cansadas" e "partidos falidos"
As pessoas estão cheias e cansadas, mas não sabem bem o que fazer. No extremo dizem que uma ditadura vai resolver, mas não vai, porque não resolveu antes e não vai resolver agora.
Há uma insatisfação difusa. E os partidos não estão absorvendo esse novo sujeito indiferenciado e descontente. Estamos vivendo uma crise política que é do Estado e da sociedade. A sociedade não tem como se expressar e os partidos faliram.

Direitos dos Grandes Primatas ANDA

COLUNA

Direitos dos Grandes Primatas

Microbiologista e empresário, o cubano naturalizado brasileiro Pedro A. Ynterian chegou ao país há mais de 30 anos e sempre foi um admirador de animais, em especial dos primatas.
Sua vida mudou completamente em 1999, quando comprou em um criadouro comercial Guga, um bebê chimpanzé de 3 meses de idade, com a ideia de criá-lo no apartamento que morava em São Paulo. Em pouco tempo ele percebeu que ter um chimpanzé como pet não fazia o menor sentido e esse foi o primeiro passo para a montagem do primeiro Santuário dos Grandes Primatas no Brasil, localizado em Sorocaba.
O resultado foi o grande envolvimento na questão de proteção e defesa dos direitos dos grandes primatas e a filiação ao movimento internacional GAP – Great Ape Protection. As atividades de denúncia, resgate de animais vítimas de maus-tratos e divulgação de informações ganharam muita notoriedade e desde setembro de 2008 o Brasil foi eleito como sede do Projeto GAP Internacional, tendo Dr. Pedro como seu presidente.
No Brasil o GAP tem quatro santuários afiliados, entre os quais o de Sorocaba, que juntos abrigam mais de 80 chimpanzés, entre outros animais resgatados de maus-tratos em circos, zoológicos e outras atividades comerciais.

Morte de turista chama atenção para abusos no turismo animal CONTEÚDO ANDA

12 de fevereiro de 2016 às 6:00

Por Oliver Holmes/The Guardian (Tradução: Dhamirah Hashim/ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais)
Elefante
A morte de um turista britânico que foi pisoteado por um elefante na Tailândia esta semana tem reenergizado campanhas para acabar com as práticas abusivas generalizadas no setor de turismo de animais no país.
Edwin Wiek, um proeminente ativista dos direitos animais, disse que vai pressionar os políticos tailandeses para regular a indústria, citando os perigos para os turistas que pagam para montar elefantes ou tirar fotografias com tigres em cativeiro.
Os elefantes podem ser dóceis, mas também são propensos a ataques de raiva se agitados. O treinamento brutal de elefantes de trekking pode torná-los ainda mais perigosos, dizem ambientalistas.
A ONG World Animal Protection diz que elefantes são treinados para se submeter a dar passeios quando são tirados de suas mães como bebês e forçados através de um processo selvagem de formação conhecido como “the crush”. Vídeos desta operação na Tailândia foram vazados, em que os elefantes são contidos em pequenas gaiolas e espancados.
Na segunda-feira, Gareth Crowe, de 36 anos, da Escócia, foi morto por um elefante durante um passeio com a sua enteada Eilidh, de 16, na ilha de férias de Koh Samui. O treinador do elefante, ou mahout, havia desmontado para tirar uma fotografia da dupla quando o animal, chamado Golf, o atacou.
Crowe foi jogado para baixo, pisado e ferido após o manipulador tentar sem sucesso controlar o animal com uma lança.
Gareth Crowe morreu após ser atacado por um elefante durante um passeio
Gareth Crowe morreu após ser atacado por um elefante durante um passeio
Embora seja impossível dizer o que causou o elefante a matar Crowe, Wiek disse que o macho adulto podia estar no cio, uma condição periódica caracterizada por um aumento nos hormônios reprodutivos que podem fazer elefantes machos violentos. “Eles se tornam muito imprevisíveis,” disse ele. “Imagine 6.000 quilos de carne com tesão.”
Samattapong Uttama, diretor-assistente da Island Safari, a empresa de turismo que possui Golf, disse que o elefante estava sendo rigorosamente monitorado após o ataque. “Suspendemos todas as operações por 10 a 15 dias enquanto revemos nossos procedimentos,” disse Samattapong por telefone.
Samattapong disse que seus mahouts foram “estritamente ditos que não deviam usar a ponta afiada da lança”, que a empresa não era cruel com seus nove elefantes em trabalho, e que seguem de perto as leis de direitos animais da Tailândia.
Wiek, fundador da Wildlife Friends Foundation of Thailand, disse que, além de documentos que provam a guarda dos animais, os 80 campos de elefante na Tailândia, que em conjunto detêm 2.800 elefantes, não estão devidamente regulamentados.
A peça principal de legislatura do reino para evitar o abuso animal, aprovado por 188 a 1 em um voto parlamentar de 2014, protege “animais de shows”, mas na maior parte das vezes tem sido interpretado para cobrir negligência de cães e gatos domésticos.
Sek Wannamethee, um porta-voz do Ministério do Exterior, disse que a Tailândia tinha outras regulamentações específicas que promovem o bem-estar dos elefantes. “A execução, acompanhamento e avaliação dessas leis e regulamentos são constantemente realizadas em todo o país,” disse Sek, acrescentando que o governo tailandês “leva a questão da crueldade contra os animais a sério.”
Ativistas dizem que mais legalização e aumento da fiscalização é necessária. Em um zoológico na periferia da capital, orangotangos são treinados para boxear uns aos outros para o entretenimento dos espectadores.
O abuso também tem sido relatado em parques de tigres da Tailândia, onde os turistas podem tirar fotos com filhotes e adultos. No mês passado, um vídeo mostrou um manipulador socando um tigre no rosto, e em 2014 um turista australiano foi ferido gravemente. A World Animal Protection diz que 614 tigres estão sendo mantidos em tais locais.
Atrações animais são um grande negócio na Tailândia, e o setor do turismo como um todo responde por cerca de 10% do PIB. Em uma indicação do dinheiro que os elefantes podem gerar, uma fêmea bebê é estimada no valor de até £ 35.000.
A Freeland, uma organização que aborda o tráfico de animais selvagens, disse que na maioria das vezes os elefantes foram retirados do meio natural, muitas vezes do vizinho Myanmar. Há uma estimativa de 3.000 elefantes selvagens na Tailândia, e algumas dezenas de elefantes ainda são utilizados em operações florestais.
A Tiger Temple da Tailândia, onde cerca de 150 tigres vivem, tem enfrentado acusações de envolvimento no comércio ilegal de animais silvestres. O porta-voz do Ministério do Exterior Sek disse que o governo começou a mover alguns tigres para unidades de conservação da vida selvagem na semana passada.
Mas o setor é resiliente, mesmo quando os turistas são atacados. Houveram seis ataques fatais de elefantes ao longo dos últimos seis meses na Tailândia, de acordo com Wiek. “Eu acho que devemos explorar este momento no sentido positivo, dizendo ao governo tailandês para começar a pensar em legislatura real”, disse ele.
Vários santuários de elefantes foram criados na Tailândia, onde não são permitidos passeios, mas os visitantes podem ver os animais – muitas vezes elefantes mais velhos que foram resgatados de campos de elefantes – em áreas abertas.
A Elephant Nature Park, na província de Chiang Mai, no norte da Tailândia, permite que os visitantes alimentem, caminhem ao lado e banhem elefantes. Seu fundador Sangduen Chailert viaja para campos de elefantes para treinar mahouts em cuidados básicos de saúde, dieta e tratamento adequado. Os turistas também estão autorizados a voluntariar no acampamento, embora o seguro privado é obrigatório.
*É permitida a reprodução total ou parcial desta matéria desde que citada a fonte ANDA – Agência de Notícias de Direitos Animais com o link. Assim você valoriza o trabalho da equipe ANDA formada por jornalistas e profissionais de diversas áreas engajados na causa animal e contribui para um mundo melhor e mais justo.

Dólar sobe e volta a se aproximar de R$ 4; Bovepa fecha em queda

Em um dia de turbulência no mercado financeiro, a moeda norte-americana aproximou-se de R$ 4, e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o dia com forte queda. O dólar comercial fechou esta quinta-feira (11) vendido a R$ 3,984, com alta de R$ 0,048 (1,23%). O Ibovespa, índice da Bolsa de São Paulo, caiu 2,56%, encerrando aos 39.345 pontos.
Com a alta de hoje, o dólar volta a acumular alta em 2016, tendo subido 0,9% no ano. A divisa operou em alta durante todo o horário de negociação e encerrou na máxima do dia.
O Ibovespa começou o dia operando em forte queda, e a tendência ampliou-se nas horas seguintes. Pela primeira vez desde o último dia 3, o índice voltou a fechar abaixo de 40 mil pontos, aproximando-se dos níveis registrados em março de 2009, no auge da crise econômica provocada pelo colapso do crédito imobiliário nos Estados Unidos.
As ações da Petrobras, as mais negociadas, também tiveram forte queda. Os papéis ordinários, que dão direito a voto em assembleia de acionistas, caíram 2,78%, fechando em R$ 5,95. As ações preferenciais, que dão prioridade na distribuição de dividendos, recuaram 1,86%, sendo vendidas a R$ 4,23.
Nos últimos dias, as commodities (bens primários com cotação internacional) têm caído fortemente por causa de dados que mostram a desaceleração da economia chinesa. A cotação internacional do barril de petróleo, que tinha chegado a ficar acima de US$ 30 na semana passada, fechou em torno de US$ 28.
Os mercados da Ásia não operaram hoje por causa do feriado do Ano-Novo chinês, mas as bolsas norte-americanas e europeias despencaram com a queda generalizada dos preços das commodities e das ações de bancos internacionais e com a redução do número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos. O bom desempenho do mercado de trabalho nos Estados Unidos pressiona o Federal Reserve (Banco Central do país) a não adiar o aumento dos juros da maior economia do planeta.
A retração da China, a segunda maior economia do planeta, prejudica países exportadores de commodities, como o Brasil, porque reduz a demanda global por matérias-primas e produtos agrícolas. Com as exportações mais baratas, menos dólares entram no mercado brasileiro, empurrando para cima a cotação da moeda norte-americana.
*Com informações complementares da Agência Lusa

Reuters 12/02/2016 07h57 - Atualizado em 12/02/2016 08h42 Ações na Ásia recuam com temores sobre bancos e pessimismo global Índice MSCI de ações regionais sem Japão recua 0,63%. Nikkei do Japão cai 4,8% e toca mínima de 15 meses.

As ações asiáticas caíram pela sexta sessão seguida nesta sexta-feira (12) com preocupações sobre a saúde dos bancos europeus ameaçando a economia global, já sob pressão dos preços do petróleo e da desaceleração da China e outros mercados emergentes.
Às 7:43 (horário de Brasília), o índice MSCI que reúne ações da região Ásia-Pacífico com exceção do Japão caía 0,63%.
O índice Nikkei do Japão recuou 4,8% e tocou uma mínima de 15 meses, fechando a semana com perdas de cerca de 11%, com a maioria dos investidores sendo pegos de surpresa nesta semana pela forte apreciação do iene.
As ações financeiras lideraram as perdas na Austrália e Hong Kong, apesar dos declínios ainda serem modestos comparadas a seus pares na Europa e nos Estados Unidos.
"Fomos atingidos por uma sequência de notícias ruins desde que o ano começou, e creio que os mercados vão continuar incertos no curto prazo até que as ações bancárias globais se estabilizem", disse o gestor de portfólio do East Capital Asia Francois Perrin.
Em Tóquio, o índice Nikkei recuou 4,84%, a 14.952 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng caiu 1,22%, a 18.319 pontos. Em Xangai, o índice SSEC não abriu para negócios. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, permaneceu fechado. Em Seul, o índice Kospi teve desvalorização de 1,41%, a 1.835 pontos. Em Taiwan, o índice Taiex não teve operações. Em Cingapura, o índice Straits Times valorizou-se 0,07%, a 2.539 pontos. Em Sydney, o índice S&P/ASX 200 recuou 1,16%, a 4.765 pontos.
Europa
Já as ações europeias se recuperavam com força nesta sexta das fortes perdas da sessão anterior, com os resultados positivos do banco alemão Commerzbank e a alta dos preços do petróleo ajudando as ações relacionadas a commodities e bancos a retomarem terreno.
Às 8h03 (horário de Brasília), o índice das principais ações europeias FTSEurofirst 300 tinha alta de 1,91%, a 1.218 pontos, após fechar em queda de 3,7% na quinta-feira (11), quando um tombo dos bancos e das ações relacionadas a matérias-primeiras empurraram o índice para a mínima de dois anos e meio.
Ações de grandes bancos europeus, afetadas por uma lista sem fim de preocupações de investidores, estão passando por uma onda de vendas mais brutal que a registrada durante a crise internacional de 2008.

Grandes potências acertam plano para romper impasse na Síria Países concordaram em um fim gradual das hostilidades. Acordo também inclui ajuda humanitária rápida.

Chanceler da Rússia, Sergey Lavrov (à esqueda) e secretário de Estado dos EUA, Jonh Kerry (Foto: Matthias Schrader/AP)Chanceler da Rússia, Sergey Lavrov (à esqueda) e secretário de Estado dos EUA, Jonh Kerry (Foto: Matthias Schrader/AP)
As grandes potências concordaram na sexta-feira (12, no horário local) com um plano destinado a quebrar o impasse na Síria através da introdução de um fim gradual das hostilidades e de ajuda humanitária rápida, de forma a criar condições para a retomada das negociações de paz. O grupo, porém, não estabeleceu uma data para um cessar-fogo completo.
O acordo surgiu a partir de um encontro realizado nesta quinta-feira (11) em Munique, na Alemanha, do Grupo Internacional de Apoio à Síria, do qual participam representantes dos Estados Unidos, da Rússia e de outros 12 países.
DivergênciasSegundo o secretário de Estado americano, John Kerry, o acordo determina a "cessação de hostilidades" na Síria, a começar em uma semana. A medida não inclui os ataques contra o Estado Islâmico ou outros gupos terroristas que atuam na Síria.
O anúncio do acordo não significa o fim das divergências entre as potências sobre o caminho para a paz na Síria.
Kerry cobrou a saída do presidente Bashar al-Assad, ao dizer que "sem transição política, não é possível alcançar a paz." A Rússia, entretanto, não mostrou até o momento interesse em que o governante deixe o poder, segundo diplomatas.
O chanceler russo, Sergei Lavrov, também ressaltou que o país vai manter os ataques áreos em território sírio que, segundo Moscou, têm como alvo o Estado Islâmico e outros grupos terroristas. Para os EUA, entretanto, esses golpes têm atingido grupos de oposição a Assad e que são apoiados por países ocidentais.
O ministro das relações exteriores da Alemanha, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que os Estados Unidos e a Rússia devem coordenar de maneira mais próxima as ações militares no país.
Sírios se reúnem em uma rua destruída por uma bomba em Aleppo, na Síria (Foto: Sana/AP)Sírios se reúnem em uma rua destruída por uma bomba em Aleppo, na Síria (Foto: Sana/AP)

Oposição cobra ações práticas
A oposição síria elogiou os esforços, mas diz que são necessárias ações concretas. Selem Meslet, representante do Alto Comitê de Negociações Sírias - principal grupo contrário ao regime de Assad - indicou que aguardará tais ações para decidir se participará das negociações de paz realizadas na Suíça.
"Nós agradecemos os esforços que nossos amigos estão fazendo para ajudar o povo sírio. Se nós virmos ação e implementação, nos veremos em breve em Genebra", afirmou.
Kerry, Lavrov e o enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) Staffan de Mistura, concordaram que a reunião de Munique produziu compromissos no papel apenas e que o "teste verdadeiro" será ver se todas as partes envolvidas no conflito da Síria vão honrar seus compromissos. Mistura enfatizou, ainda, que o que foi acordado não foi um cessar-fogo, mas uma "cessação de hostilidades".

Corrida pela vacina do zika já tem 15 laboratórios envolvidos, diz OMS Produtos desenvolvidos por Índia e EUA estão em estágio mais avançado. Mosquito transgênico e bactéria contra Aedes são 'promissores', diz médica

Marie-Paule Kieny, diretora-geral assistente da OMS (Organização Mundial da Saúde) fala sobre o zika (Foto: Pierre Albouy/Reuters)Marie-Paule Kieny, diretora-geral assistente da OMS, fala sobre o vírus da zika (Foto: Pierre Albouy/Reuters)



A corrida para a criação de uma vacina contra o vírus da zika já tem envolvidos 15 laboratórios de instituições públicas e privadas, afirmou hoje a OMS (Organização Mundial da Saúde), que diz ver os esforços de pesquisa e desenvolvimento no combate à doença "caminhando muito rápido".
Segundo a diretora-geral assistente da entidade, Marie-Paule Kieny, os imunizantes em estágio mais avançado de desenvolvimento são uma vacina de DNA desenvolvida pelos NIH (Instituto Nacionais de Saúde dos EUA) e uma vacina de vírus inativado produzida pela empresa indiana Bharat Biotech.
Essas vacinas podem conseguir iniciar testes em humanos dentro de 18 meses, se não ocorrerem imprevistos durante os estágios iniciais de desenvolvimento, afirmou Kieny em entrevista coletiva.
Segundo a médica, dez empresas do mundo já estão fornecendo testes de diagnósticos genéticos ou de anticorpos para o zika, sem especificar qual tipo de exame está mais difundido. Outras dez empresas ainda desenvolvem produtos comerciais.
Nenhum teste para o zika, porém, foi validado de maneira independente nem aprovado por agências regulatórias. Os exames realizados até agora são todos feitos por entidades de governo.
Testes para distribuição em larga escala devem estar prontos "dentro de semanas, e não anos", afirmou Kieny.
Mosquitos
A médica da OMS afirmou também que dois dos novos métodos para combate ao Aedes aegypti parecem promissores: o uso da bactéria Wolbachia, que enfraquece o inseto, e o uso de mosquitos transgênicos estéreis, que diminuem a população do animal.
Keiny afirma que, para produtos que atingem "um estágio avançado de testes", a OMS pode adotar um trâmite especial para recomendar o uso experimental da técnica.
A diretora-geral assistente afirmou também que espera ver dentro de algumas semanas estudos que comecem a explicar qual é o mecanismo biológico por trás dos casos de bebês nascidos com microcefalia após suas mães terem sido infectadas por zika.